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Só depois entenderei

Quem não viveu um amor impossível, argumenta o narrador do novo romance de Alexandre Vidal Porto, está em desvantagem na vida, pois aprende-se muito ao olhar para o passado e refletir sobre uma relação que poderia ter sido, mas por diversos motivos não foi. Mesmo que só depois de muitos anos ― décadas, às vezes ― sejamos capazes de dar os contornos adequados ao que aconteceu.

O protagonista de Só depois entenderei possui um emprego respeitável no Itamaraty, mas em meados dos anos 1990, o amor entre homens ainda é algo que se ocultava e era tratado com tabu em cargos públicos. Por isso, deslumbra-se com as possibilidades anônimas dos primórdios da internet. Se, a princípio, tudo o que buscava era sexo, logo ele terá sua vida virada do avesso por uma paixão avassaladora por um homem casado e com filhos.

Com uma prosa direta, de crueza estarrecedora, Alexandre Vidal Porto mergulha fundo nas delícias e sofrimentos de uma paixão que, por sorte ou azar, muitos de nós já vivenciamos.

168 pages, Paperback

First published July 1, 2026

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About the author

Alexandre Vidal Porto

6 books45 followers
Alexandre Vidal Porto (1965/03/19 - São Paulo, Brasil) é escritor e diplomata. ​​

Passou a juventude entre São Paulo e Fortaleza e, adulto, viveu em Brasília, Nova York, Santiago do Chile, Washington, Cidade do México, Tóquio e Frankfurt. Atualmente, mora em Amsterdão. É mestre em direito pela Universidade de Harvard e foi colunista do jornal Folha de S. Paulo.

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1 star
1 (2%)
Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Andre Aguiar.
552 reviews150 followers
Read
June 16, 2026
Qualquer pessoa que tome a decisão de sacrificar perpetuamente sua expressão íntima tem um pouco de herói e um pouco de pateta. Precisa de uma fé inquebrantável na autodeterminação e na reinvenção, porque essa pessoa resolveu, por seu próprio risco, ignorar que sua natureza humana tem limites e que seu desejo tem razões. Se não for para ser livre, melhor morrer. Sem autonomia para se defender, melhor estar morto, porque, quem sobrevive por acaso, dependendo da caridade da sorte, já traiu o próprio talento, amaldiçoou o que se é.
Profile Image for Lucas Fogaça.
119 reviews46 followers
September 7, 2026
“Eu desejava apenas o que nele e dele era meu também, e que isso se bastasse. Queria o reconhecimento de uma afeição da qual eu tinha sido objeto e que eu mesmo cativara. Gostaria que ele reconhecesse o que me era devido em termos sentimentais, como um pintor paga ao modelo pelo tempo em que posou.”

Leitura de 2 horas, muito bonita e com reflexões. Queria mais texto para poder me apegar ao personagem.
Profile Image for Tiêgo Alencar.
33 reviews1 follower
August 6, 2026
Espetacular! Alexandre Vidal Porto se reinventa a cada livro. Aqui, a história do amor conturbado entre dois homens na década de 90 ganha contornos únicos ao abordar as vivências de um diplomata brasileiro no exterior. Para se emocionar com tamanha sinceridade sobre um sentimento difícil de ser transposto em palavras. Incrível, belíssimo. Com certeza uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos.
Profile Image for Marcos Queiroz.
9 reviews
August 28, 2026
"Quem na vida não viveu um amor impossível está em desvantagem no mundo, porque aprende-se muito, sobretudo depois que o amor passa e você consegue observá-lo pelo retrovisor." É com essas palavras que tem início Só Depois Entenderei, de Alexandre Vidal Porto, e já é possível imaginar o tom da obra. Tudo começa por interesse sexual nas salas de bate-papo dos anos 1990, em uma narrativa confessional construída como um diário. O protagonista, um diplomata em início de carreira, passa a ter encontros com um homem judeu, escritor, crítico de arte, casado e com filhos. Do sexo casual, os encontros tornam-se constantes, movidas por um desejo visceral de um pelo outro, "parecia uma febre", mas fadados ao fracasso pelas condições de ambos: um amor impossível, porém aproveitado a cada oportunidade. Encontros escondidos, fugas, escapadas e prazeres encobertos, "Uma subversão das coisas, uma aberração", como define o próprio protagonista no início da história. Ser gay já era visto como um absurdo; envolver-se com um homem casado agravava ainda mais o quadro. Contudo, a questão central do livro não é o tabu social, mas a vivência desse amor impossível e o aprendizado de conseguir seguir em frente. Ao partir para Bogotá, o romance finda, restando apenas a esperança de um reencontro. Surgem novos encontros fugazes e sexo casual com outros homens, mas o sofrimento pela separação sobrevive, desestabilizando a saúde física e mental do narrador. A busca pela sanidade ocorre através da arte, funcionando como um sistema de sobrevivência à dor da perda. Entre idas e vindas por diversas cidades do mundo, o amor reaparece na forma do "amor principal": aquele que se torna o mais forte, o que perdura, superando a paixão impossível do passado. Esta marca, aliás, acompanha a trajetória desse protagonista sem nome, assim como ocorrem com os demais personagens da obra. Diante disso, surgem os dilemas da profissão e também da identidade: como manter uma relação sendo diplomata, com prazos indeterminados em cada local? Como exercer o sacrifício de partir ou ficar? Tudo é uma questão de escolha e disposição, inclusive a de deixar o passado para trás e aceitar-se como é, abandonar uma vida de fachada. Contudo, algumas escolhas fundamentam-se no conforto e no egoísmo, no simples ato de não querer ou não estar disposto, mas algumas percepções chegam tarde demais. É fácil parar de fumar, de comer fritura ou de beber, mas esquecer alguém é um desafio mais complexo, mesmo quando a pessoa está envolta em traições afetivas, emocionais ou até mesmo dos próprios princípios, algumas pessoas estão simplesmente perdidas. O tempo acaba revelando a realidade por trás de certas circunstâncias: o casamento, os filhos, as constantes viagens... fatores que, no auge da paixão, passam despercebidos, mas que depois ganham nova dimensão. É o perfeito desequilíbrio elíptico. Até onde é amor e até onde é uma fuga da própria vida? Onde começa e termina a culpa de cada um? Há mesmo culpa? Era um sentimento real ou era apenas necessidade? "A gente só cresce quando o tempo passa", como nos diz o narrador próximo do fim, revela-se a mais pura verdade. Ainda assim, o amadurecimento não apaga as marcas impressas na pele, na mente e no coração, e, para seguir adiante, às vezes é preciso olhar para trás e encarar tudo o que ficou, até que a dor finalmente deixe de existir.
Profile Image for Carlos Carvalho.
70 reviews6 followers
August 22, 2026
O relato melancólico de uma paixão impossível que atravessa décadas. Alexandre volta ao universo da diplomacia e dos encontros e desencontros. Gostei muito mais da leitura de Cloro.
Profile Image for Rafael.
9 reviews
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August 30, 2026
Foi como parar de fumar. Aos poucos não funcionou. Teve que ser de uma vez.
Profile Image for Wilker Sousa.
111 reviews2 followers
September 28, 2026
Livro de Setembro/26 do Clube do Livro de Uberaba.
Eu queria ter gostado mais do livro, mas não me conectei com o protagonista. Muito bem escrito, de fato.
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