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O Céu Cairá sobre Nós: 30 Crónicas e 1 Discurso

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Um conjunto de crónicas que, pela sua importância e pertinência, não podiam deixar de ser lidas pelos leitores portugueses.

Em Janeiro de 2024, Lídia Jorge iniciou uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal El País, espaço que partilha com os escritores Juan Gabriel Vásquez, Irene Vallejo e Leonardo Padura. O presente volume é uma recolha de trinta dessas crónicas, incluindo cinco das várias que foram sendo publicadas irregularmente, no mesmo periódico, desde 2020, sendo uma das primeiras aquela que dá o título a este livro.

O Céu Cairá Sobre Nós corresponde ao primeiro verso de uma canção popular afegã, mas ao ser transposto para título de um livro de crónicas o seu sentido alarga-se e globaliza-se. Ele corresponde ao espírito de ameaça do nosso tempo, e simultaneamente à força da resistência que a lucidez da análise dos factos permite.

Lucidez e resistência, talvez sejam as duas palavras que emanam destas crónicas de carácter literário. E nada melhor o poderá confirmar do que o discurso proferido pela autora em Lagos, a 10 de Junho de 2025, aquando das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e que temos o gosto de incluir neste livro. Esse texto provocou uma polémica que de algum modo marca as contingências paradoxais do nosso tempo. Publicamo-lo para que não se esqueça.

208 pages, Paperback

Published April 1, 2026

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About the author

Lídia Jorge

84 books287 followers
LÍDIA GUERREIRO JORGE nasceu em Boliqueime, Loulé a 18 de Junho de 1946. Concluído o curso de Filologia Românica, dedicou-se ao ensino liceal (Angola, Moçambique e Lisboa). Publicou os romances O Dia dos Prodígios (1980, Prémio Ricardo Malheiros), O Cais das Merendas (1982, Prémio Literário Município de Lisboa), Notícia da Cidade Silvestre (1984, Prémio Literário Município de Lisboa), A Costa dos Murmúrios (1988), A Última Dona (1992), O Jardim Sem Limites (Prémio Bordalo, 1995), O Vale da Paixão (Prémio D. Dinis, 1998), O Vento Assobiando nas Grutas (2002, Grande Prémio do Romance e Novela da APE/DGLB), Combateremos a Sombra (2005, Prémio Charles Bisset) e A Noite das Mulheres Cantoras (2011); os livros de contos A Instrumentalina (1992), Marido e Outros Contos (1997), O Belo Adormecido (2004) e Praça de Londres (2005); a peça de teatro A Maçon (1993) e o ensaio Contrato Sentimental (2009). Os seus romances são constituídos por vários planos narrativos, onde o fantástico coexiste com o real, e os problemas sociais colectivos são postos em relevo através de figuras humanas com dimensão metafórica e mítica. Foi condecorada, pela Presidência da República, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 2005.

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for Margarida Galante.
537 reviews45 followers
July 5, 2026
Ler Lídia Jorge neste registo de crónicas é semelhante a ouvi-la, serena, sensata e humanista, mas também muito clara e assertiva nas suas reflexões.

Nos seus romances aborda temas do seu e nosso tempo e da História contemporânea de Portugal. Nestas crónicas, publicadas no jornal El País está sempre presente a atualidade.
Além destas trinta crónicas, podemos também encontrar aqui o tão difundido e falado discurso, que proferiu no dia 10 de junho de 2025, em Lagos, nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Na contracapa deste livro pode ler-se uma frase que aplica a estas crónicas duas palavras que me parecem bastante certeiras, lucidez e resistência. Gostei muito e recomendo a todos.
920 reviews
May 6, 2026
Neste volume reúnem-se crónicas e o famoso discurso que suscitou tanta polémica para quem não ouve. É um livro lúcido e confortou-me muito.
Profile Image for Diogo Diogo.
7 reviews3 followers
August 6, 2026
do pouco ao nada que leio em português, encontrei na lídia jorge um momento em que o que significa ser português, me interessa: como chegámos aqui. e ela não responde com nostalgia, responde com uma pergunta: para que os impérios se mantenham florescentes, quantas crianças é preciso matar? antes disso tinha escrito sobre as crianças que ainda não se separaram do que as rodeia, para quem a natureza e as coisas são apenas o prolongamento de si próprias, e por isso o seu mundo é um espaço mágico. é entre essas duas frases que cabe um país inteiro.

admiro a sobriedade da lídia. não deixa de ser uma sonhadora com os pés na terra e o coração atrás das costelas. se eu tivesse que definir o que era ser português, assumindo que é uma pergunta que se quer a resposta humanista, que inclui tudo o que existe e não exclui nada, diria que é esta colectânea de artigos. nunca li os seus romances, mas este bastou para saber que não estou só neste mundo de hoje, em que não entendo muito bem o que sou mas vivo com convicção a verdade que o coração exige.
Profile Image for Carla.
195 reviews25 followers
September 19, 2026
"O Céu Cairá sobre Nós" é um livro que recolhe trinta crónicas publicadas pela escritora Lídia Jorge na seccão de opinião do jornal espanhol "El País", desde 2020, e que integra ainda o discurso por si proferido em Lagos, em 10 de junho de 2025, nas Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

As crónicas constituem uma reflexão lúcida sobre os principais acontecimentos sociais e políticos dos dias de hoje e revelam a preocupação da autora com o futuro da Humanidade, mas também incutem um sentimento de esperança para aqueles que ousam questionar os poderosos deste planeta, os quais querem controlar tudo, desde os recursos naturais até os nossos pensamentos.

Com uma escrita clarividente, Lídia Jorge aborda a repressão das mulheres no Afeganistão, o fundamentalismo islâmico e as suas repercussões, como os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, nomeadamente, o ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque, bem como a tentativa de homicídio do escritor Salman Rushdie por um muçulmano, quando aquele se preparava para apresentar um livro; o poder absoluto de Vladimir Putin e a guerra que desencadeou contra a Ucrânia; a ascensão da extrema-direita na Europa; as eleições americanas, que deram pela segunda vez a vitória a Donald Trump e o que isso desencadeou num mundo mais desigual, menos seguro e mais autoritário.

A escritora discorre também contra a destruição da Faixa de Gaza e o sofrimento do povo palestiniano levada a cabo por um governo de Israel extremista, após os ataques mortíferos do grupo terrorista Hamas a jovens e a famílias israelitas.

A autora revela ainda que está muito atenta aos jovens, que se sentem cada vez mais atraídos pelas redes sociais e pelos chamados "influencers", a maioria dos quais não teriam qualquer visibilidade não fosse a rapidez com que as suas ideias percorrem os ecrãs de computadores e de telemóveis.

Mas Lídia Jorge deixa-nos esperançosos ao escrever sobre a forma como ainda hoje milhares de portugueses celebram com entusiasmo a liberdade alcançada com a Revolução de 25 de Abril de 1974, por mostrar que os leitores acorrem em grande número às Feiras dos Livros para descobrirem novos livros e contactarem com os escritores e, por fim, acerca de haver sempre pessoas resistentes prontas a dar as suas vidas por um mundo mais justo.

Gostei imenso de ler as crónicas e o discurso de Lídia Jorge, pois identifico-me com as ideias e com as convicões por ela partilhadas.

Quanto ao discurso proferido por Lídia Jorge nas comemorações do dia 10 de junho de 2025, criticado por muitos, em especial por aqueles que desconhecem a História de Portugal naquilo que ela tem de grandiosa, mas também de violenta, ou por aqueles outros que querem criar uma história alternativa, passo a transcrever um trecho desse texto em que a autora se pronuncia acerca do período conturbado em que vivemos:

"A consciência dessa aventura antropológica talvez mitigue a fúria revisionista que nos assalta pelos extremos, nos dias de hoje, um pouco por toda a parte, agora que percebemos que estamos no fim de um ciclo e que um outro se está a desenhar, e a incógnita existencial sobre o futuro próximo, ainda desconhecido, nos interpela a cada manhã que acordamos sem sabermos como irá ser o dia seguinte. A pergunta é esta - Quando ficarem em causa os fundamentos institucionais, científicos, éticos, políticos, e os pilares da relação de inteligência homem/máquina entrarem num novo paradigma, que lugar ocuparemos nós como seres humanos? O que passará a ser um ser humano?"
Profile Image for João Miranda.
275 reviews11 followers
May 5, 2026
Crónicas escritas com contexto, parecem pequenos contos contemporâneos. A adição do discurso do 10 de junho de 2025 é um "pormaior".
298 reviews
June 21, 2026
Gostei bastante deste livro e só quero ler mais da Lídia!
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