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Marquesa de Paiva

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A história de uma mulher que chocou a sociedade parisiense do século XIX.
A Marquesa de Paiva não tinha uma única origem, mas sim muitas circunstâncias. Mulher de índole forte e perseverante, com uma vontade de aço, La Païva lutou sem tréguas contra o destino, para se libertar da pobreza, e enriquecer tornou-se o grande objectivo da sua vida, a sua maior preocupação. O berço não lhe concedeu vantagens nem lhe facilitou a vida, mas deixou-lhe a convicção de que não valia a pena viver se não fosse para ser rica.

264 pages, Paperback

First published March 3, 2015

25 people want to read

About the author

João Pedro George

33 books22 followers
JOÃO PEDRO GEORGE nasceu em Moçambique, a 13 de Fevereiro de 1972. Licenciado em Sociologia, Mestre em Sociologia Económica e Histórica e Doutor em Sociologia da Cultura, com a tese Luíz Pacheco: maldição e consagração no meio literário português, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou entre 1998 e 2008, como professor assistente convidado.
É autor de obras como O Meio Literário Português (1960-1999), Não é Fácil Dizer Bem, Puta que os Pariu! A Biografia de Luiz Pacheco ou O Que é um Escritor Maldito? Estudo de Sociologia da Literatura.
Em paralelo, depois de ter colaborado na imprensa (O Independente e Periférica), na secção de crítica literária, divide a sua actividade como tradutor, editor de textos, revisor tipográfico e ainda como escritor-fantasma, trabalhos que lhe permitiram, durante anos, viver exclusivamente da escrita.

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Miguel.
471 reviews14 followers
May 16, 2015
Ela arruinou duques, condes, banqueiros e dezenas de homens com poder e vasta fortuna. A Marquesa de Paiva, conhecida também como La Païva, nasceu no seio de uma família judia sem posses, em Moscovo, em 1819.
(...)
A mais inimitável de todas as prostitutas francesas do século XIX, uma idólatra de jóias, chega ao culminar da sua ambição ao se casar com o homem mais rico da Prússia, o Conde Guido Henckel von Donnersmarck
(...)
'Marquesa de Paiva' está eficazmente escrito duma forma objectiva e entusiástica, revela uma biografia engenhosamente trabalhada, o que estimula o leitor da primeira página à última. João Pedro George (n. 1971) recriou uma biografada absolutamente real, a transbordar sedução e maledicência. A Marquesa de Paiva tinha um poder de sedução inigualável, que enfeitiçava os homens, e com a ajuda do autor de 'Puta que os Pariu! A Biografia de Luiz Pacheco'
(...)

Crítica completa: http://silenciosquefalam.blogspot.pt/...
Profile Image for Ana Carvalheira.
253 reviews68 followers
September 1, 2020
A “Marquesa de Paiva” com o subtítulo “O destino extraordinário de uma aventureira do amor”, descreve, utilizando os recursos literários do ensaio, da ficção, do romance e dos testemunhos coevos, a biografia de uma das cortesãs mais famosas do século 19.

“Nas ogivas das catedrais góticas, no rosto macerado dos santos dos altares e no olhar lascivo das prostitutas se vislumbra o sorriso satânico do dinheiro”, reflexão de um autor desconhecido com a qual o sociólogo João Pedro George abre a narrativa, cujo coeficiente permanecerá, ao longo de todo o livro, na ambição desmedida, compulsiva, quase inenarrável de uma mulher que tudo fez para a obtenção de uma catapulta social donde decorreria uma forma de estar, de ser e de viver, caracterizada pelo luxo extremo, pelo conforto desmedido, pelo maquiavelismo exacerbado, pela propulsão incrivelmente hedionda, na minha perspetiva, em realizar todos os sonhos e desejo por uma vida carregada de luxo e ócio onde o afeto, a emoção, os eflúvios da paixão não existiam; apenas o panegírico, a idolatria, a obsessão, a submissão ao vil metal que tudo transforma, que tudo dá, riqueza e posição social, “amigos” e amantes tudo cozinhado no caldeirão da ganância.

Já na introdução, George nos dá a conhecer a personagem que viríamos a acompanhar nas 239 páginas do livro. “Gulosa de homens ricos, famosos e poderosos, estava sempre à espreita da primeira ocasião de encontrar um grande capitalista ou um herdeiro de sangue azul, com muitos e grandes apelidos, dispostos a arruinarem-se por ela”.

Esther Pauline Lachmann nascera em 1819, na chamada Zona de Assentamento, na Rússia de Catarina, a Grande, casara-se aos 19 anos com um alfaiate francês, “nascido na Cidade Luz” de quem tivera um filho. Vivendo na mediocridade que muitos, sem razão, consideram a sua existência, abandonou a família, assim, da noite para o dia, procurando em Paris uma vida que lhe ofereceria “uma perspetiva mais ampla da existência”, permitindo-lhe “abrir os horizontes” da “promessa de um futuro melhor”.

Na verdade, a futura Marquesa de Paiva de compleições medíocres, mas algo excêntricas ou, se quisermos, exóticas por força de uma genética forte, consegue, após momentos de, não diria de desilusão, pois a ilusão em obter um estatuto socioeconómico e cultural acima das suas raízes se manteve mesmo nos momentos das maiores amarguras e descrédito, atingir o seu desiderato. Ou seja: conquistar um homem rico que lhe traria todas as possibilidades de uma ascensão social, logo financeira, que lhe permitiria atingir todos os níveis de possibilidades: joias, um guarda roupa sumptuoso, mansões e palácios, criados à disposição da perpetuação de um estado físico e “moral” à sua altura, ou seja, da perspetiva do mais exacerbado e conseguido materialismo.

Mas, depois de ter atingido esse “status quo” proveniente da sua “atividade de meretrício” depois de depenar, literalmente, Henri Herz, pianista famoso à época, “um dos mais célebres pianistas do seu tempo” com quem a Marquesa de Paiva viveria e que acabaria por se suicidar, à cortesã faltava-lhe um título nobiliárquico de modo a solidificar a sua desmedida ambição. Conhece, então em Paris o seu segundo marido, Albino Araújo de Paiva, um português designado como “estoura-vergas”, isto é, “um tipo despreocupado da vida, com fama de fabulosamente rico, pelas despesas que fazia e pela vida regalada que levava em Paris”. É lógico que uma personagem com tais qualificativos, atraiu logo a atenção da cortesã. Contudo, nada disso seria verdade pois o Marquês de Paiva encontrava-se numa posição de falência iminente. Mas com a ambição desmedida que caracteriza a conduta moral da Marquesa, esta não se opôs a um casamento que interessaria a ambas as partes: ela pagaria as suas dívidas e em contrapartida, conseguia adquirir o título ao qual ambicionara.

Mas a grande vitória para os seus objetivos materialistas, seria o seu terceiro casamento com o homem mais rico da Prússia, Guido Georg Friedrich Erdmann Heinrich Adalbert Graf Henckel von Donnersmarck, onze anos mais novo do que La Paiva e que também não resistiu aos encantos sexuais e eróticos de uma verdadeira bailarina de dança do ventre que a todos enfeitiça. E vai ser, nesta altura, que a Marquesa atingirá o seu apogeu egocêntrico, dissimulado, fátuo, fabricado nas suas intenções: e em toda a glória, surge no número 25 dos Champs Elysées o palacete mais bacoco, mais kitsch, mais revelador da nouvelle richesse de uma burguesa com laivos de superioridade intelectual. A descrição que o autor nos dá dessa habitação é algo sublime no seu mau gosto e mereceu um capítulo inteiro dedicado a essa incoagulável habitação para que pudéssemos compreender, na totalidade, a presunção da sua proprietária.

“Marquesa de Paiva” não nos marca, porém, apenas pela biografia de alguém que, com as suas idiossincrasias, acabaria por ter Paris aos seus pés. Narra, também, e isso para mim tem um valor intrínseco ao conhecimento e à avaliação das civilizações em determinados momentos, a história da França ao longo do século 19 que alterna as Repúblicas com os Impérios, com a Comuna de Paris, sendo um testemunho histórico da mais alta grandeza.

João Pedro George consegue prender-nos a esta narrativa da primeira à ultima página pois apresenta-nos, de forma factual, o projeto de uma mulher indomável nos seus desígnios e a contextualização histórica desses acontecimentos. Nota-se que houve um trabalho cuidado e de profunda investigação em que o autor, sabiamente, soube distinguir o boato do facto.

Especialmente escrito para quem gosta de conhecer a história das civilizações, neste caso, a francesa de Oitocentos, com toda a sua promiscuidade social, cultural e política. Para terminar, apenas uma nota para os participantes nesta narrativa: realço, entre vários, os irmãos Goncourt, (sim, o mesmo nome que, mais tarde, daria voz ao mais famoso prémio literário francês), críticos acessos à personagem da Marquesa de Paiva e dos seus intuídos.

Muitos motivos para nos apropriarmos de uma narrativa que considero excelente!
Profile Image for Augusto Santos.
17 reviews1 follower
April 17, 2025
Além da vida desta intrigante figura, faz um retrato muito interesante da época em termos políticos e sociais.
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