Em adolescente, Eduarda passou vários setembros numa aldeia esquecida do interior algarvio, na companhia dos avós. Dezasseis anos depois, é aí que procura refugiar-se para um fim de semana de reflexão. Profundamente desencantada com o rumo que a sua vida tomou, atreve-se a chamar o seu amor de juventude para a Casinha de Bonecas, crente de que possam agora viver o que, em tempos, não foi possível. Será boa ideia revisitar o passado?
Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. É escritora e tradutora. Demência foi o seu primeiro romance publicado (Alfarroba @ 2011). Que descreve como “um grito de revolta contra as circunstâncias da mulher portuguesa no século XX, e da mulher ainda vulnerável, isolada e silenciada pelos bons costumes, em contexto rural, em pleno século XXI”. Em Abril de 2019 é reeditado pela Coolbooks, numa edição revisitada na íntegra, juntando-se assim a O Funeral da Nossa Mãe (Alfarroba @ 2012), A Filha do Barão (Marcador @ 2014, coleção Os Livros RTP), Uma Mulher Respeitável (Marcador @ 2016). Pela mesma chancela da Porto Editora lança Os Pássaros (Coolbooks @ 2020) e, em edição de autor, por se tratar de uma autobiografia ficcionada, Até os Comboios Andam aos Saltos (2021), que explora temas como o cancro terminal do pai, o alcoolismo da mãe e os dilemas de uma mulher de 30 anos com um passado por resolver. Em 2024 publicou No Tempo das Cerejas, no grupo Infinito Particular, e Erros Crassos da História: Figuras Histórias e os Erros que Mudaram o Mundo (Ideias de Ler).
Mudou-se para o Alentejo no início de 2025, a fim de poder dedicar-se aos estudos em História e Artes. Vive com dois cães, rodeada de muitas planícies e vacas.
2,5 Doce Setembro é uma obra que se destina a leitores que apreciam romances leves, românticos e até um pouco clichés. A história segue Eduarda, que regressa a uma aldeia do interior algarvio onde passou vários verões da adolescência com os avós. Anos mais tarde, desiludida com a vida, decide reencontrar o antigo amor de juventude, Frederico, para descobrir se ainda há espaço para reviver e retratar o que ficou por resolver.
A minha principal crítica a este livro não se prende com a escrita da autora, que, por sinal, achei bastante boa. Na verdade, é provável que leia mais alguma coisa dela no futuro. No entanto, fiquei desconfortável com dois aspetos: a relação entre dois jovens, em que a diferença de idades pelo menos para mim não ficou clara, e a forma como tentam resolver esse dito “caso”, recorrendo à mentira e à traição.
Estas questões são subjetivas e sei que dizem respeito à minha preferência pessoal. Mas relações construídas com base na traição ou na mentira não me agradam, especialmente quando não há expiação no final. Assim, o caso de amor fugaz que lemos não foi mais do que uma “escapadinha” de fim de semana?
O livro explora temas de nostalgia, reencontros e o impacto do primeiro amor. Estas são ideias poderosas que acredito que irão agradar muitos leitores. No entanto, para mim, o livro não foi totalmente eficaz devido aos pontos que mencionei.
Foi a minha estreia com a autora e fiquei logo agarrada à sua escrita leviana e doce.
Doce Setembro conta-nos a história de Eduarda de 2002, das suas vivências numa aldeia no interior algarvio quando, no verão, ia visitar os seus avós. E a Eduarda de 2022 e como as suas jovens experiências moldaram a sua pessoa.
Senti uma leveza a ler este enredo, numa aceitação do que foi o seu passado para estar de consciência tranquila com o seu presente.
Como os amores juvenis também nos moldam, e como os guardamos intensamente.
Esta história fala-nos de momentos em que estamos desiludidos com a vida adulta, de sentirmos necessidade de nos reencontrarmos com o passado para o compreender melhor e perceber o peso que eles têm na nossa vida
Senti nostalgia, senti sossego e senti-me mais leve. Uma leitura perfeita para uma tarde na praia
a forma como este livro nos é "vendido" não está de acordo com o que o livro realmente é. estava à espera de um leve romance simples de verão e de reencontro, e acabei dentro de uma história muito complicada com várias camadas e atitudes problemáticas. e nisto aviso já que o livro aborda assédio no seio familiar, onde é envolvida uma criança (e volto a deixar a minha opinião de que os livros deveriam ter um trigger warning no início). o livro está muito bem escrito, a forma passado/presente em que é contada a história é ótima para nos embrenhar na narrativa e nos deixar expectantes. o que já é de esperar da autora, que sabe como criar tão boas histórias. e no final houve um plot twist de que não estava mesmo nada à espera e que me fez questionar a história toda, senti-me completamente enganada pela personagem principal. mas é bom, é bom quando somos embrenhados pela história e pelas personagens e somos surpreendidos. de vez em quando sabe bem ler algo que não seja previsível. enfim, um ótimo livro.
(spoiler alert: ao longo do livro achava a eduarda tão cabra como o frederico, mas no final ela foi promovida a rainha cabra. consigo ver qual o motivo que a levou a fazer o que fez, mas para mim é imperdoável, e de certo modo foi ela que provocou o erro do frederico. i mean, ele traiu a mulher porque quis, mas foi a eduarda que provocou tudo aquilo para o levar a fazé-lo. ela sabia que apesar de ele estar casado e provavelmente nem se lembrar da existência dela, se ela o chamasse ele ia logo a correr. e enganou-o de tal forma que me pergunto se ela realmente ainda tinha algum sentimento por ele ou se foi tudo apenas para obter o que queria.)
Ler este livro trouxe-me alguma nostalgia por, em tempos, ter sido adolescente e me recordar das estórias que ouvia e que tão bem descritas estão. Fez-me viajar no tempo, para um sítio onde parecia tudo tão simples. Onde a vida acontecia lentamente e com tempo para ser saboreada. Neste livro fez-se magia. Eternizou-se o tempo que já lá vai, o tempo que não volta, mas que reside na memória de quem ainda cá está.
Bem, não tardou muito a que compreendesse porque é que a temática surpreendeu quem escolheu ler este livro com a ideia de algo puro e "doce". A história da Eduarda parece-me feita para ser desconfortável e eu adorei. Não lia nada há praticamente um mês e devorei a história em coisa de três dias. Pela nostalgia evocada e completamente apaixonada pelas partes delicadas de infância de quem cresce num mundo de pessoas que se conhecem na totalidade, a contrastar com a acidez dos comentários quase casuais sobre o período, sobre as relações imperfeitas, sobre as doenças que não entendemos, pela idade. O romance propriamente dito é tão desconfortável como mencionei a princípio, mas parece tão normal, pelo hábito das paixões impossíveis, no presente, pelos erros que ambos cometem, numa espécie de bolha, de paragem no tempo que é ignorada, antes e depois. É um livro humano, sentido e tem tanto de leve como da parte feia do ser humano. Vou definitivamente ler mais da autora.
Não é o primeiro livro que leio da autora, mas já há alguns anos que não lia nada novo dela. Valeu muito a pela, faz algum tempo que não leio um livro que dê 5. Os motivos são simples: a frescura da escrita, o final diferente, todos os pormenores adoráveis que foi juntado ao longo do enredo e a forma como entrelaça o presente e o passado (que me faz querer perguntar qual o método de escrita? escreveu o passado primeiro ou o presente? ou foi tudo de uma vez?). Vou certamente continuar a ler os seus romances.
Quando comecei a ler, não senti as mãos que me agarraram no "Demência" da Célia Correia Loureiro neste seu "Doce Setembro". Lentamente, as suas palavras iam-me conquistando e comecei a ver as cores do quadro que compõem a capa na sua narrativa de aldeia, de um encanto de miúda que virou adulta e pôde prová-lo. É um livro para saborear com a mente livre de pensamentos sobre o que é ou não correto. É uma história. E muito bem escrita! Sabe a figos colhidos diretamente da árvore, no doce setembro ✨️
Já tinha lido um livro da Célia Correia Loureiro e, por isso, vou ser sincera: esperava um bocadinho mais deste.
A história alterna entre passado e presente, sempre durante o mês de setembro, e é construída através de capítulos muito curtos. Normalmente gosto deste tipo de estrutura, mas aqui senti que acabou por jogar contra a narrativa. Tudo passou demasiado depressa e faltou espaço para me conectar verdadeiramente com as personagens e com a história.
Os capítulos passados no passado, em particular, não funcionaram muito bem para mim. Confesso que os achei um pouco aborrecidos e, em vários momentos, fiquei com a sensação de que não acrescentavam assim tanto ao desenrolar da narrativa.
Curiosamente, o final foi a parte de que mais gostei. Há revelações interessantes que deram outra dimensão à história. No entanto, também aí senti que tudo foi contado demasiado à pressa. Quando cheguei à última página, fiquei com a ideia de que havia potencial para desenvolver muito mais aqueles acontecimentos e dar-lhes um impacto maior.
No fim, o que mais me faltou foi profundidade. Queria ter sentido mais, envolver-me mais, criar uma ligação maior com aquilo que estava a ler.
Infelizmente, desta vez não resultou muito comigo. E tenho alguma pena, porque tinha gostado bastante de No Tempo das Cerejas e estava com expectativas altas para este.