Jump to ratings and reviews
Rate this book

Judith Teixeira: Poesia e Prosa

Rate this book
Apesar de Fernando Pessoa ter declarado, em carta de 1924, que Judith Teixeira não tinha «lugar, abstrata e absolutamente falando», o facto é que conservou até à morte um exemplar da revista Europa por ela dirigida. Será então correto afirmar que as mulheres não tiveram qualquer lugar de protagonismo no momento de rutura e transgressão que foi o modernismo português? E, se o tiveram, porque é que foram esquecidas? Chegou a altura de reler Judith Teixeira sem preconceitos. Nascida tal como Pessoa em 1888, e contemporânea de Florbela Espanca, outra mulher a quem quiseram aplicar o rótulo de «poetisa», Judith Teixeira rompeu corajosamente com o padrão do silenciamento das mulheres no contexto do Portugal das années folles, para se tornar um sujeito ativo, que desvendou o corpo feminino sem pejo.

Esta nova edição traz a lume cerca de vinte poemas desconhecidos e uma conferência inédita, além de reunir as cinco obras de poesia e prosa que Judith Teixeira publicou em vida. No seu conjunto, o presente volume permite-nos situar devidamente esta escritora no lugar que lhe pertence por direito próprio, ou seja, em plena vanguarda modernista.

376 pages, Paperback

First published March 1, 2015

Loading...
Loading...

About the author

Judith Teixeira

12 books16 followers
Judith Teixeira (1888-1959) alcançou notoriedade em Março de 1923 no seguimento da publicação da sua primeira coletânea de poesia, Decadência, quando foi alvo de uma polémica sobre a (i)moralidade da arte, a qual envolveu também António Botto e Raul Leal. Antes disso, Judith já havia publicado em vários jornais, sob o pseudónimo de Lena de Valois, e contribuído para a Contemporânea, conceituada revista modernista. Apesar do escândalo, publicou mais dois livros de poesia, Castelo de Sombras (1923) e Nua. Poemas de Bizâncio (1926), e duas novelas publicadas sob título de Satânia (1927). Caso altamente invulgar para uma mulher desse período, Judith foi diretora da revista Europa em 1925 e escreveu uma palestra, intitulada De mim. Em que se explicam as minhas razões sobre a Vida, sobre a Estética, sobre a Moral (1926), provavelmente o único manifesto artístico modernista de autoria feminina no início do século XX em Portugal. Morreu quase desconhecida e permaneceu injustamente expurgada da memória coletiva e da história literária até recentemente, seguramente por causa do subtexto lésbico presente em vários dos seus poemas.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
10 (35%)
4 stars
12 (42%)
3 stars
6 (21%)
2 stars
0 (0%)
1 star
0 (0%)
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
819 reviews161 followers
December 29, 2022
Relido. Gostei muito mais das novelas Satânia na segunda leitura.
A poesia é uma porta para um mundo mágico e corpóreo de mulheres intensas.
Judith Teixeira merece muito ser lida.
Profile Image for Marta Clemente.
776 reviews20 followers
February 6, 2024
Que bom que foi conhecer Judith Teixeira e a sua escrita!
Esta edição tráz-nos cerca de vinte poemas desconhecidos e uma conferência inédita excelente. Além disso reune as cinco obras de poesia e prosa que Judith Teixeira publicou em vida. A prosa é ela também muito poética e todo este livro é muito bem escrito!
Uma mulher muito à frente no seu tempo!
Profile Image for Rodrigo Ferrão.
Author 1 book17 followers
September 1, 2015
Este livro é muito importante para enquadrar o modernismo português.
Judith, a par de Florbela Espanca, rompe com uma certa tradição masculina na escrita, nos inícios do século XX.
A sua escrita revela anseios, medos, o corpo feminino (sem pudores), numa clara transgressão aos valores e dogmas da altura.
A ler.
Profile Image for John.
243 reviews
January 14, 2026
(descansa em paz judith terias adorado sylvia plath etc.)

Estranho país este, em que o raro talento se rarifica, e o reconhecimento se quer no singular: um nome de cada vez. Judit[h/e] é a escritora importante do cânone, produto do seu momento e daquele que se ia formando, e que pelos ruins costumes se foi atrasando, no comum contrário dos feitios. Prova-o a obra consolidada dos seus trabalhos, com ênfase na poesia romântica, decadente, apoiada de tema e estilo pelos contos e, talvez mais interessantemente, pelos discursos sobre a [sua] visão artística. Activa, inspirada, anti-sentimental – acto reflexivo pela biografia que se lhe atribui, e à qual é desnecessariamente reduzida, retrato enfim de uma mulher que escreve num mundo que não é o seu, sobre aquele que é.

A importância da sua prosa, bem espelhada nesta colectânea, transcende a mera implicação tabuística das imagens e pensamentos que explora, e que parecem constituir (injustamente) o seu único atributo. Judith não escreve o interdito, escreve aquilo que outros interditaram – noção que explicando, não justifica a relativa obscuridade a que a sua obra foi acometida, dificultando-lhe o reconhecimento a que pela voz lúcida e honesta, com laivos de Eça, tem direito.

É, acima de tudo, uma escritora de convicção e coragem que, apesar do colosso a que deu luta (a saudade), emerge victoriosa pela sinceridade dos seus retratos, o modernismo português a que deu extensão, o enorme número de preceitos que rasga, pela verdade mais do que pelo sensacionalismo, pela inevitabilidade da paixão que representa.

A ler e lembrar, e mais: incluir.
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews86 followers
January 2, 2017
"As rosas vão tombando lentamente,
devagar,
sobre a carícia dormente
e embruxada…
dos espásmicos beijos do luar...
Oiço a tua voz
em toda a parte!
E perco-me dentro dos meus próprios braços,
tumultuosos e exigentes,
a procurar-te"!
32 reviews3 followers
April 27, 2017
A great Portuguese modernist poetess. A controversial figure in the 1920's in Lisbon, Judith Teixeira took the poetics and love imaginary of Florbela Espanca to the limits of decadence.
Displaying 1 - 6 of 6 reviews