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As vacas não me olham mais na cara

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Em As vacas não me olham mais na cara , romance de estreia de Dora Freind, conhecemos uma menina que observa o mundo com uma lucidez precoce e aprende a nomear a dor quando ainda não dispõe de palavras para isso.

Numa cidadezinha rural marcada pela pobreza e pelo isolamento, a pequena narradora cresce entre a tensão familiar pautada pelo silêncio da mãe, misteriosamente emudecida após o parto, e as vacas de seu quintal, suas únicas companheiras.

À medida que novos vizinhos ocupam e desocupam a casa ao lado, a menina sem nome se “gentifica”, acumula palavras em vez de mugidos e vai deixando de ser bicho ao mesmo tempo em que dá de encontro com as descobertas da infância e as violências e fissuras do mundo adulto.

Com rara precisão formal, Freind constrói uma história que contrasta a todo momento ingenuidade e lucidez, violência e delicadeza. Espécie de prosa poética tomada por uma dicção infantil enternecedora, As vacas não me olham mais na cara é o tecido em que Freind constrói tanto um romance de formação quanto uma investigação sobre identidade, linguagem e amadurecimento feminino, uma história que transforma a infância em território de consciência.

136 pages, Paperback

Published May 4, 2026

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Dora Freind

2 books1 follower

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Displaying 1 - 7 of 7 reviews
Profile Image for manu.
63 reviews1 follower
May 20, 2026
passei o livro inteiro desgostando mas cheguei no final e amarrou minha garganta com vontade de chorar. acho que a leitura foi assim pq o pacto de verossimilhança não foi construído direito. você passa o livro inteiro não conseguindo crer no que está lendo e não conseguindo abstrair suficientemente porque os elementos da realidade se intercalam de um jeito estranho e insuficiente com os elementos fantásticos. ai tem uma tentativa de construção de neologismos que, pelo motivo acima, não funciona. mas são bonitas as construções, sabe? acho simplórias, mas bonitas.

no final, no entanto, eu superei essa certa forçação de barra na forma de falar pq os pontos que a protagonista trabalha são universalmente mobilizantes e apeladores. ela discute o que há de mais humano (ou de mais feminino). a falta de palavra com a mãe, a fuga do pai, a projeção constante da figura materna e paterna, se tornar mulher e ser violentada (necessariamente um pressupondo o outro), amar uma mulher, encontrar paixão e refugio no cinema, na língua, na cor, nos livros. tudo isso é bem amarrado nas cartas finais que são lindas de morrer.

o livro deu uma virada ainda mais especial pra mim quando apresentou uma relação lésbica tão inocente e tão bonita.

da leitura toda, o trecho que ficou marcado pra mim foi ela dizendo pra matilda: “se você estiver lendo isso, não desiste de me procurar. quero continuar me descobrindo pelo que acontece na sua pele. você me tira a pressa de virar moça. do seu lado é muito gostoso ser menina. (…) te amo aquele amor bom do jeito que você me ensinou no banho. não confunde com o outro amor que azeda tudo. em mim você só adoça.”

lembra muito pança de burro da andrea abreu e se deus me chamar não vou, da mariana carrara. mas, infelizmente, esses são dois dos meus livros mais amados na vida e terminei a leitura achando que este aqui é incapaz fazer com tanta maestria oq elas fizeram.

ps: o título é maravilhoso
Profile Image for Lucas Deluti.
1 review1 follower
Read
May 24, 2026
Mais um para a lista de favoritos da vida. Muito doido como fui contagiado pela ingenuidade dessa menina bicho, me senti criança outra vez e pude me surpreender junto à ela com peso de crescer e ganhar o mundo.

Confesso que sou um tantinho aficionado por livros com Pov de criança, e por isso já comecei a leitura desconfiado se a autora escorregaria numa visão juvenil, boba e imatura, mas para minha grata surpresa ela faz o oposto. Temos aqui uma visão nada subestimada desse ponto de vista, com tiradas que só uma criança poderia ter mas sempre de forma madura e sensata. Gosto como sempre o leitor é resgatado por referências que foram lidas a 15 ou 100 páginas atrás, me faz sentir íntimo da história. Sem falar em como é construída de maneira tão inteligente a chegada desse personagens na narrativa e encerrada lindamente com aquelas cartas (chorei pra crlh).

Nossa que delícia de livro, fiz de tudo para segurar a leitura, mas é realmente muito fluida e gostosa. Completamente apaixonado!!
Profile Image for Rosana K.
15 reviews1 follower
May 24, 2026
Acabei de ler o livro e achei muito sensivel, original e envolvente a forma como Dora coloca real e simbolicamente
o processo de humanização da personagem e as várias
etapas de seu crescimento.
De uma intensidade e delicadeza comovente.
Gostei demais e
li de uma tacada só!!!
Profile Image for Tamir Einhorn Salem.
57 reviews1 follower
May 29, 2026
Esse livro MINHA AMIGA que escreveu, cês tem noção? Amigo próximo, também não, mas amigo nonetheless. Embora não seja oficialmente a primeira vez que leio um livro escrito por alguém que conheço, publicado e com noite de autógrafos é foda.
A prosa dela é moderna, daquelas que não usa maiúscula no início de frase, e eu confesso que eu de alguma forma gosto disso, na fonte correta, fica bem estético. O enredo parece partir de uma premissa, um questionamento: o que ocorreria com uma criança que tivesse sua educação essencialmente interrompida, abandonada? Algo similar ao proposto em Dog Tooth (sem corrupção) ou em Kaspar Hauser, inspirações que quero perguntar se Dora teve. A narradora, que nem nome tem devido à mudez pós parto de sua mãe, acaba por crescer junto das vacas da casa. Mugindo como elas, usando seu vocabulário, ela vai se virando naquela vida. A reputação do incidente de sua mãe é suficiente para afastar os demais vizinhos, concretizando portanto o isolamento da criança. É só com a chegada de dona Lurdes ao terreno vizinho que modifica o ambiente. Através da sedução da comida humana, nossa narradora começa a, em suas palavras, gentificar-se. Ela aprende a falar, comer com talheres, ler, escrever, vestir-se apropriadamente. A ausência da mãe é uma paradoxal constante no livro, o que me lembrou agora falando O Quarto de Jacob. Essa mãe, claramente deprimida, segue uma espécie de vida. Mesmo abandonada pelo marido, ela de alguma forma se mantém, faz sopas e caldos para a filha, e, assim entendemos depois, tenta infrutiferamente comunicar-se via olhar. Nossa narradora talvez seja incapaz de entendê-la, ou, como ela mesma transparece, ressente-se da mãe e a acha desinteressante, alguém quebrado, vazio, sem propósito.
Sem jamais livrar-se totalmente da perspectiva infantil, nossa narradora portanto mantém um ponto de vista único, de alguém que em algum momento já considerou-se bicho mas que, ao começar a comer carne e descobrir de onde vem, perde para sempre este laço. É esse episódio que dá nome ao livro, afinal de contas. A não tão sutil metáfora do contato com o sangue sendo o catalisador para a perda do mundo mágico da infância, simbolizado pelo contato com as vacas, é também um prelúdio para as diversas perdas de inocência. No decorrer do repovoamento do lugar onde se passa a história, novos personagens se misturam à vida da menina, trazendo-lhe novos ensinamentos mas também duros choques de realidade. Começamos pelo luto trazido pela morte de Lurdes, mas também a primeira paixão, a perda da virgindade em um estupro pelo jovem Juca, a amizade com Matilda, o cinema... Uma escritora menos habilidosa teria tido dificuldade em manter o charme das incompreensões absurdas de acerca do mundo, como achar que a meia-entrada era pra ver apenas meio filme. Nunca a prosa perde os tons cor de rosa acerca da realidade, mesmo quando a frustração era para ser devastadora. O episódio marcante, quando sua melhor amiga Matilda perde os braços pra serra elétrica do pai, exilando-se em depressão, ainda assim não a destrói. Ela descobre que, infelizmente, não somos como as salamandras, e o dano será permanente. Mesmo assim, obstina-se em mostrar para Matilda que ainda a ama, que Van Gogh era como ela. Este otimismo inveterado não salvará Matilda de mudar-se com a família, em busca de resolverem a depressão instaurada na menina, mas talvez seja o que salva de não ser esmagada pela dureza da vida.
É uma excelente estreia, de verdade.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Mina.
51 reviews
June 2, 2026
É MUITO ruim. Eu adoro a escritora mas nossa senhora. Eu queria ter gostado do livro pois acho a autora uma artista e pessoa muito interessante e queria. No entanto, o livro não desenvolve absolutamente nada. Temas sérios sao abordados pela autora de forma despreparada e totalmente superficial.

Os personagens são jogados, nao tem o mínimo desenvolvimento e são retirados da trama da forma mais esdrúxula possível. A vida da personagem é uma maré de azar que parece forçada pra fazer o leitor se conectar e a personagem a amadurecer mas nenhum dos dois realmente acontece.

Parece que você está lendo o resumo do que deveria acontecer no capítulo. A estrutura do livro tambem lembra a forma como peças de teatro são escritas. Onde tudo é superficial, mal desenvolvido e meio jogado porque a peça só tem 1h de duração (em alguns casos, pq tem peças de 1h que são incríveis).

Como é o primeiro romance da autora é normal se esperar que não fosse uma obra prima, mas eu não esperava que fosse ser tão ruim.

Não gastem seu dinheiro com esse livro. Como nem todo primeiro livro é bom, acredito que os proximos serão melhores. Agora é esperar um segundo lançamento, num momento em que ela tenha mais tempo e paginas pra realmente desenvolver os personagens e a história.
Profile Image for Julia Kutno.
1 review4 followers
May 28, 2026
Livro sensível e maravilhoso! Não dá vontade de parar de ler e por isso li em uma sentada e mais de uma vez. Você tá lendo uma página e rindo, na próxima tá chorando, depois rindo de novo! Eu amo como conta de um jeito adulto um olhar infantil. As crianças são extremamente criativas e veem as coisas de um modo que as vezes nunca pensamos antes. A autora nos traz essa lente, de ver o mundo como uma criança curiosa! Amei demaisss. Me lembrou o peso do passaro morto, nu de botas e tantos outros que adoro
5 reviews
May 31, 2026
Apaixonada por esse aqui. Já li alguns livros na perspectiva infantil mas esse é o que mais me fascinou porque não é só o olhar de uma criança, mas o olhar de um animal que vai aos poucos virando gente. Que original!
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