Ao descrever uma relação entre mãe e filha marcada por um passado doloroso, a autora de Copo vazio e As pequenas chances constrói uma história poderosa sobre os vínculos afetivos.
Diagnosticada com Alzheimer, a mãe da narradora perde, em velocidade assombrosa, os traços que definem sua identidade. No luto antecipado desse apagamento, vêm à tona revelações inesperadas sobre o passado materno. Este livro — uma investigação sobre a força da memória e dos laços familiares — atesta o poder da literatura contra o esquecimento.
"Natalia Timerman escreve sobre o que é importante. A mãe é um universo inteiro e, no entanto, é absolutamente humana. Esta verdade não a faz perder o seu milagre. Humanizar a mãe é a maturidade suprema, embora exija tanta dor — ou talvez o seja justamente por isso." — JOSÉ LUÍS PEIXOTO
"Enquanto uma memória se perde, a outra se aguça, se transforma, se angustia, se comove, se apazigua. A literatura aqui não é maior nem menor do que a vida, faz-se de sua exata medida. E nós, leitores, contemplamos a força e a ousadia dessa escrita." — JULIÁN FUKS
"Um retrato comovente e terno da relação entre uma filha e sua mãe idosa, em meio às memórias que já vão se apagando. Natalia Timerman escreve com sensibilidade singular sobre o poder e a necessidade de lembrar, apesar de tudo." — BRUNA DANTAS LOBATO
Natalia Timerman nasceu em 1981 em São Paulo, onde mora. Médica psiquiatra pela Unifesp, psicoterapeuta, mestre em psicologia clínica pela USP, cursa atualmente o núcleo de ficção da pós-graduação em formação de escritores do Instituto Vera Cruz. Trabalha como psiquiatra no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário desde 2012. Desterros é seu livro de estreia.
Ir ao fundo das coisas, ir aonde a luz não chega — ser levada até lá pelas palavras. Encostar o ouvido na parede do tempo e escutar, do outro lado, o som do grito, a ausência, o baque de um corpo no chão.
Um livro que pede calma, mas que é difícil não devorar. A leitura cria uma espécie de suspensão, um fôlego contido que me acompanhou por dois dias seguidos, enquanto tudo ao redor parecia desaparecer. Natália se entrega inteira, humana e sensível e essa entrega nos conduz com tanta intensidade que é impossível largar o livro antes da última página. Lindissimo!