Livro feito a partir do espectáculo O Céu da Língua, que já teve mais de 200 mil espectadores em Portugal e no Brasil.
Depois do espectáculo, Gregorio Duvivier, membro da Porta dos Fundos e um dos mais importantes criadores contemporâneos de língua portuguesa, construiu o livro À Flor da Língua, uma nova forma inteligente, sensível e divertida de celebrar aquilo que nos une — a capacidade de falar, de imaginar a partir das palavras e de contar histórias. Com palavras mais kiki (pontudas, divertidas) ou mais bouba (redondas, desenxabidas), entre portugueses que se esbardalham e brasileiros que se estabacam, em sambas que ganham significados ou nomes que perdem o R (como Guegóio), o actor e humorista salta de palavra em palavra com carinho e amor sinceros por cada uma delas — até porque «o livro de uma vida» nasceu de uma «desconfiança em relação aos significantes» que surgiu logo com um ano de idade.
«Sussurrar é uma palavra sussurrada. Metralhar te obriga a fuzilar com a língua. Tropeçar tem um degrau ali no meio. Borbulha é uma palavra bolhosa. Fronha tem o som de cara enfiada no travesseiro. Nosso beijo, na língua portuguesa, nos obriga a dar um beijo. Em inglês, não: kiss é um beijo com dente, um negócio estranhíssimo.» — Gregorio Duvivier
Gregório Byington Duvivier é um ator, humorista, escritor, roteirista e poeta brasileiro. Ficou conhecido pelo seu trabalho no cinema e no teatro e, a partir de 2012, destacou-se como um dos criadores dos esquetes da série Porta dos Fundos, veiculada pelo Youtube.
É autor dos livros "A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora" , "Ligue os pontos - Poemas de amor e Big Bang" e "Put Some Farofa".Também assina uma coluna semanal na Folha de São Paulo.
Nada que não estivesse já à espera. O Gregorio é inteligente, culto, com um delicioso sentido de humor, com uma cabeça bem resolvida. O livro é o reflexo dessas qualidades, e é muito muito bom. O conhecimento da nossa língua portuguesa, no Brasil e em Portugal, é profundo e através desse conhecimento deciframos a nossa cultura e a nossa personalidade colectiva. Aprendi e ri-me muitas vezes. Leiam! E vejam os espectáculos dele.
O livro perfeito para os apaixonados pela língua portuguesa!
Gregório Duvivier, membro da Porta dos Fundos, traz-nos um humor inteligente e cheio de sensibilidade, revelando um profundo conhecimento da língua portuguesa, da sua história, das suas excentricidades e singularidades.
Adorei a fusão e o contraste entre o português de Portugal e do Brasil e só posso recomendar este livro, que é uma verdadeira ode às palavras e, sobretudo, à nossa língua-mãe.
Fui ver a peça O Céu da Língua, e saí de lá com a sensação de que a língua portuguesa é uma coisa viva, quase um corpo com respiração própria. Quando depois peguei em À Flor da Língua, senti que o livro prolonga essa experiência de forma íntima, como se aquilo que tinha sido dito em palco continuasse a ecoar.
O Gregório Duvivier tem uma forma muito particular de olhar para as palavras. Há humor, claro, mas nunca é um humor vazio. É um humor que abre espaço para pensar. A teoria kiki bouba, por exemplo, ficou-me colada à cabeça. Essa ideia de que há sons que naturalmente associamos a formas, como se a linguagem já viesse com uma espécie de intuição inscrita, fez-me olhar para as palavras com mais cuidado, como se cada uma tivesse um desenho escondido.
E depois há descobertas que parecem pequenas mas que mudam tudo. Não fazia ideia da riqueza da língua tupi, nem da forma como ela ainda vive, meio escondida, no português que falamos. Ler isso foi como encontrar raízes que não sabia que existiam, uma espécie de memória enterrada que de repente ganha voz.
O episódio do javaporco é outro desses momentos em que se percebe que a língua também é absurda, inesperada, quase selvagem. Há qualquer coisa de libertador nessa mistura entre o erudito e o ridículo, como se a língua recusasse ser arrumada.
E no meio disto tudo, uma revelação que parece simples mas que ficou comigo mais do que esperava: os inhos. Há ali qualquer coisa de profundamente humano na forma como diminuímos as palavras para as tornar mais próximas, mais nossas. Um carinho que se cola às sílabas.
Este livro não é só sobre linguagem. É sobre a forma como habitamos o mundo através dela.
‘O ser humano fala porque sabe que vai morrer, e enquanto ele tá quieto ele só consegue pensar nisso. Por isso falamos: pelo mesmo motivo que se leva caixinhas de som pra praia, e ouve podcasts lavando louça e se cantarola, e se assobia, e se batuca. A gente fala porque o silêncio faz muito barulho.’
- delicioso - ri alto várias vezes, está escrito de forma mto engraçada - adoro aprender sobre a nossa língua e as infinitas variações das suas variantes, q podem ou não ter relações entre si - lá dizia o poeta, "a minha pátria é a língua portuguesa"
Há livros que vocês sabem o propósito deles, antes sequer de os ler, e eu sabia bem que ia ser uma viagem deliciosa pela língua, pelas palavras, tal como foi o espetáculo do Gregorio, surpreendeu me muito o que ele faz aqui.
É sempre interessante ler Gregório. Para quem gostou da peça, para quem não teve oportunidade de ver a peça, leia o livro. A língua portuguesa é riquíssima e ver como dois países a utilizam, as vezes, de uma forma tão diferente, é muito interessante.
Este livro é como se estivéssemos ao mesmo tempo dentro da cabeça do Gregório como a falar com ele. Cativante, interessante, inteligente e uma bela declaração à língua portuguesa.
Ainda existiam dúvidas que o Gregorio Duvivier é um génio? Que livro bom, sobretudo para os amantes de língua portuguesa. De um humor e inteligência incríveis. Eu achava que até sabia português, mas o Gregorio veio provar-me que estou enganada. Aprendi imenso. A peça é maravilhosa e o livro não fica nada atrás. Um excelente complemento.
Fui assistir à peça O Céu da Língua e fiquei tão apaixonada que o passo seguinte só podia ser comprar este livro — onde coube tudo o que não coube na peça. A viver entre palavras, senti-me em casa