«Durante décadas, os fundos europeus foram apresentados como motor de convergência, modernização e prosperidade. Nuno Palma, historiador económico com experiência Internacional e atento observador do caso português, defende o contrário: criaram dependência, distorceram prioridades, premiaram a má governação e travaram reformas decisivas. Portugal é um exemplo-laboratório deste vício: milhares de milhões em investimento, estradas e programas, que coexistem com estagnação e divergência face à Europa. Com dados, estudos científicos e exemplos concretos colhidos em vários Estados-membros da União Europeia, este livro desmonta um dos maiores dogmas da integração europeia e lança uma pergunta incómoda: e se o dinheiro de Bruxelas for parte do problema, e não da solução?»
Professor of Economics at the Department of Economics and the Director of the Arthur Lewis Lab for Comparative Development, University of Manchester. Research Fellow at CEPR, London.
Trata-se de um aprofundamento da tese que emerge do livro anterior do autor (As Causas do Atraso Português), aqui tratada em profundidade, com exemplos concretos e adequada densificação intelectual. A tese é solida, urgente e deveras preocupante. Como tal, a minha classificação prende-se essencialmente com aspetos formais, nomeadamente: a gestão das notas é desastrosa e dificulta a fluidez da leitura e construção de argumentos (várias notas constituem digressões argumentativas que deveriam constar do texto principal, outras meramente repetem coisas que foram ditas noutras passagens do texto principal, resultando em repetições desnecessárias); a impressão global é de que o livro foi construído a partir da junção de vários artigos de investigação separados, o que não seria um problema se estes tivessem sido mais harmoniosamente combinados e depurados de alguns maneirismos académicos; e esta é picuice minha, mas aqui e ali nota-se que o texto foi traduzido do inglês com opções de tradução mal-conseguidas, nomeadamente expressões idiomáticas traduzidas literalmente e escolhas vocabulares desajustadas. Ainda assim, é um ótimo contributo para um debate cada vez mais urgente.
O conteúdo deste livro é inestimável, mas muito preocupante. Porque sim, Nuno Palma evidencia os factos necessários e suficientes para concluirmos sobre a perversidade dos fundos europeus, com a cumplicidade dos partidos políticos portugueses e, também, dos diversos organismos da União Europeia. Já na forma, o livro é por vezes um pouco repetitivo. Mas pior que tudo é o facto de as notas do autor estarem no fim do livro, o que nos leva a um contínuo andar do texto para as notas, com evidente prejuízo na fluidez da leitura.