"Meu compromisso é com a vida, e esta não mora em um checklist"
A produtividade é a palavra-chave que define nosso estilo de vida. Quem somos, então, quando não estamos produzindo? Em uma sociedade cansada, marcada pela intensificação do trabalho e pela gestão permanente de si, o tempo livre e o descanso passam a ser vistos como luxo, mas deveriam ser considerados nossos por direito.
Em Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo, Mariane Santana nos mostra que colocar limites na lógica do trabalho é um exercício revolucionário. Ela nos ensina que o antiprodutivismo – a recusa de viver para produzir – é a semente que nos permite nutrir outras formas de existência.
Com análises profundas sobre nossa sociedade, articulando relatos de uma rotina automática e reflexões de grandes pensadores, este livro nos mostra a urgência de um modo de vida que possa ser definido pelo ócio, em que o tempo deixa de ser associado ao capital para ser afirmado como experiência de vida. Porque viver é muito mais do que produzir.
Livro didático e sensível sobre os fundamentos e repercussões da centralidade do trabalho no capitalismo industrial e tardio. Em alguns momentos senti falta de maior aprofundamento conceitual, mas a cumpre bem o que se propõe.
A ideia de produtividade a todo custo saiu do mundo do trabalho e invadiu a vida como todo. Descanso e ócio são vistos quase como palavrões neste universo. Porém, como nos lembra a autora, eles são aquilo que nos permitem ser quem somos e sonhar com quem queremos ser. Além disso, quem disse que o trabalho e suas métricas deve controlar o centro das nossas vidas?
uma boa conversa introdutória sobre antiprodutivismo, perpassando, naturalmente, sobre conceitos de economia e trabalho. infelizmente, me faz pensar o quão necessário é colocarmos essa conversa em pauta, mas como parece cada vez mais distante.