Jose Americo de Almeida was a writer, a lawyer, politician and professor. Distiguished himself with the book A Bagaceira which is considered the break-through novel for the 30's Romance decade. Died in the city of Joao Pessoa, also in Paraiba.
Brasil ,1898, a seca castiga a Paraíba, o sertão nordestino como um todo. Fugindo da seca, Valentim Pereira, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, e vão procurar nova vida nas regiões do engenho, especificamente o engenho de Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau. Soledade, cansada ,pede apenas um copo de água ao senhor de engenho, mas o que ela conseguirá com o tempo é muito mais que isso: irá roubar o coração de Dagoberto e de seu filho Lúcio que ,de férias de sua faculdade de direito vem passar uma temporada com seu pai. Vale salientar que a mãe de Lúcio morreu quando do seu nascimento.Esse triângulo amoroso trará tristezas,ciúmes e morte!!! Junte se a isso a miséria e as injustiças por causa da seca, você poderá ter uma noção do enredo desse magnífico livro. E com um desfecho no final que me surpreendeu. O autor do livro ,José Américo de Almeida, além de escritor foi político, ensaísta, advogado, professor universitário, sociólogo e folclorista, foi ele que com seu livro "a bagaceira" deu início à literatura regionalista onde se aborda os temas da seca, dos retirantes, dos “coronéis” e cangaceiros e das particularidades de vida no sertão e nas regiões de cultivo de cana-de-açúcar. O título desse romance denomina o local em que se juntam, no engenho, os bagaços da cana mas como figura de linguagem pode se referir às vítimas da seca, aos farrapos humanos. O autor demonstra grande conhecimento dos costumes e linguajar regional da época. Você irá precisar ter um dicionário ao lado para desvendar palavras como "estrompa", " rafaméia" ou para desvendar frases inteiras: "E, se era mais rija a refega, engalfinhavam-se, aos sacolejos, fronde com fronde, como mulheres que se arrepelam." A história apesar de se passar num clima de violência e desigualdades, o autor usando seus dotes poéticos , também usa palavras leves, dóceis " Eu chorava, de manhãzinha, quando os passarinhos começavam a cantar — chorando, que é a forma mais alegre de criança falar." Ou "Costumava dizer: Se eu não puder criar a felicidade, criarei a alegria que é a sua imagem."
Gostei muito desse livro foi uma leitura proveitosa , aprendi muito.
Seria um bom livro se o escritor não ficasse querendo amostrar erudição com um vocabulário do paleolítico. Hoje já parece um cemitério de palavras, tão difícil de penetrar quanto o solo rachado do sertão. Ironicamente, o cara tem ouvido absoluto pro diálogo matuto e muito carinho também por esse outro português que, embora não deixe de ser hermético pro bicho da cidade, é muito mais atraente do que ser um janota de cabelo repartido e monoclinho. Legal pra quem tiver querendo um gostinho de sertão e for tolerante com ladainhas românticas.
Esta obra é considerada um marco da literatura modernista no Brasil. É extremamente poética. É uma viagem psicodélica ao Nordeste Brasileiro. A verborragia empregada pelo autor é irritante.
Eu não estava convencido de ler a Bagaceira até ler uma crítica da Raquel de Queiroz: “O livro é um monumento – um monumento nacional. E monumentos não se discutem, se reverenciam”. É uma experiência diferente. A linguagem é difícil, cheia de lirismo, faltou um pouco de edição (o livro é de 1928), algumas partes são confusas/poéticas para uma primeira leitura. O leitor vai demorar a se conectar com o livro. Por outro, a história é surpreendente, vai sempre vai chocar o leitor apesar de ser um clássico. Apesar da história chocante, o que marca o texto é a crítica social as condições humanas dos brejeiros e dos sertanejos no início de século XX no Nordeste. Eu recomendo. Serve de base para entender a construção da literatura da seca – com uma literatura ficcional crítica e revolucionária.
um clássico é um clássico e sou suspeita pra comentar, fato é que Elvia Bezerra estava certa quando disse que é possível ver que dos escritores ditos “regionalistas” Raquel de Queiroz é a única que fala a própria língua, e não apenas dentro do seu mundo erudito tenta replicar a fala sertaneja
Resumindo: é uma história sobre um triângulo amoroso entre pai, filho e uma retirante. Mas também é uma história sobre o sertão, sobre uma certa "rixa" dos brejeiros versus os sertanejos. É também uma história sobre relações humanas fora muitos símbolos que o autor usou, o que deixa o texto bem rico porém bem difícil de se analisar numa primeira leitura. O prefácio ajuda bastante a entender muitos desses símbolos. O livro é difícil de ler no início devido ao vocabulário usado pelos personagens que é lotado de palavras pouco conhecidas ou transformadas e inventadas, tanto que há um glossário no final para ajudar o leitor. Esse regionalismo é difícil de início mas assim que se acostuma fica fácil de entender pelo contexto. Esse é definitivamente um clássico nacional. Está recheado de simbolismos e críticas para se estudar e conseguir interpretar.
"-Eu criei o meu mundo;mas nem Deus pôde fazer o homem à sua imagem e semelhança" Terminei essa obra completamente embasbacada.É cruel,visceral,desumano mas o pior de tudo,é a realidade.Sou sincera a dizer que não é um livro fácil de ler,mas o fato de ter crescido com pessoas brejeiras e sertanejas e ainda a edição que li (da editora José Olympo)ter uma introdução muito rica e esclarecedora, foram coisas que colaboram bastante na leitura.