Ao se debruçar sobre as curiosidades e esquisitices da língua, Gregorio Duvivier combina rigor e humor para refletir sobre o modo como nos expressamos. “O que há num nome?”. A pergunta de Julieta a Romeu funda a questão que intriga o escritor e ator Gregorio por que será que certas palavras são mais perfumosas que outras? Por que algumas têm um som mais estridente e pontiagudo, e outras um ar mais arredondado? As coisas existem sem seus nomes, ou é impossível separar uma coisa da outra? Nessa declaração de amor à língua portuguesa, o autor mostra como as palavras que usamos todo dia podem ser surpreendentes quando olhadas sob uma nova perspectiva. Depois do sucesso estrondoso da peça O céu da língua, que já teve mais de 200 mil espectadores, Duvivier se dedica a esmiuçar, com humor fino e vasto repertório, o modo como as palavras moldam nossa identidade.
Gregório Byington Duvivier é um ator, humorista, escritor, roteirista e poeta brasileiro. Ficou conhecido pelo seu trabalho no cinema e no teatro e, a partir de 2012, destacou-se como um dos criadores dos esquetes da série Porta dos Fundos, veiculada pelo Youtube.
É autor dos livros "A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora" , "Ligue os pontos - Poemas de amor e Big Bang" e "Put Some Farofa".Também assina uma coluna semanal na Folha de São Paulo.
Uau…Não sei bem por onde começar, o autor é alguém q eu desejo nunca conhecer, porque certamente deve ser alguém bem mais desinteressante do q penso.Dito isso, sou muito fã, escuto seus podcast de comédia e política, assistia greg News religiosamente e sua peça de teatro foi das melhores experiências teatrais q já vivi e este livro me deu a sensação de estar com ele, não só porque são coisas q já escutei ele dizer mas porque sei de alguma forma q são opiniões q ele teria. Este livro é uma delícia, há uma fluidez de pensamento e de raciocínio que te leva ao seu propio mundo, como se vc estivesse sentado com seu melhor amigo e falando daquilo que não tem sentido e mesmo assim é o sentido de tudo. O Gregório tem um humor muito esperto, tem algo de muito profundo na falta de profundidade do que foi escrito. Está leitura me incentiva a ser mais assim, mais leve, mais honesta mais espontânea até, em um mundo de padronização e superficialidade, falta essa curiosidade que encontro no autor e q reconheço nas minhas pessoas favoritas, a indagação do simples, não pra simplificar mas para valorizar sua simplicidade, sem maquiagem e sem produtos, simplismente as palavras.
em “aos pés da letra, gregorio duvivier faz uma espécie de homenagem a língua portuguesa. com humor, ele se debruça sobre os léxicos, os significantes e a sonoridades de palavras que o intrigam. vai do “ué” ao “mineirês”, investigando origens, curiosidades e diversidades que só a nossa o português proporciona. um gracejo linguístico (saudades do trema!), trazendo palavras extintas, aglutinadas, prefixos, sufixos, expressões de Portugal e do mundo afora. achei um livro bom livro pra passar o tempo, pra pensar na riqueza da nossa língua, mas lá pro meio/fim já não aguentava mais.
"Angústia é fala entupida", diz a Ana Cristina Cesar. O ser humano fala porque sabe que vai morrer, e enquanto ele tá quieto só consegue pensar nisso. Por isso falamos: pra não pensar na morte. Por isso também cantarolamos, assobiamos, batucamos, suspiramos. A gente fala porque o silêncio faz muito barulho.
Imperdível! Um desdobramento da peça, permitindo levar pra casa e consultar sempre nossas reflexões em cima do que foi dito. Devorei o livro e sai mais atenta a nossa língua tão rica
"a despedida não é um gesto, é a cerimônia do adeus, o adeus ritualizado. só uma língua que inventou a saudade poderia ter inventado a despedida. enquanto toda saudade é a presença da ausência de alguém, toda despedida é a presença que precede essa ausência: se despedir é tornar presente aquilo que logo não estará."
Eu não sei se o Gregório é um gênio mas a sua escrita para mim é genial. “Vi” muito da peça no livro, mas o livro complementa o que falta com novas palavras, associações e comentários que eu pensei durante e queria ter dito em voz alta enquanto o assistia. Poderia sentar numa mesa de bar e ouvir o Gregório pensar as palavras em voz alta! Sou imigrante e poliglota. Esse livro para mim foi um alívio e uma epifania. Assim como para o autor, eu só consigo existir graças às palavras. E foi nas palavras de Gregório que encontrei conforto e reforcei o sentimento delicioso que é ter o português como língua mãe. Considerações pós assistir à peça e ler o livro: Minha pátria é a língua portuguesa e minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá. Pulsar um coração cigano me causa a angústia do não pertencimento. Minha ânsia de voar até encontrar um canto onde fazer ninho teima amar e admirar os lugares que eu inventei. Às vezes na minha própria cultura eu levo choque. É que assim como as palavras, vou roubando nas viagens traços: de personalidade, de trejeitos, da própria língua. E vou virando essa brasileira, mineira uai, troppo italiana, un peu française, um bocadinho portuguesa, muy española and a bit canadian. Na arquitetura usamos o termo “não lugar” para denominar espaços que não geram identidade, lugares de passagem. Eu tenho medo de viver a vida transeunte passando por lugares sem identificação e me tornar talvez, uma “não pessoa”. Mas também, vou me apropriando dos idiomas e fazendo um grande mexidão das línguas. Porque quando se fala mais de uma, especialmente latinas, é que as outras se tornam mágicas, lindas e poéticas. Eu aprendi isso com uma galega muito querida. “Prendere in cura” in italiano só é lindo porque “curar” tem outra significância para mim em português e em espanhol. Com essa leitura eu me senti pertencente, como me sinto às vezes também, em outras pátrias que não são minhas. É porque essa língua, ainda que roubada, é minha! E como ela é linda, rica, profunda… e minha! Aqui eu sou, aqui eu pertenço. Obrigada pelo céu da língua, foi uma noite estrelada! E obrigada pelo aos pés da letra, foram três dias de dansa por aqui. Me despeço à brasileira, e, como mineira, eu fico mais e vou ficando, bobo!
Que livro fenomenal! Amei cada palavra e curiosidade sobre elas. Nunca imaginei me divertir tanto lendo um livro sobre etimologia e história de uma língua.
O Greg conseguiu transformar a língua portuguesa em algo vivo, fascinante e cheio de surpresas. Ao explorar a origem das palavras, ele vai revelando histórias escondidas em termos que usamos todos os dias sem sequer pensar de onde vieram.
Essa leitura me fez lembrar o quanto o português é uma língua rica, bonita e cheia de nuances. A cada página eu descobria algo novo e me via cada vez mais envolvido, sem conseguir parar. Fiquei vidrado. Foi uma experiência extremamente prazeirosa de aprendizado.
Terminei o livro com uma admiração ainda maior pela nossa língua e com a sensação de que as palavras carregam muito mais vida do que costumamos perceber.
“Os apaixonados estão cansados de saber que amar alguém é amar um nome. Quem nunca escreveu um nome com o dedo indicador no boxe embaçado do banheiro nunca amou ninguém.”
“Gosto da maneira como os portugueses usam, a torto e a direito o verbo calhar. “Vens a minha casa?” “Se calhar, vou”. Aliás, quase nunca completam a frase. “Se calhar basta-se. Gosto dessa sinceridade de quem prefere não prometer nada.”
“Não inventaram nada, ainda, à altura da língua.” O livro que apimentou ainda mais a minha fascinação pela linguística e minha paixão pela língua portuguesa. Sempre tive a sensação de que línguas diferentes evocam pensamentos e sentimentos que só podem ser pensados e sentidos nessas exatas línguas. “Ênio, poeta latino, falava três idiomas (…) e por isso dizia que tinha três almas - ou três corações.” Eu sou muito grata por sentir em português! Que língua linda de se sentir.
(lido em português) O pé da Letra é a platforma do "L" ou o rabinho do "a"? Esse é o tipo de questionamento que ocupa 200 páginas deste livro sobre a língua portuguesa.
Aos pés da letra surge como uma continuação da peça O Céu da Língua, que me divertiu bastante.
Em um longo e diverso fluxo de pensamento, Gregório Duvivier escreve sobre tudo um pouco. É um livro que eu gostaria de revisitar no futuro para me lembrar de algumas curiosidades sobre a nossa língua que é tão bela.
No meu trecho favorito, Duvivier destaca como em português, mas nas línguas latinas em geral, a conjugação na primeira pessoa do singular contrasta com o infinitivo do inglês: "I read", do verbo to read, é como se eu estivesse falando "Eu ler". É impessoal, o ler não ganhou uma nova forma com o emprego do sujeito. Enquanto em português, nós falamos "Eu leio", a leitura então torna-se algo pessoal.
O livro é repleto de coisas assim, que me agradaram bastante.
Sensacional. Inteligente, bem escrito, crítico e interessante. O livro é uma ode à língua portuguesa, idioma tão interessante, versátil e complexo. Desde criança amo estudar e falar sobre a língua, e ler sobre o interesse e curiosidades do autor foi incrível. O livro é cheio de referências culturais interessantíssimas - músicas, livros, eventos históricos - que o faz ainda mais rico de informações. Recomendo muito!
Fui assistir à peça O Céu da Língua, do Gregorio, a convite e indicação de uma amiga, e saí de lá completamente extasiada e obcecada por ela. No final do espetáculo ele anunciou o lançamento deste livro, que eu comprei ainda no carro, voltando para casa.
Adorei a forma como o Gregorio brinca e pensa sobre as palavras. Ele consegue transformar coisas que sempre estiveram ali em algo completamente novo. Tudo faz tanto sentido e, ao mesmo tempo, é tão engraçado.
Depois da leitura, mandei uma mensagem para ele contando uma lembrança de infância que o livro despertou. Quando eu era pequena, essa mesma amiga que me levou para a peça costumava acreditar que nós tínhamos um "bigo" na barriga e, por isso, duas pessoas juntas tinham "dois bigos". Para minha surpresa, o Gregorio respondeu rapidinho.
Acho que isso acabou não sendo exatamente uma resenha, mas um relato. Porque esse livro faz justamente isso. Ele nos convida a pensar sobre a nossa própria língua e sobre as histórias que carregamos dentro dela, tanto as coletivas quanto as pessoais.
Me emocionei em vários verbetes, mas especialmente em um que, por coincidência, era dedicado ao nome da minha avó falecida, Regina. Ele combinava com ela perfeitamente.
Enfim, virou um livro de cabeceira para mim. É daqueles que dá vontade de ir lendo aos pouquinhos, abrindo em qualquer página e encontrando alguma ideia interessante para guardar. Recomendo muito.
“O ser humano fala porque sabe que vai morrer, e enquanto ele tá quieto só consegue pensar nisso. Por isso falamos: para não pensar na morte da Bezerra. Por isso também cantarolamos, assobiámos, batucamos, suspiramos.a gente fala porque o silêncio faz muito barulho.”
Que livro absolutamente delicioso. Além de ser extremamente educativo, é engraçadíssimo e impossível de pousar. Normalmente não aprecio o género da não ficção - quando leio, quero esquecer o presente, o espaço e o burburinho de pensamentos que não sei calar sozinha. Para quê ler sobre o real quando o experiencio? Mas o Gregório fez-me apaixonar: com uma escrita cativante, um pensamento ritmado, um humor inteligente, foi impossível focar-me em qualquer outra coisa enquanto estava com este livro. Quero uma edição de bolso, que possa levar comigo para todo o lado. Quero que todos leiam esta obra genial, porque é daqueles livros de que queremos falar a toda a hora. Estimula o nosso pensamento e a nossa vontade de aprender mais, de investigar, de questionar. Um livro que nos ensina enquanto nos faz (sor)rir. Foi de ler e chorar por mais. Quero mais disto, Gregório! Absolutamente divinal!
Depois de ver a peça de teatro “O céu da língua”, esse livro foi um complemento maravilhoso. Explora a etimologia das palavras com muito humor, fazendo conexões com situações do cotidiano que tornam a leitura ainda mais envolvente.
Eu, como amante da língua portuguesa, achei esse livro sensacional. Fico impressionada com a inteligência do autor ao fazer conexões que jamais tinham sequer passado pela minha imaginação.
É aquele tipo de livro para reler de vez em quando. E é exatamente isso que pretendo fazer.
Em uma de suas palestras, o professor Pierluigi Piazzi diz que "foram escritos milhões de livros no mundo, um foi escrito pra você"; tenho certeza que esse é o meu. Irônico dizer que faltam palavras para descrever o quanto eu achei essa leitura incrível. A maneira como o Gregorio aborda as belíssimas peculiaridades da nossa língua é sensacional, um humor poético único. Leitura mais que recomendada a todos os obcecados pela palavra, pelo verbo, pelos significantes e seus significados, enfim, os apaixonados pela querida última flor do Lácio.