Jump to ratings and reviews
Rate this book

Aguarela de Paris

Rate this book
Inverness, 1927. As Terras Altas da Escócia, refúgio privado do ramo britânico dos Senigallia, a mais influente dinastia de banqueiros judeus da Europa, são o palco da infância de Franca e Giullietta, duas gémeas impossíveis de distinguir e, ainda assim, tão diferentes. Mas os muros aristocráticos do castelo de família encerram muito mais do que sonhos juvenis. Lá, onde o Diabo pode ser visto pelo menos uma noite por ano e os fantasmas esbofeteiam as criadas no escuro, dá-se o maior crime do século, uma tragédia que marcará de maneira impiedosa o destino das raparigas.

O seu grito de emancipação escutar-se-á nos cenários mais improváveis – dos cafés de Montparnasse, onde Giullietta impõe o seu génio artístico junto de pintores que se contarão entre os mais famosos do mundo, até à costa do Estoril, onde Franca apanha sol no Tamariz e se cruza com espiões nas festas exuberantes do Hotel Palácio. Porém, quando tudo se desmorona, o romance anoitece, quase insuportável de ler perante a mais hedionda das faces do Holocausto, essa que se oculta nos blocos de Auschwitz e Birkenau, pelas mãos de Mengele, o Anjo da Morte, e a sua legião de médicos nazis.

Com Aguarela de Paris, João Pinto Coelho – autor vencedor do Prémio LeYa – regressa ao seu tema de eleição, presente, desde logo, em Perguntem a Sarah Gross, tecendo desta feita um romance de formação que é também uma surpreendente história de rebeldia e resistência numa Europa em guerra.

424 pages, Paperback

Published June 9, 2026

Loading...
Loading...

About the author

João Pinto Coelho

7 books581 followers
João Pinto Coelho nasceu em Londres em 1967. Licenciou-se em Arquitetura em 1992 e viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou diversas temporadas nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar num teatro profissional perto de Nova Iorque e dos cenários que evoca neste romance. Em 2009 e 2011 integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em Auschwitz (Oswiécim), na Polónia, trabalhando de perto com diversos investigadores sobre o Holocausto. No mesmo período, concebeu e implementou o projeto Auschwitz in 1st Person/A Letter to Meir Berkovich, que juntou jovens portugueses e polacos e que o levou uma vez mais à Polónia, às ruas de Oswiécim e aos campos de concentração e extermínio. A esse propósito tem realizado diversas intervenções públicas, uma das quais, como orador, na conferência internacional Portugal e o Holocausto, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2012. Perguntem a Sarah Gross é o seu primeiro romance.
Em 2017, venceu o Prémio Leya com o romance Os Loucos da Rua Mazur.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
73 (54%)
4 stars
48 (35%)
3 stars
12 (8%)
2 stars
2 (1%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 24 of 24 reviews
Profile Image for Rute Durão.
292 reviews12 followers
June 26, 2026
Mais uma vez, João Pinto Coelho constrói uma história com a precisão histórica a que já nos habituou.

Gostei do amadurecimento da voz narrativa de Franca. Gostei da evolução da história que Franca partilha com a irmã gémea Giullietta. Se o tom começa com a inocência da infância no castelo da Escócia, vai ganhando uma textura muito mais densa e realista ao longo da narrativa, até nos levar ao horror do bloco 10 de Stammlager. Existem momentos avassaladores, quase insuportáveis de ler.

Mas foi já após a narrativa concluída, na história real que João Pinto Coelho escreve, para nos contar como chegou a este livro, que o meu coração desabou. Por mais livros que leia sobre os horrores do Holocausto, nunca serão suficientes. Se todos os horrores do mundo fossem escritos com este comprometimento, a literatura seria o maior refúgio e o maior aliado contra o esquecimento.

Chuva e Aguarela ficarão na minha memória durante muito tempo. Noah e Patience ainda por cá andam. Sou fã da escrita do autor. Como costumo dizer, sou suspeita.
Profile Image for Estela Ladeiro.
248 reviews4 followers
September 20, 2026
O autor regressa ao tema que já me habituou... Segunda Guerra Mundial e Holocausto. Mostra agora este período através da vida de duas irmãs gémeas na Escócia, em Paris, no Estoril e na Polónia.
São duas gémeas num mundo entre a luz e a sombra, na mesma tela.

A história decorre entre 1927 e 1946, começando na Escócia. Esse ambiente de luxo e riqueza surge como o esboço de uma pintura cheia de luz, cor e beleza. Um cenário luminoso que ganha novos tons com o avanço dos acontecimentos.

Paris destaca-se pelo mundo da pintura. Gostei muito de sentir a atmosfera dos pintores e de reconhecer artistas da História da Arte. É uma parte do livro que me agradou em especial.

À medida que a guerra avança, a imagem transforma-se. A pintura perde a luz, as cores originais alteram-se e sobressaem as nuances negras da decadência e do nazismo.

O mundo da arte pincela o contraste com a realidade da guerra. A arte é a liberdade, a beleza e a criação, enquanto à volta se iniciam as pinceladas violentas que destroem tudo o que torna a vida humana digna.

O título diz muito. Uma aguarela vive da água, da luz e das camadas de cor. Aqui também se encontram camadas de beleza, riqueza, sonhos e amor, mas também de culpa, dor e silêncios. As cores misturam-se de forma tão fluida que uma pode ocupar o espaço da outra sem se notar o traço.

A passagem pelo Estoril é um momento importante. Mostra um Portugal neutral e cinzento, uma paleta de tons neutros que serve de refúgio, mas que vive a tensão de quem foge da guerra.

A guerra e o Holocausto surgem de forma dura nas experiências médicas em Auschwitz. É uma parte que exige resistência pela violência dos acontecimentos, mais ainda porque quem lê sabe que o que está por trás da ficção pertence à História do mundo.

Fiel ao estilo do autor, encontramos figuras históricas que ajudam a construir o ambiente real da época. Por exemplo Josef Mengele, o Anjo da Morte, a sombra mais negra e o contraste mais sombrio de Auschwitz.

Gostei dos contrastes que o livro vai criando. Como numa pintura, há zonas de luz e zonas de sombra. É precisamente esse jogo de reflexos que dá grande força ao livro.

É uma história sobre o pior do ser humano, mas também sobre a capacidade de lutar para que a luz da humanidade não se apague.

Recomendo muito!
Profile Image for Maluquinha dos livros.
357 reviews162 followers
August 5, 2026
Se há autores que tenho como obrigatórios, João Pinto Coelho é um. O autor escreve após uma pesquisa rigorosa e, nos seus livros, há um compromisso com a verdade histórica, ou não tivesse ele feito uma longa investigação sobre o Holocausto. É esse conhecimento profundo que me garante que o livro vai ter como base a verdade e as expectativas são sempre elevadas, mas este “Aguarela de Paris” superou-as todas.
A narrativa divide-se em duas partes completamente opostas. Na primeira parte, cheia de luz e esperança, conhecemos as gémeas Franca e Giullietta na fase tranquila da infância, no universo da aristocracia escocesa de 1927. Depois, a narrativa leva-nos a Paris, onde as gémeas adolescentes descobrem o meio boémio, cheias de ideais, de rebeldia e de vontade de conquistar o mundo. De forma sempre muito cuidada, o autor escreve esta primeira parte do livro com beleza, com a magia própria da liberdade. Precisamente pela diferença, o que vem a seguir é ainda mais tremendamente monstruoso: somos transportados para um cenário de guerra e de crueldade desumana, no qual as irmãs são arrastadas para a realidade inimaginável do bloco 10 de Auschwitz. E esta parte do livro é avassaladora, quase insuportável de ler, com vários momentos que me obrigaram a fazer pausas para respirar. Várias vezes tive de fechar o livro, tal era o peso do que acabara de ler. Porque por mais livros que possamos ler sobre o holocausto, nunca será mais fácil. Contrariamente a tantos livros que temos com o título “ qualquer coisa de Auschwitz”, este foi escrito por alguém que passou vinte anos a investigar, que esteve lá, que entrevistou sobreviventes. E é essa verdade que está presente em cada página. Este não é mais um livro sobre o Holocausto. Nele, o autor faz o paralelismo entre o horror de ontem e o horror de hoje, entre o Holocausto e realidade do presente em Gaza e na Ucrânia. Ao escrever esta narrativa tão assente no rigor e nesta memória verdadeira, o livro prova que a literatura pode ser a melhor forma de resistir ao esquecimento, obrigando a um confronto com a verdade histórica e provocando a reflexão de como é tão fácil a História repetir-se. Para mim, é uma leitura obrigatória!
Profile Image for Margarida.
665 reviews16 followers
September 27, 2026
Sempre que leio um livro do holocausto, fico com o coração nas mãos. Eu raramente leio as sinopses dos livros, gosto dos autores ou dos títulos, recomendam-me, ou simplesmente porque tropecei neles. Este foi um dos casos. Não sabia do que se tratava, gosto dos livros do JPC e gostei do título. Os primeiros capítulos nada indicavam do que iria acontecer, até que começaram a aparecer capítulos com datas próximas à IIGuerra Mundial, comecei a temer o pior, nada me preparou para o que se seguiu. Tanta dor, tanto sofrimento. A forma crua com que o autor descreveu tudo, o ambiente, o sofrimento, as intervenções, deixou-me devastada.
Uma excelente leitura e que recomendo muito. Ninguém pode esquecer esta época negra que ensombrou a Europa.
Profile Image for Amélia Coutinho.
40 reviews3 followers
July 4, 2026
Este novo livro de João Pinto coelho é mais uma obra maravilhosa e extremamente bem escrita. Do inicio ap fim é quase impossível parar e deixar p entedo.
Viajando entre o pré e pos guerra, da Escocia a França, portugal e Polonia, é um livro que não deixa ninguém indiferente. O melhor que li este ano
Profile Image for Nadia Mendes.
15 reviews
July 1, 2026
Uma construção de personagens, que nos prende em cada página. Um pouco da nossa História, onde reforça a ideia que o ser humano é capaz do pior (mas também do melhor). Foi o meu primeiro livro do autor e espero repetir.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Joana.
65 reviews
October 5, 2026
Um romance fascinante e doloroso que cruza a beleza da arte com a sombra da guerra e do Holocausto. Muito bom!! Recomendo!
September 16, 2026
Em agosto de 2024, o meu marido e eu integramos um grupo organizado pelo escritor João Pinto Coelho e visitámos Cracóvia, incluindo os campos de Auschwitz e Birkenau. Ficámos hospedados em Kazimierz, o bairro judeu da cidade. Toda a viagem teve como fio condutor a obra do autor, “Perguntem a Sarah Gross”, cujos cenários percorremos em detalhe.

O seu novo romance, Aguarela de Paris, regressa aos campos de extermínio ao acompanhar a história de duas irmãs gémeas judias: Chuva e Aguarela — nomes de um poético e doloroso simbolismo. A narrativa parte de Inverness, na Escócia, viaja até Paris, cruza o Estoril dos espiões e mergulha nas atrocidades e experiências médicas perpetradas por Mengele e pelos seus cúmplices.

Sempre me senti atraída pela cultura judaica e pela resiliência do seu povo, mas sempre me questionei sobre a origem de tanto ódio. Os relatos dos campos de genocídio pareceram-me sempre a representação do próprio inferno: seres humanos a torturarem outros de forma lenta e excruciante. Regressei desta viagem determinada a estudar Judaísmo e Hebraico para tentar compreender este "porquê".

Mesmo antes de conhecer os campos na Polónia, a leitura destas atrocidades já me perturbava. Contudo, após ter pisado aqueles locais, passei a sentir as descrições do João quase na própria pele. Lembro-me de cada canto onde posicionou as suas personagens — os monstros nazis e as suas vítimas — e retive cada explicação e cada pedra que ali vi, uma a uma.

Saber que o João tinha como amigo um israelita com quem conversava em Kazimierz — e que, no 7 de outubro, foi sequestrado, torturado e morto nos túneis de Gaza — deixou-me sem ar. Este homem morreu acreditando no diálogo, na mesma ponte em que o João e eu sempre acreditámos. Ver a insanidade dos campos de extermínio repetir-se em casas de civis e túneis em Gaza, direcionada a israelitas que apoiavam a população palestiniana com trabalho e cuidados de saúde, abalou-me profundamente. No entanto, nada me chocaria mais do que as reações que se seguiram: a inversão da narrativa, a transformação de carrascos em vítimas e o ressurgimento do antissemitismo.

Não sendo judia, defendi e defenderei sempre Israel. Por essa razão, fui ostracizada no trabalho e vi amigos afastarem-se de mim como fantasmas na noite. Hoje compreendo o horror, o preconceito e a ignorância. Percebo também como foi possível haver médicos a torturar judeus nos campos — pessoas cultas, preparadas cientificamente e vinculadas a um juramento de salvar vidas. Vi esse mesmo ódio nos olhos de quase todas as pessoas com quem abordei este tema, a formularem as mesmas acusações de outrora. E nenhuma delas era ignorante.

Obrigada, João, por não deixares apagar esta memória.

Parabéns por este livro inteligente, profundo e repleto de camadas, que se afirma como uma das obras mais marcantes sobre este período. Mantenho a convicção de que João Pinto Coelho é um dos nossos melhores escritores. Não percam a oportunidade de o ler.
Profile Image for Rita Tomás.
732 reviews116 followers
August 27, 2026
4,5⭐
Da opulência de um castelo na Escócia ao horror da França ocupada e dos campos de concentração, João Pinto Coelho apresenta uma história super bem estruturada claramente apoiada numa investigação histórica profunda.

É denso e desenvolve-se lentamente. As personagens são fortes. A carga emocional, especialmente das cenas passadas em Auschwitz-Birkenau, é extremamente elevada.

Foi a minha estreia com o autor e com certeza lerei mais.
Profile Image for Paula.
2 reviews
July 22, 2026
O autor ao longo dos seus livros, consegue levar nos para os sitios, para as situações que escreve. Escreve muito bem, por vezes em demasia, porque acabamos por estar /sentir o que narra. Este livro, em particular, é uma viagem por terras, mas também as vivências das personagens de uma forma quase intima. Gostei. Muito. Mas a carateristica de escrita que acima referi, torna se violenta quando se fala dos campos de concentração e das barbaridades que lá foram feitas... Mas cada livro que escreve consegue ser melhor que o anterior! Consegue dar-nos o melhor do ser humano e o pior. E também relembra ,de forma a não nos esquecermos, a barbaridade que foram os campos de concentração. Aguarela e Chuva... caras da mesma moeda ou não...Adorei o percurso e a diferença.
Profile Image for Joana Gonçalves.
19 reviews1 follower
July 23, 2026
Um novelo que começa verde e tranquilo, se desenrola boémio e acaba desfiado em tons de cinza e dor.
São muitas histórias dentro de uma história: personagens que se mantem mas que mudam tanto como as vidas que lhes tocaram viver. Vemos bem a vida das gémeas a mirrar, a mirrar… até ao desfecho surpreendente.
Isto tudo, como sempre, muito bem escrito e muito bem feito. Parabéns, João!
Profile Image for Patricia Rosado S. Marques.
45 reviews3 followers
August 24, 2026
"Aguarela de Paris", João Pinto Coelho

Com o contexto da Segunda Guerra Mundial como pano de fundo para muitos dos seus livros, João Pinto Coelho leva-nos para as suas histórias através de uma escrita muito cuidada, cheia de detalhes que nos transportam para cada momento vivido pelas suas personagens.

As mulheres são as suas protagonistas e, neste livro, em dose dupla. Duas irmãs gémeas, idênticas nas parecenças e completamente opostas no feitio.

A história acompanha Franca e Giullietta desde a infância, nas Terras Altas da Escócia, passando pela boémia parisiense, pelo veraneio do Estoril, pela hostilidade de Marselha e pelos encantos de África, até aos horrores da guerra e dos campos de concentração, onde enfrentam o pior dos pesadelos, em Auschwitz.

É uma história de sobrevivência, mas também de arte, coragem e resistência, onde o vínculo entre duas irmãs permanece como um dos fios condutores de um romance envolvente e que não queremos parar de ler.

João Pinto Coelho constrói uma narrativa rica em ambientes, personagens e acontecimentos, conduzindo-nos por uma Europa em transformação e por uma história que, à medida que avança, se torna cada vez mais sombria e dolorosa.

Fica a promessa de ler mais livros deste autor português. "Perguntem a Sarah Gross" foi o primeiro livro que li e mantém-se como o favorito até agora.
Profile Image for Graciosa Reis.
579 reviews55 followers
August 20, 2026
Terminei 𝑨𝒈𝒖𝒂𝒓𝒆𝒍𝒂 𝒅𝒆 𝑷𝒂𝒓𝒊𝒔 e confesso que o livro ainda ecoa com imensa força em mim. João Pinto Coelho tem uma escrita poderosa e imersiva, capaz de nos fazer sentir lá dentro, a viver tudo na pele. As acções retratadas no Bloco 10 de Auschwitz são de uma dureza extrema e exigiram-me várias pausas na leitura. Não são fáceis de digerir. É um romance audaz, doloroso e profundamente necessário que superou todas as minhas expectativas.
Eram elevadas as expectativas em relação a este livro. Tão elevadas que o coloquei imediatamente na pilha dos prioritários, como faço sempre que João Pinto Coelho publica um novo livro. O autor já nos habituou a uma escrita cuidada, minuciosa e a um enorme talento na construção da narrativa, assente numa pesquisa rigorosa.

Neste livro, a acção transporta-nos para uma Europa prestes a ruir, dividindo-se de forma avassaladora em dois mundos opostos. Num primeiro, acompanhamos o crescimento e a formação das gémeas, Franca e Giullietta, a partir de Inverness, em 1927, sob a protecção dos muros aristocráticos do castelo da família, na Escócia. É a partir dali que dão o seu grito de emancipação, desaguando na luminosa Paris, nos vibrantes cafés de Montparnasse, onde a boémia artística, a exaltação do belo e a rebeldia juvenil ganham vida na companhia de grandes pintores. É o momento da luz e do fulgor criativo.
Depois, a narrativa sofre uma reviravolta profunda, mergulhando-nos na mais absoluta sombra. O encanto da arte e da liberdade quebra-se para dar lugar à crueldade desumana da guerra, arrastando as irmãs para um abismo de submissão, decadência moral e silêncios sufocantes. Pelo caminho, a passagem por Cascais ganha um peso devastador na trama, revelando uma oportunidade perdida que a rebeldia indomável de uma das gémeas acabou por ditar.

Trata-se de uma história cheia de emoções, construída sobre esse contraste violento entre a liberdade e a opressão. Ao longo da acção, e nos diferentes lugares, vamos encontrando um grande leque de personagens secundárias: muitas fascinantes (por várias razões); algumas muito cruéis, que deixarão marcas profundas na memória dos leitores. João Pinto Coelho sabe construir histórias, sabe surpreender pelas reviravoltas que vai impondo à narrativa, sabe confrontar-nos com o peso da culpa e com os esquecimentos da História. O leitor, seduzido pela escrita poética, pela beleza das descrições e pela trama emotiva, deixa-se conduzir completamente embrenhado, confrontando o horror e a humanidade. Em 𝑨𝒈𝒖𝒂𝒓𝒆𝒍𝒂 𝒅𝒆 𝑷𝒂𝒓𝒊𝒔, a ficção serve a verdade histórica de forma avassaladora.

No fecho do romance, percebemos que aquilo que não é dito pesa tanto quanto o que se revela. A dor das irmãs, a culpa que atravessa a narrativa e a memória que resiste encontram hoje uma inquietante ressonância nas vidas civis suspensas em Gaza e na Ucrânia.
A frase final da Nota do Autor “Alex morreu em Gaza. E eu escrevi este livro”, devolve-nos ao presente com uma clareza devastadora. A ficção, quando nasce deste exercício de rigor, torna-se uma forma de cuidar da memória e de encarar o mundo com preocupação.
Profile Image for Maria Quintinha.
246 reviews5 followers
September 4, 2026
Gosto do que João Pinto Coelho escreve. Sei que vou querer sempre ler a página seguinte, e depois outra. O mesmo aconteceu com esta aguarela.
Se histórias com o Holocausto não são já novidade. penso que para não apagar a memória, não são demais. Deste e de outros holocaustos que vemos passar nos nossos olhos e consciências. Espanto-me sempre com a capacidade de crueldade, de falta de empatia, de valores humanitários, de que somos, como humanos, capazes de perpetrar.
Quando estive em Auschwitz e Birkenau, fiquei um pouco irritada com a visita "sempre a andar". Compreendo que é muita gente, ainda, a querer visitar o que foi o maior campo de exterminio. Eu precisava de mais tempo. De ficar a ouvir o silêncio, de ficar a ouvir os nomes que vão sendo pronunciados no túnel de acesso, de assimilar o propósito de cada pavilhão, de visualisar a rampa de Birkenau e o caminho até às câmaras de gás, de tentar ver o que significava os muitos km das idas e regressos do trabalho dos muitos escravos que se alojavam naquele imenso, imenso espaço. Sentir o sofrimento e a resistência.
145 reviews4 followers
July 24, 2026
Saltei do primeiro livro de João Pinto Coelho ("Perguntem a Sarah Gross") para este, que é o mais recente. Falta-me conhecer uns quantos que escreveu pelo meio.
Foi mais uma bela viagem pelas palavras utilizadas pelo autor, ou pela forma, tão bem conseguida, como as arruma. A viagem conhece cenários muito diversos, muitos deles luxuosos, boémios, encantadores, outros virão que são o oposto, que são cenários de terror. Mas, por todos eles, o autor nos leva com a tal beleza das palavras que usa e do que com elas nos faz ver. Cada leitor olhará para coisas diferentes, talvez.
Há duas gémeas, há ruas de Paris a fervilhar de cultura e há a guerra.
Há muito mais.
Profile Image for Bruno Paula.
30 reviews14 followers
July 21, 2026
O autor, escritor português do qual mais aguardo a obra seguinte, diz no final do livro, na Nota de Autor: "Nunca escrevi por causa do Holocausto, dos judeus, das Testemunhas de Jeová, dos ciganos, dos homossexuais e de todas as outras vítimas da política eliminacionista do Terceiro Reich. Sempre o fiz por causa do Homem e dessa possibilidade universal de nos transformarmos em monstros."
E esta frase é tão actual, quando ao mesmo tempo que lemos o livro, vemos nas notícias as vítimas de outrora a tornarem-se monstros de agora!
Profile Image for Ana  Nabais.
274 reviews6 followers
August 14, 2026
Confesso que este foi um livro que doeu a ler, a primeira parte li rapidamente, a escrita do João tem esse efeito de nos prender , mas a parte final foi lida a conta gotas, não porque a escrita não fosse tão boa mas porque tive de fazer várias paragens para acalmar, os relatos vivídos de tanta dor e crueldade a isso me obrigaram.
Profile Image for Susana.
157 reviews13 followers
July 15, 2026
mais uma vez, o João não desiludiu e entregou uma história sublime, no meio da crueldade do holocausto.
adorei ter conhecido estas gémeas, tão diferentes mas com a mesma coragem e preserverança.
Displaying 1 - 24 of 24 reviews