Não posso começar a falar deste livro sem abordar a adaptação pelo olhar do adaptador. João de Barros nasce no final do séc. XIX., e ocupou papéis de pedagogo e escritor, para além de político. Esteve ligado à educação pelas posições políticas que ocupou, e adaptou alguns clássicos da literatura para os jovens, em prosa. Passados 40 anos, alunos do 2º ciclo continuam a ler esta adaptação e a estudá-la em ambiente escolar. Há várias edições no mercado, e a Cultura Editora junta a mais recente versão.
A Odisseia, escrita por Homero, é uma das epopeias históricas da Antiguidade Clássica, e centra-se na vida de Ulisses, e no seu percurso em direcção a casa, à mulher, e ao filho ao longo de 20 anos.
A adaptação encurta a história sensivelmente (foram adaptados 15 capítulos das 24 secções originais) e a abordagem é bastante ligeira e adaptada a uma faixa etária mais jovem (para adolescentes, aconselho a versão adaptada por Frederico Lourenço). É uma introdução simples, sem ser simplista, e que contempla as variâncias e peripécias do Herói, seguindo a lógica da narrativa original.
Não sei dizer se a adaptação teve alterações ao longo do tempo para corresponder ao léxico corrente de cada época de publicação, ou se se manteve intacta à adaptação original. De qualquer forma, tratando-se de uma estória intemporal, foi fácil realizar o casamento entre a expressão linguística e o momento presente. Apesar de uma estória clássica escrita em VIII a.C., a aventura, o combate ao Desconhecido e aos monstros (e do medo para além da aventura),
será sempre uma produção facilmente reproduzivel ao longo dos tempos, independentemente do Tempo
Histórico.
Ao acompanhar-se de pequenas ilustrações, permite que jovens menos aptos à leitura possam auxiliar a imaginação na reprodução do texto lido, e são uma pequena delícia. - Cláudia