No trabalho de Shiko, o termo “lavagem” vai além de ser uma mera comida dos porcos ou o cardápio da janta que se prepara naquela noite no casebre. A Lavagem da alma pode ser tanto num banho de sangue, nas águas da maré alta ou no abandono de uma vida atolada no terreno úmido do manguezais.
Shiko is one of my favorite Brazilian authors, so as soon as this book arrived, I dove right in. It tells a powerful story about misguided faith, exploring how religion can twist people's minds and drive them to commit horrific acts. It feels like a sharp critique of how belief systems can be weaponized, exposing the darker side of organized religion.
The narrative is raw, brutal even, and doesn't shy away from critiquing traditional gender roles through the lens of religious doctrine. Shiko's artwork, as always, is stunning—capturing the intensity and emotion of the story with incredible detail.
As much as I loved it, something about the story left me feeling unfulfilled. It felt like a piece was missing, as though the narrative wasn't fully complete.
That said, it's still a book you absolutely have to read.
Este livro é estranho, mas é um estranho positivo. Os desenhos são muito bons, a história é curiosa, mas, para mim, um pouco confusa. É daqueles livros que ainda deixa a pensar se o que aconteceu é real ou se é tudo fantasia da protagonista. Não sei se percebi totalmente, mas olhem, gostei.
Segundo: odeio dar estrela para HQ porque eu não me sinto pronto. é um treco tão complexo que eu sempre acho que tô fazendo besteira.
Mas vamos à história que disso eu entendo mais. É um conto simples, porém muito poderoso. De uma vez só a gente vê questionamentos sobre casamento, religião e humanidade, de um jeito bem coerente e muito moderno. Se eu não fosse brasileiro, essa HQ teria me dado uma vertente fiel de um dos Brasis que a gente vê dentro do nosso país. A cara de periferia e a presença da "palavra de Deus" em várias referências ao longo da história foram muito bem feitas. Me parece que essa história cumpriu o que ela se propôs a ser. Eu só queria que fosse mais longa. Acho que esse cenário rendia mais chão pela frente.
Graphic novel curtinha, mas com uma narrativa instigante e ilustrações incríveis, que impressionam pela técnica do autor, pelo nível de detalhes e pela beleza em si. Embora a temática seja meio obscura e mórbida, este é um dos graphic novels mais bonitos que já li!
Tudo começou com um curta-metragem (que pode ser assistido em https://vimeo.com/156740563) lançado em 2011, pelo multifacetado paraibano Shiko. Em 2015, “Lavagem” ganha sua aguardada adaptação para os quadrinhos em edição luxuosa da Editora Mino. A crítica é visceral e tem como alvo o pseudofanatismo religioso e a hipocrisia abjeta daqueles que se aproveitam da fraqueza dos fiéis.
Isolados no mangue, a jovem esposa religiosa e o marido tosco levam uma vida amplamente miserável. Ela se ocupa dos afazeres domésticos e diariamente toma a balsa para ir à igreja. A fé não a inibe de manter um longo caso extraconjugal. Ele, um brutamontes descrente, cria porcos que merecem sua integral atenção. Ao final do dia, ambos se reúnem no barraco para jantar e serem zumbificados pela TV. Certa noite, bate à porta um inoportuno pastor que perdeu a última embarcação, pede pousada e, intempestivamente, despeja na mesa da cozinha versículos decorados. Advém o caos, uma avalanche de consequências extremadas, mas plausíveis e previsíveis.
O traço do autor é fenomenal. Em preto e branco, compõe sua obra com imagens em alto contraste e, pontualmente, usa a aquarela para criar tons de cinza em sombras e movimento. A narrativa poderia ser apenas o storyboard do filme, mas vai além. Tem identidade própria e algumas alterações que, a meu ver, amenizaram demais a essência da história. A sutileza de Shiko ao agregar passagens bíblicas em ações dos personagens contrasta com hipérboles visuais em outros feitos. É uma HQ de terror, mas com altas doses de hiper-realismo. O sobrenatural é apenas sugerido, sendo mesclado com situações mundanas que se impõem com autoridade. Repleto de simbologias e referências, amplia a dimensão para quem fizer uma leitura mais atenta, especialmente em relação às eloquentes ilustrações. O filme “Poltergeist” e a obra “Divina Comédia”, de Dante Alighieri, são as mais óbvias relações num roteiro carregado de crescente tensão.
Recomendo assistir ao filme antes de ler a HQ, mas o inverso também funciona bem.
Este presente veio de maneira tão inesperada de uma pessoa tão querida que é meio difícil ser objetivo. Eu deixo minhas cinco estrelas aqui em uma história que espero que realmente seja tão incrível quanto a sensação que me casou ao ganhá-la.
O tipo de leitura que tem duração curta mas que consegue impactar tanto quanto uma história longa. Traços incríveis que parecem alternar entre aquarela e nanquim. Adorei!!
Conecta simbolicamente todos os pontos. Faz pensar bastante sobre como nossa visão do que está externo, seja o que for, tá tão ligada ao nosso mundo interior; como as coisas que a gente costuma dar credibilidade e vazão na nossa vida vão acabar se manifestando nos oferecendo caminhos claros que cabe a nós escolhermos seguir ou não, quando não houver mais espaço pra adesão a expectativas externas, quando com o que se estiver de cara for a morte. Entendi que não existem escolhas naturalmente boas ou ruins, que não se entende o outro, e nem nós mesmos, só pela observação, mas pela busca da análise das forças que estiverem em jogo.
Curto muito o estilo ligeiro de Shiko e suas escolhas de enquadramento, ainda mais quando a narrativa trata de um microcosmo regional. Lavagem é rápida, pontual, bruta: um recorte psicológico daquilo que move um ser humano da apatia à eclosão. O formato capa dura e qualidade gráfica da edição são excelentes.
Que novela linda, uma das minhas primeiras compras e primeiro grafic novel desse ano. Traços lindos, chamativos e intensos. As abordagens desde a religião e fé até a luxúrias e pobreza são abordados tão sutil e grotescamente. Pena que é curta, mas vale releer e reparar nos gráficos tal detalhados, virei fã de shiko, providenciando novas leituras com ele. Vi em uns comentários que tem um curta que foi criado antes do livro em 2011 vi só o começo e achei fenômenal, vale a pena como complemento da obra. https://vimeo.com/156740563
Eu estraguei a experiência de Lavagem. Tinha visto resenhas - com spoilers - e achei que mesmo assim seria uma leitura seria incrível. Não que não tenha sido, mas eu sabia de alguma forma como as coisas se encaminhariam e quais as possíveis interpretações. Mas de qualquer forma, é uma história bem feita, seja no desenho ou roteiro.
Shiko é um dos maiores quadrinistas brasileiros. Duas das melhores HQs que li esse ano são dele.
Polissêmico e complexo como soem ser as memórias - e, então, o próprio raciocínio. Quando é assim, a quem ou a o que podemos nos socorrer? Monstros, heróis, o que haverá de certo numa história que se recusa a julgar, talvez por saber quão frágil pode ser nossa capacidade de julgamento?
Shiko é um artista a se conhecer. Que venham novas leituras!
A HQ aborda temas bastante delicados, como a influência da religião, relacionamentos abusivos e, principalmente, paranoias.
Não posso negar que me compadeci da mulher (por suportar humilhações do marido), senti temor (pela coragem de matá-lo) e ficar apreensiva (com o desfecho que a espera).
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Sem palavras para o que o Shiko escreve, é pesado e atinge cada um de uma forma, a "brincadeira" com o sacro e o impuro é muito inteligente, e a libertação final, ainda que por meios grotescos, gera uma sensação de alívio. Trazendo consigo um pingo de culpa talvez ?
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A arte é linda, tem muita diagramação interessante. A história é muito doida, prende bastante. Tive que ler de uma vez, não consegui esperar. Uma pena acabar rápido, poderia até seguir com mais história dessa otima personagem principal.
Arte maravilhosamente bonita e bem trabalhada. História aborda fanatismo religioso e libertação. A personagem encontra o sexo com o dono da balsa como uma forma de se libertar mas ao mesmo tempo de tensão, visto que é contraditório com sua própria fé.
HQ curtinha e pesada Arte sensacional do Shiko. Um grande trabalho de terror nacional. A forma como a história é conduzida causa até uma certa ansiedade e aflição a cada página.