Este foi, de todos os romances de José Rodrigues dos Santos, aquele que mais puxou por mim e me fez pôr em causa mais certezas que pensava ter sobre a existência e o próprio universo.. Defintivamente, não seria o livro que aconselharia a alguém que nunca tivesse lido um romance do autor. Mas é, ainda assim, a meu ver, um dos livros mais bem conseguidos do autor e acredito que tenha sido aquele que também mais trabalho lhe deu. Um desafio levado a cabo com sucesso, que demonstra muito trabalho, muito empenho, muita entrega, muita dedicação e muito gosto por parte de José Rodrigues dos Santos. Mantendo o seu registo simplificado, esta foi realmente a forma mas simples e clara de expor e explicar teoras que, por natureza são complicadas.
Há uma questão que me parece ficar por explicar, pelo menos para aquelas pessoas com menos formação académica, e menos à vontade na área da Física: em que é que a vda após a morte e a Física Quântica se tocam? Qual é a relação entre estas duas realidades? O que tem a ver a realidade de uma experência quase morte com a omnipresença das partículas e ainda com a teoria de que a conscência cria parcialmente a realidade, tendo em conta que, dependendo da observação, um átomo pode ser onda ou partícula? A vida depois da morte, que é usada como uma espécie de slogan do livro é, aparentemente, abandonada, a certa altura, para dar lugar às teorias de Física Quântica. É certo que está tudo relacionado, mas essa relação é apresentada de forma muito ténue, de modo que me parece passar despercebida a um leitor menos atento. Na verdade, o facto das experiências levadas a cabo terem demonstrado que a consciência cria parcialmente a realidade e que a mesma pode deslocar-se para o futuro e para o passado, podendo sobreviver à própria morte, leva, inevitavelmente ao tema da vida depois da morte. Mas a ligação parece ficar um pouco ténue no romance. Acredito que alguns leitores, menos dados a questões de Física , se tenham perguntado muitas vezes, o que tinham aquelas questões de Física Quântica a ver com a vida após a morte. Eu própria tive uma certa dificuldade em ver a ligação.
A história de fio condutor, ou seja, a história ficcional tem as suas falhas, mas que considero próprias e típicas dos romances de acção. Quem se iria pôr a divagar calmamente por teorias de Física Quântica quando estava em risco de ser apanhado pela CIA? Várias vezes me interroguei sobre isso ao longo do romance. Mas a verdade é que aquela era a forma da informação nos ser passada. Outra coisa, também típica dos romances de acção é uma certa incongruência temporal. Acontece muito a seguinte situação este romance não foi excepção: duas pessoas estão escondidas, porque podem ser apanhadas (seja pela polícia, seja por potenciais assassinos, etc...) e conversam sobre qualquer assunto. Entretanto, sabemos que quem as vai capturar já entrou no prédio e está a subir as escadas. E voltamos à conversa delas que parece demasiado longa, quando supostamente acontece no pequeno espaço de tempo entre o momento em que o captor entra no prédio e o momento em que chega a elas. Seria impossível terem tal conversa tão longa nesse espaço de tempo, supostamente tão curto. Mas mais uma vez, é a única forma da informação ser passada. Neste romance, em particular, destaco o facto de em 11 minutos se preparar um helicópetro, embarcar, lenvantar voo e ir parar ao outro lado de Washington. Mas são mesmo situações típicas de um romance de acção.
Algo que caracteriza este autor e o destingue de todos os outros é a sua forma de transmitr informação verdadeira através de uma aparentemente simples história de acção. Já ouvi várias pessoas opinarem que toda aquela informação se encontra em livros específicos, tratados sobre cência, etc... Mas será que está explicada com aquela clareza? E será que , sem a história de entretenimento a puxar, metade das pessoas que a lêem iriam lê-la? É desse modo que considero muito importante a história de acção, com as peripécias do Tomás Noronha. Não teria grande sentido aquela hstória por si só. Seria mais uma smples história de acção, não fosse a grande quantidade de informação que nos transmite através dos diálogos entre as personagens. Daí , acho que as duas se completam numa simbiose perfeita. Provavelmente, se toda aquela história de acção, embora seja engraçada, não transmitisse conhecimentos verdadeiros, não a iria ler... Ou poderia ler uma aventura do nosso Tomás, numa ideia de entretnimento, mas certamente não teria já lido 7. Também confesso que dificilmente teria ido ler aquela informação em tratados centíficos sobre a matéria. Talvez lesse 1 ou 2 artigos sobre um dos temas.... Mas, mais uma vez, certamente não teria lido sobre todos eles. Demorei-me mais na leitura também porque me dei ao trabalho de ir pesquisar sobre as teorias que são apresentadas no romance, como a experiência da dupla fenda, a equação de Shordinger e outras. Posso garantir que nenhuma delas é ficção.
Por tudo isto, pelo enorme trabalho que o autor teve que ter para levar a cabo este livro, e pela forte identificação que sinto com a sua escrita, que me faz nutrir por ele um enorme carinho e respeito, este romance levaria 6 estrelas se isso fosse possível. Se recomendo? Não sei. Primeiro porque não gosto de recomendar livros a ninguém, na medida em que sou de opinião de que são coisas de gosto muito pessoal. Segundo porque é um livro em que me parece que muitas pessoas terão dificuldade em perceber certas teorias. Por último, porque, como já referi, nunca seria de todos os livros do autor, aquele que eu indicaria fosse quem fosse, a uma pessoa que nunca tivesse lido nenhum outro livro do autor.
Um autor a quem sinto que devo muito, por tudo o que tenho aprendido através dos seus romances :) . Quem me conhece sabe como a escrita deste autor me fascina. Acho que não seria a mesma pessoa sem estes seus 13 romances que já li :) ... Seria, sem qualquer problema em afirmar, um pouco mais pobre. E aqui ficam, por todos os motivos e mais alguns, as minhas bem merecidas 5 estrelas.