Em Formas de narrar um corpo, a atriz, crítica cultural, professora e educadora popular Rita von Hunty reflete sobre quem pode ocupar os espaços de saber e como determinados corpos são narrados, autorizados ou interditados. Ao situar gênero e sexualidade como discursos de poder, desmonta teorias que se pretendem universais e revela seus recortes históricos, sociais e ideológicos, evidenciando aquilo que foi naturalizado como neutro.
Entre sociologia e psicanálise, literatura e política, a autora constrói uma crítica localizada e didática, que articula experiência, teoria e desejo de transformação, convocando leitoras e leitores a reconhecerem os mecanismos que os constituem – e, a partir daí, se organizarem e agirem, para que se tornem sujeitos da própria história.
amei ♡ um livro que sabe ser profundo, embasado, acessível e muito bem costurado. é gostoso ler Rita, a escrita tem traços da sua oralidade e consigo escutar sua voz durante a leitura. o livro sustenta a ideia que gênero é uma ficção, uma tecnologia, uma ação que estrutura nossa sociedade em binarismos e justifica todo tipo de violência. e nos lembra que a gente pode criar fissuras no sistema, que isso é ativamente feito pela comunidade queer há muito tempo. seguimos na luta apesar de.
Rita Von Hunty faz um papel muito importante na cultura queer, que é o de falar sério no meio do escracho. Ela também tem a noção de que falar sério demais acaba afastando as pessoas. Junto com a arte drag e o verve acadêmico, ela consegue dosar e chamar a atenção para o que deve ser dito. É isso que ela realiza neste seu livro de estreia, chamando a atenção para questões não apenas de corpo, mas de identidade, de gênero, de raça e de classe, além da sexualidade, claro. Na minha opinião, como designer editorial, acredito que o livro poderia ser menor e mais acessível, afinal, a cultura e as questões que Rita levanta devem ser acessadas por todes. O livro tem uma fonte de tamanho maior que a média e o mesmo acontece com as entrelinhas e outros respiros do livro, que poderia muito bem ter saído como a coleção Feminismos Plurais, num formato de bolso, fazendo com que a pessoa leitora pudesse comprá-lo com mais facilidade.
Neste livro a autora traz discussões relevantes e a partir de um olhar amplo e multidisciplinar, dialogando com ideias e conceitos propostos por Judith Buttler, Pierre Bourdieu e muitos outros intelectuais. Há reflexões sobre gênero, raça, dominação e ideologia. Leitura fundamental e com pitadas de humor que me fizeram sentir estar novamente em uma palestra com a Rita Von Hunty. Recomendo a leitura.
Livro importantíssimo para a leitura de todos, mesmo para os que não concordam com muitos temas. O livro instiga uma visão diferente de diversos tópicos importantes na sociedade não só atual como histórica.