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Alternando entre o passado e a Copa do Mundo de 2026, o novo livro de Luca Guadagnini é um sports romance viciante, com jeitinho brasileiro.
A vida de Beto Garcia é dividida em dois tempos.
Arthur Abreu entra em campo ainda no primeiro, quando a paixão pelo futebol aproxima os garotos na juventude. Mas é fora dos gramados que a relação vai ficando mais entre tardes observando as nuvens e noites de confissões, eles descobrem o amor — e todas as suas ameaças.
Depois de um intervalo de sete anos afastados, Beto e Arthur se reencontram no segundo tempo, quando são convocados para jogar sua primeira Copa do Mundo pela seleção brasileira. Juntos, eles podem realizar o sonho do hexa, mas para isso vão precisar lidar com várias feridas abertas.
Alternando entre o presente e o passado, esta é a história de dois garotos com a bola no pé e o coração na mão, em busca do passe que os levará de volta um para o outro.
Incrível como estamos vivendo essa onda de romances envolvendo esportes, e como não fazer algo tão brasileiro quanto uma história centrada justamente no futebol. Misturar um romance homoafetivo com esse universo já é, por si só, uma proposta interessante, porque não é preciso ir muito fundo para perceber que o esporte mais popular do país também é um dos ambientes mais marcados pela homofobia, pelo machismo e por diferentes formas de preconceito.
Desde o começo, Luca Guadagnini deixa isso muito claro ao mostrar como esse ambiente pode ser hostil. Pela perspectiva de Beto, acompanhamos a vivência de um jovem negro e queer que sonha em fazer carreira no futebol, um espaço tradicionalmente associado à masculinidade. O livro evidencia como esse contexto já produz traumas, violências e inseguranças desde a infância, sentimentos que apenas se intensificam quando ele alcança o futebol profissional. Gosto da forma como a narrativa faz essas críticas sem transformar o esporte em um vilão. Pelo contrário, mostra que o futebol também pode ser um lugar de pertencimento, amizade e cura, enquanto o verdadeiro problema está na cultura preconceituosa construída ao seu redor.
Outro ponto que me conquistou foi a estrutura da narrativa. A alternância entre passado e presente funciona muito bem para construir o relacionamento entre Beto e Arthur, revelando aos poucos como os sentimentos dos dois evoluíram ao longo dos anos. É interessante perceber como uma vida aparentemente tranquila no interior pode ser tão intensa quanto a rotina de dois jogadores profissionais tentando conquistar o hexa com a seleção Brasileira. Mesmo com o passar do tempo e com toda a fama, o medo de assumir a própria identidade continua sendo a maior fragilidade dos dois.
Além do romance, o livro também acerta ao abordar temas como racismo, pressão psicológica no esporte, expectativas familiares e o peso de representar um país apaixonado por futebol. Esses elementos tornam a história mais rica e fazem com que ela vá além de um simples romance esportivo.
SPOILERS ADIANTE
O único ponto que realmente não me agradou foi o final. Para um livro que constrói tão bem todo o universo homofóbico e racista presente no futebol, achei que a conclusão acabou otimista demais. Ver o estádio inteiro levantando bandeiras LGBT durante a final da Copa do Mundo ou os próprios jogadores interrompendo a partida para fazer um protesto em apoio ao casal me pareceu fantasioso.
Já conheço o Luca pelos vídeos dele como influenciador e sei que ele é um grande fã de Vermelho, Branco e Sangue Azul. Talvez por isso eu tenha sentido uma influência muito forte do desfecho de Henry e Alex. Nos dois casos, a mensagem é bonita e emocionante, mas existe uma idealização de como o mundo reagiria a relacionamentos que, na realidade, enfrentariam uma resistência muito maior. São finais fofos e satisfatórios para quem torce pelos personagens, mas difíceis de acreditar justamente por tudo o que o próprio livro construiu até aquele momento.
fifa world cup but make it gay! existe um peso tão grande em ler livros lgbt que tratam desse comeout a público que mexe muito comigo. a público e pra família. caraca, eu me emocionei com eles, torci, chorei. engoli o livro em 2 dias e nesse mood de copa e caminhando pelo vale da sombra da morte que eu tenho vivido, foi bom demais ter uma companhia gay!! passamos pras 8as de final hoje (toma japao) e nao sei até onde vamos, mas me entristece saber que o mundo nao acolheria atletas gays da forma que acolheram no livro (bem pelo contrário) mas que bom que luca criou essa realidade que nos permite sonhar 💗⚽️🏟️
facilmente vai entrar na lista de melhores romances que li esse ano! que delícia de história: delicada, profunda e emocionante. e além de tudo, engraçada! ps: adorei os easter eggs 🫶
Um dos melhores livros que li nos últimos tempos. Apesar de existirem muitas histórias semelhantes hoje em dia, tem algo na relação de Beto e Arthur que emociona e toca o leitor num lugar especial. Ter lido o livro durante a Copa do Mundo só fez a experiência ser ainda mais intensa. Por que choras Heated Rivalry?