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Der blinde Fluss

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O primeiro incidente militar numa aldeia do Norte de Moçambique marca, em agosto de 1914, o início da Primeira Guerra Mundial no continente africano.
Esse inesperado episódio despoleta, para além disso, uma série de misteriosos eventos que culminam com o desaparecimento da escrita no mundo. Livros, relatórios, documentos, fotografias, mapas surgem deslavados e ninguém mais parece ser capaz de dominar a arte da escrita. Os habitantes dessa aldeia são chamados a restabelecer a ordem no mundo, ensinando aos europeus o ofício da escrita e as artes da navegação.

310 pages, Kindle Edition

Published July 9, 2026

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About the author

Mia Couto

109 books1,432 followers
Journalist and a biologist, his works in Portuguese have been published in more than 22 countries and have been widely translated. Couto was born António Emílio Leite Couto.
He won the 2014 Neustadt International Prize for Literature and the 2013 Camões Prize for Literature, one of the most prestigious international awards honoring the work of Portuguese language writers (created in 1989 by Portugal and Brazil).

An international jury at the Zimbabwe International Book Fair called his first novel, Terra Sonâmbula (Sleepwalking Land), "one of the best 12 African books of the 20th century."

In April 2007, he became the first African author to win the prestigious Latin Union Award of Romanic Languages, which has been awarded annually in Italy since 1990.

Stylistically, his writing is heavily influenced by magical realism, a style popular in modern Latin American literature, and his use of language is inventive and reminiscent of Guimarães Rosa.

Português)
Filho de portugueses que emigraram para Moçambique nos meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo).
Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985.
Em 1983 publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.

Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.

Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012). Ganhou em 2013 o Prémio Camões, o mais importante prémio para autores de língua portuguesa.

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26 (5%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 47 reviews
Profile Image for Pedro Pacifico Book.ster.
402 reviews7,012 followers
Want to Read
March 13, 2025
A cegueira do rio, de Mia Couto
A importância da memória coletiva. É sobre esse tema que o autor moçambicano Mia Couto constrói o seu mais recente romance. Os seus personagens nascem para impedir que um acontecimento histórico brutal tenha uma única versão, comandada pelo colonizador branco.

Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, diversos soldados africanos e um militar português são assassinados pelo exército alemão. Mais uma triste mancha na História de Moçambique, que revela a luta da população local contra o invasor. E é a partir desse acontecimento verídico que Mia Couto utiliza a sua escrita poética e o realismo mágico característico de sua obra para recontar a tragédia. É relembrar para impedir o esquecimento.

Os personagens que conduzem a narrativa são diversos. Uma portuguesa que vai para Moçambique em busca da salvação de sua filha. Um padre que pretende reescrever a bíblia. Um sicário moçambicano se vê obrigado a se misturar aos brancos e lutar ao lado deles. Um oficial e médico alemão responsável por dar ordens brutais. Aos poucos, essas vidas se cruzam nas páginas e eles precisam lidar com um acontecimento inédito: a cegueira do rio.

Os brancos esquecem como ler e escrever. As letras se tornam borrões e eles precisam recorrer a ajuda do povo africano. A arma da escrita muda de mãos, em uma verdadeira inversão da sistemática do colonialismo.

Além de um enredo interessante, a construção do texto é muito peculiar. O autor se vale não apenas de uma narrativa tradicional, mas utiliza diversos provérbios africanos e relatos em primeira pessoa dos personagens para dar prosseguimento à história. O começo pode parecer um pouco confuso, pois há uma alternância entre as vozes, mas aos poucos fui me acostumando.

Vencedor do Prémio Camões de Literatura, terminei a leitura ainda mais impressionado com a habilidade do autor com as palavras e com a língua portuguesa. Ele nos conta a história de uma forma profunda e sem deixar as críticas sociais e políticas de lado. Mia Couto deve ser lido sem moderação.

Nota 9/10

Instagram: https://www.instagram.com/bookster/
Site: https://booksterpp.com.br/
Profile Image for Rute Durão.
262 reviews13 followers
November 14, 2024
Há tanta vida neste livro, mas tanta vida. Na minha opinião, um livro muito sensorial. Nunca há uma visão única, nem da História, nem de nada. Se cada um de nós é único, então há infinitas visões, infinitas percepções.

Ontem tive a oportunidade de ouvir Mia Couto apresentar este seu livro. Para mim, Mia Couto pode escrever sobre qualquer coisa e vai correr sempre bem. Ouvi-lo só confirmou o que sinto quando leio o que escreve: delicadeza, carinho e afeto, às vezes nas condições mais extremas.

Este livro, que é um romance, segue a linha de pensamento do autor, tratando assuntos como a escrita, a oralidade, o esquecimento, as tradições, os direitos civis, a posse de terra, a usurpação de vidas.

Sou fã, sou suspeita... mas recomendo.
Profile Image for Mariana Viseu .
127 reviews3 followers
October 23, 2024
A Cegueira do Rio é como uma melodia poética que fala directamente para o sangue. É primária na palavras porque as mete tal como são, onde devem estar, numa África que diz as coisas pelo nome e desconstrói o sentido e ilumina a verdade.
Povoada de personagens com uma dimensão psicológica extraordinária e com um sentido de humor inigualável, Mia Couto junta a história e a ficção num veneno literário ao qual só é possível sucumbir e deixar-se levar.
A Cegueira do Rio é um dos imprescindíveis deste 2024.
Profile Image for Elena.
70 reviews9 followers
August 1, 2026
Cât de bine scrie Couto și ce frumos a curs cartea asta. Parcă nici n-am realizat când a trecut.
Profile Image for Inês Lopes.
134 reviews3 followers
February 16, 2025
Apesar de alguns excertos muito bonitos, acho que faltou um maior desenvolvimento das personagens e, por vezes, a linha condutora da história parecia dispersar-se.

Não me conquistou por completo, mas é um livro que merece ser lido pela beleza da escrita e pela maneira como Mia Couto nos faz ver o mundo pelos seus olhos (como sempre).
Profile Image for pibs paiva.
60 reviews
Read
February 19, 2025
tudo o que se relata nesse livro tornou-se verdadeiro a partir do momento em que foi escrito

acho que eu nunca vou verdadeiramente compreender o que foi conversar diretamente com o mia couto sobre esse livro. realmente, memória e escrita. lindo!
Profile Image for João de Loureiro Ferreira.
47 reviews
September 15, 2025
Entre 3,0-3,5

Apresenta uma escrita simples, mas poética, com passagens, provérbios e citações interessantes.
No entanto, a premissa da história (dada na sinopse) é apresentada demasiado tarde, sendo pouco desenvolvida e concretizada, acabando por se focar maioriariamente nas personagens, nas suas histórias e inter relações passadas e presentes.
174 reviews10 followers
August 4, 2026
Der zweite Blick lohnt sich

„Der blinde Fluss“, ein Roman von Mia Couto, erschienen 2026 im Unionsverlag, ist auf knapp 250n Seiten ein überraschend komplexes Werk, bei dem sich ein sehr genaues oder zweites Lesen auf jeden Fall lohnt, da sich viele Zusammenhänge erst auf den zweiten Blick offenbaren. Zunächst ein Shout-Out an das Buchdesign – die Gestaltung unter dem Schutzumschlag hat mein Herz höherschlagen lassen, wunderschön, auch haptisch betrachtet. Und auch die Innengestaltung mit den vielen Zitaten und Abdrucken von Bildern zur Initiationszeremonie der Yao ist wundervoll durchgeführt, viel Stoff zum poetischen Denken. Mia Couto ist ein Autor mit respektablem ŒUVRE, bei mir bisher eine Bildungslücke, sicher ein Autor, bei dem es sich lohnt, noch mehr von ihm zu lesen.

Worum es geht, ist nicht leicht zusammenzufassen. Das Buch ist inspiriert von real-geschichtlichen Ereignissen am Rovuma, dem Fluss, der zwischen Mosambik und Tansania fließt, dem Maji-Maji-Aufstand sowie dem deutschen Überfall auf den portugiesischen Militärposten Madziwa am Beginn des 1. Weltkrieges. Damit ordnet sich die Handlung zwischen grob 1905-1915 ein und im kolonialen Zeitalter. Die Brüder Nataniel, der als Hilfsoldat den portugiesischen Besatzern dient, und seinem Bruder Matias, der als Askari für die deutsche Gegenseite unterwegs ist. Die beiden Brüder teilen eine komplexe Familiengeschichte und Schuld, die durch die Familie zieht, weshalb es auch zu ihrer Trennung kam. Im Aufeinandertreffen wird die unglaublich schwierige Lage der indigenen Bevölkerung zu der Zeit sichtbar, die zunehmend ihre Identität verliert. Dieser Verlust offenbart sich in einem kollektiv um sich greifenden Vergessen, das auch zu einer ganz realen Auslöschung der Schrift führt, die nicht mehr aufhaltbar scheint. Mit dem Verschwinden der Schrift wird aber auch die Macht der Europäer angegriffen, die, anders als die indigene Bevölkerung, auf diese angewiesen sind, während die mündliche Tradition die Ursprungsbevölkerung vor dem Vergessen bewahrt und handlungsfähig lässt.

Formal wechselt Couto zwischen Erzählform und Ich-Perspektiven ganz verschiedener Akteur:innen. Das ist sehr gut gemacht und zeitgleich herausfordernd in der Zuordnung. Durch die verschiedenen Perspektiven der Redner entstehen immer mehr Versatzstücke, aber erst am Ende erkennt man ein Bild. Die Sprache ist besonders, sehr poetisch und die vielen Zitate nehmen einen in einen ganz eigenen Kosmos, der eine große Gedankenkraft entfaltet. Insgesamt bleibe ich aber zwiespältig zurück. Die Themen sind sehr interessant, ich mag auch Bücher sehr gern, die sich mit Kolonialismus und Rassismus, mit Glaubensmission und Identität beschäftigen. Der Verlust dieser, das wird für mich sehr gut beschrieben, und die Ebene des Vergessens und der Auslöschung der Schrift und somit des kulturellen Gedächtnisses, das ist richtig gut. Aber irgendwas ist zu sehr verzweigt, und die Figuren sind hermetisch, dass ich gar nicht berührt werde - aber der reine Beobachterinnenstatus macht auch nichts mit mir. Das Problem ist die große Komplexität des Gewebes, die sich beim ersten Lesen nicht erschließt. So entstehen viele Fragezeichen und Lücken – und erst ein zweites Lesen offenbart, wie genial dieses Buch zusammengefügt und ausgedacht ist. Aber kann jede lesende Person diese Zeit investieren? Eigentlich braucht mensch für das Verstehen fast ein Literaturseminar.

Inhaltlich stark: Für mich ist es ein Buch, das letztlich darauf hinweist, dass die ganze Geschichte "des schwarzen Kontinents" (ich benutze diesen kolonialen Begriff hier bewusst) neu geschrieben werden muss, damit Gerechtigkeit geschieht. Am Ende wird das sehr deutlich, die Auslöschung der Schrift, nur noch die indigene Bevölkerung ist nun der Schrift mächtig, sie soll den Europäern/Portugiesen die Schrift erneut beibringen und diese sollen nur ein Wort schreiben "Entschuldigung" und heimkehren, um dann das nächste Mal bei der Anreise anzuklopfen und das schon bewohnte Land mit Achtsamkeit zu betreten. Das war für mich auch ein wirklich starkes Finale des Buches. Ebenso führt Couto sehr gut durch die vielen kleinen Wunden, die der Kolonialismus schlägt, und, was ich richtig gut fand, es wird auch gezeigt, dass Rassismus leider kein weißes Problem ist, denn auch unter der indigenen Bevölkerung gibt es ihn in Hinblick auf "Mischlinge". Das Buch ist sehr klug konstruiert, literarisch ist das hochwertig, ebenso die Durchführung der Motive, der Fluss und die Blindheit.

Abstrakt gesprochen ist das richtig gut. Emotional gesprochen hat es mich nicht mitgenommen auf die Reise, vielleicht durch die – wirklich beeindruckende – Überkonstruktion? Ich kam nicht ran an die Figuren und irgendwann wurde es sehr lang. Die einzige Stelle, die mich persönlich wirklich gepackt hat, war eben die von mir hier angesprochene über die Neuschreibung von Geschichte als Rückkehr zur Identität und Überwindung eines kollektiven Traumas. Davon sind die ehemaligen Kolonien noch heute weit entfernt, die Wunde ist offen. Das macht dieses Buch sehr gut spürbar und das finde ich sehr berührend. Aber hier liegt auch ein Werk vor, auf das man sich sehr einlassen muss und das viel Analyse braucht, um seine Wirkung entfalten zu können.

Ein großes Dankeschön an literarixx.de und den Unionsverlag für das Rezensionsexemplar!
Profile Image for Mariana Vieira.
12 reviews1 follower
January 14, 2025
It was moving really well, but in the end it seemed like none of it had meaning
Profile Image for Mariana Burnay.
7 reviews1 follower
January 19, 2025
Primeiro livro que li do autor. Tinha alguma expectativa, não apenas pela solidez do percurso de Mia Couto no mundo da literatura, mas pelo espaço geográfico em que o romance acontece, Moçambique, um país que desde cedo me desperta bastante interesse. Sendo o próprio autor natural deste contexto cultural, tinha bastante curiosidade em perceber de que forma o caracteriza e romantiza nas suas narrativas. A Cegueira do Rio é um livro fácil e divertido de ler, mas que carece de algum tempo de digestão por parte do leitor. Ainda que à primeira leitura pareça ser uma narrativa simples e de interpretação única, Mia Couto esconde neste romance várias histórias e saberes culturais que nos permitem ganhar um novo conhecimento das crenças e práticas do povo africano que, quando desconstruídas, percebemos serem mais atuais que nunca e também no contexto europeu. É interessante ver um momento histórico do período da colonização ser narrado entre um misto de romance e realidade, no qual as personagens se interligam entre si, pretos e brancos, africanos e europeus, carroceiros e militares, a complexidade das relações de poder, a interdependência de ambos os lados, a necessidade de se unirem para trazer a escrita de volta. Ainda que este último ponto seja a premissa apresentada na sinopse do livro, ficou aquém na narrativa e desenvolvimento da mesma. Apenas nos últimos capítulos vemos o autor integrar esta dimensão na história como algo que a orienta, em vez de um simples adorno, e como tal ficou a sensação de a narrativa estar inacabada e não ter grande objetivo ou moral para além da caracterização a que se propôs. But then again, na minha opinião a história assenta em muito mais do que apenas isso e quanto mais tempo passa desde o final do livro mais me apercebo dos pequenos (grandes) ensinamentos que jazem nas premissas-base das tradições culturais moçambicanas. Tão interessante e tão rico! Afinal sempre havia razão para sentir interesse neste país. Fica a vontade de ler mais do autor, especialmente pela oportunidade de aprofundar este conhecimento. Afinal, é nisso que Mia Couto é mestre. A cegueira do rio, o primeiro de outros.
35 reviews1 follower
January 1, 2025
“Os europeus precisam da realidade para acreditar nos sonhos . Os africanos precisam dos sonhos para acreditar na realidade”

A escrita de Mia Couto é africana e europeia.
Profile Image for RAI.
395 reviews17 followers
July 31, 2025
Pentru mine, autorul mozambican, Mia Couto, este de departe demn de Premiul Nobel pentru Literatură. Și aceasta deoarece în toate romanele sale, sau cel puțin în cele trei pe care le-am citit eu până acum, "Confesiunile leoaicei", "Veranda cu frangipani" și mai nou, "Orbirea râurilor", surprinde, de fiecare dată sub altă formă, ciocnirea civilizațiilor portugheze și mozambicane, europene și africane, albe și negre. Desigur, accentul cade cel mai adesea pe fluiditatea rapoartelor de dominare, pe modul bizar în care crestinismul catolic a fost implementat în comunitățile mozambicane păgâne, ca într-un perpetuu dialog între Iisus Hristos și zeii păgâni, și mai ales, pe imposibilitatea de a smulge Africa din sufletul africanilor, credințele lor ancestrale păgâne dovedindu-se de fiecare dată mai puternice decât orice încercare de creștinare totală.
Romanele lui Mia Couto sunt de fiecare dată lecții de istorie, de istoria religiilor și bineînțeles, de antropologie africană. Iar dincolo de toate acestea, sau mai bine spus, ca o încununare a acestora, poezia, lirismul, melodicitatea, ce vin de la sine din explorarea spiritualității, traversează fiecare pagină a fiecărui roman, ca niște râuri care irigă mintea, potolesc setea sufletului și purifică inima fiecărui cititor.
Profile Image for Graciosa Reis.
572 reviews55 followers
April 15, 2025
𝑨 𝑪𝒆𝒈𝒖𝒆𝒊𝒓𝒂 𝒅𝒐 𝑹𝒊𝒐 é um romance que recupera um facto histórico em África, em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial. Esse facto trata-se de um incidente que ocorreu numa aldeia na fronteira entre a Tanzânia e Niassa, em que centenas pessoas foram assassinadas pelo exército alemão que colonizava a África Oriental Alemã, a atual Tanzânia, após uma revolta que ficou conhecida como Maji-Maji.
A narrativa vai alternar entre um narrador principal e múltiplas vozes, na primeira pessoa, fixando, assim, a história de um país sem a amarrar a uma única perspectiva.

O livro estabelece uma relação de memória com a escrita, na medida em que é importante lutar contra o esquecimento (recordar para não esquecer); explora temas como a identidade e o colonialismo; mescla sagrado e profano. O carácter distópico presente na “agrafia que se convertera numa epidemia planetária” (p.281) e que impedia os brancos de escrever, cria uma atmosfera ilusória e permite atribuir às personagens femininas um poder e uma sensibilidade únicos.
“ Fomos nós, mulheres, que sustentámos as nossas aldeias. Os homens foram levados, a maior parte deles nunca mais regressou. (…) Queremos que vás [Aluzi Msafiri] ao palácio. E ensines esses brancos a escrever (…) se estiverem cansados que deixem por escrito uma única palavra. Essa palavra é «desculpa». Depois os portugueses que peguem nas coisas deles e se metam num barco.” (pp. 312 e 313)

O papel da mulher, centrado na profetiza Aluzi Msafiri, é simbólico e reflecte questões de identidade, resistência e opressão. Como guardiã da história e das tradições, ela representa a sabedoria ancestral e a resiliência perante as adversidades, questiona as estruturas de poder e revela as fragilidades do homem, marcadas pela violência e pela imposição da autoridade. É recorrente, na obra de Mia Couto, o protagonismo feminino como agente de resistência e de mudança.

A escrita de Mia Couto é poética e policromática com laivos de realismo mágico onde o passado e o presente se entretecem de forma fluida. O recurso a provérbios e a uma narrativa fragmentada, dita a várias vozes, traduz a sabedoria ancestral tão própria da filosofia africana e garante a pluralidade de opiniões e saberes.

Mia Couto é um dos meus escritores de eleição. Recomendo muito a leitura dos seus livros. Mia tem uma maneira muito própria de olhar o mundo. E a sua poesia, seja em verso ou em prosa, é uma ferramenta fabulosa e única para o descrever.
Profile Image for Buchdoktor.
2,496 reviews197 followers
July 17, 2026
Am Rovuma, dem Grenzfluss zwischen Tansania und Mosambik, stehen sich 1905 die Kolonialmächte Deutschland und Portugal gegenüber. Vom Überfall auf den portugiesischen Militärposten wird man in Europa erst Monate später hören. Die Spuren der Ereignisse könnte sich die Natur bis dahin längst wieder zurückgeholt haben. Als Sergento Bruno Estrela glaubt, an Flussblindheit erkrankt zu sein, einer Tropenkrankheit, die durch Parasiten übertragen wird, traut er sich nicht mehr aus dem Posten heraus. Sein Sipaio/Sepoy Nataniel Jalasi lässt sich von der Panik seines Vorgesetzten anstecken und wird dadurch praktisch zum Muzungu/einem Weißen. Als der Deutsche Hadrian Schreiber per Boot auftaucht, fragt man sich, ob er nicht in militärischer Funktion kommt und längst aus seiner Arztrolle herausgetreten ist. Nataniel, einer der einheimischen Sepoys, hatte die Deutschen herbeigesehnt, damit sie Engländer und Portugiesen vertreiben und den Sklavenhandel durch fremde schwarze Stämme beenden. Nataniel gehört eine der vielen Erzählstimmen, mit denen nun eine Vielzahl von politischen und privaten Verknüpfungen dokumentiert wird. Vater und Sohn, Brüder, Verlobte, Estrelas zukünftige Schwiegermutter, der Gouverneur, der Estrela suchen lassen wird, ein Schwarzer Deserteur und eine einheimische Prophetin kommen selbst zu Wort oder stehen im Focus. Letzlich können die Leute einem hier viel erzählen, fern ihrer Kaiser und Häuptlinge könnte sich so mancher neu erfunden haben. Plastisch treten uns die Probleme des Fußvolks der Kolonialmächte am Einsatzort vor Augen, die von einheimischen Führern, Fuhrleuten und Dolmetschern abhängig sind. Erstaunlich finde ich z. B., was die Fähigkeit zum Lesen und Schreiben über eine Person verrät und wie jemand dadurch praktisch die Hautfarbe wechseln kann.

Fazit
Im informativen Nachwort schreibt Henning Mankell, Mia Couto würde in afrikanischem Stil schreiben, indem er zwischen zwei Polen hin und her springt. Anziehung und Abstoßung, Realität und Traum, Animismus und westliches Denken, Lebende und Tote, Mediziner und Sangomas – Gegensätze gibt es in „Der blinde Fluss“ beinahe mehr als Figuren. Ein vielstimmiger Text, dessen Erzählstimmen zugleich vielsprachig sind, verschiedenen Kulturen angehören - und mit dem Maji-Maji-Aufstand ein wenig bekannter Teil deutscher Kolonialgeschichte.

Profile Image for Rita Nolasco.
87 reviews1 follower
June 1, 2026
A Cegueira dos Rios, de Mia Couto, foi uma leitura muito interessante, sobretudo pela forma como junta uma escrita tão particular a um tema que nos leva para realidades/vivências e comunidades que nem sempre conhecemos de perto.

O que mais me marcou foi, sem dúvida, a escrita. Mia Couto tem uma forma muito própria de trabalhar as palavras. Não achei que fosse uma leitura para fazer com pressa, pois pede atenção e alguma disponibilidade para entrar no universo que o autor constrói.

Gostei especialmente das frases introdutórias a cada capítulo, pois senti que funcionavam quase como pequenas portas de entrada para aquilo que vinha a seguir. Algumas são muito bonitas, outras mais reflexivas, e ajudam a criar uma atmosfera mais poética. São daqueles detalhes que enriquecem a experiência de leitura e que fazem com que o livro fique connosco para além da história em si.

Também achei muito interessante a forma como o livro nos dá a conhecer mais sobre comunidades africanas, os seus modos de vida, as suas crenças, os seus silêncios, as suas dores e a sua relação com a terra, com a memória e com aquilo que é passado de geração em geração. Senti que essa dimensão cultural tornou a leitura mais rica, porque entramos em contacto com outras formas de ver e sentir o mundo.

Não foi uma leitura excelente para mim, talvez por em alguns momentos exigir mais concentração ou por ter um ritmo mais contemplativo, e também porque senti que as personagens podiam ter mais desenvolvimento, pois fiquei com curiosidade de saber ainda mais sobre o porquê de certas situações, decisões e aparecimento das mesmas. De qualquer das formas, foi uma leitura muito interessante. Dou 4 estrelas porque me deixou a pensar, porque me envolveu pela escrita e porque me trouxe uma visão mais profunda sobre realidades que merecem ser conhecidas.
Profile Image for Vinícius de Paula.
6 reviews1 follower
January 9, 2025
“A Cegueira do Rio”, de Mia Couto, é uma obra de extraordinária riqueza, repleta de vida e significado. Não se restringe a uma única perspetiva sobre a história; antes, abraça a multiplicidade de perceções e pontos de vista, reconhecendo a singularidade de cada indivíduo. Com a delicadeza, o cuidado e a afeição que definem a escrita do autor, este romance aborda temas fundamentais como a memória coletiva, o esquecimento, as tradições, os direitos civis, a segregação racial, a corrupção, a religião, a importância da figura feminina, etc..

A narrativa entrelaça magistralmente história e ficção, criando uma melodia poética que ilumina verdades com palavras simples, mas profundamente precisas. Povoado por personagens de extraordinária profundidade psicológica e enriquecido por um sentido de humor único, o livro incorpora também elementos de fantasia que expandem as metáforas e os paralelos com a realidade. Nesse sentido, Mia Couto recorda-nos que a vida e o universo são muito mais imaginativos e complexos do que qualquer lógica matemática ou filosófica.

Ao mesmo tempo, A Cegueira do Rio serve como uma vingança simbólica contra a colonização e as versões “oficiais” da história contadas unilateralmente. Celebra a educação e o conhecimento como ferramentas fundamentais para resolver os grandes desafios da humanidade, como a fome, a guerra e a desigualdade. O desaparecimento da escrita, que impulsiona o enredo, oferece uma poderosa metáfora sobre a preservação da memória e da cultura.

Dotado de uma prosa mágica e visionária, Mia Couto entrega-nos, mais uma vez, uma obra exímia que desconstrói certezas, desafia perceções e ensina-nos sobre África, o mundo e, sobretudo, sobre nós próprios.
Profile Image for WildesKopfkino .
1,197 reviews10 followers
July 14, 2026
Manchmal öffnet man ein Buch und merkt schon nach wenigen Seiten: Okay, Kumpel, hier kannst du nicht nebenbei lesen und gleichzeitig überlegen, was morgen zum Mittag auf den Tisch kommt. Der blinde Fluss verlangt Aufmerksamkeit. Und ehrlich gesagt hat Mia Couto sie auch verdient.

Mitten hinein geht es in ein Ostafrika, das von Kolonialmächten zerrissen wird. Deutsche Soldaten, portugiesische Militärposten und mittendrin Nataniel und sein Bruder, die irgendwie versuchen, nicht zwischen all den Interessen zerquetscht zu werden. Schon diese Perspektive hat mich gepackt, weil Geschichte hier nicht aus der sicheren Entfernung erzählt wird. Man steckt mitten im Staub, in der Angst und in diesem verdammt unguten Gefühl, dass andere über dein Leben bestimmen.

Richtig stark fand ich die Sache mit den verschwindenden Buchstaben. Erst dachte ich noch: Was zum Teufel passiert denn jetzt? 😅 Doch genau darin steckt für mich die Wucht des Romans. Sprache bedeutet Macht. Karten bedeuten Macht. Berichte bestimmen, wessen Geschichte am Ende übrig bleibt. Und wenn plötzlich die Buchstaben verschwinden, beginnt auch diese scheinbar unerschütterliche Ordnung zu bröckeln.

Mia Couto schreibt bildgewaltig und unglaublich poetisch. Barbara Mesquitas Übersetzung fühlt sich dabei lebendig und sprachlich richtig kraftvoll an. Trotzdem musste ich an manchen Stellen einen Gang zurückschalten. Mal eben zwanzig Seiten zwischen Tür und Angel? Vergiss es. Einige Sätze wollten bei mir zweimal gelesen werden, bevor sie richtig saßen.

Der blinde Fluss ist kein bequemer Roman und ganz sicher keine leichte historische Unterhaltung. Dafür steckt hier zu viel Schmerz, Erinnerung und Wut zwischen den Seiten. Ein sprachlich besonderer Roman über Kolonialismus und darüber, wer Geschichte schreibt. Und verdammt, manche Bilder daraus bekomme ich so schnell nicht wieder aus dem Kopf.
Profile Image for Anni (she • her).
272 reviews39 followers
August 15, 2026
"Der blinde Fluss" spielt in Ostafrika und nimmt mehr und mehr Figuren auf, je weiter wir kommen. Es beginnt mit Nataniel, einem Hilfssoldaten, der viele Sprachen gelernt hat und auch schreiben kann, weshalb er für seinen Vorgesetzten viel Post verfasst. Zentraler Handlungspunkt des Buchs ist der Fluss, es gibt eine Krankheit namens Flussblindheit, und viele Mythen ranken sich um ihn, die mehr und mehr in die Geschichte eingewoben werden. Es geht um Sprache, es geht um koloniale Machtkämpfe zwischen den Deutschen und den Portugiesen und ein Ereignis, das sie alle zusammenbringt: ein Angriff von einem Flussufer auf das nächste soll von keiner Partei instrumentalisiert werden. Neben Nataniel gibt es weitere Figuren, die mehr und mehr Raum einnehmen: einer portugiesische Mutter, die auf der Suche nach dem Verlobten ihrer Tochter ist und nach Mosambik reist, ein Priester, der die Bibel umschreiben will, eine Priesterin, ein deutschen Offizier, der auch Arzt ist und gleichzeitig brutale Befehle geben muss. Das Lesen war teilweise konfus, weil nach und nach immer mehr Figuren erscheinen und das Spielfeld vergrößern, und weil im Buch geschickt ostafrikanische Mythen eingewoben werden und der Erzählstil sehr besonders ist, war ich gleichzeitig gefesselt und verwirrt. Es geht um Identitätsverlust der indigenen afrikanischen Bevölkerung, um Familiengeschichten, um Schuld - sehr komplex also und mit einer am Ende überraschend klaren Botschaft, weshalb ich noch einige Zeit über das Buch nachgedacht habe.
Profile Image for Joana Santos.
31 reviews
November 3, 2024
❝A morte tinha-lhe atado duas cordas ao pescoço: os portugueses iriam acusá-lo de negligência e os seus irmãos iriam culpá-lo de conivência. (…) A grande questão para quem foge não é o destino. E até quando terá de fugir. Para Nataniel esse quando era como o céu: não tinha fim.❞

❝Havíamos de abrir tantas sepulturas que todos nós, negros e brancos - que sempre existimos separados - acabaríamos por nos tornar vizinhos nessa cova maior do que a terra inteira. Mãos que não se tocaram quando eram feitas de carne, iriam entrelaçar-se quando fossem apenas ossos. Acabaríamos por esquecer de que raça fomos e que língua falámos enquanto estivemos vivos.❞

❝Há quem se surpreenda com a euforia com que a aldeia de Milepa celebra os regressos. Não sabem que, em certos lugares, partir é uma sentença e voltar é um milagre.❞

❝Depois, os portugueses que peguem nas coisas deles e se metam num barco. Mais tarde, podem voltar a Moçambique. Na próxima vez, porém, eles que batam à porta e peçam licença. Estas terras não estão vazias. Estas terras têm donos e são muito antigos. Eles que deixem tudo isso por escrito. Será uma promessa que terão que cumprir.❞

❝Nós somos as mulheres: não queremos vingança. Queremos justiça.❞
Profile Image for Antonio Coelho.
337 reviews6 followers
April 15, 2025
Mia Couto leva-nos ao início do séc. XX, quando da 1ª grande guerra e as consequências que teve entre as margens do Rovuma, a norte a África Oriental Alemã e a sul a colónia portuguesa de Moçambique.
Um primeiro ataque alemão ao posto de Madziwa desencadeia a ação do romance muito baseado no sobrevivente desse ataque, o sipaio Nataniel.
Nataniel é natural da vizinha aldeia de Milepa, onde as personagens da rainha Aluzi Msafiri e do padre Sisnado são marcantes.
Como sempre o autor delicia-me com a sua escrita cheia de encanto e magia.
Mas já perto do final acontece um facto relevante que resulta dos elementos escritos (e impressos) dos brancos desaparecerem e também eles deixarem de ter capacidade de escrita. Tema este que seria, na minha opinião, só ele, digno de um novo romance. Mas que aqui aparece diluído no tema principal.
Também não fica a ideia de que a guerra aconteceu de forma tão intensa como nos é revelado na Nota Final do Autor.
De uma forma geral gostei, mas fiquei com a sensação de que o final do livro foi escrito à pressa, como que uma necessidade súbita assaltasse o autor para o terminar.
Profile Image for Luciana Grimm.
181 reviews1 follower
June 6, 2025
Mia Couto está na minha lista de autores preferidos. A confissão da leoa e Antes de nascer o mundo são, sem dúvida, dois dos melhores livros que li na vida.
Mas infelizmente me decepcionei com A cegueira do rio; não me senti envolvida pela história em praticamente nenhum momento. Parece que o livro foi escrito por uma outra pessoa. Senti falta do Mia Couto que tanto me encantou com outras obras. Senti falta do seu trabalho com a palavra, da escolha inusitada do vocabulário… Além disso, o ponto mais interessante do livro que envolve justamente “a cegueira”, que traria pitadas de um realismo fantástico para a narrativa, foi minimamente explorado; somente no final do livro, essa questão aparece de forma mais frequente e acaba deixando o leitor com uma sensação de que esse elemento poderia ter aparecido muito mais.
Enfim, talvez seja o momento de transição de Mia Couto para um outro tipo de literatura, sabe-se lá.
Profile Image for el Víctor.
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February 17, 2026
La novel·la construeix els fets a mida que avancen a través de les veus dels diferents personatges, amb perspectives molt diverses. Confrontació entre potències colonials i colonitzats potencials, homes i dones, branques del cristianisme i religions locals. Una finestra amable a un punt concret de la història del Moçambic sota domini portuguès, però sense contingut per a aprendre'n gaire (si no n'ets expert, cal fer anar la Viquipèdia per acabar d'entendre algunes coses, i més que no hauré acabar de veure). En alguns punts sembla que marxa massa del tronc de la novel·la, però acaba tornant.
Profile Image for Belem.
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June 20, 2026
[Português: ver abaixo]

I feel that I haven’t read enough Mia Couto. That this author deserves more of my attention and my time. That, despite the Camões Prize, he does not receive sufficient recognition. A cegueira do rio is one of his most recent books (2024), which builds from a (little-known?) historical event from the beginning of the First World War between Portugal and Germany, in Mozambican territory, and, at the same time, through an almost dystopian lens in which the characters lose the ability to write and read.

In addition, colonialism, the relationship between peoples and cultures, identity, and belonging. And, being Mia Couto, there is a gentle, poetic writing style, strongly connected to local and oral traditions. Very beautiful — worth reading, appreciating, and reflecting on.
‘We are women: we do not want revenge. We want justice.’
‘It takes two people for there to be silence.’
‘In Africa everything is a journey. Because everything ends and everything begins in every season of the year.’

***

Sinto que não li o suficiente de Mia Couto. Que este autor merece mais a minha atenção e o meu tempo. Que, apesar do Prémio Camões, não tem reconhecimento suficiente. "A Cegueira do Rio" é um dos seus livros mais recentes (2024), que parte de um facto histórico (e pouco conhecido?) do princípio da Primeira Guerra Mundial entre Portugal e a Alemanha, em território de Moçambique e, paralelamente, numa visão quase distópica, em que as personagens perdem a capacidade de escrita e leitura.

Adicionalmente, o colonialismo, a relação entre povos e culturas, a identidade e a pertença. E, sendo Mia Couto, uma escrita suave, poética, com fortes ligações à tradição local e oral. Muito bonito, vale a pena ler, desfrutar, e refletir.

"Nós somos mulheres: não queremos vingança. Queremos justiça."

"São precisas duas pessoas para que haja silêncio."

"Em África tudo é caminho. Porque tudo termina e tudo começa em cada estação do ano."
Profile Image for Daniela Lopes ☕.
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November 19, 2024
Uma leitura fácil de entrar, mesmo que mexa em partes pouco compreendidas de nós. Senti, nesta escrita de Mia Couto, entrar num transe de sonho, em que personagens se misturam em histórias muito internas, em emoções que se entrelinham nas palavras.
Foi o meu primeiro de Mia Couto, e talvez daí esta sensação de sonho bêbado - mas sem dúvida, a aconselhar esta cegueira dos rios e, sem dúvida, na lista fica ler mais do autor.
Profile Image for Marina Rz.
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March 1, 2025
"Queremos que vás ao palácio. E ensines esses brancos a escrever. Se estiverem cansados que deixem por escrito uma única palavra. Essa palavra é 'desculpa'. Depois, os portugueses que peguem nas coisas deles e metam-se num barco. Mais tarde, podem voltar a Moçambique. Na próxima vez, porém, eles que batam à porta e peçam licença. Estas terras não estão vazias." (p. 225)
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November 19, 2024
Há tanto que aprender sobre a África- para mim esse é o pensamento mais forte quando termino um livro de Mia Couto. Esse livro é sobre a memória coletiva, mas também uma vingança simbólica contra a colonização e versão da história dos "vencedores".
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January 28, 2025
O Mia escreve como alguém que senta numa roda de conversa e conta histórias verdadeiras e inventadas. Histórias comoventes, poéticas, dolorosas e envolventes. Histórias que nos mantém afastados do sono.
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