Completamente rendida! Sei que uma das críticas mais frequentes à escrita de Erin Doom é a repetição: as personagens regressam muitas vezes aos mesmos pensamentos, aos mesmos medos e às mesmas feridas. Mas, para mim, isso não tornou a história menos bonita. Pelo contrário, tornou-a mais humana. Nós também não ultrapassamos aquilo que nos magoa de uma vez só. Recuamos, repetimo-nos, contradizemo-nos e, às vezes, voltamos exatamente ao lugar de onde pensávamos já ter saído.
Esta não é uma história escrita em linha reta. Escreve-se por linhas tortas, porque Mireya e Andras são profundamente complexos. Aproximam-se e afastam-se, magoam e protegem, desejam ser amados enquanto continuam convencidos de que não o merecem. E é precisamente nessa contradição que vivem as personagens mais verdadeiras.
A escrita é intensa, poética e, por vezes, quase excessivamente dramática. Percebo que possa não resultar para todos. Há momentos em que a trama parece avançar menos do que as emoções e alguns conflitos poderiam ter sido resolvidos mais depressa. Ainda assim, foi essa intensidade que me fez sentir cada silêncio, cada recuo e cada pequena aproximação.
Foi uma história imperfeita, intensa, frustrante e muito bonita.
O 2º volume da série Stigma fecha muito bem esta duologia. A autora consegue sempre ter personagens escuros e moralmente indefinidos, trazendo-nos neste livro a luta interna de Andras e Mireya, prendendo-nos até ao final. Gostei da direção que a autora deu ao livro e do final escolhido.