Nesta obra, a poesia de Manoel de Barros busca os resíduos rejeitados pela sociedade de consumo, 'o que pode ser carregado como papel pelo vento', e expõe as entranhas das palavras, o dentro e o fora, qual um quadro de Picasso.
Manoel Wenceslau Leite de Barros is a Brazilian poet. He has won many awards for his work, including twice the Prêmio Jabuti, the most important literary award in Brazil. Today he is renowned by his critics as one of the great names of contemporary Brazilian poetry, and by many authors he has been considered the greatest living poet from Brazil, like the poet Carlos Drummond de Andrade recognized Manoel de Barros as the biggest poet of Brazil.
Palavras de Lúcio Ayres Fragoso, professor de física em São Paulo, compadre do preso, a título de esclarecimento à Polícia
para começar ninguém jamais garantiu que coisa era aquele bicho
o mal-traçado? o trintão dorminhoco? o irmão desaparecido de Chopin? o homem de borracha?
conheci-o em seu escritório jogando bilboquê
era sempre arrastado para lugares com musgo por meio de ser árvore podia adivinhar se a terra era fêmea e dava sapos
via o mundo como a pequena rã vê a manhã de dentro de uma pedra
pela delicadeza de muitos anos ter se agachado nas ruas para apanhar detritos - compreende o restolho
a esse tempo lê Marx
tem mil anos
tudo que vem da terra para ele sabe a lesma
é descoberto dentro de um beco abraçado no esterco que vão dinamitar
antes de preso fora atacado por uma depressão mui peculiar que o fizera invadir-se pela indigência: uma de pressão tão grande dentro dele como a ervinha rasteira que num terreno baldio cresce por cima de canecos enferrujados pedaços de porta arcos de barril...
era de profissão "encantador de palavras"
ninguém o reconheceria mais
resíduos de Raskolnikof encardiam sua boca de Pierrô muito comida de tristeza
Ler Manoel de Barros é conectar-se com o real e o cotidiano das coisas. O autor dá vida aquilo que não possui e faz nascer aquilo que ainda é um embrião. O poema sobre o chão ilustra muito bem isso.
"O chão reproduz do mar o chão reproduz para o mar o chão reproduz com o mar"
Essa é a primeira estrofe do poema. O autor em sua imensidão poética concebe o chão em sua raiz do que é. O chão é tudo aquilo que caminha em cima dele.