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A Sombra das Árvores no Inverno

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Céline, filha de uma prostituta que acabou esfaqueada no Bois de Boulogne, em Paris, passa a adolescência numa instituição e acaba por juntar-se a um imigrante do Mali, que se orgulha de ter uma farda com boné e tudo, mas é atropelado pelo destino e acusado de um crime que não cometeu.

Aïsha - filha de um sábio que entende a linguagem das pedras e lê nos sinais da natureza o presságio da destruição - vive numa cidade prestes a ser invadida pelos jihadistas e vê-se obrigada a esconder os filhos num abrigo improvisado, enquanto o marido permanece no hospital em ruínas, ajudando a salvar vidas Nadia, que carrega uma pesada culpa desde a infância, enfrenta a dor de ter um filho aliciado por redes extremistas. Desesperada, tenta sobreviver à ausência e encontra forças para acolher duas crianças refugiadas que chegam completamente sós, arrastando com elas o peso da guerra.

As vidas de todas estas personagens entrelaçam-se num percurso de separações, de perdas e de reconstrução possível. A Sombra das Árvores no Inverno - vencedor do Prémio LeYa por unanimidade - é um romance sobre famílias quebradas pela violência e pelo fanatismo, mas também sobre a ternura, o instinto de proteção e a coragem silenciosa capazes de renascer no meio do caos.

286 pages, Kindle Edition

First published January 1, 2026

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About the author

Carla Pais

5 books15 followers
Carla Pais nasceu em Leiria, em 1979. Abandonou a escola aos dezassete anos para ser mãe, terminando mais tarde o 12.º ano à noite. Em 2012, partiu para França, onde fez limpezas, embalou salmão e tomou conta de crianças. Trabalha atualmente num Centro de Formação à Distância.
Em 2015 venceu o Prémio Literário Horácio Bento Gouveia com o conto «A Alma do Diabo». Em 2016, o seu conto «O búzio do meu pai» foi selecionado para a antologia A infância, promovida pelo Centro Mário Cláudio. E, em 2017 foi-lhe atribuído o Prémio de Poesia Francisco Rodrigues Lobo, pela obra Instrumentação do Fogo.
O seu primeiro romance, Mea culpa, também no catálogo da Porto Editora, foi indigitado para o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís e granjeou um enorme reconhecimento por parte do público e da crítica. Um cão deitado à fossa, que agora se publica, venceu em 2018 o Prémio Cidade de Almada.

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4 stars
26 (26%)
3 stars
11 (11%)
2 stars
1 (1%)
1 star
1 (1%)
Displaying 1 - 25 of 25 reviews
Profile Image for Andreia Machado.
256 reviews33 followers
May 1, 2026
“A Sombra das Árvores no Inverno” é realmente um livro soberbo. Consigo perceber perfeitamente porque foi o vencedor indiscutível do Prémio Leya deste ano.

É um livro que acredito que será muito difícil de ler para muitas pessoas. Quem o ler dificilmente ficará indiferente, é quase impossível não sair completamente abalado.

A autora aborda a guerra na Síria e a crise dos refugiados de 2015. Penso que todos se recordam de Alan Kurdi, o menino que apareceu morto numa praia e cuja imagem foi repetida incessantemente nos telejornais de todo o mundo.

O que Carla Pais faz neste livro é partir desse contexto, incluindo também os atentados terroristas em Paris, para dar visibilidade às pessoas que estão por detrás destas histórias. De certa forma, dá voz aos invisíveis e mostra como a sociedade pode gerar frustração e raiva, levando algumas pessoas a cair em ideologias fundamentalistas.

O romance apresenta duas perspetivas. Por um lado, a de jovens franceses de bairros periféricos que se juntaram ao Daesh e partiram para a Síria para combater, muitas vezes com a promessa de uma recompensa espiritual após a morte. Muitos deles aderem a essas ideias por se sentirem revoltados ou excluídos pelo contexto em que cresceram.

Por outro lado, acompanhamos também o ponto de vista de pessoas na Síria que tinham uma vida normal e feliz até serem brutalmente atingidas pela guerra.

O livro não poupa nas descrições da violência: há morte, há destruição e há momentos muito duros. Essa crueza é necessária para que não se fechem os olhos ao que aconteceu, e ao que, infelizmente, continua a acontecer em várias partes do mundo.

Apesar de tudo, o livro termina com uma nota de esperança, como se o amor pudesse renascer das cinzas.

A escrita da autora é muito poética, mas ao mesmo tempo crua e profundamente sensível. Para mim, é sem dúvida um dos livros do ano.
Profile Image for Ana.
83 reviews1 follower
June 2, 2026
Muito bem escrito, belo e triste mas uma leitura difícil, sempre em desgraças, mortes trágicas, vidas sofridas.
4,5 talvez
Profile Image for Belisa Nogueira.
177 reviews10 followers
May 22, 2026
Um livro com personagens muito reais, temas difíceis, mas escrito com muita sensibilidade.

"Ainda que aquela gente tente atravessar a cidade de costas direitas, dando a ideia de um certo decoro, nada feito, o bairro será sempre o bairro, pois assim que os pés pisam a estrema dos dois mundos nota-se uma centelha de raiva a incendiar aqueles corpos. Aquelas almas descalças de sonhos e matéria."

"(..) as coisas são como são; no Ocidente ou no Oriente, basta o sol mudar o poiso."

Uma leitura cada vez mais urgente. Parece que a sociedade em vez de caminhar para uma evolução mais humana e progressista, torna-se mais apática e intolerante. Muitas pessoas acreditam que a raiz dos seus problemas tem origem ou nos imigrantes, ou nos refugiados, ou na comunidade LGBT, ou nas diferentes etnias, ... A culpa está sempre no outro, mas esquecem-se que também elas se podem tornar no outro.

"O amor há de vir remendar os buracos da vida!"
Profile Image for Hugo.
46 reviews6 followers
June 2, 2026
Três estrelas bem puxadas. Apesar de ter recebido o Prémio Leya é, para mim, o menos conseguido dos romances de Carla Pais. Perdeu-se um certo negrume poético na sua escrita que me tinha conquistado nos romances anteriores (principalmente no belíssimo Um Cão Deitado à Fossa), para dar lugar a um registo com menos nervo e mais límpido, quase em prosa jornalística, ainda que mantendo algumas passagens de apelativa beleza. Nos outros romances havia um bom trabalho de aprofundamento psicológico das personagens, bem enquadradas no ambiente social e familiar onde se moviam, e com as tensões que daí surgiam. Contudo, se aí tínhamos um sensato distanciamento da autora, neste novo romance deparamo-nos com uma indisfarçável e cansativa comiseração daquela com as personagens (às quais não me consegui ligar, lamento), ao mesmo tempo que as presenteia com constantes dramas e desgraças, num aparentemente contraditório sadismo. Acredito que tem tudo para conquistar muitos admiradores, mas infelizmente não foi o meu caso.
Profile Image for Maluquinha dos livros.
342 reviews154 followers
July 20, 2026
4,5
"Como se ouve com o coração, mãe?"
Quando soube que este livro tinha vencido o Prémio LeYa 2025, fiquei curiosa. E fui ler.
Vivemos tempos complexos e contraditórios. Numa Europa marcada pelo crescimento da extrema-direita em vários países e por discursos cada vez mais hostis em relação à imigração, assiste-se a um paradoxo evidente: ao mesmo tempo que se procuram erguer barreiras e restringir fronteiras, muitos países dependem da imigração para colmatar a falta de mão de obra. É neste mundo que este livro existe e que faz todo o sentido.
Ao ler a sinopse, achei que seria um livro sobre imigrantes. Contudo, à medida que avançava na leitura, percebi que a obra vai muito além desse tema. É, sobretudo, uma história sobre resistência, sobrevivência e recomeço. Sobre a capacidade humana de continuar a viver e de reconstruir algum sentido a partir dos fragmentos do que foi perdido.
A narrativa desenrola-se ao longo de diferentes períodos e atravessa vários espaços geográficos, com um número considerável de personagens o que, na verdade, por vezes dificultou a leitura. Não é uma história fechada, não há um caminho linear. As personagens, cheias de camadas, estão em movimento constante, tal como as suas vidas. Acima de tudo, a autora conta-nos histórias de famílias marcadas pela dor e pela perda, mas também pela extraordinária capacidade de se reinventarem e descobrir que a esperança pode renascer nos lugares e nas formas mais improváveis. Gostei da forma como a autora constrói as suas personagens, conferindo-lhes profundidade e autenticidade sem recorrer ao sentimentalismo fácil, dando voz aos que se recusam a abdicar da sua humanidade, apesar de tudo.
Num mundo como este em que vivemos, livros que nos obrigam a refletir sobre estas realidades são profundamente necessários. Porque a palavra “imigrante” é é demasiado pequena para abarcar a dimensão de quem perdeu tudo, de quem teve de recomeçar num país estranho, com uma língua e uma cultura que não são as suas, com as memórias e as saudades sempre presentes, como a tal “sombra no inverno”. Mais do que imigrantes, mais do que estrangeiros, são pessoas.
Profile Image for Maria Leonor.
15 reviews7 followers
May 9, 2026
"Agora já sei o que é a morte, é um buraco aberto na garganta, um poço onde caem todas as palavras bonitas."

Li este livro com uma pedra a pesar-me no estômago. Carla Pais escreveu poesia em forma de prosa e conseguiu que a narrativa não se perdesse no ritmo belo e avassalador das suas palavras. Cada capítulo e cada personagem revelam uma percepção nítida da natureza humana e um entendimento visceral do sofrimento. Não foi uma leitura prazerosa, foi uma leitura que me estilhaçou por dentro. Um prémio LeYa mais do que merecido e um livro que ficará comigo para sempre.
Profile Image for João Faia.
120 reviews12 followers
May 5, 2026
A Sombra das Árvores no Inverno, de Carla Pais, começa com uma força rara que nos agarram logo nas primeiras páginas e não nos larga, conduzindo-nos diretamente a um verdadeiro murro no estômago, até ao final.

O que mais me marcou foi a subtileza da escrita. Há uma contenção nas palavras que torna tudo ainda mais poderoso. A par disto, a emoção por detrás das palavras torna tudo magnífico.

É um livro profundamente intenso, feito de realidades duras, cruas e muitas vezes ignoradas. Para além das histórias de cada personagem, mergulhamos também em cenários marcados pela guerra na Síria, pela crise de refugiados e pelo terror imposto por grupos jihadistas, elementos que acrescentam uma camada ainda mais pesada e real à narrativa, lembrando-nos da dimensão humana por trás das notícias que tantas vezes consumimos de forma distante.

Fala-nos de dor (muita dor), de luto, de amor, de família, de nascer no lugar errado, de luta (muita luta) e de resiliência. Tudo isto com uma autenticidade que custa, mas que também nos obriga a sentir.

A nível visual, é fascinante: conseguimos ver e sentir tudo aquilo que a autora descreve. As histórias entrelaçam-se e podem, por momentos, parecer confusas, mas recompensam quem lê com atenção. É um livro para ser lido devagar, mastigado, absorvido.

Arrebatador, forte e absolutamente merecedor do Prémio LeYa. Tornou-se, sem dúvida, um dos meus favoritos recentes, e mais uma prova de que temos autores extraordinários em Portugal.

Sei que estas personagens vão ficar comigo durante muito tempo.
Profile Image for raquel.
166 reviews6 followers
May 20, 2026
Que bela surpresa. Primeiro livro que leio da autora e ainda bem que a descobri.
São várias personagens, mas todas elas de certa forma acabam por ter algo que as une. É um livro real. Ou seja, feito de histórias que acontecem todos os dias. Acho que está muito bem escrito. A autora tem uma escrita poética (pessoalmente gosto bastante) e dou nota 20 aos títulos de todos os capítulos.

“(…)
preto em terra de branco é sempre escravo.(…)”

“(…) Há coisas inevitáveis. Os dizeres dos pais ficam muitas vezes entranhados na boca dos filhos.(…)”
Profile Image for Carina Lopes.
2 reviews1 follower
July 10, 2026
Toda a leitura se acompanha de um soco no peito que não nos abandona até à última página!
Profile Image for Hélder Aguiar.
Author 1 book15 followers
May 7, 2026
Poucos escrevem como Carla Pais. Com esta brutalidade lírica. Com este domínio absoluto da metáfora e esta musicalidade do sofrimento. Capaz de chegar à origem da dor e escrever como se fosse a própria dor a pensar.

Ademais, há o engenho narrativo. No tempo, no espaço, na construção de personagens habitadas por ausências e silêncios que se fazem "estrada durante uma vida inteira"; de mães que perdem filhos por distração, violência ou ideologia; de famílias que se desintegram e que se escolhem. A personagem central é Nádia, uma mulher francesa que acolhe crianças sírias refugiadas, vítimas da violência que causou o desaparecimento do filho Samuel, enquanto carrega um luto patológico pela morte do irmão. No entanto, ela é só uma de dezassete distintas almas de três famílias que se entrelaçam em camadas ao longo da narrativa até à vertiginosa colisão que nos atinge nos últimos capítulos. Nem sempre é fácil navegar neste mosaico. Mesmo com a ajuda do genograma (que eu consultei religiosamente para não perder fio à meada), é difícil apreender toda a mestria do detalhe à primeira leitura. Mas essa é apenas uma das formas de amar este romance: não se lê impunemente, as suas frases repetidas ganham novos significados à medida que avançamos, e exige releituras que lhe acrescentarão ainda mais profundidade.

A narrativa é elevada ao cruzar o inverno emocional dos personagens (as sombras do passado: perda, luto, injustiça, orfandade; ausência paterna e luto patológico materno) com as fraturas geopolíticas e sociais do século XXI (os atentados de Paris em 2015, a falência do Estado social francês, o choque civilizacional). Do asfalto frio dos subúrbios parisienses à aridez mística do deserto sírio, a obra atinge picos de assombrosa relevância sociológica ao dissecar, no seio da "selva" marginal, a invisibilidade social, o racismo estrutural e o mito ocidental da integração. Há uma circularidade, uma inevitabilidade trágica que nos arrebata, mas há também espaço para o amor e para a intimidade, para a "linguagem das pedras" e a oportunidade de redenção. Sim, "o amor há de vir remendar os buracos da vida".

A Sombra das Árvores no Inverno é um romance monumental. Ambicioso, de uma força emocional esmagadora, reafirma Carla Pais como uma grande voz da literatura. No início e no fim, somos todos humanos. Sonhamos com o mesmo, queremos todos as mesmas coisas e o luto pertence a todos. No início e no fim, falamos através das crianças. Ainda que não tenham palavras feitas, são as mais sinceras testemunhas do nosso interior.

"A demora foi-se fazendo caminho comprido e a lama o mais belo dos jardins."
Profile Image for Ricardo Trindade |.
475 reviews39 followers
June 6, 2026
2015, o ano em que Alan Kurdi, uma criança, apareceu morta numa praia e que as imagens chocaram o Mundo, o ano em que uma grande crise de refugiados da guerra da Síria aconteceu, o ano em que a história de A Sombra das Árvores no Inverno começa a ser contada. Este não é um livro para todos, não é uma narrativa fácil para se entrar numa primeira fase, mas com persistência e não desistindo de cada personagem que vai sendo apresentada, todos ganham o seu espaço e é por ser uma demonstração de superação real que esta obra de Carla Pais venceu o Prémio Leya 2025.
Numa história onde pessoas sem rosto e deixados ao abandono das guerras entre nações são protagonistas, o leitor conhece dois lados distintos da barricada. Se por um lado os jovens europeus que seguiram para a Síria para combaterem na esperança de encontrarem paz espiritual com o tempo ao ajudarem o próximo, por outro quem já estava na Síria e viu a sua vida ser devastada pela guerra. Dois legados opostos, muitas vidas alteradas pela destruição, pela vontade de fugir de um lado e salvar do outro.
Este é o recontar de uma triste realidade que todos os dias continua a fazer estragos no Mundo em que vivemos, sendo uma tradução literária da realidade que afeta milhões de pessoas todos os dias. Existe sempre a esperança da mudança, do término destas más decisões humanas que terminam com vidas inocentes, mas a verdade continua a ser somente uma, tudo continua a acontecer como uma sombra que nos acompanha dia após dia e sabemos que não irá desaparecer.
Profile Image for Gonçalves São.
8 reviews3 followers
June 20, 2026
"Como se ouve com o coração, mãe?"

"A sombra das árvores no Inverno" da escritora Carla Pais , vencedor do prémio leya 2025, transporta-nos ao longo das suas páginas para um tempo alargado, em vários espaços geográficos. Os personagens evoluem com as suas perdas, as suas dores, a memória e o luto.
Carla Pais à semelhança dos romances anteriores, dá voz aos invisíveis, aos proscritos, áqueles a quem a vida é feita de sobrevivência, de lutas, de desespero, de fuga. Dá voz aqueles que ao lutarem por um quinhão de pão e dignidade vêem as suas vozes silenciadas.
Talvez a questão seja esta : como aprender a ouvir o mundo, a humanidade, com o coração, com a sabedoria maternal? Ao longo do livro, também, a simbologia das pedras, a pedras onde se escreveram as primeiras orações, se construíram as catedrais e as casas. As pedras silenciosas dos desertos ou do coração amargurado dos homens. As pedras que as mães ao perderem os filhos, para a morte ou para a guerra, carregam no coração. Um coração que é ao mesmo tempo luto, dor e sofrimento, mas é sobretudo amor e compaixão.
"A sombra das árvores no Inverno" é um romance actualissimo tendo em conta o estado do mundo. Sobretudo a guerra, a mobilidade humana, o problema dos refugiados, o recomeço de uma nova vida em terra estranha.
Profile Image for Laura Redondo.
424 reviews14 followers
July 6, 2026
Céline vive com os quatro filhos e o marido, trabalhador dedicado. Um dia, é acusado de um crime que não cometeu e as consequências para a família são drásticas.
Aïsha sempre se preocupou em ajudar os outros. Quando a cidade onde vive é invadida pelos jihadistas, divide-se entre ajudar a família e o dever à pátria. Vê-se obrigada a esconder os filhos num abrigo improvisado, mas não consegue esconder-se sem saber notícias do marido.
Nadia carrega uma pesada culpa desde a infância. Não consegue deixar de pensar que a dor de ter um filho aliciado por redes extremistas é consequência desse momento.

Três famílias distintas cujos caminhos se cruzam.
O livro tem muito pouco diálogo, mas é uma narrativa intensa e apaixonante.
As personagens são bastante complexas, mesmo as secundárias têm a sua própria voz, e houve algumas surpresas.
Gostei muito e espero ler mais livros da Carla.
Profile Image for Paulo Gaspar.
22 reviews7 followers
July 17, 2026
Não há dúvida de que Carla Pais atinge aqui um raro nível de apuro na escrita. Gosto destes livros que parecem divagar em várias direções e acabam por fechar o círculo de forma perfeita. Aqui e ali notam-se vénias a Lobo Antunes — ficam-lhe bem e em nada diminuem a sua mestria. O último terço é absolutamente arrebatador: acelera, quase nos tira a respiração, como se tudo o que veio antes fosse preparação para este mergulho final. Já não sei se os arrepios com que terminei o livro foram da intensidade das emoções ou da brisa do fim de tarde no jardim. De qualquer forma, é sempre bom.

Nota lateral: a capa é talvez o único elemento que não está à altura do livro — nunca o velho ditado fez tanto sentido.
38 reviews
May 12, 2026
O que me levou até este livro foi uma viagem recente a Paris e ter ganho o Prémio Leya.
O livro foi escrito tendo por base a fuga dos refugiados sírios para a Europa mas mostra como as várias personagens se cruzam e como as suas vidas fizeram com que chegassem até ao fim, a história de 3 mulheres que dão vida ao livro, Celine que nasceu e cresceu no Bosque de Paris, Aisha que cresceu na Síria e que apesar de ser mulher teve acesso a educação e Nádia que cresceu em França e que teve uma infância difícil provocada pela morte do irmão. Apesar das vidas difíceis as várias personagens mostram que apesar das separações, das perdas é possível reconstruir algo bom.
Profile Image for Carla Tomé.
49 reviews13 followers
June 2, 2026
Várias vidas se cruzam nesta história e à medida que o romance avança, estas histórias acabam por se ligar. O livro fala muito sobre imigração, refugiados, preconceito, guerra, terrorismo e perda, mas o foco principal não está nos acontecimentos políticos. Está nas pessoas que são apanhadas por eles. Sobre pessoas que perderam quase tudo e que, apesar disso, continuam a procurar amor, família, segurança e um lugar onde possam recomeçar. É também uma reflexão sobre como o fanatismo destrói vidas, mas como a bondade e a compaixão conseguem, por vezes, reconstruí-las. Fechei o último capítulo com um fervilhar de pensamentos.
Carla Pais escreve com alma!!! 5✨
Profile Image for Lúcia Carvalho.
24 reviews
July 11, 2026
Uma surpresa esta escrita, um murro no estômago. Vidas duras, que se cruzam, com sentimentos descritos em forma de poema, este livro colou-se à minha Alma, uma janela onde espreitei, sentada no sofá, o sofrimento da perda. Tão belo, percebo o prémio
Profile Image for Sonia Silva.
8 reviews
June 15, 2026
Como é que ainda não tinha lido este livro?
Porque é que acaba?
Profile Image for Sara Raquel.
5 reviews
July 24, 2026
Terminei de ler o livro na minha pausa de almoço e agora não consigo parar de chorar. Posso ir para casa com falta justificada?
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