Novo livro de uma das vozes mais instigantes da poesia brasileira contemporânea, autora dos elogiados Relógio de pulso e Preocupações. As cenas descritas nos poemas de Ana Guadalupe surgem como paisagens emolduradas pela janela do ônibus, embaçadas ou distorcidas pelo movimento, e servem para lembrar que a vida imaginada pouco ou nada tem a ver com a vida que se “a única condição/ para que esta cidade exista/ é que você não insista”. A miopia, aqui, é ao mesmo tempo lente e metáfora. É por meio dela que a poeta descreve o que vê, entre confusões, estranhamentos e falsos cognatos, como se ser estrangeira fosse uma condição permanente. “se o olho é capaz/ de confundir o feixe/ de luz// imagine o que mais/ o corpo pode tramar/ contra nós”, escreve Ana, mostrando que em seus poemas a falha da visão ganha um sentido mais profundo. Com humor inquieto e mordaz, sua poesia explora neuroses, ansiedades, paranoias e angústias, mas trata também de paixão e desejo, com ar melancólico e por vezes insólito.
Ana Guadalupe (Londrina, 1985) é poeta e tradutora. Seu novo livro, "Ensino à distância", acaba de ser lançado pela Companhia das Letras. Antes, publicou "Relógio de pulso" (7Letras, 2011), "Não conheço ninguém que não seja artista" (Confeitaria, 2015, com fotos de Camila Svenson) e "Preocupações" (Macondo, 2019). Participou de antologias como "É agora como nunca: Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira" (org. Adriana Calcanhotto) e "Otra línea de fuego: Quince poetas brasileñas ultracontemporáneas" (org. Heloísa Buarque de Hollanda), entre outros projetos literários de seis países. Além disso, traduziu mais de quarenta livros para editoras brasileiras, incluindo obras de autores como Sylvia Plath, Kazuo Ishiguro, Roxane Gay e Carmen Maria Machado.
Não sei classificar um livro de poesia. Só posso dizer que adorei esse. Uma grata surpresa! Conheço o trabalho da Ana como tradutora e amei conhecer o lado poeta dela :)