Longe das imponentes estátuas de mármore, dos grandes feitos dos imperadores e das batalhas épicas, a vida dos romanos era feita de hábitos e rotinas como as nossas.
André Simões, professor e investigador em Estudos Clássicos, convida-nos a fazer uma viagem extraordinária até à Olisipo do início do século II d. C. Ao longo destas páginas vamos conhecer Marco Cássio Arriano, a sua mulher Árria Avita e os seus filhos, uma família a viver na Lisboa romana. Vamos acompanhar Marco Cássio no seu dia de trabalho, entrar na sua casa e jantar com a sua família no triclínio, acompanhar Quinto, Cássia e Gaio à escola e ver com que brincavam, além de visitarmos as termas e os tempos e assistirmos aos rituais religiosos, numa reconstituição rigorosa, viva e envolvente do quotidiano romano.
Com base em fontes literárias, arqueológicas e epigráficas, esta obra mostra que o Império Romano não foi apenas feito de imperadores e grandes monumentos, mas sobretudo de pessoas comuns, com preocupações muito próximas das nossas. Como nasciam, o que vestiam, como era a sua higiene, o que comiam, como se entretinham, como educavam os seus filhos e como festejavam os aniversários: um livro divertido e fascinante para todos os que querem descobrir como se vivia na Lisboa romana.
Quem me dera que toda a não-ficção fosse assim escrita.
Um livro cheio de curiosidades e conhecimento incrível, apresentado de uma maneira única!
Que bom foi conhecer os Cássios e o seu dia-a-dia, descobrir como, em muitas coisas, aquilo que hoje fazemos é apenas um reflexo do que estas pessoas faziam (ainda bem que não estou a falar das práticas de limpeza íntima).
Já só quero saber mais sobre o quotidiano destas familias olisiponenses!
Uma viagem fascinante pela Lisboa romana. Vale muito a pena. Normalmente, apenas estamos habituados aos feitos grandiosos de imperadores, escritores e filósofos. Aqui é o dia a dia que comanda a narrativa. É muito interessante, e um dos pontos altos, na minha opinião, é o facto de estar muito bem assente em registos históricos, não é uma mera invenção. Cada detalhe do dia a dia é fundamentado. Gostei muito.
Leitura excelente que nos dá a conhecer o quotidiano em época romana no mundo provincial. Um mix perfeito que junta ficção à veracidade dos factos dando a conhecer o dia-a-dia dos nossos antepassados. De fácil leitura, este autor leva-nos a absorver o ambiente, fazendo com que nos sintamos dentro da própria narrativa. 10/10
Um relato muito didáctico sobre a vida quotidiana de uma família romana em Olissipo. A atenção dada a explicar toda essa informação, é muito bem intercalada com a vivência familiar, fazendo do livro um pequeno repositório sobre a história da vida quotidiana no império romano. Vale a pena ler!
Perceber de onde veem muitas das nossas raizes, de uma forma romanceada, pratica e divertida! Uma bela leitura! Vá descobrir de onde vem a palavra Adultério e como se preparavam algumas das receitas de pratos famosos na época !
Vivi a Vida dos Cássios, em Olisipo. Que forma deliciosa de aprender sobre a vida quotidiana da sociedade romana!! Desde os medicamentos, aos calendários, receitas gastronómicas e rituais religiosos, um livro imperdível para quem gosta de história, sociologia e antiguidade.
Livro muito interessante sobre a vida dos romanos em Olissipo (Lisboa) nos dois primeiros séculos da era cristã. Embora friccionado, descreve a vida nessa época baseada em autores romanos contemporâneos. A ler !!
Um mergulho didático e interessante no cruzamento da nossa história com a do império Romano. Através da ficcionalização da vida de uma família Olissiponense, André Simões leva-nos a conhecer a fundo os tempos áureos de Roma. Não com o foco na grande história dos imperadores e da cidade eterna, tentando sempre olhar para o nosso recanto romano à beira-tejo, com os seus modos de vida, economia e governo.
Claro, dado que a quantidade de vestígios do império nos vem de fora e não do território português, pese embora a nossa riqueza arqueológica, boa parte da história da vida destes Cássios é extrapolada do que se sabe vindo de outras paragens. Faz sentido, dado o amplo espectro do império e a forma como a romanização enraizou os seus costumes nos povos e territórios conquistados. Tal como o prova a língua que hoje falamos, ou muitas das festas que celebramos, que nos chegam desses tempos.
O foco deste livro está na vida dos romanos, daí o uso de uma família meio imaginada (os nomes foram criados a partir dos vestígios das estelas funerárias que se encontraram em Lisboa). Este estratagema, mais pedagógico que literário, permite-nos acompanhar a vida quotidiana dos romanos, tal como se sabe hoje que eles viviam. E, no fundo, perceber que apesar das vastas diferenças entre os seus tempos e os nossos, não eram pessoas fundamentalmente diferentes do que nós somos. Através deste livro, vemos como os nossos antepassados comiam, se divertiam, socializavam, estudavam, geriam os seus negócios, quais os seus ritos religiosos e superstições.
Apesar do enorme gosto deste livro em falar-nos dos romanos, não há nele o deslumbramento cego que demasiadas vezes se vê ou lê por aí quando se fala da grandeza do império e da sabedoria dos cidadãos. Não há pejo em mostrar-nos que os modos de vida e atitudes dos romanos são radicalmente diferentes das nossas, e nalguns aspetos que hoje consideramos direitos humanos elementares, são-nos repelentes. As suas atitudes perante a mulher, vista como útero para procriar e sempre submissa aos homens da família, são um óbvio exemplo. Ou, ainda mais gritante, a condição dos escravos, meros objetos sujeitos aos donos, em que só uma minoria poderia aspirar à condição de liberto (e mesmo assim não se livrava da tutelagem familiar dos seus antigos donos). Apesar disto, o livro tem uma perspetiva otimista, recordando que as pessoas comuns tentam vivera as suas vidas em equilíbrio.
Como nota final, registo o trabalho notável do seu autor. Não só neste livro, escrito como de divulgação histórica acessível, mas ao papel que assumiu como influenciador no TikTok. É quase um contrasenso que alguém que se dedica a falar da cultura romana, condição de neurodivergente e ativismo LGBT se tenha tornado uma figura influente graças às redes sociais, que costumam incentivar e recompensar os tipos de discurso que se encontram nos antípodas dos de André Simões. Num oceano de anti-intelecutalismo, conservadorismo extremista, proto-fascismo, masculinidade tóxica ou a promoção do mais elementar e pateta comportamento humano, é quase incrível que se tenha tornado uma voz influente e conhecida. Ainda bem que assim é, significa que apesar de toda a podridão algorítmica, as redes sociais ainda conseguem dar voz àqueles que vale mesmo a pena ouvir.
Uma viagem didática a um passado fascinante. Para minha grande surpresa, acabei por criar um género de apego emocional às personagens, que para todos os efeitos são pouco aprofundadas e servem sobretudo para nos sentirmos mais presentes nesta história. Contudo, são vários os episódios e etapas da vida dos protagonistas que se assemelham aos nossos e nos levam a uma inevitável comparação entre o seu dia-a-dia e o nosso. O foco está, sobretudo, em desvendar o quotidiano da Lisboa romana e não tanto em acompanhar um desenvolvimento ou arco dramático da família dos Cássios. Da escrita de André Simões, admiro-lhe a simplicidade, a consistência, a fluidez, o humor e, sobretudo, a ausência de vaidade. Parece saber exatamente o que quer transmitir sem nunca demonstrar mais do que o necessário. São também muito interessantes os exemplos de literatura de que se serve para complementar as conclusões ou deduções, tais como poemas e passagens de personalidades como Ovídio, Séneca, entre outros. O rigor e paixão pela matéria são claros como água, num texto que nunca se torna maçador e nos surpreende e envolve constantemente, fascinando-nos com a realidade de Lisboa de há dois mil anos.
Gostei muito deste livro, mais do que esperava. Apesar de ser uma espécie de ficcionalização de uma família da época romana em Olisipo consegue ser divertido e instrutivo. Uma leitura leve e que cumpre exemplarmente o propósito de tornar estes tempos remotos mais próximos dos leitores atuais. Que tal continuar a história talvez para detalhar como seria a vida no campo nos tempos romanos? Acho que não falta matéria e talento por parte do autor.
Excelente percurso pela vida de uma família ulissiponense do século II d.C., que não existiu, mas podia ter existido, sempre a partir das evidências da arqueologia e da história. Lê-se como um romance, mas não é,e essa é uma das suas melhores características. Precisamos de mais livros de divulgação histórica assim, e em português, que não são paternalistas, mas que nos fazem pensar com o autor.
Dar-nos a conhecer o dia a dia dos romanos é o propósito deste livro. E André Simões fá-lo de uma forma brilhante e cativante: Criou a família dos Cássios de Olissipo e a partir dela explora desde a religião ao calendário, do casamento aos escravos, do papel das mulheres às casas romanas. Muito completo, de muito fácil leitura. Vale a pena!!
O livro é excelente, o autor usa a família Cássio como fio condutor para explicar os tantos aspectos da Lisboa romana e da vida romana naquele período em geral. Comentei sobre esse livro com amigos e parentes no Brasil, e todos demonstraram muito interesse. Infelizmente, acho difícil que esse livro seja lançado por lá.
A prova provada em como o entretenimento pode servir a aprendizagem. Como amante de Clássicas, esta narrativa não me podia passar ao lado. E aprendi tanto. Apenas numa pequena frase apraz-me dizer: Obrigado, Professor André Simões.
Um texto muito interessante em que se conjugam a ficção e a historiografia. Através da criação de uma galinha romana de Olíssipo, ficamos a conhecer os costumes e os hábitos dos romanos antigos!
Using the life of the Cassii family—an "upper-middle-class" family in Roman Lisbon during the first century of the Christian era—as a central thread, the author describes daily life in the Roman Empire at that time, drawing on literary, historical, and archaeological sources. An interesting book that clearly illustrates, for a non-specialist audience, the vast differences that exist between us and our ancestors from 20 centuries ago.