Eis a jornada de Inácio, um jovem que decide deixar a sua vida em Lisboa em suspenso e embarcar numa viagem pela Europa, sem imaginar que um estranho apelo acabará por levá-lo bem mais longe. Esta é a peregrinação de um homem atormentado pela culpa, que foge de um passado sombrio.
Procura respostas, talvez a redenção. Na Côte d’Azur, Inácio recorda a vida com Graça e a amizade com Simão, acabando por se confrontar com as suas ilusões e delírios. Na Índia, mergulha no caos de Mumbai e na espiritualidade de Varanasi. É uma jornada em que encontra figuras marcantes, como Alice, uma voluntária altruísta, e Sudhir, um monge com segredos perturbadores, que o levam a questionar a sua moralidade e a fragilidade da existência humana.
Entre a Loucura e a Graça, de Salvador Furtado, explora temas como culpa, solidão e espiritualidade. Alice desafia Inácio, o protagonista, a confrontar os seus demónios interiores e a procurar sentido num mundo caótico. O destino de Alice e a sua visão da morte põem Inácio perante uma escolha impossível, culminando num desfecho arrebatador. Uma história profunda e poética sobre os dilemas da vida, os ecos do amor e a inevitabilidade da morte
3,5* Um livro que oscila entre o interessante e o monótono. Interessante porque desperta curiosidade através de temas densos (loucura, identidade, sofrimento, suicídio…) e porque decorre em várias geografias; monótono porque, na primeira metade, a narrativa parece presa a uma espécie de lamento contínuo, regressando vezes sem conta às mesmas emoções e reflexões sem lhes acrescentar novas camadas de significado, ou densidade psicológica. Durante a primeira parte fui oscilando entre o interesse e uma certa frustração. O livro sugere uma jornada de transformação interior, mas o movimento é lento e, por vezes, quase impercetível. A insistência na dor e no desencanto acaba por gerar uma certa fadiga emocional, não por excesso de sofrimento, mas porque esse sofrimento raramente é interrogado de forma verdadeiramente profunda. Como leitora que até aprecia narrativas melancólicas e introspetivas, senti falta de momentos de descoberta ou de beleza que criassem contraste com a escuridão e angústia dominantes. Ainda assim, seria injusto ficar-me por esta impressão inicial. Na segunda metade do livro a narrativa ganha um novo fôlego, tornando-se mais reflexiva e intelectualmente mais interessante. O autor começa finalmente a explorar com maior profundidade os temas que até então pareciam apenas esboços, permitindo que as inquietações do narrador transcendam o mero lamento e se transformem em reflexão. O livro deixa de girar apenas em torno da dor para começar a procurar sentido dentro dela. Julgo que é uma obra competente, cuidada, com uma escrita correta, bem estruturada, por vezes até bastante inspirada, mas à qual talvez falte uma voz mais distinta ou uma camada mais profunda. Fiquei com a sensação de que o livro se mantém muitas vezes numa zona confortável, sem arriscar tanto quanto a profundidade existencial dos temas pede. Há mais peso da escuridão do que fôlego de debate. No final, fiquei com a sensação de ter lido um livro que cresce consigo próprio. Não se tornou, para mim, uma leitura memorável, mas revelou mais profundidade do que a sua primeira metade fazia prever. Foi uma leitura de altos e baixos, por vezes excessivamente absorvida pela sua própria melancolia, mas que acaba por encontrar uma voz mais reflexiva e convincente. Talvez não entregue uma verdadeira catarse, mas oferece um pensamento honesto sobre a fragilidade humana e sobre a difícil procura de sentido.
Com uma escrita limpa, moderna e ritmada, este livro transportou-me para um mundo que parece ser de "aqui ao lado em Lisboa" mas que depois se transforma em algo muito mais profundo e longínquo. Esta peregrinação interior dos dias de hoje é uma aprendizagem que me fez não largar o livro até ao seu incrível final. Boas leituras!
Um livro diferente… num bom sentido! Um autor português a escrever sobre temas introspectivos e que nos metem a pensar, algo que existe muito pouco. Li o livro em uma semana, recomendo imenso!
Confesso que me foi difícil entrar na história no início. Senti-a algo arrastada, talvez demasiado detalhada, e demorou algum tempo até me sentir verdadeiramente envolvido. Ainda assim, há algo de muito interessante na forma como conhecemos desde cedo as personagens, as suas inquietações, fragilidades e esse estado quase meditativo, flutuante, perante a vida.
Foi perto da página 100 que tudo mudou para mim. Os temas abordados tocaram-me de forma profundamente pessoal e encontrei-me em várias passagens, o que fez com que entrasse completamente na história e me colocasse, sem esforço, nos sapatos de Inácio.
O capítulo V da Parte II é, talvez, uma das cenas mais viscerais, desconcertantes e desumanas que li nos últimos tempos. Há nela algo de brutalmente honesto, cru, desconfortável mas também profundamente real e necessário de atenção.
É daqueles livros que dificilmente deixa alguém indiferente. Acredito genuinamente que tem uma força narrativa e emocional capaz de conquistar um público muito mais vasto, porque a sua qualidade está lá, de forma evidente.
A forma como a Índia é retratada merece também destaque: viva, intensa, quase palpável, capturada de uma maneira grandiosa e profundamente imersiva.
Quanto ao final, apanhou-me de surpresa, mas fez total sentido. Parece o encerramento inevitável de um ciclo, não necessariamente como gostaríamos, mas talvez como precisava de acontecer.
Um livro que aborda um tema extremamente delicado sem nunca o banalizar ou tratar com leveza excessiva; pelo contrário, fá-lo com a responsabilidade, complexidade e sensibilidade que exige.
Eu pensei que iria gostar deste livro. Sempre julguei livros pelas capas e pelos títulos e achei que me fosse dar bem com este. No geral gostei da ideia e do conceito, mas o facto do personagem ser intragável retira muito do que o livro tem a entregar… Não tem características que o redimam na minha opinião, e isso fez com que fosse um bocado complicado terminar o livro… Não adorei a maneira de ele descrever fosse o que fosse, naveguei *demasiadas páginas* mergulhadas em miséria e patetice… Tive muita esperança para as últimas páginas, achei, erro meu, que o livro tinha que ter alguma conclusão, alguma meta alcançada, fosse negativa ou não… A escrita não é má! É uma escrita elegante… mas lá está, o conteúdo tira-lhe o brilho que podia ter… Havia muita coisa desnecessária, eu lia e ficava boquiaberta sem saber o que fazer… Sou teimosa, então quis continuar e acabar a leitura, nunca se sabe se o livro nos vai surpreender pela positiva ou não até chegarmos á última página… Tem muitas narrativas racistas, sexistas e outras só nojentas… Conclusão: não é um livro para mim 😅
uma viagem pelo interior de Inácio. Um retrato da imaginação como mecanismo de sobrevivência e um constante confronto entre identidade e veracidade. Uma leitura fácil e fluida que oscila entre momentos de ação e de introspecção e uma escrita responsável e avalassadora que nos prende do início ao fim ao mesmo tempo que nos leva a viajar pelo mundo! Recomendo imenso!!
demorei a entrar, não me pareceu óbvio à primeira. após alguma páginas apercebi-me que estava a ler uma coisa totalmente diferente da qual estava habituada. recomendo.