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O Forno

Inédito em língua portuguesa. Uma das narrativas mais importantes da literatura queer soviética. Tradução direta do russo por Yuri Martins de Oliveira.

Moscou, 1969. Amar outro homem era crime. É nesse cenário que Evguéni Kharitónov escreve O forno, uma das obras primas da literatura queer soviética, que chega ao Brasil pela primeira vez.

O conto acompanha o encontro do narrador com Micha, jovem cuja presença desperta desejo, inquietação e um constante estado de alerta. Em pequenos gestos e aproximações calculadas, Kharitónov constrói um fluxo de consciência intenso, em que cada pausa e silêncio revelam mais do que as palavras. Frequentemente comparado a Morte em Veneza, de Thomas Mann, o texto transita entre a tradição literária dos códigos sociais e o território underground soviético, onde desejo e dissimulação caminham juntos.

Impedido de publicar oficialmente, o autor fez circular seus escritos em cópias datilografadas que passavam de mão em mão. Sua obra só seria reconhecida após sua morte, em 1981. Mais do que uma história de amor, O forno é um testemunho da resistência artística em tempos autoritários.

Se Maurice, de E. M. Forster, e Morte em Veneza, de Thomas Mann, estão entre as suas leituras favoritas, O forno é o seu próximo livro.

87 pages, Kindle Edition

First published January 1, 1979

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Yevgeny Kharitonov

2 books4 followers

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Pedro.
7 reviews
June 15, 2026
It’s important to consider the historical context in which it was written: the Soviet Union, during a period of oppression against LGBTQIAP+ people. Although the story is simple, I believe many readers who have had to hide their identity, myself included, may recognize themselves in the protagonist’s thoughts. At its core, it is a love story about concealment, desire, and the fear of being seen.
Profile Image for Rômulo Severo.
39 reviews
July 8, 2026
Conto lgbt russo, mais interessante pela história por trás do autor do que pelo conteúdo, ainda assim uma obra interessante para o universo lgbt
Profile Image for Isabel De.
16 reviews1 follower
June 15, 2026
A melhor parte é ler o posfácio e ver como o contexto da vida de kharitonov se reflete na obra. Nunca tinha lido um livro com uma escrita parecida, característica do período e lugar que foi produzida, e achei bem interessante. N é tão fácil de acompanhar, mas faz a história parecer muito mais íntima. O narrador pensar tanto antes de qualquer ação traz uma grande identificação e me fez sentir uma certa amizade por ele, mesmo sem nem saber o nome dele. Gostei bastante e, apesar de curto, trouxe bastante conhecimento acerca da homossexualidade na URSS, um tema pouco discutido.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Peu .
8 reviews
September 13, 2026
"O forno” é uma experiência de leitura maravilhosa. O fluxo de consciência e o discurso indireto livre são usados com uma habilidade que torna o conto cada vez mais intrigante. O título é curioso: o forno quase não aparece, só num momento em que o narrador lembra que uma torta está pronta. Poderia sugerir aconchego e lar, mas acho que remete a tempo, preparo, cozimento. O narrador passa o conto todo fazendo pequenos gestos e pequenas falas para se aproximar de Micha, num contexto soviético em que a homossexualidade era crime. Ele não pode declarar o interesse, e é nessas nuances que o texto brilha. A insegurança dele é a de qualquer apaixonado, dividido entre a vontade avassaladora de se declarar e o medo da rejeição, só que aqui esse medo vem somado ao risco de ser criminalizado. Uma hesitação dupla. No fim, o verão acaba, o cozimento fica pronto, e talvez não seja o que a gente queria comer. Leitura excelente.
Profile Image for Andre Bezerra.
16 reviews
July 28, 2026
Conto queer clandestino escrito em 69, plena URSS, sob a Lei que criminalizava a homossexualidade masculina. Denúncia podia significar invasão de domicílio, confisco de manuscritos, prisão. Escrever sobre desejo entre homens, ali, era em si um ato de resistência. Que coragem.

A escrita acompanha essa clandestinidade, esse receio: fluxo de consciência, gestos calculados ao milímetro, um narrador que se aproxima de Micha e recua o tempo todo, sem nunca se entregar de vez. Fica claro o preço de não poder dizer “as coisas” diretamente.

Preciso ler Morte em Veneza na sequência.
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