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Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.
A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um escritor, cuja casa foi engolida pelo mar.
O narrador, lacerado pelo passado, luta com os seus demónios no local que escolheu para se isolar: um farol abandonado, à mercê dos caprichos da natureza – e dos outros habitantes da ilha. Com o vagar com que mudam as estações, o homem vai, passo a passo, emergindo do seu esconderijo, fazendo o seu luto, e descobrindo, numa travessia de alegria e dor, a medida certa do amor.
O luto de Elias Gro é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso.

328 pages, Paperback

First published April 22, 2015

54 people are currently reading
908 people want to read

About the author

João Tordo

44 books1,765 followers
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.

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Community Reviews

5 stars
330 (27%)
4 stars
528 (44%)
3 stars
282 (23%)
2 stars
48 (4%)
1 star
11 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 145 reviews
Profile Image for Claudia.
347 reviews202 followers
November 12, 2017
Já tenho resposta para a pergunta: qual foi o livro que mais te fez chorar na vida?

Este livro é absolutamente maravilhoso. Não o consegui largar desde que comecei. E quando o comecei parece que ouvi: 'lê-me, chegou o nosso momento'. Os livros também nos escolhem. Sim, escolhem, tenho a certeza.
Profile Image for Lénia.
Author 6 books765 followers
August 15, 2015
Dear GoodReads,

Preciso de mais estrelas. Cinco, para este livro, são manifestamente insuficientes.

Um tratado sobre a dor, a solidão e o amor que nos salva de nós mesmos. Uma história com tantas vidas dentro. Gente que carregarei comigo por muito tempo, que não esquecerei certamente.

Sem dúvida, a mais bonita obra deste exímio malabarista de palavras.
Profile Image for Sofia.
1,038 reviews128 followers
December 12, 2019
Sinto em relação a este livro o mesmo que senti em relação ao primeiro livro que tinha lido do autor: textos muito bem escritos que dizem absolutamente nada. Não cativam, não prendem, a acção arrasta-se (neste, em particular, o protagonista pegava na bicicleta, ia até ali e acolá, largava a bicicleta, entrava numa casa, entrava outra casa, pernoitava num arbusto e, pelo meio, às vezes perdia-se em divagações).
Em suma, senti que não havia uma verdadeira história para contar, embora seja um livro do qual se podem retirar citações bonitas para o Instagram.
Profile Image for Rita.
910 reviews188 followers
May 7, 2022
Tem-se alongado nas descrições, passa demasiado tempo a ruminar (...).
Tenha cuidado ou as pessoas aborrecem-se.
(...)
Ou empatizamos com aquele que nos conta, ou com aqueles que nos são contados, ou, então, kaputt.
Ao menos percebeu aquilo que lhe quis dizer (...)


Pronto, e é isto.
Profile Image for Ana.
750 reviews114 followers
October 23, 2020
Escrito em 2015, 5 anos depois do primeiro livro que li deste autor (O Bom Inverno), gostei substancialmente mais d’O Luto de Elias Gro.

Os dois livros têm em comum a escrita simples mas envolvente, tramas elaboradas e personagens com grande densidade psicológica. Mas, e logo a começar pelo tema, nota-se bem que este livro foi escrito por uma pessoa mais madura: (atenção, spoiler!) um homem que se culpa pela morte da filha e deixa de encontrar motivos para viver, refugiando-se numa ilha em busca de solidão; a discussão acerca da forma como crentes e não crentes lidam com a falta de lógica ou de justiça da vida.

De certo modo, apesar do tema pesado, a esperança não desaparece desta história e o autor conseguiu dar-lhe um final particularmente bonito.
Profile Image for Lúcia Fonseca.
301 reviews53 followers
September 25, 2022
Como assimilar uma perda? Como lidar com um processo de luto? De alguma forma, todos nós já passámos por isto, até porque luto não é apenas lidar com a morte de um ente querido.

Demorei algum tempo a assimilar esta história e tudo o que se passa naquela ilha. O padre Elias Gro tenta seguir a sua vida após uma enorme perda, bem como o protagonista da obra que se muda para o farol da ilha. A filha de Elias, Cecilia de 11 anos, faz o elo de ligação entre o padre e o protagonista. Mais uma obra de João Tordo que adorei. Desta vez demorei mais tempo que o habitual para ler porque é uma história com uma carga psicológica filosófica imensa.Tocou-me de forma especial e profunda.
Sendo já décimo primeiro livro que leio do autor, considero que seja a sua obra mais profunda e obscura.

Para quem quiser experimentar algo do autor, acho que
este livro serámais apreciado quando já se tenha algum conhecimento da escrita do João.
Profile Image for Cat.
1,161 reviews145 followers
August 22, 2016
Um homem decide fugir para uma ilha algures no Atlântico e...

João Tordo apresenta-nos uma história que me fez sorrir, rir, ficar com o coração bem apertadinho, e chorar. Impossível ficar indiferente.

Completamente recomendado!

Obrigada, João Tordo, por mais uma leitura fabulosa!
Profile Image for Silvéria.
499 reviews240 followers
December 13, 2018
Estou indecisa entre as 3 e as 4 estrelas. Reconheço que é bom, introspectivo e bem escrito. E aí seria um 4. Porém, apesar de ter começado cheia de entusiasmo...esse entusiasmo perdeu-se e aí seria mais um 3.
Livro complicado este ;)
3.5*, vá!
Profile Image for daniela sofia.
649 reviews121 followers
April 17, 2022

Honestamente, não sei o que dizer sobre este livro. Pensei em mil e um elogios que podia partilhar, mas sinceramente, não é suficiente. Poderia até escrever uma opinião a dizer o quanto incrível é, falar de todas as suas qualidades, porém, não chega. Estamos a falar de uma obra poética e foge completamente das nossas expectativas. Assim que iniciei a leitura, não fazia a mínima de que este livro seria assim tão arrebatador, nem em sonhos. Apesar das diversas críticas positivas ao livros, estava sempre um pouco de pé atrás.


O Luto de Elias Gro acabou por ser um murro no barriga. Não foi apenas uma vez ou duas que li algumas partes com um nó na garganta, recordo-me de estar a ler as últimas páginas na minha hora de almoço, com os minutos quase ali a contar. Não podia atrasar-me para o trabalho, mas muito menos poderia esperar para terminar mais logo o livro. Sentia uma urgência em saber o final, o que acontecia e como acontecia, o que fariam as personagens. Bom, terminei a tempo o livro - não me atrasei por uns meros minutos! - e, claro, abriu-se um vazio dentro de mim. João Tordo conseguiu mais uma vez deixar-me com um sentimento de que mais nenhum livro seria tão bom quanto O Luto de Elias Gro.


Decerto que as primeiras páginas não me convenceram logo, ainda demorei algumas páginas a conseguir embrenhar-me por completo na história. Algo que me deixou um pouco reticente foi o facto de não existir a típica divisão por capítulos, durante várias vezes dei por mim a pensar e agora, onde paro a leitura? A realidade é que depois das cinquenta páginas não tive mais este pensamento, passei a pensar como raio vou parar de ler agora? Sim, este é daqueles livros que ao início achámos que não será assim nada de especial, e então que o escritor vira-se para nós e diz então espera aí que já vês.


Depois de ter lido dois livros de João Tordo, achei que não me iria surpreender assim tanto com a escrita de O Luto de Elias Gro, bom, enganei-me. Tenho realmente de dar destaque a esta escrita tão poética que o autor tem, é um talento especial na minha opinião. Gostava eu de ter este talento para escrever com tanta magia, será que é algo natural, que lhe corre no sangue? Só sei que é uma escrita tão deliciosa, que dá vontade ao leitor de devorar o livro. Os restantes livros são assim? É certo que A Noite Em Que O Verão Acabou ele surpreendeu-me pela positiva, devorei completamente a história, mas tratando-se de um thriller achei que se devesse a isso. Mas não, João Tordo tem um talento para a escrita, admiro-o imenso por isso, comprova-se isso mesmo ao ler O Bom Inverno.


Se acham que os pontos positivos deste livro ficam por aqui estão redondamente enganados. Que história! É daqueles enredos que nos dá a volta à cabeça, ficámos horas a pensar no livro (ou meses!). Dei por mim a esquecer que tinha mais quatro horas de trabalho pela frente. Precisava de chegar a casa e digerir tudo o que tinha lido. Se antes de ler este livro de João Tordo eu já sentia uma vontade intensa de ler todas as suas obras publicadas, depois de O Luto de Elias Gro é obrigatório ler todos os livros do autor. Conquistou-me, se antes duvidava um pouco da sua capacidade de surpreender-me mais do que com o seu primeiro thriller, bom, agora tenho certeza que temos um grande escritor português em mãos.


Sinceramente, não sei qual foi o momento que percebi que este livro seria para mim um dos meus livros favoritos da vida. Pode ter sido quando decidi que o iria ler, ou até mesmo quando o comprei. Contudo, sinto que só me apercebi da obra magnífica que tinha em mãos quando terminei o livro. O vazio ainda cá está, passados meses permanece aqui dentro de mim. O que ler? Infelizmente, não sei. Já li alguns livros depois deste e sinto que não são bons o suficiente. Isto logo passa, eu bem sei. João Tordo fez com que as expectativas para os seus restantes livros aumentassem drasticamente. Provavelmente vai ser um mau sinal, mas espero mesmo não vir a desiludir-me. E sabem que mais, considero-o o meu escritor da atualidade português preferido. Pronto, está dito.



Sem dúvida alguma posso considerar este livro o meu favorito de 2020, mesmo que ainda faltem alguns meses para o ano terminar.

Mas, sei que nem todos gostam deste tipo de livro mais poético, onde parece que a nossa personagem principal só divaga e vive num mundo negro. Claro que é necessário avançar para esta leitura sabendo algumas coisas, como é um livro muito melancólico, é escrito numa vibe bem mais obscura. Trata-se por si só uma história onde se vai a fundo nos sentimentos humanos, principalmente depressão. Caso não gostem de leituras assim mais duras, que vos deixem num estado mais triste, realmente não sei até que ponto está leitura será tão incrível para vocês quanto foi para mim.


Na minha opinião, é um ponto positivo, a certo ponto entrei tanto na cabeça do personagem que senti-me na pele do nosso personagem. Por diversas vezes pausei a leitura por breves instantes e senti toda a melancolia e depressão que ia dentro dele. Não foi fácil, como referi acima, é uma história que nos deixa com um nó na garganta por vários momentos. Mas, foi uma boa história, com boas personagens e uma escrita muito boa.



Segunda leitura e continua a destruir-me por completo este livro.
Profile Image for Maria.
1,035 reviews112 followers
June 4, 2015
Um homem em busca da solidão, da introspeção, viaja para uma ilha algures no atlântico. Porém, vai encontrar personagens inusitadas que lhe vão preencher os dias levando-o a descobrir a história daquela ilha.

"Um homem é refém dos seus sonhos até os pronunciar em voz alta."

O luto de Elias Gro é o oitavo romance de João Tordo e completamente diferente dos que li anteriormente.

O narrador é um homem completamente perdido no amor, que se entrega ao álcool para esquecer o passado. Mas depressa encontra uma rapariguinha de 11 anos, Cecília, que o faz conviver com as gentes da ilha, e que tem a particularidade de saber todos os ossos do corpo humano. Assim, estabelece relações com Elias Gro, pai de Cecília e pastor, um homem com um passado sombrio, com Alma, com o fantasma do poeta Lars Drosler, e com Norbert, um velho que tem o costume de passear de noite.


Opinião completa: http://marcadordelivros.blogspot.pt/2...
Profile Image for Sara Jesus.
1,684 reviews123 followers
July 13, 2018
Um livro que se prendeu na minha alma. Elias, Cecília, Lars, Alma e Norbet são personagens fascinantes.

É um livro que aborda a existência, a perda, o luto, o esquecimento e a memória

A narração do diário do escritor Lars corresponde a mais emotiva. Cecília é uma menina demasido inteligente para a sua idade. E o narrador é uma mistura de todas as personagens.
Profile Image for Eibi82.
193 reviews65 followers
Read
July 1, 2018
"El aislamiento es una enfermedad de nuestros días, dijo. Fíjese si es una enfermedad que, como en todos los estados patológicos, solamente encontramos alivio cuando comprendemos que, sin darnos cuenta, hemos perpetuado esa condición porque es más doloroso salir de ella que permanecer enfermos. La cordura tiene un precio"

Si tuviera que describir esta lectura, lo haría con un Fado. El duelo de Elías Gro tiene la cadencia, la belleza y ese tono melancólico de los Fados portugueses. Este libro sabe a Leva-Me Aos Fados de Ana Moura, a Medo de Marizza o As penas de Amália Rodrigues.

No creo que sea un libro para todo el mundo. Se trata de una lectura pausada, introspectiva, triste y está lleno de personas rotas que intentan recomponerse sin saber cómo hacerlo. Esa isla en la que habitan, está marcada por la pena, que convive con la soledad, la religión, el amor, la naturaleza y la pérdida, mientras el tiempo transcurre sin dar tregua.
Sin embargo, es la ausencia la gran protagonista; La ausencia como presencia constante marca el ritmo de la historia y las acciones de los personajes. Personajes a los que vas cogiendo cariño a medida que avanzas en la lectura y descubres el por qué de todo.

" Me sentía cansado, pero también estaba cansado de estar cansado, y me pegunté cuándo abandonarían los espíritus feroces sus guaridas, cuándo me despertaría sin sentirme desgarrado por dentro, cuándo conocería la paz de la que hablaban los antiguos. Tal vez cuando abandonara todo. Y abandonar todo también significaba abandonarme a mí mismo"

A pesar de toda esa melancolía y nostalgia, este libro tiene muchos puntos de luz e incluso momentos de humor. Uno de ellos son Alma y Cecilia, la esperanza. El otro, es la forma de contar y transmitir que tiene el autor, con una sensibilidad muy bonita. La forma de narrar es muy bella, poética y con un tono onírico en algunos pasajes, que consigue atraparnos desde que llegamos a la isla en las primeras páginas.

¿Lo recomiendo? absolutamente, creo que más allá de la trama, este libro merece mucho la pena por cómo está escrito y porque muestra una parte de la vida que en la sociedad sigue siendo tabú. Como dice uno de los personajes del libro, 'Yo he aprendido demasiado tarde que en esta vida es importante saber estar triste'. Pues más o menos de eso va a este libro, un viaje por el duelo, saber convivir con la pérdida y la ausencia, para recomponerse poco a poco y a su debido tiempo; el equilibrio de la vida, la medida justa del amor . Levántate, porque la vida te está esperando.

'Tendrá que aprender a vivir partido en trozos. Estime sus heridas, cuídelas; deles cariño cuando necesiten cariño y protéjalas cuando sea necesario. Un día se transformarán en cicatrices y dejarán de doler. Es cierto que las puede esconder debajo de la ropa, pero siempre estarán presentes (...) las cicatrices valen oro'.
Profile Image for Ana Cruz.
51 reviews16 followers
July 9, 2021
Quando li o “Ensina-me a voar sobre os telhados”, também de João Tordo, pensei que nunca leria um livro tão bom, não deste autor, nem de ninguém. Estava enganada.
Esta classificação de “um livro tão bom” vem de um lugar profundamente pessoal. Consigo apreciar muitos génios literários e admira-los a todos, mas com “O luto de Elias Gro” Tordo tornou-se numa espécie de meu ídolo literário. Provou mais uma vez e relembrou-me também que é um dos melhores autores portugueses da atualidade e um digno “Herdeiro de Saramago”.
“O luto de Elias Gro” é muito parecido em termos narrativos com outros dois livros que li de João Tordo (“Ensina-me a voar sobre os telhados” e “Biografia involuntária dos amantes”). Reconheço-lhe uma fórmula. Uma fórmula que funciona, que eu adoro e que me faz devorar livros (o que é cada vez menos frequente para mim) e procurar mais do mesmo autor. Mas, apesar de tudo, uma fórmula.
O narrador é profundamente inspirado no próprio autor. Isto poderá ser um dos maiores trunfos de Tordo, porque torna as narrativas muito verdadeiras, muito realistas e emotivas. Reconhecemos, enquanto leitores, que mesmo que ninguém tenha passado pelo turbilhão de sentimentos que nos atinge através do livro, alguém poderia ter passado. Estou convencida que é mesmo aqui, num misto de realidade e imaginação, que se faz arte.
Tordo nunca é sentimentalista, mas é dotado de grande sensibilidade. Toca-nos. É belo, mas não deixa de ser realista. O estilo é límpido e fácil de seguir, mas não deixa de revelar uma grande complexidade em termos artísticos. Pode ser fácil para o leitor, mas não foi fácil para o autor. E apesar de ser fácil na sua compreensão, é intenso na sua interiorização.
Tem muito a ser dissecado, apesar disso não ser imprescindível à compreensão da obra. Imagino uma sala de aula no futuro a analisar as metáforas e simbologias, as motivações por trás das personagens, a debater quem é a personagem principal, justificando.
As descrições do espaço, tanto exterior como interior, são magníficas. Transportam-nos para uma outra realidade, uma que foi imaginada (e parcialmente vivida) pelo autor e onde nos encontramos lá com ele nas nossas cabeças. Esse espaço é um lugar sem nome.
Este “lugar sem nome” em particular, uma vila insular perto do mar, foi-me muito querida. Fez-me lembrar o local onde se desenrolava a ação de Ulisses Moore, uma saga que li em criança e mostra como Tordo consegue tão bem retratar tanto uma pequena vila como uma cidade (“Ensina-me a voar”) com tanta autenticidade. Também é muito interessante constatar como a vila desempenha um papel tão importante no percurso do narrador, levando à indefinição na fronteira entre o espaço exterior e interior e o paradoxo entre o isolamento e a comunidade.
Tordo escreve sempre como contando um mistério. Este é outro ponto em comum acerca dos três romances que li do autor. Para além da componente quase biográfica, existe o Thriller, a forma como a narrativa é construída de forma a ser altamente viciante. Aliás, não é de estranhar, que atualmente João Tordo esteja a explorar o policial (mais comercial) e que seja muito bom a escrevê-los. No entanto, confesso, que esse género me interesse menos e o que gosto verdadeiramente são destes livros como o “O Luto de Elias Gro.”
Ora, dita a fórmula: ao narrador-autor, junta uma segunda personagem para compor uma dupla improvável. É à volta desta segunda personagem que tudo gira e que gira também o mistério por desvendar. Neste caso, a segunda personagem é Elias Gro.
Elias está de luto. O livro mostra-nos como o amor é sofrimento na ausência e como cada pessoa tem o seu testemunho de perda. Mostra-nos ainda várias tentativas de lidar com a dura realidade da mortalidade e como é particularmente difícil sermos quem fica, mesmo temendo o dia da nossa própria partida.
O narrador toma um caminho de (auto-)destruição, deixa-se consumir pela depressão profunda e cai no fundo de um poço de desespero que põe em causa a sua sanidade e dignidade. Este percurso desenvolve-se aos bocadinhos, cada etapa logicamente antecedida pela anterior, desenrolando-se num encadeamento tão lógico e natural que a deterioração da saúde mental do narrador não traz surpresas, parece bastante assente na realidade (e é magistralmente foreshadowed).
O que vai sendo desvendados aos poucos é o porquê, o passado. O de onde vim. E o para onde vou, igualmente importante. O final é absolutamente extraordinário.
Outra temática importante é a Fé (Elias Gro é padre) e o que ela faz pelas pessoas que acreditam. Estão representadas as perguntas de sempre: se Deus existe, se Deus é bom, se Deus é justo, porque permite sofrimento, porque nos tira quem amamos, porque não ouve as nossas súplicas desesperadas. (A obra não dá resposta).
O estilo de Tordo herda de Saramago e as influências deste último são óbvias. É, aliás, incrível pensar no peso que o prémio Nobel tem em tudo o que veio posteriormente. No entanto, Tordo não satiriza, não ironiza, apenas justapõe, representa e permite às emoções fluírem para que compreendamos de onde veio Elias, de onde veio o narrador e antever para onde vão, aprendendo um pouco sobre para onde queremos ir, levando a emoção connosco.
Apesar dos temas pesados, a escrita é sempre leve. Não há qualquer esforço por parte do autor para nos obrigar a sentir ou fabricar uma reação emotiva. Pelo contrário, comovemo-nos porque é tudo representado com tanta naturalidade, impecavelmente encadeado, peça a peça, para que que a ficção eleve a realidade a arte.
Voltando a um nível de apreciação mais pessoal, é incrível constatar que, apesar de nunca ter vivido um episódio de depressão e provavelmente não ter ainda a maturidade para perceber muitas das nuances da vida que podem levar alguém ao desespero, eu leio Tordo e é como se a voz do narrador fosse a voz da minha cabeça. O seu estilo funde-se perfeitamente com a maneira como eu penso. Flui muito naturalmente, como se estivesse em casa (numa casa literária). E por isso quero sempre voltar. Devido a esta noção de fluidez não deixa de ser interessante notar que o livro está escrito num único capítulo, o que a meu ver o torna ainda mais viciante.
Este livro é parte de uma trilogia, “dos lugares sem nome” que estou ávida de completar. O segundo livro remete outra vez para Lars D, uma personagem que também liga muitas obras de Tordo. Com algumas variações no nome, entra também n’ “O luto de Elias Gro” e no “A Noite em que o Verão acabou” e estou muito curiosa em explorar cada faceta da ideia que o autor tem para este homem.
Recomendo a toda a gente, sem exceção, creio ser uma leitura muito boa para qualquer um!
Profile Image for João Carlos.
670 reviews315 followers
December 30, 2015


“O Luto de Elias Gro” (2015) é oitavo romance do escritor português João Tordo (n. 1975), primeiro volume de uma trilogia denominada “a trilogia da tristeza”, a que se segui a publicação de ”O Paraíso Segundo Lars D.”, em Novembro de 2015.
O narrador, sem nome, refugia-se numa pequena ilha do Atlântico, não identificada, onde vivem menos de cem pessoas, numa insularidade dominada pela imensidão do mar, pelos ventos fortes, pelas nuvens e pelos nevoeiros intensos, numa fuga à “doença da separação”, associada, igualmente, à morte de uma filha, procurando no isolamento, físico e espiritual, um reencontro emocional e existencial, uma tentativa desesperada de reflexão e redenção sobre o passado, as “pequenas” e as “grandes” tragédias pessoais que martirizam os pensamentos e que condicionam a vivência e as acções quotidianas.
”O isolamento é uma doença dos nossos dias...
E tanto é uma doença que, como em todos os estados patológicos, só encontramos alívio quando nos apercebemos de que, sem darmos por isso, perpetuámos essa condição porque é mais doloroso sair dela do que permanecer doente. A sanidade tem um preço.”
(Pág. 69)
O farol da pequena ilha, propriedade do alemão Heinrich, torna-se, inicialmente, o refúgio do narrador, local emblemático de clausura e solidão, de partida e regresso para as “longas” viagens, a pé ou de bicicleta, contactando e conhecendo um conjunto de personagens “secundárias”, que em determinados períodos se tornam “principais”, que ou estão “presentes” ou estão “ausentes”, como o padre, um pastor protestante, Elias Gro e a sua filha Cecília, com onze anos, a Alma Pedersen, separada de Heinrich, o Norbért, um velho que vagueia pela noite, e muitos outros; e alguns locais emblemáticos, como a Casa das Águas, último refúgio do escritor dinamarquês Lars Drosler, engolida pelo mar e a taberna, com o lindíssimo nome, “La Calme Avant la Tempête”, local de encontro e confraternização para conversas triviais e algumas revelações íntimas.
A escrita de João Tordo é intensa e profunda, com um conjunto de personagens enigmáticas, com histórias para contar e segredos por desvendar, mas a articulação e o desenvolvimento das várias subtramas desgostou-me profundamente;
Até à pagina 128 "O Luto de Elias Gro" é excelente.
Talvez com a leitura de ”O Paraíso Segundo Lars D.” encontre um sentido narrativo para as minhas dúvidas e interrogações…
Profile Image for Márcia Balsas.
Author 5 books105 followers
January 16, 2016
O Luto de Elias Gro é o terceiro livro que leio do João Tordo, contudo é o primeiro que me consegue verdadeiramente maravilhar. Não me vou alongar. Não vale a pena, pois não será suficiente. Das frases perfeitas, às palavras escolhidas com engenho, passando pela habilidade das descrições completas e muito belas, que me falaram repletas de emoção, e que eu fui recebendo com prazer e espanto, na calma de cada página lida (e por vezes relida), assimilando o estranho sentido da dor de um homem que conta tudo menos o seu nome.
Passagens sublimes sobre a solidão, sobre a necessidade de estar só, no silêncio, para ouvir o que tem de ser ouvido, no mais profundo de si.
Eu comecei este livro três vezes. Por ter um início tão belo, eu quis repetir o entusiasmo da descoberta, senti que seria muito especial e guardei-o o tempo que pude. Pegava-lhe de vez em quando e sorria com o sofrimento da procrastinação, com o adiamento, com o desejo, com a certeza (que tinha sem saber porquê) que o leria ininterruptamente pelas páginas que o tempo e a vida me deixassem. E foi assim mesmo que o li, com a entrega que este livro merece.
Termino este texto sentindo-me pequena. Sentindo que não produzi uma opinião válida, que não menciono lugares ou personagens, o como ou o porquê. E eu sou mesmo muito pequena ao pé deste livro. Mas no fim fiquei muito mais completa, porque senti um enriquecimento brutal como leitora depois de virar a última página.
“Mas eu entendo-o. A incómoda presença dos outros nas nossas vidas. Às vezes é uma chatice ter de os aturar. Não vale a pena negar, há dias em que acordamos para estarmos longe das pessoas.” (Pág. 68);
“Se os homens se definissem pelas suas profissões, não precisaríamos de nomes. Seríamos o engenheiro número trezentos e quinze e o padeiro seis milhões e meio. Basta que saibam que, dos vinte e dois aos quarenta anos, construí, na cidade, uma carreira de algum prestígio numa determinada profissão e que, a partir dos quarenta, abandonei a cidade e a carreira e fui viver para uma ilha ao largo de uma península, extensão de um continente que não era o meu.” (Pág. 78);
“Escrever mantém-me sóbrio e ajuda-me a preservar a confiança neste caminho de que vos falei. Um homem é refém dos seus segredos até os pronunciar em voz alta; depois, devolvendo-os a Deus numa oração ou numa litania dos aflitos, eles rapidamente se revelam como aquilo que verdadeiramente são: criaturas invertebradas e informes que se escondem atrás do Medo.” (Pág. 151);
“Prossegui pelo litoral enquanto a luz descobria a bainha do céu. Constatei que, embora no centro do meu peito existisse um buraco imenso, aquela liberdade dava-me prazer. Não tinha lugar aonde ir nem ninguém a quem prestar contas; não tinha casa nem família. A melancolia deixara de me incomodar, éramos velhos amigos e, a partir de certa altura, já nada se consertava. Pedalei durante algumas horas pela ilha. Ora a ritmo de uma marcha, ora esforçado numa ladeira; por vezes encontrava a tranquilidade de um terreno plano e deixava a bicicleta fazer o seu trabalho, aproveitando o embalo. Passei pelo farol, mas não me detive; era um lugar ensombrado, habitado pelos restos de uma civilização proscrita.” (Pág. 230);
Profile Image for Os Livros da Lena.
299 reviews321 followers
October 23, 2020
Review O Luto de Elias Gro, de João Tordo.
62/2020
4⭐️

Este foi o segundo livro que li de João Tordo, e deixem-me dizer-vos que, de entre os dois que li, gostei mais deste.

É um romance intimista, que nos mergulha na obscuridade do que significa ser humano, e nos traz à luz em igual medida.

É um livro que nos envolve num sentimento de pertença característico da insularidade, na dualidade entre a necessidade de fuga (difícil de ser espontânea e rápida estando numa ilha) e de comunidade quase forçada, inevitável, como se andássemos sempre à roda e fôssemos, inexoravelmente, ver sempre as mesmas pessoas e coisas.

Um narrador e personagem principal que vive a sua dor ao máximo que a humanidade deixa, a dele e a dos outros. Personagens ricas e inteligentes, acima de tudo Cecília, uma miúda que de miúda tem muito pouco.

Ainda tenho outros quatro livros cá em casa para ler de João Tordo, mas tanto neste como no primeiro que li (A Noite em que o Verão Acabou), sinto que falta espessura na escrita, como se o autor tivesse medo de explanar as entranhas no papel.

E fico sempre com a sensação que vou adorar chegar àquele livro do autor onde as vísceras lá estão todas. Acho que esse dia vai ser maravilhosamente feliz para mim enquanto leitora.

Já leram esta obra? Aconselham alguma onde achem que estejam as entranhas todas?
Profile Image for Luís Queijo.
322 reviews27 followers
October 24, 2020
Sendo o João Tordo dos poucos escritores Portugueses (já lidos) que me continua a cativar (a par de Joel Neto e de João Pinto Coelho), este livro foi como um murro no estômago. Não sendo o livro dele que mais me fascinou (continuo a preferir "As três vidas", talvez por não haver amor como o primeiro) surpreendeu-me pela crueza e desprendimento nele retratados. Apesar da narrativa ser algo limitada, de ser, por vezes, pretensioso com tanta citação, das falhas de escrita e revisão (precisão não é o mesmo que exactidão nem a expressão é "mal e porcamente" mas sim "mal e parcamente"), o João Tordo consegue ter laivos de genialidade na descrição de quão ao fundo o ser humano consegue deixar-se ir perdido nas suas angústias.
Com a devida pausa para a "digestão" do assunto, lá seguiremos para o resto da trilogia.
Não é um "cinco estrelas" pela simplicidade do enredo e repetitividade na história, mas anda lá perto pela capacidade de pôr por escrito o que por vezes nem é fácil verbalizar.
A ler.
Profile Image for Ana Medeiros.
443 reviews30 followers
November 23, 2024
"Um dia acordamos contaminados pela melancolia; quando nos deitamos damos por ela ao nosso lado, aconchegando-nos as cobertas; e percebemos, então, que somos velhos amigos."


"O luto não termina quando queremos e, por isso, pouco nos resta senão esperar. Aguentar, resistir. Esperar que as coisas se transformem noutras."
Profile Image for Paulo Rodrigues.
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August 4, 2022
"As pessoas são feitas de porcelana, concluiu. Lascam com facilidade, instigam em nós a urgência de não as deixar cair. Partem-se em pedaços se as largamos. E esses pedaços são inconsoláveis. É impossível tornarmos a juntá-los e, se o tentamos, ficaremos para sempre a observar as rachas que inadvertidamente lhes causámos, cicatrizes que não passam. Por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa."

O Luto de Elias Gro #1
Da Triologia lugares sem nome
O narrador do qual nunca sabemos o nome,  perdeu alguém muito importante na sua vida  e encontra-se completamente entregue ao álcool e ao desespero, sem vontade de viver, vai para uma  pequena ilha perdida no atlântico onde, se refugia num farol para se deixar levar pelo sofrimento e pela vontade de não viver. Ali, encontra personagens inesperadas que o levam a descobrir mais sobre aquela ilha perdida, e a perceber que todos eles também têm dores e sofrimentos iguais ou maiores que o dele...
Solidão, luto, desespero, perda ou dor muita dor  são alguns dos temas tão bem retratados neste livro. O Tordo é um génio nestes temas.
Este livro levou-me ao fundo do poço de tão envolvido que me senti com as dores dos vários personagens, com a melancolia como o autor escreve, sempre com as palavras certas com as frases profundas e doridas que não deixam ninguém indiferente,
O texto já vai longo mas a vontade que eu sinto era poder por em palavras tudo o que senti. Termino como comecei...
"Sei agora o que nunca soube – que o amor encontra o seu estado mais puro quando julgamos que o fim chegou; finalmente entendo que o amor pode ser precisamente essa ausência, o deixar de estar, ser capaz de apreciar cada minuto da nossa memória como se segurássemos, entre as mãos, um punhado de brasas num deserto de gelo."
Muito muito bom 5 estrelas
Profile Image for Sofia Teixeira.
608 reviews132 followers
May 5, 2015

Opinião: Ser-se português implica carregar todo um legado emocional. Se é verdade que o sentimento saudade só tem palavra definida na nossa linguagem, também é verdade que existem pequenas particularidades que parecem ser encontradas só na nossa gente. A literatura portuguesa tem-se mostrado, nos grandes romancistas, recheada de uma profundidade que é raro encontrarmos na literatura estrangeira. Não falo de complexidades ou genialidades, falo antes de uma capacidade em explorar emoções e locais intrincados da mente humana no que toca ao relacionamento do eu consigo mesmo e do eu com os outros. Estreei-me na escrita de João Tordo com Biografia Involuntária dos Amantes e não demorei muito a aperceber-me que estava perante um escritor com essa capacidade. O luto de Elias Gro, embora num registo diferente, confirma esse talento nato, de alguém já amadurecido na escrita e capaz de enfrentar as suas próprias sombras.




"Parece que o lugar onde estamos nunca é suficientemente agradável. Deixa-me ver se acolá se está melhor. E, quando lá chegamos, percebemos afinal que a vida também estava a acontecer onde estávamos. Mas agora já estamos acolá e não podemos regressar, porque a vida também acontece acolá."


Nesta obra vivemos histórias dentro de histórias. Temos o protagonista, que sendo já característica do autor não sabemos o seu nome, temos a sua vida comum anterior, a vida de Elias Gro na pequena ilha e ainda o retrocedimento nas memórias de um passado importante para Elias. No presente, procuramos o sentido para as acções do nosso narrador, que se procura a si mesmo. Pensa encontrar na solidão a paz que precisa, mas encontra antes uma série de tormentas que rapidamente tenta anestesiar com a bebida. É Cecilia, a filha de Elias, a única pessoa que o vai conseguindo despertar desse torpor e será também ela a causa do seu acordar.


"O que eu procurava era o esquecimento e, de repente, via-te em todo o lado. Minto, pois na verdade sentia-te em todo o lado."


A narrativa de João Tordo tem tanto de silenciosa, de contacto directo com a alma, como de alarmante. Os compassos de espera, o desapego, a descoberta, a adrenalina e o amor estão muito bem conjugados, mas a componente fulcral é a perda. Aquele sentimento de impotência, de vazio, de desespero associado a uma terrível constatação de que o que foi já mais não será... E aprender a viver com isso. Uns isolam-se, outros perdem-se, outros tentam encontrar-se no meio de ambos. A inocência (que se perde a uma velocidade vertiginosa) de Cecília, marca de forma muita carinhosa esta obra. Alma não tem mãos a medir e Elias será sempre um enigma em muitas coisas. Cabe ao nosso personagem central decifrar o que quer de si e o que pode esperar dos outros.


"O intuito de abandonar estas ideias, de regenerar estes pensamentos (...) revela-se falhado. Quanto mais eu me remetia a mim próprio, julgando, dessa maneira, anular a influência do mundo, mais encontrava as raízes do meu desespero e mais era incapaz de sair dele. (...) Os pensamentos, como diabos à solta num quarto escuro e abafado, conduziam-me uma e outra vez à mesma conclusão, de que o homem transporta consigo o inferno, e que esse inferno não são os outros mas nós mesmos, quando entregues às nossas ideias mais acérrimas, às nossas intransigências mais cruéis, às nossas dúvidas mais corrosivas."


Três excertos que tanto dizem, que tanto transmitem. E ainda assim são só uma gota no oceano que é O luto de Elias Gro. Estamos perante uma obra literária intensa, sofrida, íntima e, sinceramente, não esperava menos de João Tordo. Este talento exímio em escrever como ninguém sobre as zonas cinzentas do que somos, do que sentimos e de como nos enfrentamos. Uma leitura recomendada à cautela dos corações que já perderam muito, mas que ainda têm uma pequena chama que insiste em arder.
Profile Image for Raquel.
166 reviews51 followers
March 6, 2016
As palavras são de Borges, mas descrevem na perfeição a essência do romance. escrita de João Tordo é feita de perdas, de descobertas, de buscas pela medida certa do amor. 'O Luto de Elias Gro' não é excepção, embora seja ainda mais interior, mais privado, do que qualquer um dos seus outros romances que já li. É um caminho que parece levar irrevogavelmente à decadência do ser humano, à perda de tudo, à desistência da vida, mas que ainda assim consegue encontrar-se com uma pequena luz de esperança.

http://leiturasmarginais.blogspot.pt/...
Profile Image for Pedro António Carvalho.
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June 24, 2019
EN~
João Tordo was my choice portuguese author of this year.
I have wanted to read him for a long time because he has such an interesting collection of titles and I believe I would enjoy this type of narrative.
I was not wrong.
Out of all the traits this book has in my opinion it is the writing that made me enjoy it.
I picked up this book with certain expectations and it ended up being something completely different.
It's not an easy reading, took me a lot longer than expected to finish it because the book was demanding it. The thematic is very heavy, the narrative is very dense, a lot of thoughts mixed in between the story. But it doesnt make it any less enjoyable. You just need the right time and mindset to read it. Reminded me of reading Saramago without all the commas.
The story is a very simple background for a much more important idea to take the stage.
Longing, the fear of losing, solitude and overcoming your monsters are what the main character struggles with but also we think about other themes, like religion or the relationship with others and what it means to exist. From the beginning until the end a lot happens to this man and I was touched.
I loved the beautiful innocence of Cecília and was intrigued by Lars Drossler mysterious past (fortunately, they are the main characters of the other two books of the trilogy).
I enjoyed this read a lot even though I feel I might need to reread it some time soon.
To me this is just another example of how many great authors our beautiful country has!
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PT~
João Tordo foi a minha escolha deste ano para estrear um autor português.
Já o queria ler faz algum tempo porque ele tem uma coleção de livros muito interessantes e eu acreditei que gostaria deste tipo de narrativa.
E não estava errado.
De todas as qualidades que este livro tem, na minha opinião, foi a escrita que me convenceu.
Eu peguei nele com certas expectativas e acabou por ser algo totalmente diferente do que estava à espera.
Não é uma leitura fácil, demorou-me muito mais tempo para o ler do que estava à espera porque o livro o exigia. O tema é pesado, a narrativa é densa, existem muitos pensamentos misturados na história. Mas isso não o torna menos agradável! Só precisamos do tempo certo e a disposição certa para o ler. Lembrou-me muito ler o Sr. Saramago sem todas as vírgulas pelo meio!
A história é apenas um plano de fundo para uma ideia muito mais importante centrar o palco.
Saudade, o medo de perder, solidão e combater os nossos monstros são as batalhas do nosso protagonista mas também pensamos noutros temas como religião, a relação que temos com os outros, e o que significa existir. Do início ao fim muita coisa acontece a este homem e fiquei tocado.
Adorei a bonita inocência da Cecília e fiquei intrigado pelo passado misterioso de Lars Drossler (felizmente estes são os protagonistas dos outros dois livros da trilogia).
Eu gostei muito desta leitura apesar de não ir de encontro às minhas expectativas e sinto que talvez terei que o reler em breve para tirar o máximo partido dele :)
Mais um exemplo que o nosso país tem muitos grandes autores!
Profile Image for Bruna Vala.
72 reviews11 followers
July 10, 2024
Meu. Deus. Não tenho palavras para o quão aterradoramente bonito este livro é. Estou destroçada.
Profile Image for João Teixeira.
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January 24, 2023
E ao segundo livro que leio de João Tordo, o autor consegue surpreender-me! O primeiro foi Hotel Memória e, relendo a minha opinião acerca desse livro lido em Junho de 2013, fico feliz por ver consubstanciado neste O luto de Elias Gro o grande potencial que anunciara nas suas obras anteriores. A escolha do tema para este livro também me parece que foi mais pensada (e bem articulada). Se em Hotel Memória, houve uma tentativa de construção de um thriller algo folhetinesco, em O luto de Elias Gro, João Tordo apresenta-nos uma obra de literatura mais séria, "atmosférica e intimista", como se diz na sinopse, não cedendo a um possível facilitismo literário.

Tal como tive oportunidade de perceber com Hotel Memória, posso agora afirmar com mais propriedade que gosto bastante da escrita de João Tordo. Trata-se de uma maneira de escrever simples, mas muito consistente e clara, feita sem pressas, com a qual o autor consegue transmitir muito bem as suas ideias, e que os leitores poderão saborear devagar.

Apesar de o livro se chamar O luto de Elias Gro, a história começa por centrar-se num homem ao qual não é dado nome nem nacionalidade e de quem apenas sabemos a idade (40 anos)

Este é, a meu ver, um livro sobre a inquietação do ser humano num mundo absurdo que não consegue compreender. Mas é um livro também sobre a aceitação dessa condição, por via do valor da amizade.

A história é algo complexa, como já deu para perceber, e tudo menos imediata, com diferentes níveis de leitura, mas isso, na minha opinião, é um ponto a favor de João Tordo. Parece-me que o autor amadureceu desde que escreveu o tal Hotel Memória e que muito boa coisa ainda estará para brotar da sua pena no futuro.
Profile Image for Daniela Reis.
97 reviews8 followers
August 19, 2017
"As pessoas são feitas de porcelana, concluiu. Lascam com facilidade, instigam em nós a urgência de não as deixar cair. Partem-se em pedaços se as largarmos. Esses pedaços são inconsoláveis. É impossível tornarmos a juntá-los e, se o tentarmos, ficaremos para sempre a observar as rachas que inadvertidamente lhes causámos, cicatrizes que não passam. Por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa."

http://menteliteraria.blogs.sapo.pt/b...
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