A realidade está, por definição, em constante mudança. O mundo muda, países mudam, pessoas mudam e os nossos idiomas criam novas palavras e estruturas para nomear os novos mundos. Daí palavras como micro-ondas, feminicídio, todes. Assim, linguagem não binária (LNB) “não é uma questão de estilo, mas de respeito”. Também o caminho contrário. Renovamos a linguagem para mudarmos o mundo e as nossas escolhas nunca são inocentes: “a língua reflete como pensamos e pode incluir ou excluir pessoas”. Para além do masculino e do feminino, “LNB não é uma cor nova adicionada às duas que já existiam, mas todo o espectro de cores que estava oculto. Por isso, a LNB está longe de ser «neutra»; é política, posiciona-se contra os binários e contra a rigidez das categorias”.
Este guia visa canalizar e sistematizar uma potentíssima criatividade coletiva, da Galiza e do mundo todo, oferecendo num único volume uma ferramenta útil para quaisquer públicos. Com dicas claras, imensos exemplos e capítulos de profundização, este guia serve a leitóries curioses, escritóries comprometides, pessoas leigas na matéria ou filólogues e linguistas sem medo a mudarem os seus esquemas. Observando a nossa própria forma de construir e utilizar o idioma, vai ao encontro do português internacional.
Uma mais que necessária guia/proposta para uma linguagem não binária no continuum linguístico galego-português. Muita consciência linguística que procura não fixar nada em pedra, pois ao final só es falantes serão es que tenham a derradeira palavra.