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O Japão no Feminino II - Haiku - Séculos. XVII a XX

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O «Haiku nem é feminino nem masculino», diz Tsuji Momoko num volume de 1997, concluindo que «tudo o que temos são poemas líricos e poemas de humor em forma de haiku». Esta apreciação, vinda de uma mulher poeta nascida em 1945, condensa perfeitamente o que é, no Japão moderno, o pensamento feminino face à velha forma tradicional.
Nas vinte autoras presentes nesta antologia podemos acompanhar o percurso do haiku, sobretudo a nível temático e vocabular, desde o século XVII até ao final do século XX, na transição para o XXI, já que alguns títulos das poetisas presentes datam de 2000 e 2001. Atravessamos assim um Japão quase feudal, um Japão faminto e derrotado, após a Segunda Guerra, e um Japão actual, próspero e ocidentalizado, cuja poesia continua a entrelaçar o mundo humano e o da natureza, conjugando o tradicional e o contemporâneo.

144 pages, Unknown Binding

First published January 1, 2007

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17 people want to read

About the author

Luísa Freire

15 books3 followers
Luísa Freire nasceu em 1933, em Castelo Branco. Completou a licenciatura em Filologia Germânica em 1958, em Coimbra; mestrado em Literaturas Comparadas em 1994, na FCSH. Foi professora do Ensino Secundário em Elvas e Lisboa; orientadora dos Estágios Pedagógicos na Escola Superior de Educação de Portalegre e trabalhou no Ministério da Educação (DREL). Aposentou-se em 1995. Entre 1991 e 2010 foi membro do Instituto de Estudos sobre o Modernismo da FCSH e, nessa qualidade, dedicou-se à investigação da obra pessoana, sobretudo no campo da sua poesia inglesa, que publicou e traduziu. É autora de poesia, de ensaio e de tradução. Tem artigos e poemas editados em antologias, revistas e jornais.

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Paula  Abreu Silva.
389 reviews114 followers
November 9, 2020
Será uma nuvem
ou um véu a esconder
o rosto da lua?
- Den Sutejo


Batendo nas folhas
e quebrando-as em bocados -
aí vem o frio.
- Shiba Sonome


Perdida nos bosques -
apenas um som de folha
cai no meu chapéu.
- Tagami Kikusha


Biblioteca em fim de dia -
os gnomos saem dos livros,
brincam na penumbra.
- Takeshita Shizunojo


Cigarras da tarde -
rostos que passam e cruzam
sem dizer palavra.
- Ishibashi Hideno


Eis a erva morta -
a vida a jazer dormente
no rosto da terra.
- Inahata Teiko


Com o som das ondas
chegando à ponta dos pés,
recosto-me na cadeira.
- Katayama Yumiko
Profile Image for Isabel.
313 reviews46 followers
April 20, 2016
P. 24 - "Para estarmos certos
de que o Outono chegou,
uma folha cai."

P. 43 - "Um dente-de-leão
interrompendo por vezes
o sonho da borboleta."
Profile Image for Sara.
223 reviews27 followers
July 14, 2024
It is important to get to know women authors, and it was fascinating to dive into the haikuu world. It does allow one to know Japan daily life through the lens of a woman, over 400 years. A book to revisit for sure.
Profile Image for Rodrigo Ferrão.
Author 1 book17 followers
November 19, 2015
Este volume não me encantou tanto como o primeiro. De qualquer forma, parece-me essencial lê-lo para compreender a poesia feminina Japonesa desde o século XVII até ao XX.

A introdução deste livro da Assírio (organizado por Luísa Freire) inicia-se com estas palavras: "O «Haiku nem é feminino nem masculino», diz Tsuji Momoko num volume de 1997, concluindo que «tudo o que temos são poemas líricos e poemas de humor em forma de haiku». Esta apreciação, vinda de uma mulher poeta nascida em 1945, condensa perfeitamente o que é, no Japão moderno, o pensamento feminino face à velha forma tradicional."

Um estudo de R. H. Blyth apura esta definição, dizendo: «Haiku is the creation of things that already exist in their own right, but need the poet so that they may "come to the full stature of a man". [...] Haiku shows us what we knew all the time, but did not know we knew; it show us that we are poets in so far as we live at all.»

"De tudo isto se conclui que o haiku, mais do que poesia, é uma atitude mental; mais do que criação, é um processo de descoberto aprendido em cada dia, aprendido em cada coisa, repetido em cada circunstância; é a fusão do directo, do prático e do espiritual, quase a expressão de um satori, fruto de um momento privilegiado e daí ser considerado uma experiência poética e religiosa. Ao contrário da poesia ocidental, o haiku não pretende tocar o grande, o eterno ou o infinito distante, mas só o pequeno, o imediato, o ínfimo infinito que os olhos contemplam, ali mesmo, ao alcance da mão."

Mitsuhashi Takajo (1899-1972), que afirma «Escrever um haiku é como tirar uma crosta. Ao fazê-lo provamos que estamos vivas.»

"Ali o balão
insuflado de tristeza,
subindo no ar.

O tronco curvado,
depois que a hera morreu,
inexplicavelmente.

Começo de Inverno -
árvores, vivas e mortas,
já não se distinguem.

Pelo gelo fino
minha sombra a deslizar
até que mergulha."
Profile Image for Gonçalo Ferreira.
287 reviews11 followers
January 3, 2025
Makoto Ueda (…) refere que, no geral, pode dizer-se que as mulheres excederam os homens no que a poetisa Tsuji Momoko chamou de «haiku lírico», e acrescenta: «Female poets tend to use the conventions of haiku for the carefully wrought expression of spontaneous emotion. Whee men tend to step back and observe, women, in general more persistently serious, often do not so; sportiveness and humour are not leading concerns.»”
Luísa Freire in Introdução de “O Japão no Feminino - II – Haiku: Séculos XVII a XX
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