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Na Tua Mão
Vencedor da 18.ª edição do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, Na Tua Mão acompanha a odisseia pungente de dois irmãos obrigados a escapar do regime venezuelano.
Quando a mãe, jornalista, desaparece, Rúben, de dezasseis anos, e Gonzo, de onze, são forçados a sair do país. Invertendo o percurso dos avós portugueses, a perseguição política arrasta-os para Darién, a selva que devora os que a atravessam. Com companheiros que a travessia lhes impõe como família, terão de crescer anos em dias para sobreviver. Da antifronteira à Montanha da Morte, entre muralhas de lama, rios que se agigantam e predadores armados, a selva arranca-lhes quase tudo até lhes revelar a língua de quem sempre nela habitou.
Narrado alternadamente pelos irmãos, entre o coloquial e o lírico, a crueza e o humor, Na Tua Mão é um retrato migratório contemporâneo. Um romance baseado em relatos reais sobre uma fraternidade reinventada, corpos em movimento e palavras que arvoram. No labirinto da selva, o «mar sonoro» é o último fio que os liga à esperança.
Quando a mãe, jornalista, desaparece, Rúben, de dezasseis anos, e Gonzo, de onze, são forçados a sair do país. Invertendo o percurso dos avós portugueses, a perseguição política arrasta-os para Darién, a selva que devora os que a atravessam. Com companheiros que a travessia lhes impõe como família, terão de crescer anos em dias para sobreviver. Da antifronteira à Montanha da Morte, entre muralhas de lama, rios que se agigantam e predadores armados, a selva arranca-lhes quase tudo até lhes revelar a língua de quem sempre nela habitou.
Narrado alternadamente pelos irmãos, entre o coloquial e o lírico, a crueza e o humor, Na Tua Mão é um retrato migratório contemporâneo. Um romance baseado em relatos reais sobre uma fraternidade reinventada, corpos em movimento e palavras que arvoram. No labirinto da selva, o «mar sonoro» é o último fio que os liga à esperança.
312 pages, Paperback
Published May 19, 2026
About the author
Hélder Teixeira Aguiar
1 book22 followersHélder Teixeira Aguiar nasceu e cresceu em São João da Madeira, cenário do romance Unhas Negras de João da Silva Correia.
Entre atlas, enciclopédias e os romances que habitavam a sua infância, decidiu enveredar por uma carreira na ciência. Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e obteve o grau de mestre pelo King’s College London através de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.
A paixão da leitura e da escrita permaneceu, porém. Foi entre a Medicina Geral e Familiar e os Cuidados Paliativos que encontrou o terreno fértil para a escuta da dolência. O regresso à escrita surgiu quase como uma necessidade física para reinventar o que a técnica não alcança, resultando em Na Tua Mão, o seu romance de estreia, vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís.
Entre atlas, enciclopédias e os romances que habitavam a sua infância, decidiu enveredar por uma carreira na ciência. Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa e obteve o grau de mestre pelo King’s College London através de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.
A paixão da leitura e da escrita permaneceu, porém. Foi entre a Medicina Geral e Familiar e os Cuidados Paliativos que encontrou o terreno fértil para a escuta da dolência. O regresso à escrita surgiu quase como uma necessidade física para reinventar o que a técnica não alcança, resultando em Na Tua Mão, o seu romance de estreia, vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís.
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Community Reviews
Displaying 1 - 20 of 20 reviews
May 26, 2026
3,5 - Estamos em Maio de 2026 e dou por mim a ouvir uma notícia que relata um caso de abandono de dois irmãos. Foram encontrados sozinhos, vendados e claramente assustados.
O que é que passa pela cabeça de uma criança no momento em que percebe que os adultos não lhe conseguem conferir a proteção que seria de esperar? O que é que pensa uma criança quando se vê completamente abandonada, sozinha e sem rumo? Foram estas as mesmas questões que fiz enquanto lia “Na Tua Mão”.
Comecei a ler este livro no mesmo dia em que ouvi notícia, e ambos se entrelaçaram de tal forma que fui senti incapaz de me desligar de qualquer um. O romance de Hélder Teixeira Aguiar acompanha a jornada de dois irmãos luso-venezuelanos que se aventuram pela selva de Darién após o desaparecimento da mãe, uma jornalista. A perseguição política que enfrentam, leva-os a uma selva labiríntica e aterradora, que não poupa ninguém.
Este livro explora habilmente a vulnerabilidade e a fragilidade da infância, juntamente com os temas do medo e da sobrevivência, para criar um relato cru e eloquente sobre uma história que também é (e muito) sobre o amor entre dois irmãos.
No entanto, como é óbvio que estas situações não são totalmente comparáveis. A notícia em questão apresenta alegações sérias de negligência e abandono. A ligação emocional que senti durante a leitura centrou-se principalmente na vulnerabilidade infantil e no momento em que uma criança se vê só e deixa de sentir-se segura.
O romance trabalha isso num contexto completamente diferente, mas muito bem conseguido, ficcional e mais ligado à migração, à sobrevivência, ao caos da perseguição política e, claro, à relação entre irmãos.
Este livro, vencedor da 18.ª edição do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, merece ser lido por vocês, leitores.
O que é que passa pela cabeça de uma criança no momento em que percebe que os adultos não lhe conseguem conferir a proteção que seria de esperar? O que é que pensa uma criança quando se vê completamente abandonada, sozinha e sem rumo? Foram estas as mesmas questões que fiz enquanto lia “Na Tua Mão”.
Comecei a ler este livro no mesmo dia em que ouvi notícia, e ambos se entrelaçaram de tal forma que fui senti incapaz de me desligar de qualquer um. O romance de Hélder Teixeira Aguiar acompanha a jornada de dois irmãos luso-venezuelanos que se aventuram pela selva de Darién após o desaparecimento da mãe, uma jornalista. A perseguição política que enfrentam, leva-os a uma selva labiríntica e aterradora, que não poupa ninguém.
Este livro explora habilmente a vulnerabilidade e a fragilidade da infância, juntamente com os temas do medo e da sobrevivência, para criar um relato cru e eloquente sobre uma história que também é (e muito) sobre o amor entre dois irmãos.
No entanto, como é óbvio que estas situações não são totalmente comparáveis. A notícia em questão apresenta alegações sérias de negligência e abandono. A ligação emocional que senti durante a leitura centrou-se principalmente na vulnerabilidade infantil e no momento em que uma criança se vê só e deixa de sentir-se segura.
O romance trabalha isso num contexto completamente diferente, mas muito bem conseguido, ficcional e mais ligado à migração, à sobrevivência, ao caos da perseguição política e, claro, à relação entre irmãos.
Este livro, vencedor da 18.ª edição do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, merece ser lido por vocês, leitores.
July 17, 2026
[COMENTÁRIO]
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
"Na tua mão"
Hélder Teixeira Aguiar
Quando peguei no livro... assumo que ia com algum cuidado, afinal o livro tem como pano de fundo a situação política da Venezuela, mas a escrita cuidada do autor e o ritmo intenso da narrativa rapidamente me envolveram....
Já o disse anteriormente, sou um atento leitor dos livros vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís. "Na Tua Mão" de Hélder Teixeira Aguiar venceu a edição de 2025. E claro que seria um livro a ler...
... por isso a estória dos irmãos Rubem e Gonzo foi uma das leituras mais emocionais que fiz nos últimos meses. Sim chorei desalmadamente em alguns momentos...
Estes dois irmãos forçados a fugir da Venezuela, depois da prisão da mãe, percorrem o norte da Colômbia com o objectivo de poderem se deslocar para um Portugal, que é sempre algo mítico.
É assim neste caminho de fuga que os irmãos se encontram perante um território monstro que corresponde à rota de Darién, um pedaço de montanha e floresta equatorial na área fronteiriça entre a Colômbia e o Panamá.
É aqui que o autor coloca os dois irmãos em constante perigo numa selva marcada pelas montanhas como muralhas, a lama e o rio como perigo constante.
É aqui que os dois irmãos descobrem a solidariedade dos outros que exprimentam a mesma fuga... e o perigo da violência que marca os territórios de fuga.
É assim numa história narrada alternadamente pelos irmãos, entre o cruel e o poético, entre a dor e a esperança, "Na Tua Mão" é um retrato dos tempos que vivemos em que os territórios das migrações são um elemento fundamental das nossas paisagens contemporâneas.
(li de 14/07/2026 a 17/07/2026)
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️
"Na tua mão"
Hélder Teixeira Aguiar
Quando peguei no livro... assumo que ia com algum cuidado, afinal o livro tem como pano de fundo a situação política da Venezuela, mas a escrita cuidada do autor e o ritmo intenso da narrativa rapidamente me envolveram....
Já o disse anteriormente, sou um atento leitor dos livros vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís. "Na Tua Mão" de Hélder Teixeira Aguiar venceu a edição de 2025. E claro que seria um livro a ler...
... por isso a estória dos irmãos Rubem e Gonzo foi uma das leituras mais emocionais que fiz nos últimos meses. Sim chorei desalmadamente em alguns momentos...
Estes dois irmãos forçados a fugir da Venezuela, depois da prisão da mãe, percorrem o norte da Colômbia com o objectivo de poderem se deslocar para um Portugal, que é sempre algo mítico.
É assim neste caminho de fuga que os irmãos se encontram perante um território monstro que corresponde à rota de Darién, um pedaço de montanha e floresta equatorial na área fronteiriça entre a Colômbia e o Panamá.
É aqui que o autor coloca os dois irmãos em constante perigo numa selva marcada pelas montanhas como muralhas, a lama e o rio como perigo constante.
É aqui que os dois irmãos descobrem a solidariedade dos outros que exprimentam a mesma fuga... e o perigo da violência que marca os territórios de fuga.
É assim numa história narrada alternadamente pelos irmãos, entre o cruel e o poético, entre a dor e a esperança, "Na Tua Mão" é um retrato dos tempos que vivemos em que os territórios das migrações são um elemento fundamental das nossas paisagens contemporâneas.
(li de 14/07/2026 a 17/07/2026)
May 26, 2026
"Voltei ao meu quarto e abri o armário com tanta força que quase o arranquei da parede. Cinco minutos para embalar dezasseis anos. Amarrei a mochila de férias, cuecas, três t-shirts, dois pares de calções. As mãos tremiam-me na aritmética impossível. Uma vozinha dentro de mim dizia que era tudo inútil. Não éramos peritos em fugas. Nem havia tempo."
Ruben e Gonzalo ( Gonzo para os amigos) eram duas crianças como tantas outras, estudavam, jogavam videojogos e tinham os seus amigos. A mãe, Luz Marina, era uma jornalista que tentava desmascarar o regime venezuelano, os seus crimes e corrupção, e como tal tem a cabeça a prémio.
Quando Luz desaparece sem deixar rasto, Rúben e Gonzalo vêem- se sozinhos e perseguidos. Como lusodescendentes têm como objectivo passar a fronteira e pedir asilo numa embaixada portuguesa mas para isso têm que atravessar o inferno na terra: a selva de Darién, uma rota migratória que é a via para a liberdade para milhões de venezuelanos.
Mas Darién não significa só liberdade como os irmãos Mendonça vão sentir na pele, significa dor, morte, alucinações e desespero.
Este primeiro romance do Hélder Teixeira Aguiar, vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2025, é um retrato fiel da vulnerabilidade e solidão de todas as pessoas que arriscam a própria vida para escapar da miséria e da perseguição política por parte de regimes ditatoriais. Na Tua Mão é um livro emocionante e doloroso onde sofremos com estes irmãos e ficamos ansiosos até ao final para saber se chegaram ou não a bom porto.
Um livro excelente que nos mostra o que de melhor e pior o ser humano é capaz.
"A luta de poucos vale o futuro de muitos"
Neomar Lander
Ruben e Gonzalo ( Gonzo para os amigos) eram duas crianças como tantas outras, estudavam, jogavam videojogos e tinham os seus amigos. A mãe, Luz Marina, era uma jornalista que tentava desmascarar o regime venezuelano, os seus crimes e corrupção, e como tal tem a cabeça a prémio.
Quando Luz desaparece sem deixar rasto, Rúben e Gonzalo vêem- se sozinhos e perseguidos. Como lusodescendentes têm como objectivo passar a fronteira e pedir asilo numa embaixada portuguesa mas para isso têm que atravessar o inferno na terra: a selva de Darién, uma rota migratória que é a via para a liberdade para milhões de venezuelanos.
Mas Darién não significa só liberdade como os irmãos Mendonça vão sentir na pele, significa dor, morte, alucinações e desespero.
Este primeiro romance do Hélder Teixeira Aguiar, vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís 2025, é um retrato fiel da vulnerabilidade e solidão de todas as pessoas que arriscam a própria vida para escapar da miséria e da perseguição política por parte de regimes ditatoriais. Na Tua Mão é um livro emocionante e doloroso onde sofremos com estes irmãos e ficamos ansiosos até ao final para saber se chegaram ou não a bom porto.
Um livro excelente que nos mostra o que de melhor e pior o ser humano é capaz.
"A luta de poucos vale o futuro de muitos"
Neomar Lander
June 12, 2026
Este romance de estreia deste promissor autor foi uma das leituras mais intensas dos últimos tempos. Somos levados numa viagem que começa em Caracas e nos conduz até à selva de Darién, um lugar que é retratado como uma verdadeira prova aos limites da resistência humana.
Narrado pelos dois irmãos, este é um livro que se lê com o coração apertado. A narrativa é muito cinematográfica, quase como se estivéssemos a caminhar lado a lado com eles, a sentir cada perigo, cada medo, cada momento de incerteza. É uma história que nos deixa em apneia constante, sem nunca sabermos o que poderá acontecer a seguir.
Darién é uma rota de passagem para milhares de migrantes que procuram uma nova oportunidade de vida. Uma travessia que representa uma possibilidade de liberdade, mas também um caminho marcado pela dor, pelo desespero, pela morte e pela brutalidade de uma realidade que muitos são obrigados a enfrentar.
Este livro é também uma travessia emocional sobre sobrevivência humana, migração desesperada, solidão e medo. É sobre dois irmãos lançados para um mundo demasiado cruel para a idade que têm, mas que encontram no amor que os une a força para continuar. A relação entre ambos é o coração desta história, uma ligação feita de proteção, sacrifício e uma promessa silenciosa de nunca se abandonarem.
Uma leitura dura, intensa e profundamente humana, que nos tira da nossa zona de conforto e nos lembra que, por trás de cada história de migração, existem vidas, sonhos e pessoas que apenas procuram uma oportunidade para recomeçar.
Narrado pelos dois irmãos, este é um livro que se lê com o coração apertado. A narrativa é muito cinematográfica, quase como se estivéssemos a caminhar lado a lado com eles, a sentir cada perigo, cada medo, cada momento de incerteza. É uma história que nos deixa em apneia constante, sem nunca sabermos o que poderá acontecer a seguir.
Darién é uma rota de passagem para milhares de migrantes que procuram uma nova oportunidade de vida. Uma travessia que representa uma possibilidade de liberdade, mas também um caminho marcado pela dor, pelo desespero, pela morte e pela brutalidade de uma realidade que muitos são obrigados a enfrentar.
Este livro é também uma travessia emocional sobre sobrevivência humana, migração desesperada, solidão e medo. É sobre dois irmãos lançados para um mundo demasiado cruel para a idade que têm, mas que encontram no amor que os une a força para continuar. A relação entre ambos é o coração desta história, uma ligação feita de proteção, sacrifício e uma promessa silenciosa de nunca se abandonarem.
Uma leitura dura, intensa e profundamente humana, que nos tira da nossa zona de conforto e nos lembra que, por trás de cada história de migração, existem vidas, sonhos e pessoas que apenas procuram uma oportunidade para recomeçar.
August 31, 2026
4.5
Muito bem escrito - e na minha opinião, prefiro que as falas das personagens adolescentes sejam mais maduras do que seria de esperar.
Uma lição de empatia sobre o que é ser refugiado, sobre as infâncias no Sul Global, e sobre a diáspora portuguesa.
Muito bem escrito - e na minha opinião, prefiro que as falas das personagens adolescentes sejam mais maduras do que seria de esperar.
Uma lição de empatia sobre o que é ser refugiado, sobre as infâncias no Sul Global, e sobre a diáspora portuguesa.
September 12, 2026
Que privilégio ler estreias literárias tão boas como este livro! Hélder Teixeira Aguiar escreve com imensa sensibilidade de uma realidade dura como é o caso da situação política da Venezuela, e o facto de milhares serem obrigadas a fugir do seu lar para não serem torturadas ou mortas é terrível.
Neste livro acompanhamos dois irmãos adolescentes que necessitam de enfrentar os perigos da selva, encontrando-se a mãe presa estes irmãos dependem de ajuda de desconhecidos e em acreditar neles mesmos.
O escritor inspirou-se mesmo em histórias reais de famílias que tiveram de escolher o caminho da selva para sobreviver. Este livro demonstra como a migração continua a ser um tema bastante atual, e como importante teremos consciência de seremos privilegiados por vivermos em liberdade.
Neste livro acompanhamos dois irmãos adolescentes que necessitam de enfrentar os perigos da selva, encontrando-se a mãe presa estes irmãos dependem de ajuda de desconhecidos e em acreditar neles mesmos.
O escritor inspirou-se mesmo em histórias reais de famílias que tiveram de escolher o caminho da selva para sobreviver. Este livro demonstra como a migração continua a ser um tema bastante atual, e como importante teremos consciência de seremos privilegiados por vivermos em liberdade.
September 20, 2026
Um absoluto 5 estrelas!
Uma escrita maravilhosa, envolvente e cuidada, ao serviço de uma história profundamente comovente. Nota-se o enorme trabalho de pesquisa por detrás desta obra, que lhe confere ainda mais riqueza e credibilidade.
Muitos parabéns ao autor por este livro tão marcante e especial. Daqueles livros que nos tocam, nos fazem refletir e que todos deveríamos ler pelo menos uma vez.
Recomendo vivamente!
Uma escrita maravilhosa, envolvente e cuidada, ao serviço de uma história profundamente comovente. Nota-se o enorme trabalho de pesquisa por detrás desta obra, que lhe confere ainda mais riqueza e credibilidade.
Muitos parabéns ao autor por este livro tão marcante e especial. Daqueles livros que nos tocam, nos fazem refletir e que todos deveríamos ler pelo menos uma vez.
Recomendo vivamente!
June 21, 2026
Não tenho a pretensão de analisar Na tua mão, de Hélder Teixeira Aguiar, como crítico literário. Há livros que talvez peçam uma bagagem técnica que eu não finjo ter. Mas também acredito que há leituras que se impõem pela forma como nos atravessam: pelas imagens que deixam, pela atmosfera que constroem, pela linguagem que nos obriga a estar mais atentos e pelas sensações que permanecem depois de fecharmos o livro.
Foi isso que me aconteceu com Na tua mão.
Desde as primeiras páginas, torna-se evidente que Hélder Teixeira Aguiar tem uma relação muito particular com a palavra. A sua escrita é rica, trabalhada, por vezes quase lírica, com um vocabulário e uma musicalidade que fogem ao comum. Mas aquilo que mais me impressionou não foi apenas essa beleza formal. Foi o equilíbrio.
Porque, apesar do lirismo e da prosa cuidada, o livro nunca fica refém da própria escrita. Nunca se transforma num exercício parado de contemplação. Pelo contrário: há em Na tua mão uma sensação quase constante de movimento. A narrativa avança, corre, precipita-se, por vezes como uma montanha-russa de acontecimentos que se encadeiam uns nos outros. E, ainda assim, raramente parece artificial. A história cresce de forma orgânica, como se nascesse naturalmente das personagens, do lugar e das circunstâncias.
Isso é talvez uma das coisas mais difíceis de conseguir: escrever com uma mão muito presente, mas quase invisível. Sentimos o talento, sentimos o controlo, sentimos a ambição literária — mas raramente sentimos o autor a forçar o caminho. Durante grande parte da leitura, a história simplesmente acontece. E quando damos por nós, já estamos dentro dela.
A Venezuela do livro não me pareceu apenas um cenário. Pareceu-me uma sensação. Calor, sufoco, pobreza, tensão, cor, ruído, distância, perigo. Mesmo sem conhecer aquele lugar, senti-o. A mistura natural entre português e espanhol, a presença de personagens jovens, as referências contemporâneas e até os pequenos elementos ligados à tecnologia ou aos jogos ajudam a criar uma identidade muito própria. O livro tem uma escrita literária exigente, sim, mas não vive desligado do presente nem das pessoas que coloca em cena.
E depois há Darién.
A floresta de Darién é, para mim, talvez o espaço mais impressionante do livro. É simultaneamente uma das coisas mais aterradoras e mais fascinantes da narrativa. O perigo está sempre lá, quase a respirar por trás das árvores, mas há momentos em que o fascínio quase suspende o medo. Dei por mim, enquanto leitor, a esquecer por instantes a ameaça e a querer apenas estar ali, caminhar, observar, absorver aquele ambiente. Essa alternância entre encantamento e terror é conduzida com uma segurança rara. Hélder consegue fazer-nos temer a floresta e, ao mesmo tempo, compreende perfeitamente porque alguém poderia ficar hipnotizado por ela.
Houve apenas um momento em que, durante a leitura, pensei ter sentido a mão do autor tornar-se mais visível. Não como falha, mas como uma escolha narrativa que me pareceu, naquele instante, contrariar a brutalidade quase inevitável daquele contexto. Mais tarde, porém, a nota de autor no final do livro obrigou-me a rever essa leitura: eventos dessa natureza são inspirados em relatos verídicos.
E talvez isso diga muito sobre a força de Na tua mão. Por vezes, aquilo que nos parece improvável enquanto construção narrativa é precisamente aquilo que a realidade tornou possível. Essa descoberta não enfraqueceu a cena; pelo contrário, tornou-a mais inquietante. Lembrou-me que este livro não trabalha apenas com imaginação literária, mas também com ecos de vidas reais, de travessias reais, de perigos reais. E isso dá à narrativa um peso ainda maior.
Na tua mão é um livro duro, belo, inquietante e profundamente atmosférico. Um livro que sabe correr sem perder densidade, que sabe escrever com beleza sem sacrificar a urgência, e que consegue transformar lugares, línguas e pessoas em experiência sensorial.
Antes de o ler, já tinha a impressão de que Hélder Teixeira Aguiar era um autor especial. Depois desta leitura, essa impressão ficou ainda mais forte.
Na tua mão é um livro com mundo, com alma e, acima de tudo, com mão.
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ ⚔️
Foi isso que me aconteceu com Na tua mão.
Desde as primeiras páginas, torna-se evidente que Hélder Teixeira Aguiar tem uma relação muito particular com a palavra. A sua escrita é rica, trabalhada, por vezes quase lírica, com um vocabulário e uma musicalidade que fogem ao comum. Mas aquilo que mais me impressionou não foi apenas essa beleza formal. Foi o equilíbrio.
Porque, apesar do lirismo e da prosa cuidada, o livro nunca fica refém da própria escrita. Nunca se transforma num exercício parado de contemplação. Pelo contrário: há em Na tua mão uma sensação quase constante de movimento. A narrativa avança, corre, precipita-se, por vezes como uma montanha-russa de acontecimentos que se encadeiam uns nos outros. E, ainda assim, raramente parece artificial. A história cresce de forma orgânica, como se nascesse naturalmente das personagens, do lugar e das circunstâncias.
Isso é talvez uma das coisas mais difíceis de conseguir: escrever com uma mão muito presente, mas quase invisível. Sentimos o talento, sentimos o controlo, sentimos a ambição literária — mas raramente sentimos o autor a forçar o caminho. Durante grande parte da leitura, a história simplesmente acontece. E quando damos por nós, já estamos dentro dela.
A Venezuela do livro não me pareceu apenas um cenário. Pareceu-me uma sensação. Calor, sufoco, pobreza, tensão, cor, ruído, distância, perigo. Mesmo sem conhecer aquele lugar, senti-o. A mistura natural entre português e espanhol, a presença de personagens jovens, as referências contemporâneas e até os pequenos elementos ligados à tecnologia ou aos jogos ajudam a criar uma identidade muito própria. O livro tem uma escrita literária exigente, sim, mas não vive desligado do presente nem das pessoas que coloca em cena.
E depois há Darién.
A floresta de Darién é, para mim, talvez o espaço mais impressionante do livro. É simultaneamente uma das coisas mais aterradoras e mais fascinantes da narrativa. O perigo está sempre lá, quase a respirar por trás das árvores, mas há momentos em que o fascínio quase suspende o medo. Dei por mim, enquanto leitor, a esquecer por instantes a ameaça e a querer apenas estar ali, caminhar, observar, absorver aquele ambiente. Essa alternância entre encantamento e terror é conduzida com uma segurança rara. Hélder consegue fazer-nos temer a floresta e, ao mesmo tempo, compreende perfeitamente porque alguém poderia ficar hipnotizado por ela.
Houve apenas um momento em que, durante a leitura, pensei ter sentido a mão do autor tornar-se mais visível. Não como falha, mas como uma escolha narrativa que me pareceu, naquele instante, contrariar a brutalidade quase inevitável daquele contexto. Mais tarde, porém, a nota de autor no final do livro obrigou-me a rever essa leitura: eventos dessa natureza são inspirados em relatos verídicos.
E talvez isso diga muito sobre a força de Na tua mão. Por vezes, aquilo que nos parece improvável enquanto construção narrativa é precisamente aquilo que a realidade tornou possível. Essa descoberta não enfraqueceu a cena; pelo contrário, tornou-a mais inquietante. Lembrou-me que este livro não trabalha apenas com imaginação literária, mas também com ecos de vidas reais, de travessias reais, de perigos reais. E isso dá à narrativa um peso ainda maior.
Na tua mão é um livro duro, belo, inquietante e profundamente atmosférico. Um livro que sabe correr sem perder densidade, que sabe escrever com beleza sem sacrificar a urgência, e que consegue transformar lugares, línguas e pessoas em experiência sensorial.
Antes de o ler, já tinha a impressão de que Hélder Teixeira Aguiar era um autor especial. Depois desta leitura, essa impressão ficou ainda mais forte.
Na tua mão é um livro com mundo, com alma e, acima de tudo, com mão.
⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ ⚔️
August 7, 2026
"(...) dizia que a paz não é um intervalo entre guerras, é um destino, um lugar onde braços e pernas servem para mais do que a fuga. Serviam para o amparo."
June 22, 2026
Excelente. Vale a pena.
July 27, 2026
Li este livro em 2 dias, completamente viciante e sensível.
Acompanhamos dois irmãos numa viagem marcada pela incerteza, pelo medo e pela esperança.
Um dos aspetos que mais me marcou foi a forma como o autor equilibra momentos de enorme dureza com pequenas demonstrações de carinho, humor e afeto. Isso faz com que as personagens pareçam reais e próximas, tornando impossível ficar indiferente ao seu percurso.
Faz-nos refletir sobre o privilégio de ter um lugar seguro para chamar casa e lembra-nos que, por detrás de cada notícia sobre migração, existem pessoas com histórias, sonhos e famílias.
Acompanhamos dois irmãos numa viagem marcada pela incerteza, pelo medo e pela esperança.
Um dos aspetos que mais me marcou foi a forma como o autor equilibra momentos de enorme dureza com pequenas demonstrações de carinho, humor e afeto. Isso faz com que as personagens pareçam reais e próximas, tornando impossível ficar indiferente ao seu percurso.
Faz-nos refletir sobre o privilégio de ter um lugar seguro para chamar casa e lembra-nos que, por detrás de cada notícia sobre migração, existem pessoas com histórias, sonhos e famílias.
July 12, 2026
Obra Incrível.
Rúben e Gonzalo são outros depois de Darién.
Também sou outra depois desta leitura. Aliás, somos todos Darién.
Parabéns Hélder! Continua a escrever!!
Rúben e Gonzalo são outros depois de Darién.
Também sou outra depois desta leitura. Aliás, somos todos Darién.
Parabéns Hélder! Continua a escrever!!
September 2, 2026
Na Tua Mão, de Hélder Teixeira Aguiar, foi uma leitura que me surpreendeu e que, acima de tudo, me fez querer conhecer mais.
Há passagens belíssimas neste livro, daquelas que merecem ser lidas e relidas. Nota-se um verdadeiro pensamento por detrás da escrita, e isso eleva consideravelmente a qualidade do texto. Algumas frases são verdadeiramente melódicas e deliciosas de ler.
Gostei particularmente das constantes comparações e interligações entre os desafios físicos e as barreiras mentais e morais que Ruben (e, por extensão, Gonzo) enfrentam. É uma construção muito interessante, que nos faz perceber que esta travessia é muito mais do que uma deslocação física.
A nível da representação da vida, dos costumes e, sobretudo, do contexto socioeconómico, parece-me um livro excelente. Senti que aprendi imenso ao longo da leitura. O livro desperta, aliás, uma vontade genuína de sair das suas páginas e procurar mais: percorrer o Instagram, o YouTube ou até o Twitter e descobrir mais sobre o Darién Gap acaba por tornar ainda mais impressionante a realidade por detrás da história e comprovar a veracidade de muitas das palavras escritas.
Esta é também uma lindíssima homenagem a Neomar Lander e a todos os Neomares que foram abatidos e silenciados… é impossível não valorizar uma obra que também procura recordar quem tentou fazer do mundo um lugar melhor.
Nem tudo funcionou, porém. A comparação da fuga dos irmãos com um jogo, sobretudo através da introdução de termos mais recentes e relacionados com o mundo digital, não me pareceu resultar totalmente. Também senti que alguns estrangeirismos não eram particularmente interessantes para a história. E, apesar de compreender a opção pelo desfecho, senti que a história teria beneficiado de enfrentar mais algumas dificuldades ou perdas. Sem querer romantizar a tragédia, mas porque, em alguns momentos, senti que o final acabou por embelezar demasiado aquilo que até então tinha sido uma narrativa tão dura.
Ainda assim, recomendo muito este livro. Encontrei algumas semelhanças com Terra Americana, um livro que adorei, pelas linhas estruturais e pelos temas que os aproximam. E essa comparação só me faz reforçar uma ideia: Na Tua Mão merecia ser muito mais falado e, para mim, está perfeitamente ao nível de alguns sucessos internacionais.
Com capítulos relativamente curtos e uma história cativante, é um livro que prende e ensina.
Uma excelente estreia de Hélder Teixeira Aguiar. Sem dúvida que fiquei fã.
Há passagens belíssimas neste livro, daquelas que merecem ser lidas e relidas. Nota-se um verdadeiro pensamento por detrás da escrita, e isso eleva consideravelmente a qualidade do texto. Algumas frases são verdadeiramente melódicas e deliciosas de ler.
Gostei particularmente das constantes comparações e interligações entre os desafios físicos e as barreiras mentais e morais que Ruben (e, por extensão, Gonzo) enfrentam. É uma construção muito interessante, que nos faz perceber que esta travessia é muito mais do que uma deslocação física.
A nível da representação da vida, dos costumes e, sobretudo, do contexto socioeconómico, parece-me um livro excelente. Senti que aprendi imenso ao longo da leitura. O livro desperta, aliás, uma vontade genuína de sair das suas páginas e procurar mais: percorrer o Instagram, o YouTube ou até o Twitter e descobrir mais sobre o Darién Gap acaba por tornar ainda mais impressionante a realidade por detrás da história e comprovar a veracidade de muitas das palavras escritas.
Esta é também uma lindíssima homenagem a Neomar Lander e a todos os Neomares que foram abatidos e silenciados… é impossível não valorizar uma obra que também procura recordar quem tentou fazer do mundo um lugar melhor.
Nem tudo funcionou, porém. A comparação da fuga dos irmãos com um jogo, sobretudo através da introdução de termos mais recentes e relacionados com o mundo digital, não me pareceu resultar totalmente. Também senti que alguns estrangeirismos não eram particularmente interessantes para a história. E, apesar de compreender a opção pelo desfecho, senti que a história teria beneficiado de enfrentar mais algumas dificuldades ou perdas. Sem querer romantizar a tragédia, mas porque, em alguns momentos, senti que o final acabou por embelezar demasiado aquilo que até então tinha sido uma narrativa tão dura.
Ainda assim, recomendo muito este livro. Encontrei algumas semelhanças com Terra Americana, um livro que adorei, pelas linhas estruturais e pelos temas que os aproximam. E essa comparação só me faz reforçar uma ideia: Na Tua Mão merecia ser muito mais falado e, para mim, está perfeitamente ao nível de alguns sucessos internacionais.
Com capítulos relativamente curtos e uma história cativante, é um livro que prende e ensina.
Uma excelente estreia de Hélder Teixeira Aguiar. Sem dúvida que fiquei fã.
September 2, 2026
Fiquei colada. É um romance com tudo: amor, trama, contexto político e um enredo que prende.
Já tinha gostado muito do "Terra Americana" e este não lhe fica nada a dever, notando-se um trabalho exaustivo de pesquisa, do contexto da Venezuela contemporâneo e da travessia de Darién, e um uso muito arriscado linguagem gamer dos jovens, facilmente poderia cair no excesso ou na "foleirice", ao invés, serviu bem a psicologia dos personagens e tornou a prosa algo fresca e distinta.
Já tinha gostado muito do "Terra Americana" e este não lhe fica nada a dever, notando-se um trabalho exaustivo de pesquisa, do contexto da Venezuela contemporâneo e da travessia de Darién, e um uso muito arriscado linguagem gamer dos jovens, facilmente poderia cair no excesso ou na "foleirice", ao invés, serviu bem a psicologia dos personagens e tornou a prosa algo fresca e distinta.
June 23, 2026
Ao longo dos últimos 5 anos tenho lido bastantes romances onde o tema da migração, dos refugiados e do exílio aparece como tema central.
" Na tua mão" do escritor Hélder Teixeira Aguiar , prémio literário Agustina Bessa Luís 2025, não foi para mim mais um livro. Foi uma leitura sobre uma realidade que desconhecia - a travessia da rota de Darién.
O romance narra a travessia de dois irmãos menores, Rúben e Gonçalo. Os irmãos são obrigados a abandonar a Venezuela por causa de uma reportagem que a mãe jornalista havia feito, e por causa disso corriam perigo de vida.
" A Darién chamam de região, de selva e de tampão, mas fundamentalmente é um monstro. Devora pessoas vivas, despedaça-as com as suas mandíbulas e depois vomita-as para que continuem a caminhar. (...) Darién é pântano: aqueles que se aventuram nas suas águas muitas vezes não saem delas vivos, por mais ágeis que sejam. Darién é também prisão." Escreve o prefaciador da obra.
Ler este romance é saber que para muitos migrantes as dificuldades nunca desaparecem. É uma viagem onde a vulnerabilidade, a tragédia a fome e a morte estão sempre presentes, muito antes de chegar ao país de acolhimento.
Um lugar onde outras lutas surgirão.
" Na tua mão" do escritor Hélder Teixeira Aguiar , prémio literário Agustina Bessa Luís 2025, não foi para mim mais um livro. Foi uma leitura sobre uma realidade que desconhecia - a travessia da rota de Darién.
O romance narra a travessia de dois irmãos menores, Rúben e Gonçalo. Os irmãos são obrigados a abandonar a Venezuela por causa de uma reportagem que a mãe jornalista havia feito, e por causa disso corriam perigo de vida.
" A Darién chamam de região, de selva e de tampão, mas fundamentalmente é um monstro. Devora pessoas vivas, despedaça-as com as suas mandíbulas e depois vomita-as para que continuem a caminhar. (...) Darién é pântano: aqueles que se aventuram nas suas águas muitas vezes não saem delas vivos, por mais ágeis que sejam. Darién é também prisão." Escreve o prefaciador da obra.
Ler este romance é saber que para muitos migrantes as dificuldades nunca desaparecem. É uma viagem onde a vulnerabilidade, a tragédia a fome e a morte estão sempre presentes, muito antes de chegar ao país de acolhimento.
Um lugar onde outras lutas surgirão.
July 23, 2026
A moving, beautifully written book. The story of two brothers fleeing through the jungle grips you from start to finish, told with rare sensitivity.
Highly recommend!
Highly recommend!
June 4, 2026
Disse Teixeira de Pascoaes sobre a primeira obra de Agustina Bessa-Luís que havia nela um “instinto do real”. Recorro a esta definição para também caracterizar este romance (grande estreia deste promissor autor) que nos faz atravessar Caracas em apneia até nos depositar à porta da selva. Oferecendo um vislumbre sempre presente das raízes lusitanas dos protagonistas, a narrativa intercala a voz dos dois irmãos, inesperadamente expostos a uma orfandade interrogativa. É graças à sua perspetiva que o leitor se vê embrenhado, não apenas na selva que respira, mas, também, no “odor corporal coletivo da América latina e mais além” (p. 142). Creio ser, precisamente aqui que reside a grande força deste romance. Para além sua expressão cinematográfica (lê-se como se estivéssemos a (vi)ver), nomeia os desconhecidos, as suas bandeiras, os seus despojos, oferece-lhes voz. A migração desesperada, a esperança decepada, os destinos interrompidos. A memória dessa consciência coletiva a ressoar em cada um de nós. “E, então, aconteceu. As canções começam a misturar-se. Como se dessem as mãos umas às outras, palavra de honra. (…) tudo junto. Uma canção enorme. Senti-a no peito, como se sempre lá tivesse estado e eu não tivesse reparado. Falava de ser corajoso, de resistir e todas essas coisas. (…) já ninguém era de um sítio ou de outro. Éramos só… nós. Ali, juntos.” (p. 143)
Aconselho vivamente a leitura e ficarei atenta às próximas obras deste escritor!!
Aconselho vivamente a leitura e ficarei atenta às próximas obras deste escritor!!
July 3, 2026
📚 Há livros que nos entretêm. E depois há livros que nos obrigam a olhar para o mundo de outra forma. Na Tua Mão é um desses. ❤️🩹
Há histórias que parecem demasiado duras para serem ficção... e esta torna-se ainda mais impactante por ser inspirada em relatos reais. Acompanhamos Rúben e Gonzo, dois irmãos obrigados a fugir da Venezuela depois do desaparecimento da mãe. Atravessar a selva de Darién é apenas o início de uma viagem onde a sobrevivência, a esperança e o amor entre irmãos são postos à prova a cada página.
Este foi um daqueles livros que me despertou uma enorme revolta perante a realidade de tantas pessoas, mas que ao mesmo tempo nunca perdeu a esperança. É intenso, emotivo e impossível de largar. A relação entre o Rúben e o Gonzo foi, sem dúvida, o que mais me marcou. É impossível não nos afeiçoarmos aos dois e não sofrer e acreditar com eles ao longo do caminho.
Se tivesse de destacar apenas um ponto forte... não conseguia. A escrita é extraordinária, as personagens são profundamente humanas e a construção da narrativa é simplesmente irrepreensível. Cada capítulo aumenta a tensão sem perder a sensibilidade e, para mim, este tornou-se um livro perfeito.
✔️ Para quem é:
• Quem gosta de histórias inspiradas em factos reais.
• Quem aprecia romances humanos, intensos e emocionalmente marcantes.
• Quem procura livros que permanecem connosco muito depois da última página.
❌ Talvez não seja para quem:
• Procura uma leitura leve ou descontraída.
Há livros que terminam na última página. Este continua a ecoar muito depois de o fecharmos.
Porque conseguiu juntar uma escrita belíssima, personagens inesquecíveis e uma história profundamente humana que me emocionou do princípio ao fim.
Há histórias que parecem demasiado duras para serem ficção... e esta torna-se ainda mais impactante por ser inspirada em relatos reais. Acompanhamos Rúben e Gonzo, dois irmãos obrigados a fugir da Venezuela depois do desaparecimento da mãe. Atravessar a selva de Darién é apenas o início de uma viagem onde a sobrevivência, a esperança e o amor entre irmãos são postos à prova a cada página.
Este foi um daqueles livros que me despertou uma enorme revolta perante a realidade de tantas pessoas, mas que ao mesmo tempo nunca perdeu a esperança. É intenso, emotivo e impossível de largar. A relação entre o Rúben e o Gonzo foi, sem dúvida, o que mais me marcou. É impossível não nos afeiçoarmos aos dois e não sofrer e acreditar com eles ao longo do caminho.
Se tivesse de destacar apenas um ponto forte... não conseguia. A escrita é extraordinária, as personagens são profundamente humanas e a construção da narrativa é simplesmente irrepreensível. Cada capítulo aumenta a tensão sem perder a sensibilidade e, para mim, este tornou-se um livro perfeito.
✔️ Para quem é:
• Quem gosta de histórias inspiradas em factos reais.
• Quem aprecia romances humanos, intensos e emocionalmente marcantes.
• Quem procura livros que permanecem connosco muito depois da última página.
❌ Talvez não seja para quem:
• Procura uma leitura leve ou descontraída.
Há livros que terminam na última página. Este continua a ecoar muito depois de o fecharmos.
Porque conseguiu juntar uma escrita belíssima, personagens inesquecíveis e uma história profundamente humana que me emocionou do princípio ao fim.
May 29, 2026
A story that melds the drama of fiction with the hard edge of reality, and stays with you long after you finish. Highly recommend!
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