Pequenas histórias que abrem uma janela sobre o quotidiano da autora, tão familiar e reconhecível quanto divertido.
Diz a autora do presente livro que a crónica a conquistou antes de tudo como exercício de escrita, mas que acabou também por moldar a sua forma de olhar para as coisas e de observar o mundo; e que já não sabe se são determinados acontecimentos que a levam a fazer uma crónica, se afinal é ela própria quem provoca situações irregulares para arranjar assunto para escrever.
Neste belíssimo livro a que Luísa Sobral chamou Da Minha Janela, os leitores riem com a sua falta de jeito para armar uma tenda para os filhos brincarem, mas podem também irritar-se com um edredão que escorrega permanentemente para o chão, ficar indignados com o comportamento de um motorista de TVDE e até preocupar-se com a saúde de alguém muito próximo.
Estes textos fazem-nos pensar sobre o dia a dia de uma maneira mais profunda e mais estruturada e, de repente, é como se a janela da autora fosse, afinal, também a da nossa casa.
Luísa Sobral é uma das cantautoras mais importantes no panorama musical português, tendo lançado vários álbuns em nome próprio: The Cherry on My Cake (2011), There’s A Flower In My Bedroom (2013), Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa (2014), Luísa (2016), Rosa (2018), Camomila (2021) e DanSando (2022). Em 2020 estreia o podcast «O Avesso da Canção», no qual conversa com grandes nomes da música portuguesa sobre a arte da escrita de canções. A sua faceta de compositora vai-se destacando ao longo dos anos, chegando a compor para artistas como Ana Moura, António Zambujo, Gisela João, Sara Correia, Mayra Andrade, entre muitos outros. Em 2017, assina «Amar Pelos Dois», que entrega ao irmão Salvador Sobral para interpretar, levando Portugal a conquistar a sua primeira vitória de sempre na Eurovisão. Enquanto produtora, colaborou com artistas como Elisa Rodrigues, Joana Alegre, Luís Trigacheiro ou Rogério Charraz. Luísa Sobral publica em 2022 e 2024 os livros infantis Quando a Porta Fica Aberta e O Peso das Palavras e, finalmente, em 2025 lança o seu primeiro romance, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé.
Não sendo o meu estilo predileto, comecei a ler esta nova publicação da Luísa Sobral sem grandes expectativas. Precisava de uma mudança de ares depois de uma leitura particularmente desgastante, e foi assim que me deparei com as crónicas da Luísa. Devorá-las foi um prazer.
No ano passado, li “Nem todas as árvores morrem de pé” da mesma autora e gostei. No entanto, talvez seja apenas impressão minha, mas senti que a sua escrita melhorou significativamente desde a sua última publicação.
Embora os temas das crónicas sejam simples e corriqueiros, estas revelaram-se extremamente eficazes para mim. Apesar de qualquer pessoa poder ter elaborado um livro com temas semelhantes, é na execução que Luísa se destaca. A sua narração do dia-a-dia é notavelmente natural, mas também engraçada e leve.
As palavras de Luísa são tão suaves e delicadas como uma pena, projetando-se suavemente na mente do leitor. As suas reflexões não exigem uma conclusão definitiva, permitindo ao leitor interpretar e absorver as suas ideias livremente. Este livro foi exatamente o que eu precisava, e estou ansiosa por ler a próxima publicação da Luísa.
ADOREI!!! Gostei bem mais do que gostei da obra de ficção da autora!
Fui com poucas expectativas para esta leitura, que fui intervalando com outras, porque só assim faz sentido ler crónicas/ relatos/ contos. E adorei conhecer um pouco melhor quem é Luísa Sobral e como a mesma consegue ser comovente, cómica e muito terra-a-terra!
Luísa Sobral encantou-me com o seu romance "Nem Todas as Árvores Morrem de Pé". Por isso, assim que vi esta novidade, entrou de imediato na lista de livros a ler muito em breve!
A verdade é que este livro tem um registo completamente diferente do anterior, já que não se trata de um romance, mas antes de um conjunto de crónicas. E se tive um primeiro impacto de dúvida, por conta das expectativas, rapidamente foram superadas pelo tom destas crónicas.
Porque a verdade é que elas são o dia-a-dia da maioria de nós, com acontecimentos por vezes inesperados, situações mais complexas e outras apenas divertidas! (como me revi na crónica da oficina...)
Luísa Sobral tem o dom da palavra, quer pela escrita, quer pelas suas músicas. Fica aqui provado mais uma vez (como se ainda fosse necessário!).
Edredão Individual(ista)"Declaro-me oficialmente contra esses sacos de penas nórdicos, não só por sentir que passo a noite a tentar cobrir-me com um guardanapo de pano, mas porque de um cobertor individual à cama individual é um pulinho. E, por mais que eu seja aquela que acorda com a cabeça na mesa de cabeceira, quero continuar a esticar a perna e sentir o pé quente da pessoa que eu escolhi para partilhar o edredão comigo todas as noites."
Tsie Tsie (obrigado, em mandarim)"Hoje em dia é muito difícil viajar de verdade. O que quero dizer é que todas as grandes cidades estão muito parecidas, com os seus cafés de brunch e as suas avotoasts. O contraste cultural é quase imperceptível e é nesse contraste que reside a verdadeira aprendizagem de uma viagem. Na China senti-me verdadeiramente a viajar. Tenho uma amiga a quem chamo «Rainha das Citações» que me dizia que só se aprende com uma viagem, não enquanto se está a viajar, mas depois, quando se reflete sobre essa mesma viagem. Foi por isso que escrevi este texto, para refletir, para aprender e, apesar de ter passado pouco tempo, para reviver."
A Casa ao Fundo da Rua"(...) a casa ao fundo da rua estava finalmente pronta. Sentei-me no chão de terra, onde outrora fora o nosso hall de entrada. Não havia sobrado nada, apenas a memória de uma casa que já não o era. Olhei para os meus filhos que partilhavam comigo a sombra da nespereira. Eram eles os únicos vestígios do lugar que nos viu crescer, os únicos que poderiam manter vivos a sua memória. Um universo separa o sentimento de quem olha para o lugar onde uma casa irá nascer daquele que vê apenas o lugar onde a sua casa desexistiu. O mesmo vazio é para um deles o início e para o outro o fim."
Há dois anos que a morte me ensina a viver"Ao longo destes dois anos conheci pessoas muito bonitas (...), colecionei histórias maravilhosas, passei muito tempo de mãos dadas, chorei muito, escrevi canções com os doentes, perdi o medo de falar sobre a morte e aprendi a dar mais valor a cada dia da minha vida. Foram apenas dois anos, apenas os dois primeiros anos a aprender que «A morte é um dia que vale a pena viver»."
AMEI! Já há muito tempo que não lia crónicas. Tanto, que me esqueci de como adoro ler livros de crónicas. De todos os temas e mais alguns. Este é particularmente bonito, primeiro porque é escrito pela Luísa, segundo porque a escrita é maravilhosa, e terceiro por fiquei encantada pelo humor da Luísa perante qualquer tipo de situação ou reflexão. Novamente um livro dela para recomendar aos 4 ventos. ;)
“Sei que quase todos os casais discutem o assunto do sono conjunto. Um continua a querer dormir de edredão de penas em agosto e o outro passa a noite a transpirar; um ocupa a cama inteira, como se brincasse aos anjinhos na neve, e o outro acaba com a cabeça na mesa de cabeceira; há sempre um que acorda todo enrolado no edredão, como se de um saco-cama se tratasse, e o outro em posição fetal, a tentar aquecer-se a si mesmo. Mas não fará esse puzzle humano parte de se ser um casal, de nos adaptarmos à outra pessoa mesmo quando inconscientes? (…) E, por mais que eu seja aquela que acorda com a cabeça na mesa de cabeceira, quero continuar a esticar a perna e sentir o pé quente da pessoa que eu escolhi para partiIhar o edredão comigo todas as noites.”
Cheio de histórias lindas, que acompanham tudo e qualquer coisa. Para mim foram umas horas do voo de volta a Los Angeles e ao lunático que se não fosse por mim colocaria o AC a 21° em todas as noites do ano <3
Uma leitura bastante calma, composta por pequenas histórias do quotidiano onde são retratadas situações aparentemente banais, como os filhos, a casa, momentos embaraçosos ou acontecimentos do dia a dia. A autora consegue pegar nesses momentos simples e transformá-los em textos com algum humor e alguma reflexão.
É um livro curto e descontraído, que se lê rapidamente e cumpre bem o objetivo de entreter, perfeito para ler sem pressas.
Mais uma vez a autora conseguiu pôr-me a chorar com a sua escrita tocante e poderosa. Não consegui parar de ler, queria ler uma crónica ou duas por dia, mas não consegui. Tive que continuar a ler, parecia uma compulsão de tão boas que eram as crónicas. Por favor, nunca pare de escrever.
3,9⭐️ O olhar da Luisa é humano e próximo. Luisa escreve como quem abre uma janela (talvez a metafórica, do título) e deixa a luz do sol iluminar o interior de cada um de nós que a lê.
Este é o segundo livro da Luísa Sobral e também o primeiro livro de crónicas que leio. Adorei o seu romance de estreia e, assim que soube do lançamento deste, fiquei muito curiosa e sabia que tinha de o ler.
Não tinha qualquer experiência com este género, mas não podia ter escolhido melhor livro para me estrear. Li-o durante as férias, na praia, o cenário perfeito para saborear cada crónica sem pressa, apreciando a escrita delicada da autora e as histórias que partilha.
Foi um prazer acompanhar estes pequenos retratos do quotidiano, que nos fazem abrandar e lembrar que, muitas vezes, é nas coisas mais simples que encontramos a maior beleza.
Mais uma vez, a Luísa Sobral en(cantou) com as suas palavras. 🤍
"Da Minha Janela" é o segundo livro que leio de Luísa Sobral e gostei bastante, embora continue a preferir o seu primeiro livro, um romance, "Nem todas as árvores morrem de pé". Creio que a minha preferência não está relacionada com a qualidade da escrita da autora e as temáticas escolhidas; está isso, sim, relacionada com o género literário: gosto muito mais de romances do que de crónicas! Todavia, além de recomendar a sua leitura (porque é agradável, level e familiar - porque em algum momento alguns de nós já sentiram coisas semelhantes em várias das situações descritas pela autora no livro, caso do episódio do Uber, por exemplo, ou da ida a uma discoteca nos tempos actuais), dei comigo a soltar várias gargalhadas com este livro. Vale muito a pena e venha de lá o próximo de Luísa!
Acompanho as crónicas da Luísa já há algum tempo, sendo que "já há algum tempo" é aquele conceito abstrato que usamos para nos referirmos a situações naturais que não temos memória de quando começaram. Sem modéstia (e talvez, também, sem verdade), acho que esta coletânea de pequenos pedaços dos dias se assemelha aos pequenos pedaços dos meus dias que eu também escrevo, às vezes. Se calhar por isso, gostei muito.
Na minha adolescência li “A Causa das Coisas” do Miguel Esteves Cardoso e, desde essa altura, fiquei rendida à leitura de crónicas. Gosto da ideia de avançar por várias histórias soltas. Cada capítulo uma surpresa. Este conjunto de crónicas da Luísa é muito interessante. Simples, despretensioso, mas capaz de gerar identificação e proximidade por parte do leitor. Achei que talvez pudéssemos ser amigas… O capítulo “A Casa ao Fundo da Rua” é particularmente triste e bonito, e poético. 🥹
Gostei muito do romance da Luísa, e sou fã das músicas dela e da sua forma de escrever. Dito isto, aqui vai a minha opinião (que vale o que vale):
As crónicas oscilam entre os sentimento da “cantautora” (só o nome, enfim) de compadecimento pela injustiça social e os hotéis de 5 estrelas dos quais se queixa. Por serem histórias do seu dia-a-dia, faço uma caracterização da pessoa que transparece ser e não sinto afinidade por ela.
Não sei, achei-a algo superficial e vã. Não sei, se calhar sou eu que descubro que não gosto de crónicas.
Adorei esta pintura da vida de todas as historias contadas. Algumas que tambem eu vivi outras parecidas. Dei comigo de vez em quando a rir do que lia e das minhas memórias e outras ainda me veio uma lagrima no canto do olho. Muito facil de acompanhar e devorar e por isso acabei rapidamente. Continua Luísa.
Gostei muito da companhia que este livrinho me fez hoje. Adorei a história do Duolingo, 100% relatable! Apesar de ter gostado do livro sinto que não houve nenhuma história que tenha ficado comigo, senti que são facilmente esquecíveis.
Muito agradável a leitura destas crónicas onde nos podemos rever em certas situações da vida quotidiana. Gostei também da simplicidade ternurenta dos desenhos que introduzem cada capítulo.
Este é um maravilhoso livro de crónicas, capaz de nos arrancar tanto gargalhadas como lágrimas.
Mais uma vez, Luísa Sobral brinda-nos com o seu brilhantismo nas palavras. É, na minha humilde opinião, uma das pessoas em Portugal com mais talento para as usar — quer sejam poemas, canções, romances e, agora, crónicas. É mesmo incrível como estes pequenos textos nos fazem sentir próximos da artista.
Considerei este um livro pessoal, com um cunho muito próprio da autora. A Luísa conversa connosco, conta-nos coisas ao seu jeito divertido, mas também sensível, direto mas que também nos deixa espaço para imaginar. Sentimos a sua liberdade, as suas ideologias e entramos um pouco na sua cabeça e no seu coração. Acho que qualquer fã vai adorar esta obra.
Mais uma vez, sorri, chorei, diverti-me e emocionei-me, como a Luísa Sobral já me habituou. Recomendo imenso! ♥️
Assim que soube que um novo livro de Luísa Sobral havia saído, apressei-me a comprar, ainda inebriada com o único romance da autora ! Sabia bem ao que ia , crónicas - as expectativas estavam mais baixas - mas estas foram “devoradas” em 2 noites - conversas genuínas e empáticas onde nos identificamos com muitas das situações e rimos de nós próprios dentro do relato da história de outrem! Como é fácil ler Luísa Sobral Como é prazeroso e envolvente ! Ansiosa pelo próximo livro que sei está quase a sair !