O romance que rendeu a Sandro Veronesi seu primeiro prêmio Strega. Também vencedor do Prix Femina Étranger.
Nas margens do Mediterrâneo, exausto após uma tarde de surfe, Pietro Paladini é despertado de seu torpor por um som distante. "Ali!" ele grita para seu irmão, Carlo, que toma sol ao seu lado. "Ali!"
E assim começa o evento que abrirá um buraco na vida de Pietro. Enquanto ele e seu irmão lutam para salvar duas pessoas que se afogam, uma tragédia se desenrola em sua casa de verão. Em vez de voltar para casa com a recepção de herói, Pietro é recebido pelas luzes de uma ambulância, pelo olhar aterrorizado de sua filha Claudia e pela terrível notícia de que sua noiva, Lara, está morta.
A vida deve seguir (será que deve?) e Pietro, um executivo aparentemente realizado, precisa reencontrar seu caminho. Quando deixa Claudia em seu primeiro dia de aula, decide esperar por ela do lado de fora da escola o dia todo e, depois, todos os dias. Para protegê-la. Para se proteger.
É neste "caos calmo" que se desenrola o romance que deu a Sandro Veronesi seu primeiro Prêmio Strega. Uma fábula contemporânea inesquecível sobre a vida que vira tudo de cabeça para baixo e sobre a busca por uma resolução para o insuportável problema da perda, encontrada na beleza e estranheza do cotidiano.
Sandro Veronesi, born in Florence, Tuscany in 1959, is an Italian novelist, essayist, and journalist. After earning a degree in architecture at the University of Florence, he opted for a writing career in his mid to late twenties. Veronesi published his first book at the age of 25, a collection of poetry (Il resto del cielo, 1984) that has remained his only venture into verse writing. What has followed since includes five novels, three books of essays, one theatrical piece, numerous introductions to novels and collections of essays, interviews, screenplay, and television programs.
Um livro que é ainda melhor lido em férias, como foi o caso. Um executivo, em luto pela perda da esposa, encontra refúgio no “caos calmo” em frente à escola da filha de 10 anos. E, neste espaço de suspensão da rotina, vive um processo de introspecção e revisão de suas crenças. Me fez refletir sobre como nossa visão de mundo é sempre um reflexo, de algo que trazemos dentro de nós. O caos calmo do livro seria, então, uma estratégia que amortece um enfrentamento direto da realidade - ou definiria alguma lente possível (talvez útil a algum propósito). Um livro delícia de ler, com uma escrita elegante, envolvente e até divertida, apesar do tema denso. “As coisas precisam ser ditas, estrelinha”.
Sobre a vida, mais que a morte, e como ela tem jeitos de achar o caminho. Sobre laços e cortes, e a tentativa de não se afogar (trocadilho intencional com a primeira pagina) na dor e impotência.
Em “Caos Calmo”, de Sandro Veronesi, acompanhamos Pietro Paladini, um homem que, após uma tragédia familiar inesperada, decide passar seus dias estacionado em frente à escola da filha, transformando uma escolha aparentemente simples e excêntrica no ponto de partida para uma reflexão sobre luto, afeto e prioridades. O que mais me marcou foi a forma pouco convencional como Veronesi constrói seus personagens, revelando suas camadas por caminhos muitas vezes indiretos, por meio de conversas, observações e episódios que, em determinados momentos, parecem pedantes, excessivos ou até desnecessários. Durante a leitura, oscilei bastante: o início é extremamente forte e original, a parte central perde um pouco do impulso, mas o desfecho consegue reorganizar muitos dos elementos espalhados ao longo da narrativa e justificar, retrospectivamente, escolhas que antes pareciam questionáveis. No fim, o livro se revela uma reflexão sobre como decisões inesperadas e rotas pouco convencionais podem nos mostrar que nossas prioridades talvez estejam equivocadas. Ao mesmo tempo, o protagonista evidencia o quão contraditórios podemos ser e expõe uma ideia desconfortável, mas profundamente humana: a de que, mesmo quando acreditamos agir por altruísmo, raramente estamos totalmente livres do nosso egoísmo inerente à natureza humana.