Tudo o que a esquerda não quer dizer e a direita não quer que ela diga.
O mundo mudou e a Esquerda não notou. Precisa de ajuda. De autoajuda. Fazer companhia à psicologia barata e aos manuais sobre emagrecimento pode ser, para uma Esquerda elitista, uma forma de descer à terra. Presa na bolha da academia e das sedes partidárias, a Esquerda afastou-se do povo. O resultado está à vista. Para não morrer, a Esquerda tem de rebentar a bolha.
“Porque o objetivo desta estratégia argumentativa, o lançamento do radicalismo (à cara do adversário) não é provar nada. Não é sequer um argumento ou uma ideia que possa ser demonstrada. É um truque e o seu objetivo é o de fazer a Esquerda desculpar-se. Desculpar-se do quê? De querer mudanças. Mudanças profundas, radicais. O objetivo é que a Esquerda peça desculpa por ser quem é, por ser Esquerda. Quando um político de Esquerda nega que é radical, ele nega-se a si mesmo. No fundo, diz ao pais: «Sou uma fraude». Ou pior, foge à questão e fica a sensação de que tem algo a esconder. Seja como for, demonstra que não é digno de confiança.) Na política, como na vida, pedir desculpa pode ser muito importante. Podemos e devemos pedir desculpa pelo que fazemos - quando erramos. Mas não pedimos desculpa por sermos quem somos. Isso é morrer em vida. O objetivo da acusação de radicalismo é que a Esquerda morra em vida. Pior: que faça haraquiri, que se suicide pela vergonha. Essa é a estratégia do poder: ao levantar o bicho-papão do radicalismo. E tem funcionado. Tanta esquerda que tem feito haraquiri! O resultado, está à vista.”