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Claudia Vera Feliz Natal
Novo romance de uma das mais celebradas escritoras brasileiras de hoje.
Um jovem magistrado, em resposta a uma representação por excesso de prazo, precisa prestar contas de sua lentidão em um caso sensível que o acompanha há meses. Aos seus superiores, dirige uma espécie de defesa-autobiografia em que revisita os anos de carreira nas pequenas comarcas de Cláudia, Vera e Feliz Natal, no interior do Mato Grosso. Entre audiências, despachos e tentativas de conciliação, acumulam-se histórias extravagantes que expõem a afetação — e o ridículo — de todo um sistema que se quer solene, revelando as fissuras do universo de servidores que orbitam os fóruns, figuras tragicômicas como o próprio juiz, unidas pela contingência do cargo — e quase nada mais. E enquanto sela o destino dos outros, o jovem juiz vê o seu lhe escapar.
Transferido de cidade em cidade, cercado de relações provisórias e com dificuldade de construir laços duradouros — amigos, companheira, uma família possível —, enfrenta a experiência de ter autoridade sobre tudo, exceto a própria solidão. Em Cláudia Vera Feliz Natal, Mariana Salomão Carrara confirma a singularidade de um projeto literário que se reinventa a cada obra.
Com arquitetura narrativa ousada e domínio cada vez mais surpreendente da linguagem, a autora transforma o universo jurídico em matéria de ficção de alta voltagem e escancara o desconcerto cômico de quem acredita que a lei pode dar forma ao mundo — apenas para descobrir que o mundo insiste em escapar.
Um jovem magistrado, em resposta a uma representação por excesso de prazo, precisa prestar contas de sua lentidão em um caso sensível que o acompanha há meses. Aos seus superiores, dirige uma espécie de defesa-autobiografia em que revisita os anos de carreira nas pequenas comarcas de Cláudia, Vera e Feliz Natal, no interior do Mato Grosso. Entre audiências, despachos e tentativas de conciliação, acumulam-se histórias extravagantes que expõem a afetação — e o ridículo — de todo um sistema que se quer solene, revelando as fissuras do universo de servidores que orbitam os fóruns, figuras tragicômicas como o próprio juiz, unidas pela contingência do cargo — e quase nada mais. E enquanto sela o destino dos outros, o jovem juiz vê o seu lhe escapar.
Transferido de cidade em cidade, cercado de relações provisórias e com dificuldade de construir laços duradouros — amigos, companheira, uma família possível —, enfrenta a experiência de ter autoridade sobre tudo, exceto a própria solidão. Em Cláudia Vera Feliz Natal, Mariana Salomão Carrara confirma a singularidade de um projeto literário que se reinventa a cada obra.
Com arquitetura narrativa ousada e domínio cada vez mais surpreendente da linguagem, a autora transforma o universo jurídico em matéria de ficção de alta voltagem e escancara o desconcerto cômico de quem acredita que a lei pode dar forma ao mundo — apenas para descobrir que o mundo insiste em escapar.
232 pages, Paperback
First published January 1, 2026
About the author
Mariana Salomão Carrara
16 books553 followersMariana Salomão Carrara é paulistana, escritora e Defensora Pública, nascida em 1986. Tem publicados um livro de contos (Delicada uma de nós – Off-Flip, 2015), e os romances Idílico (EI, 2007), Fadas e copos no canto da casa (Quintal Edições, 2017), Se deus me chamar não vou (Editora nós, 2019, entre os 10 indicados ao Prêmio Jabuti 2020, em Romance Literário), “É sempre a hora da nossa morte amém” (Editora Nós, 2021, finalista do Prêmio São Paulo 2022 e entre os 10 indicados ao Jabuti 2022),”Não fossem as sílabas do sábado” (Todavia, junho/2022, Vencedor do Prêmio São Paulo 2023, Melhor Romance do Ano) e A árvore mais sozinha do mundo (Todavia, agosto/2024). Por contos e poemas avulsos, recebeu na juventude prêmios nacionais como Off-flip (2012), SESC-DF, Felippe D’Oliveira (2015 e 2016), Sinecol, Josué Guimarães e Ignácio de Loyola Brandão. Recebeu o segundo lugar no Prêmio Guiões (Portugal, 2019) pelo roteiro de longa-metragem É lá que eu quero morar.
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Community Reviews
Displaying 1 - 30 of 35 reviews
July 7, 2026
Segundo livro de Carrara que eu leio, tendo sido precedido por Se não fossem as sílabas de sábado. O que me deixou contente é que, embora a autora use a voz narrativa na primeira pessoa nos dois romances, não se repete. Aqui, adentramos na mente, na vivência, nos medos e receios de um jovem magistrado estadual cujo nome não nos é informado e que, pela dificuldade de obter aprovação num concurso para a magistratura em seu estado de São Paulo, arrisca o concurso no estado do Mato Grosso, onde é aprovado, passa pela formação e tem de ir trabalhar em pequenas comarcas onde nada é certo e tudo pode acontecer.
Os medos desse jovem juiz não ficam circunscritos apenas ao imponderável nos confins do Brasil, onde conflitos de terras e questões diárias por vezes podem ser resolvidos com um tiro de arma de fogo (como se isso não acontecesse em outros locais mais litoráneos e que pretensiosamente se acham mais desenvolvidos), mas é, em especial, a partir de reflexões acerca dos poderes que são conferidos a uma pessoa que passa a ter a capacidade de tomar decisões sobre a vida dos outros. Essas reflexões humanizam muito o jovem juiz do romance, que por vezes pondera se não é melhor furar um olho, ter uma mão cortada para, assim, poder se aposentar na magistratura sem precisar correr os riscos de tomar decisões que possam ocasionar mal a outros e a si mesmo, ou se colocar em situações que comprometam o seu sentido de ética e de dever moral. E assim, seguimos seu início em Feliz Natal, depois Vera e por fim em Cláudia, onde tem o seu caso mais complicado, embora a princípio tudo indicasse solução rápida e fácil, e a partir do qual se origina o romance, escrito na forma de uma longa defesa própria à Corregedoria do Poder Judiciário do Mato Grosso.
Acaba por ser um romance original e bem construído, que me deu bastante prazer em ler.
Os medos desse jovem juiz não ficam circunscritos apenas ao imponderável nos confins do Brasil, onde conflitos de terras e questões diárias por vezes podem ser resolvidos com um tiro de arma de fogo (como se isso não acontecesse em outros locais mais litoráneos e que pretensiosamente se acham mais desenvolvidos), mas é, em especial, a partir de reflexões acerca dos poderes que são conferidos a uma pessoa que passa a ter a capacidade de tomar decisões sobre a vida dos outros. Essas reflexões humanizam muito o jovem juiz do romance, que por vezes pondera se não é melhor furar um olho, ter uma mão cortada para, assim, poder se aposentar na magistratura sem precisar correr os riscos de tomar decisões que possam ocasionar mal a outros e a si mesmo, ou se colocar em situações que comprometam o seu sentido de ética e de dever moral. E assim, seguimos seu início em Feliz Natal, depois Vera e por fim em Cláudia, onde tem o seu caso mais complicado, embora a princípio tudo indicasse solução rápida e fácil, e a partir do qual se origina o romance, escrito na forma de uma longa defesa própria à Corregedoria do Poder Judiciário do Mato Grosso.
Acaba por ser um romance original e bem construído, que me deu bastante prazer em ler.
May 24, 2026
Engraçado e emotivo. A Mariana é a voz mais interessante da literatura brasileira hoje. De longe.
August 10, 2026
Neste livro, a Mariana Carrara usa sua experiência como Defensora Pública para criar o personagem principal, um Juiz de Direito que vem de São Paulo para atuar em minúsculas Comarcas no estado do Mato Grosso e que narra a história em primeira pessoa, fazendo um retrato realista do Brasil por meio dos meandros do Poder Judiciário. Adorei o livro! Sem dúvida ele tem um quê a mais para quem vive no mundo do Direito, diria que algumas piadas e situações podem ser melhor compreendidas, mas é uma leitura legal para qualquer pessoa. A Mariana consegue fazer a gente gargalhar com as tiradas e reflexões do personagem principal, se emocionar profundamente com as histórias das pessoas que buscam a Justiça e ao mesmo tempo se revoltar com os detentores dos pequenos poderes e que atuam como autômatos na busca por justiça, com as questões do Brasil corrupto, com os desmandos dos poderosos. A Mariana Carrara é maravilhosa construindo personagens. O Juiz de "Cláudia Vera Feliz Natal" virou meu segundo personagem preferido dos livros dela, só perdendo para a Maria Carmem, a menina do "Se Deus me chamar não vou". Recomendo muito!
August 16, 2026
Ainda que com um enredo que não proponha um engajamento imediato - muito por conta de uma linguagem jurídica altamente técnica - é inegável: Mariana é uma escritora genial. Minha predileta entre as contemporâneas. Acho linda a delicadeza como ela insere contextos pessoais em todos os seus livros, nos convidando a preciosas reflexões. Seguirei gabaritando a leitura de tudo que ela escreve, mesmo que seja uma bula de veneno em mandarim :)
June 22, 2026
Se você é fã de Dr. House e tem uma quedinha por seriados jurídicos como Law & Order ou Suits, esse livro é pra você. Ambientado no Brasil Profundo, conta as dinâmicas de um juíz que circula por pequenas comarcas do Mato Grosso (não confundir com Mato Grosso do Sul porque há rivalidade entre os estados). A narrativa traz um tom irônico e sarcástico, mas também muito contexto de uma região que aparece pouco no nosso imaginário, pois é pouco retratada. Algumas descrições, como o juíz se entender como uma espécie de “Roberto Carlos com poderes decisórios” são sensacionais. A adaptação e as situações pelas quais passa são divertidas e ajudam a ponderar sobre os desafios de julgar a realidade e lidar com os impactos de suas decisões. Mariana Salomão Carrara mescla de maneira ímpar sua escrita cuidadosa com seu conhecimento técnico, já que é defensora pública e tem amigos que circulam por estes espaços descritos. Cheguei a economizar a leitura de tão gostoso que estava. Recomendo pra quem quer um imaginário diferente no seu radar.
June 2, 2026
4,5 (tirei 0,5 estrelinha pq no inicio me perdi no judiciarês técnico)
Mariana. Salomão. Carrara.
Mais nada a ser dito. Como sempre, um fenômeno de livro escrito por um fenômeno de autora. Leria a lista de supermercado com emoção no coração
Ps: de todos, até agora o mais engraçado kkkkkkk vale demais as risadas
Mariana. Salomão. Carrara.
Mais nada a ser dito. Como sempre, um fenômeno de livro escrito por um fenômeno de autora. Leria a lista de supermercado com emoção no coração
Ps: de todos, até agora o mais engraçado kkkkkkk vale demais as risadas
September 6, 2026
Já sou fã declarada da Salomão, com certeza a autora que mais acompanho nos últimos tempos.
Gosto muito da capacidade de criar vozes que ela tem. Suas narrações em primeira pessoa, que muitas vezes tem um algo a mais, me admiram muitíssimo.
Amei o tom juridiquês. Ele me lembrou um pouco A Morte de Ivan Ilitch, com uma preocupação burocrática e um certo tom solene diante de situações muitas vezes ridículas. Me peguei rindo em alguns momentos.
Deixo apenas o alerta para o perigo de se pegar sentindo empatia pelo alto escalão do Judiciário.
Gosto muito da capacidade de criar vozes que ela tem. Suas narrações em primeira pessoa, que muitas vezes tem um algo a mais, me admiram muitíssimo.
Amei o tom juridiquês. Ele me lembrou um pouco A Morte de Ivan Ilitch, com uma preocupação burocrática e um certo tom solene diante de situações muitas vezes ridículas. Me peguei rindo em alguns momentos.
Deixo apenas o alerta para o perigo de se pegar sentindo empatia pelo alto escalão do Judiciário.
July 1, 2026
4.5 ⭐️
O lado bom de ler livro novo da Mari Carrara: ler mais um obra incrível de Mari Carrara.
O lado ruim: ter que esperar uma nova obra da Mari Carrara.
Quanto talento ela tem para incorporar as façanhas tragicômicas da vida. Simplesmente genial.
O lado bom de ler livro novo da Mari Carrara: ler mais um obra incrível de Mari Carrara.
O lado ruim: ter que esperar uma nova obra da Mari Carrara.
Quanto talento ela tem para incorporar as façanhas tragicômicas da vida. Simplesmente genial.
September 23, 2026
Diz-se de Mariana Salomão Carrara que é uma das autoras da nova geração que se destaca pela excelência de seus textos, tal qual Carla Madeira ou Giovana Madalosso. "Claudia Vera Feliz Natal" (Mariana Salomão Carrara, 232 p., Ed. Todavia) é a minha primeira experiência com a autora e, de fato, ratifica essa impressão. O livro é narrado em primeira pessoa por um juiz paulista que desenvolve sua carreira em três comarcas de pequenas cidades do Mato Grosso (Claudia, Vera e Feliz Natal) e a narrativa se apresenta como uma espécie de peça de defesa dirigida a um Desembargador, diante de uma acusação de morosidade no julgamento de determinado processo.
O personagem principal tem algumas características pessoais marcantes, como a inabilidade social e certas manias decorrentes da solidão, também imposta pelas escolhas profissionais e pelo isolamento em que vive. Os diversos capítulos dessa peça de defesa funcionam, assim, como pequenas histórias que, além de construir o personagem, servem de crítica, muitas vezes bem-humorada, aos meandros e às peculiaridades do sistema judiciário. São observações sutis, situações insólitas e pequenas ironias que, certamente, os advogados de formação devem apreciar com ainda mais gosto.
Fato é que, apesar das qualidades inegáveis da obra e da fluidez da escrita, faltou um pouco de engajamento na narrativa e de envolvimento com o personagem. Os inúmeros capítulos funcionam quase como micro-contos, alguns bastante interessantes por si só, mas que nem sempre parecem conduzir a uma história maior. A sensação, ao longo da leitura, é de que há uma expectativa de que todas aquelas pequenas peças finalmente se encaixem e levem a algum lugar.
E talvez esse seja o principal problema do livro: ele promete mais do que entrega. A narrativa se mantém interessante, mas não cresce. Não há propriamente um ápice, uma revelação ou um acontecimento final capaz de ressignificar o que veio antes. Quando se espera que a história finalmente ganhe força e alcance um desfecho marcante, ela simplesmente termina.
Avaliação Final: 7,5/10
Status: 46º livro de 2026
Próxima leitura: "A Gangue dos Sonhos" (Luca di Fulvio)
O personagem principal tem algumas características pessoais marcantes, como a inabilidade social e certas manias decorrentes da solidão, também imposta pelas escolhas profissionais e pelo isolamento em que vive. Os diversos capítulos dessa peça de defesa funcionam, assim, como pequenas histórias que, além de construir o personagem, servem de crítica, muitas vezes bem-humorada, aos meandros e às peculiaridades do sistema judiciário. São observações sutis, situações insólitas e pequenas ironias que, certamente, os advogados de formação devem apreciar com ainda mais gosto.
Fato é que, apesar das qualidades inegáveis da obra e da fluidez da escrita, faltou um pouco de engajamento na narrativa e de envolvimento com o personagem. Os inúmeros capítulos funcionam quase como micro-contos, alguns bastante interessantes por si só, mas que nem sempre parecem conduzir a uma história maior. A sensação, ao longo da leitura, é de que há uma expectativa de que todas aquelas pequenas peças finalmente se encaixem e levem a algum lugar.
E talvez esse seja o principal problema do livro: ele promete mais do que entrega. A narrativa se mantém interessante, mas não cresce. Não há propriamente um ápice, uma revelação ou um acontecimento final capaz de ressignificar o que veio antes. Quando se espera que a história finalmente ganhe força e alcance um desfecho marcante, ela simplesmente termina.
Avaliação Final: 7,5/10
Status: 46º livro de 2026
Próxima leitura: "A Gangue dos Sonhos" (Luca di Fulvio)
July 28, 2026
Mariana Salomão Carrarra é sempre genial.
Aqui, além dos já sabidos limites da democracia, ela mostra o brilho que podem ter as pessoas no meio da máquina - ou a sombra. Desconstrói o estereótipo do juiz super seguro de si e mostra como cada um dá o que é para o processo legal, que fica diverso apesar das repetições inevitáveis.
Afora isso, temos personagens muito bem construídos dretratos fidedignos do interior do país
Aqui, além dos já sabidos limites da democracia, ela mostra o brilho que podem ter as pessoas no meio da máquina - ou a sombra. Desconstrói o estereótipo do juiz super seguro de si e mostra como cada um dá o que é para o processo legal, que fica diverso apesar das repetições inevitáveis.
Afora isso, temos personagens muito bem construídos dretratos fidedignos do interior do país
August 22, 2026
É um livro delicioso de ler, a forma e o conteúdo em perfeita sintonia. Apesar de ter uma voz narrativa única, o romance se desenvolve quase como uma sequência de contos, à medida que o juiz relata os diferentes causos pelas comarcas por onde passou. Super bem escrito, com um protagonista complexo, engraçado, triste, contraditório, perdido, em alguma medida e por um motivo que não sei identificar ao certo, me lembrou
A Pediatra.
A Pediatra.
August 16, 2026
O livro é maravilhoso, muito reflexivo e com um tom de sarcasmo que faz com a leitura seja muito divertida.
Apesar disso, os dilemas do personagem principal (que acabei de perceber que não sei o nome, acho que nunca é dito) são muito específicos, talvez seja difícil de entender se você não tem contato com o universo de concursos e serviço público, além de ser escrito com muito juridiquês que dificulta para quem não é da área.
Achei o final meio corrido e algumas mudanças rápidas da história me deixaram em choque.
Ainda assim, excelente excelente leitura.
Apesar disso, os dilemas do personagem principal (que acabei de perceber que não sei o nome, acho que nunca é dito) são muito específicos, talvez seja difícil de entender se você não tem contato com o universo de concursos e serviço público, além de ser escrito com muito juridiquês que dificulta para quem não é da área.
Achei o final meio corrido e algumas mudanças rápidas da história me deixaram em choque.
Ainda assim, excelente excelente leitura.
August 5, 2026
Gostei tanto desse livro! Queria escrever igual a Mariana ✨
July 29, 2026
Divertidíssimo e espirituoso. Adorei a leitura!! Adoro Mariana Salomão
August 20, 2026
Pesquisa de campo pra quando Gabriel se tornar juíz e teremos que viver nossa vida pacata, morando em algum interior do Brasil.
August 5, 2026
Livro #106 de 2026
Acabei de acabar Cláudia Vera Feliz Natal, de Mariana Salomão Carrara. Poucas escritoras brasileiras contemporâneas evoluíram de forma tão consistente de um livro para outro. A cada nova publicação, fica mais evidente o domínio técnico da autora sobre a linguagem, o ritmo e a construção da prosa. Depois de romances como Não fossem as sílabas do sábado e A árvore mais sozinha do mundo, acompanho seu trabalho com enorme expectativa e profundo respeito.
Talvez por isso esta tenha sido uma leitura particularmente difícil de avaliar.
Até a sinopse resiste a uma descrição simples. Um jovem juiz precisa responder a um procedimento administrativo e, ao escrever sua defesa, revisita diferentes momentos da carreira e da vida pessoal. Mas essa premissa funciona muito mais como um ponto de partida do que como uma trama propriamente dita.
Foi justamente aí que o romance menos funcionou para mim.
Mariana faz uma escolha formal bastante clara: abandona uma estrutura romanesca mais tradicional para construir uma sucessão de episódios independentes. Cada um deles é inteligente, bem observado e, muitas vezes, muito divertido. O cotidiano do Judiciário rende situações inusitadas, personagens memoráveis e um humor sutil que torna a leitura extremamente agradável. Para quem conhece esse universo, imagino que a identificação seja ainda maior.
Ao mesmo tempo, senti falta de uma linha narrativa que costurasse essas histórias e produzisse uma curva de tensão mais evidente. Os personagens entram e saem de cena, os episódios se acumulam, mas raramente tive a sensação de que um acontecimento impulsionava o seguinte. Ao terminar o livro, fiquei com a impressão de ter lido excelentes contos unidos por um mesmo narrador, e não um romance cuja estrutura conduzisse naturalmente até seu desfecho.
A qualidade da escrita, por outro lado, é irretocável. Mariana escolhe cada palavra com precisão, domina o ritmo das frases e faz a leitura fluir com uma naturalidade admirável. É um daqueles livros que continuam prazerosos de ler mesmo quando a narrativa não desperta a curiosidade sobre o próximo capítulo.
Também tive alguma dificuldade em me conectar com a voz do narrador, especialmente na primeira metade do romance. Em diversos momentos, nunca consegui esquecer completamente a presença da autora por trás daquela primeira pessoa. É uma percepção bastante subjetiva, naturalmente, mas acabou criando uma pequena distância entre mim e o personagem.
No fim, esta foi uma experiência curiosa. Sob o aspecto da escrita, encontrei uma autora em pleno domínio do seu ofício. Como romance, porém, senti falta de uma trama mais coesa e de reflexões que me provocassem com maior intensidade. Continuo considerando Mariana Salomão Carrara uma das escritoras mais importantes da literatura brasileira contemporânea e seguirei lendo seus próximos livros. Desta vez, apenas aconteceu de admirar muito mais a escritora do que a obra.
Acabei de acabar Cláudia Vera Feliz Natal, de Mariana Salomão Carrara. Poucas escritoras brasileiras contemporâneas evoluíram de forma tão consistente de um livro para outro. A cada nova publicação, fica mais evidente o domínio técnico da autora sobre a linguagem, o ritmo e a construção da prosa. Depois de romances como Não fossem as sílabas do sábado e A árvore mais sozinha do mundo, acompanho seu trabalho com enorme expectativa e profundo respeito.
Talvez por isso esta tenha sido uma leitura particularmente difícil de avaliar.
Até a sinopse resiste a uma descrição simples. Um jovem juiz precisa responder a um procedimento administrativo e, ao escrever sua defesa, revisita diferentes momentos da carreira e da vida pessoal. Mas essa premissa funciona muito mais como um ponto de partida do que como uma trama propriamente dita.
Foi justamente aí que o romance menos funcionou para mim.
Mariana faz uma escolha formal bastante clara: abandona uma estrutura romanesca mais tradicional para construir uma sucessão de episódios independentes. Cada um deles é inteligente, bem observado e, muitas vezes, muito divertido. O cotidiano do Judiciário rende situações inusitadas, personagens memoráveis e um humor sutil que torna a leitura extremamente agradável. Para quem conhece esse universo, imagino que a identificação seja ainda maior.
Ao mesmo tempo, senti falta de uma linha narrativa que costurasse essas histórias e produzisse uma curva de tensão mais evidente. Os personagens entram e saem de cena, os episódios se acumulam, mas raramente tive a sensação de que um acontecimento impulsionava o seguinte. Ao terminar o livro, fiquei com a impressão de ter lido excelentes contos unidos por um mesmo narrador, e não um romance cuja estrutura conduzisse naturalmente até seu desfecho.
A qualidade da escrita, por outro lado, é irretocável. Mariana escolhe cada palavra com precisão, domina o ritmo das frases e faz a leitura fluir com uma naturalidade admirável. É um daqueles livros que continuam prazerosos de ler mesmo quando a narrativa não desperta a curiosidade sobre o próximo capítulo.
Também tive alguma dificuldade em me conectar com a voz do narrador, especialmente na primeira metade do romance. Em diversos momentos, nunca consegui esquecer completamente a presença da autora por trás daquela primeira pessoa. É uma percepção bastante subjetiva, naturalmente, mas acabou criando uma pequena distância entre mim e o personagem.
No fim, esta foi uma experiência curiosa. Sob o aspecto da escrita, encontrei uma autora em pleno domínio do seu ofício. Como romance, porém, senti falta de uma trama mais coesa e de reflexões que me provocassem com maior intensidade. Continuo considerando Mariana Salomão Carrara uma das escritoras mais importantes da literatura brasileira contemporânea e seguirei lendo seus próximos livros. Desta vez, apenas aconteceu de admirar muito mais a escritora do que a obra.
August 29, 2026
Aflitivo, brilhante e surpreendente!
O juiz é inseguro, humano e extremamente falho. Sua voz narrativa é tão viva, tão crível, que as vezes senti que vinham da minha própria cabeça, suas inseguranças as minhas inseguranças.
A estrutura do livro também é surpreendente. Parece que não vai funcionar, que vai der formal demais ou irrealista demais, mas algo ali no meio funciona.
Não sei porque não são cinco estrelas, mas não são. Não é um livro transcendental, ainda que uma experiência de escrita lindíssima.
4.5 estrelas
O juiz é inseguro, humano e extremamente falho. Sua voz narrativa é tão viva, tão crível, que as vezes senti que vinham da minha própria cabeça, suas inseguranças as minhas inseguranças.
A estrutura do livro também é surpreendente. Parece que não vai funcionar, que vai der formal demais ou irrealista demais, mas algo ali no meio funciona.
Não sei porque não são cinco estrelas, mas não são. Não é um livro transcendental, ainda que uma experiência de escrita lindíssima.
4.5 estrelas
September 24, 2026
Nunca imaginei que fosse gostar tanto de um livro que envolvesse um contexto jurídico. Pensei que estancaria a leitura, mas me vi rendido pelas várias histórias que o juiz protagonista conta sobre suas passagens por comarcas do interior do Mato Grosso. A esperteza do enredo está justamente em fazer com que a figura judiciária central se torne próxima de nós, com dilemas que em nada se assemelham ao distanciamento das figuras de toga que estamos habituados a ver tão de longe. Mariana Salomão Carrara definitivamente é uma das maiores narradoras da nossa atualidade. Muito bom!
June 3, 2026
Ai, eu amo tanto a escrita da Mariana. Acho que esse livro foi o mais engraçado que ela escreveu desde Se Deus Me Chamar, Não Vou (eu li todos de lá pra cá). Ela tem esse jeitinho de escrever no ritmo dos meus pensamentos, parece que todos os protagonistas, desde Maria Carmem, estão lendo as conversas da minha cabeça. Não dei 5 estrelas pra esse livro na tentativa de fazer um ranking mesmo que pífio hahaha. Não é o meu preferido, mas ainda assim gostei muito, nenhuma novidade.
September 24, 2026
Eu amo amo amo a escrita da Mariana Salomão Carrara!! Esse foi totalmente diferente de tudo que já li dela e do que esperava, não tiveram grandes pancadas (ou fui inocente e não percebi), e foi muito engraçado em diversos momentos. E eu não esperava tanta "leveza" assim dela.
Read
June 28, 2026"[...] porque na maioria das vezes ele reinvidicava que eu fizesse justiça apesar da lei - uma decisão fundada mais no prudente arbítrio e no ponderado senso de justiça além da letra da lei (sic) -, e eu então lhe aplicava a lei, que, de modo geral, não faz justiça."
September 3, 2026
Terceiro livro da Mariana. Completamente diferentes, só que não. Como nos demais a crítica sobre as injustiças, as desigualdades a solidão. Neste teve tudo isso, mas também teve humor situações hilárias e inusitadas.
Gostei muito.
Gostei muito.
September 10, 2026
É incrível o cuidado da Mariana com as palavras. Me parece que cada frase foi muito bem pensada. O enredo é ótimo apesar de se tratar de um tema jurídico, o que geralmente não me engaja, pois me remete ao meu trabalho kkkk Fiquei presa do início ao fim e encantada com a escrita.
September 14, 2026
O que mais gostei do livro foi o personagem. Quando foi que li algo sobre um juíz no meio de uma cidade pequena do Brasil? Ótimo. Achei que a linguagem meio juridiquês ia incomodar mas logo ela acaba ficando natural.
June 13, 2026
Terceira obra que leio da Mariana e ZERO arrependimento.
June 15, 2026
duzentas páginas dentro da cabeça de um neurótico obsessivo
June 24, 2026
Sempre maravilhoso testemunhar a escrita de Mariana Salomao Carrara.
July 12, 2026
tudo que Mariana toca vira ouro!
July 24, 2026
Fez tanto sentido pra mim que me senti lendo uma grande crônica de algo que facilmente aconteceria ao meu redor. Mariana é arrebatadora sempre!!!!
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