Ano de 1089. Uma nação em formação ergue-se na bruma do tempo, movida pelo forte e leal braço do povo, pelo arrojo de senhores feudais e pela fé nos ditames da Igreja e dos seus ministros. Num velho mosteiro, são muitas e sinceras as preces, mas também as manobras pela conquista do poder nesse novo território. Magistralmente concebido, 1089 relata, de forma precisa, viva e cativante, os dias da fundação de Portugal tendo como palco central as terras de um mosteiro beneditino. E não deixa de fora relatos concisos da ambição dos homens e, em particular, dos da Igreja, com os seus segredos e jogos de luz e sombra. Cativante e surpreendente!
Emílio Miranda nasceu em Luanda, Angola, em 1966. Em 1975, fruto da guerra colonial, vem viver para o Norte de Portugal, de onde os pais são originários, mais concretamente para a aldeia de Lordelo, próxima de Vila Real, onde mais tarde passou a residir. É o contacto com esta nova realidade – de espaços abertos no verão e horizontes fechados nos longos invernos – que definitivamente o vai marcar. Uma realidade na qual conviveu com costumes tão tradicionais como a matança do porco, a vindima e a pisa do vinho, com a agricultura regida por preceitos ancestrais e com essa mistura das práticas religiosas com as pagãs que também cinzelou esse território.
Ano de 1089, sobre o povo, os seus costumes, a sua forma de viver e pensar nesta época, e a influência da igreja na sociedade da altura.
Prometia ser uma romance histórico sobre os dias da fundação de Portugal, e foi esta a parte que me faltou, já que a menção à fundação de Portugal foi bastante breve.
Grande parte do livro passa-se no mosteiro com muitas histórias sobre os diferentes monges, mas existem também várias personagens do povo. Todas as personagens estão bastante bem construídas e acabam por se interligar numa trama que nos vai agarrando até ao final.
O começo é lento mas a história acaba por se tornar agradável, lê-se relativamente bem (apesar da letra pequeníssima), com algumas partes repetitivas mas por vezes com passagens até divertidas.
Foi o primeiro romance que lemos para o projecto #historiadeportugalemromances, esperávamos algo mais histórico mas foi uma leitura que no geral agradou.
Foi um começo lento, mas a narrativa foi-se desenvolvendo e a leitura fluindo. Estava à espera que os protagonistas fossem da nobreza, mas não, a narrativa é centrada no povo. Nos seus costumes, nas suas crenças, nos seus medos. Um livro que retrata muito bem a vida do povo no final do século XI início do século XII.
Primeiro livro do projeto #historiadeportugalemromances do #sofialibraryclub da @sofialibrary
Se procuram um livro que vos dê a entender a mentalidade do século X-XI do que viria a ser, mais tarde, o povo português, então este é o livro certo. O livro apresenta as várias perspectivas das personagens que, de alguma forma, têm todas uma ligação entre si. Infelizmente para mim, não era o tipo de livro que pertendia ou esperava e, desse modo, não consegui ler nem metade.
Dou 3 estrelas pelo simples facto de querer acreditar que único problema no livro foi ter-me criado demasiadas expectativas.
Gosto principalmente de algumas personagens o que me leva a querer saber o destino que o autor lhes deu. Despois o facto de existirem personagens históricas misturadas com as fictícias é sempre apelativo num romance histórico. Houve contudo algumas coisas que me puxaram para fora da narrativa o que me fez tirar-lhe estrelas. Uma delas é a maneira como as pessoas de baixa condição e as instruídas falam, são extremamente idênticas. Por exemplo: Quando Rodolfo confronta Brito a respeito de ter provocado a queda de Eufrásio. "...caiu da montada, naquele dia em que saistes para caçar, supostamente porque tu lhe armadilhaste os arreios do cavalo, desgastando-os para que se partissem..." Iria um lenhador usar a palavra "supostamente"? Além disso também o abade usa a palavra "armadilhaste" quando´deveria ser bem mais instruido que o outro. Mas esta semelhança em vocabulário e mesmo na maneira como falam acontece ao longo de toda a narrativa levando-me muitas vezes a sair do mundo em que deveria estar durante a leitura. Penso tambem que há muito ávontade entre as personagens que se tratam por tu a todo o instante. Numa altura em que as hierarquias eram bem defenidas isto aconteceria? Outra coisa que achei estranho foi a relevancia que o autor deu a D. Teresa apenas para chegar á cena do casamento. Quando li a cena dela com o noivo e o que esta pensava de Eufrásio pensei que a personagem ia fazer alguma coisa para tentar desmascarar o prepotente Senhor, mas ficou tudo em águas de bacalhau. Aliás,só voltamos a saber o destino da dita senhora no final do livro. O potencial para ter tido 5* estava lá, mas em minha opinião, ficou aquem das expectativas.
Este é um livro que tem imensas nuaces históricas, desde os costumese mentalidades a actos e todos refletem a mentalidade da época. As personagens foram o ponto forte de toda a narrativa. Apesar de o ínicio ser lento acabamos, ao longo do livro, por conhecer todos os pontos das suas personalidades, conseguindo por vezes antecipar as suas ações, pois conhecemo-las de tal forma que parece que são reais. Mas,apesar de anteciparmos as suas ações, não antecipamos ao que estas levam.
Um livro que me surpreendeu, especialmente porque com o início lento estava a ficar desanimada, mas após essa parte devorei o livro. Recomendo e fico à espera de novos títulos do autor!
Fiquei na dúvida se atribuía 3 ou 4 estrelas e houve momentos em que me apeteceu deixar o livro, nunca o tendo feito por ser oferta de um filho. Há momentos bem conseguidos, outros que nem por isso e outros que não o são mesmo. Se há partes em que mergulhamos e queremos avançar, há outras monótonas e nada interessantes que não trazem nada de novo. Foi o interessante possível com o desfecho mas não me fica vontade de ler mais nada do autor.
Adorei! Um daqueles romances que não nos deixa desligar! Personagens a que nos agarramos e segredos mil... Um autor que vou seguir, com toda a certeza!
1089 deveria ser um romance histórico, mas acho que está mais para um romance de época, até porque de história, propriamente dita só faz uma breve menção já para o fim do livro sobre a formação do condado portucalense, de D. Afonso Henriques e das cruzadas. De um modo geral gostei do livro, principalmente da parte final, mas perde-se muito nas repetições o que o torna um pouco massador, mas de leitura acessível. Gostei muito das personagens do Brito e da Valda. A leitura deste livro contou para o projecto #historiadeportugalemromances que acho que apesar da pouca história que nos trouxe foi uma boa introdução para os costumes da época que assinalou o nascimento do nosso país.