Com a entrada da União Soviética na Hungria, em 1956, Írisz foge de Budapeste, deixando para trás a mãe doente e um passado cheio de lacunas. Quando chega a São Paulo para estudar as orquídeas, essa mulher singular e indecifrável logo encanta Martim, diretor do Jardim Botânico.Agora que Írisz desapareceu, ele terá de preencher seu vazio com os relatórios nada ortodoxos deixados por ela, que transitam entre as particularidades da língua húngara, a crise da utopia comunista, memórias pessoais e algumas observações — bastante inusitadas — sobre as orquídeas. Com o trabalho meticuloso da palavra que lhe é característico, Noemi Jaffe oferece uma trama rica e envolvente, que investiga os limites da ideologia e as agruras do amor.
Nasceu em São Paulo, em 1962. Doutorou-se em literatura brasileira pela USP, e atualmente é professora da PUC-SP. Crítica literária do jornal Folha de S.Paulo desde 2006, é autora, entre outros livros, de Todas as coisas pequenas (Hedra, 2005) e Quando nada está acontecendo (Martins Fontes, 2011). É também organizadora da antologia de poemas de Arnaldo Antunes (Global, 2010). Blog: nadaestaacontecendo.blogspot.com.br
Esse livro é uma preciosidade. Literatura da mais alta qualidade. Personagens densos, complexos, contraditórios. Os temas são tratados com abordagem sofisticada do ponto de vista filosófico e psíquico. A história é boa, bonita e sedutora.
peguei esse livro por causa da capa bonita. depois, quando comecei a ler, fiquei muito admirada que mais de uma pessoa no brasil tinha resolvido escrever sobre "nossa mas que DOIDEIRA é o húngaro!!!" mas diferente de Budapeste do Chico Buarque esse livro não tem uma trama tão mirabolante. parece às vezes que nada acontece, é meio reflexivo, meio epistolar, bem bonito no geral. muito bom de se ler aos pouquinhos mas também muito ruim porque agora já estou com saudade da voz da irisz e do martim na minha cabeça
"nos intervalos da lembrança e do esquecimento, ainda pipocam coisas a que as pessoas deram nomes como alegria, saudade, tristeza, angústia e todos os seus derivados, incluindo o amor, um movimento atrapalhado que embaralha os outros e que faz confundirem o que se lembra e o que se esquece."
Brazilian novel centers on a Hungarian Cold War exile
The narrator of this novel fled her native Hungary to escape the Soviet takeover. She works with orchids in São Paolo while thinking about her lover and ailing mother, both left behind. The writer, Ms. Jaffe, approaches her subject by staying in the mind of the lead character. Her ruminations are put forward via superficial botanical observations re. orchids. This style was unappealing to me. Most often I was wishing for a more straightforward manner of storytelling.
A condição de exilado, a desilusão com uma ideologia, a sobrevivência através de metáforas - esse é meu jeito de resumir esse livro maravilhoso. Através das flores e das comidas, dos doces húngaros, Írisz sobrevive, busca forças para compreender os acontecimentos políticos de seu país, as atitudes tomadas pelo seu grande amor... As comparações entre o português e o húngaro são tão curiosas e interessantes, até onomatopeias são levadas em conta. Cada parágrafo é valioso, cada metáfora construída é linda, profunda e nos leva à uma reflexão sincera e profunda sobre a vida.