A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você pensar não é a forma como vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado. (Danilo Barbosa - Autor de Arma de Vingança)
Já tinha lido um pouco sobre As mulheres que não sabem chorar, e tive curiosidade por ser um livro que quebra padrões e fala sobre temas ainda considerados “polêmicos”. Lilian Farias escreveu sobre quatro mulheres muito diferentes, mas ao mesmo tempo, muito parecidas, e que acabam tendo suas histórias interligadas.
Ana é uma jovem com um passado pra lá de conturbado, pra dizer o mínimo, que leva uma vida desordenada e tenta lidar com os seus traumas da melhor maneira que consegue.
Marisa é uma mulher forte, determinada e bastante prepotente que de repente se ver sozinha depois dos filhos partirem para um intercâmbio, sem saber exatamente o que fazer da vida agora.
Olga é uma mulher devastada pelo vício e pela morte da filha única. Foi obrigada a ser quem não era por muito tempo e encontrou na bebida o seu único consolo para aplacar as mágoas.
Apesar do livro contar como tendo quatro protagonistas, Verônica na verdade é apenas uma personagem secundária. Ela aparece bem menos que as outras três e sua única importância dentro da obra é ser a paixão de Ana.
Ana foi minha personagem favorita. E Olga também não ficou muito distante do meu afeto. Mas Marisa, nossa, que personagem difícil de engolir. Ela é prepotente, preconceituosa e mesmo, cruel. Não acho que ela merecia alguém tão especial quanto a Olga. Por mais que eu tenha ficado feliz pelo que ela armou para pegar um serial killer de mulheres, não muda o fato de que, no começo, ela humilhava Olga da forma mais cruel apenas porque ela se sentia atraída por ela. E o que ela faz no final mostra perfeitamente que ela não era boa pessoa e nunca amou a Olga. Fiquei com uma puta raiva do final.
Enfim, a história dessas personagens é permeada de preconceitos, violências, descobertas e horrores. Algumas passagens do livro são extremamente perturbadoras, como a cena do hospital psiquiátrico. Acho que ele deveria vim com alerta de gatilho, não é todo mundo que pode e deve ler um troço daqueles. Eu estudei o holocausto brasileiro na faculdade, mas por mim, nunca mais lia nada à respeito daquilo. É importante relembrar esse tipo de coisa para que não seja esquecido, nem volte a acontecer. Mas para mim, é demais.
Fora essas partes, o livro é uma boa leitura. Eu esperava bem mais, no entanto. Achei o final corridíssimo, achei a resolução do caso do Rômulo superficial, a autora exagerou nas frases de efeito e a editora exagerou na negligência; havia MUITOS erros de digitação e houve até troca de nomes de personagens. Concluindo, eu leria sem muitas expectativas. Ainda sim, é um livro que quebra algumas barreiras e derruba certos preconceitos. Recomendo.