No Hospital Colónia de Barbacena, onde o esquecimento foi política de Estado, Teresinha é internada grávida e sem defesa. Bernardo, um homem comum, recusa aceitar que o silêncio seja destino dos vivos. Separados por grades, papéis e escolhas irreversíveis, constroem uma ligação feita de cuidado, responsabilidade e promessa. Quando Bernardo parte em busca da filha de Teresinha – levada ainda criança para longe da mãe –, o romance atravessa cidades, países e tempos, revelando como a violência institucional não termina nos muros que a escondem: prolonga-se nos corpos e transforma a memória num registo que não se apaga. Um romance que confronta, comove e permanece muito depois da última página.
ALBERTO S. SANTOS é licenciado em Direito, pela Universidade Católica Portuguesa. Foi Presidente da Câmara Municipal de Penafiel (2002-2013), Presidente da Comissão Científica da Rota do Românico/Centro de Estudos do Românico e do Território (2009-2025) e Comissário Cultural do Festival Literário "Escritaria" (2014-2025). Foi Secretário de Estado da Cultura dos XXIV e XXV Governos Constitucionais (2025-). Como escritor, afirmou-se essencialmente na ficção histórica, criada a partir de marcantes acontecimentos reais, mas pouco conhecidos do grande público. Publicou os romances A Escrava de Córdova (2008), A Profecia de Istambul (2010), O Segredo de Compostela (2013), Para lá de Bagdad (2016), Amantes de Buenos Aires (2019) e A Senhora das Índias (2024). É também autor da coletânea de contos A Arte de Caçar Destinos (2017) e participou na série de contos de autores lusófonos Roça Língua (2014). Tem obra publicada na Polónia, Argentina, Espanha e, em breve, na Sérvia).
Não é novidade nenhuma a qualidade dos livros deste autor, mas, mesmo assim, consegue notar-se uma grande evolução e este livro é verdadeiramente excepcional. Conta-nos a história, baseada em factos reais, dos internados na Colónia de Barbacena, no Brasil, um "hospital" psiquiátrico onde muitos eram encerrados sem sofrerem de qualquer doença, ou sem que essa doença justificasse internamento. Eram obrigados a trabalhar gratuitamente nos roseirais horas e horas sem descanso e viviam em condições desumanas. Uma leitura obrigatória.
Um livro que queria classificar com 5*, na minha opinião seria merecedor de um prémio, pela fantástica escrita, diria que um misto entre português e português do Brasil, com personagens estupendas e um argumento incrível, violento, cruel por se basear em factos verdadeiros, mas com ternura e amor misturados. Todavia, o final não está ao nível, infelizmente. Gostaria de um dia falar com o autor sobre este livro. A curiosidade desta obra obrigar-me-á a conhecer mais. Parabéns ao autor, de todos os modos.