"Meu compromisso é com a vida, e esta não mora em um checklist"
A produtividade é a palavra-chave que define nosso estilo de vida. Quem somos, então, quando não estamos produzindo? Em uma sociedade cansada, marcada pela intensificação do trabalho e pela gestão permanente de si, o tempo livre e o descanso passam a ser vistos como luxo, mas deveriam ser considerados nossos por direito.
Em Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo, Mariane Santana nos mostra que colocar limites na lógica do trabalho é um exercício revolucionário. Ela nos ensina que o antiprodutivismo – a recusa de viver para produzir – é a semente que nos permite nutrir outras formas de existência.
Com análises profundas sobre nossa sociedade, articulando relatos de uma rotina automática e reflexões de grandes pensadores, este livro nos mostra a urgência de um modo de vida que possa ser definido pelo ócio, em que o tempo deixa de ser associado ao capital para ser afirmado como experiência de vida. Porque viver é muito mais do que produzir.
Livro didático e sensível sobre os fundamentos e repercussões da centralidade do trabalho no capitalismo industrial e tardio. Em alguns momentos senti falta de maior aprofundamento conceitual, mas a cumpre bem o que se propõe.
Esse livro me encontrou em um período turbulento da minha vida.
Passei 6 meses desempregado este ano. Recém formado na faculdade, e junto com a formatura veio a falta de um contrato assinado. Esse momento fez diversos convites à contemplação, ao silêncio, ao encarar o quadro em branco que se mostrava diante de mim. Mas olhar de frente pra isso sempre se mostrou muito doloroso.
Ao finalmente encontrar um emprego que, além de não ser em uma área de interesse minha, impunha minha mudança para São Paulo. 2 meses adentro dessa experiência, a inquietação perante a imperatividade do produtivismo como tônica central da vida encontra um acalento na escrita da Mariane. Suas reflexões são poderosas e incitam a resistência ao status quo.
Como ela mesmo cita, esse livro não acaba quando a última página é folheada, ele promete ressoar como convite à recusa, à resistência, à negação da invasão do nosso tempo pela lógica perversa do senhor de si produtivo.
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Foi uma leitura profunda, questionadoras, transformadora. Fico com vontade de dar de presente esse livro para todas as pessoas que conheço e as que não conheço tbm. Como a Mariane aborda o tema de produtivismo, de como ele nos afeta, da nossa relação com o trabalho, o neoliberalismo, o tempo, o trabalho invisibilizado, o ócio e a subversão. Ela escreve de uma forma leve, mesmo assuntos densos. O livro termina de uma forma linda. Que honrar ter lido esse livro nesse momento.
A ideia de produtividade a todo custo saiu do mundo do trabalho e invadiu a vida como todo. Descanso e ócio são vistos quase como palavrões neste universo. Porém, como nos lembra a autora, eles são aquilo que nos permitem ser quem somos e sonhar com quem queremos ser. Além disso, quem disse que o trabalho e suas métricas deve controlar o centro das nossas vidas?
uma boa conversa introdutória sobre antiprodutivismo, perpassando, naturalmente, sobre conceitos de economia e trabalho. infelizmente, me faz pensar o quão necessário é colocarmos essa conversa em pauta, mas como parece cada vez mais distante.
Um livro para lá de incrível e a, talvez, a única auto-ajuda respeitável. Uma crítica antiprodutivista à sociedade neoliberal contemporânea que nos deixa desconcertadas..