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Boitempo

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Com prefácio de Josué Montello e novo projeto gráfico, "Esquecer para lembrar" reúne poemas que são evocações da infância e da adolescência de Drummond. Do tempo em que o garoto magricela subia nas jabuticabeiras para que ninguém o atrapalhasse enquanto lia revistas velhas, almanaques e tudo o mais que lhe caísse nas mãos. Ocorre que, ao seu modo, ele já seguia o conselho do anjo torto, já era um gauche na vida.

E assim, temos a imperdível oportunidade de nos introduzir no mundo que fundou sua poesia, a qual o poeta usa para resgatar ¾ e provavelmente reconstruir ¾ aquele mesmo mundo e tempo: "O andar é lento / desde lentos tempos de antanho/.../ Não é lenta a vida./ A vida é ritmo/ assim de bois e de pessoas, / no andar que convém andar/ como sugere a eternidade".

189 pages, Paperback

First published January 1, 1973

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About the author

Carlos Drummond de Andrade

245 books477 followers
Carlos Drummond de Andrade foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Formou-se em Farmácia, em 1925; no mesmo ano, fundava, com Emílio Moura e outros escritores mineiros, o periódico modernista "A Revista". Em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde assumiu o cargo de chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde, que ocuparia até 1945. Durante esse período, colaborou, como jornalista literário, para vários periódicos, principalmente o Correio da Manhã. Nos anos de 1950, passaria a dedicar-se cada vez mais integralmente à produção literária, publicando poesia, contos, crônicas, literatura infantil e traduções. Entre suas principais obras poéticas estão os livros Alguma Poesia (1930), Sentimento do Mundo (1940), A Rosa do Povo (1945), Claro Enigma (1951), Poemas (1959), Lição de Coisas (1962), Boitempo (1968), Corpo (1984), além dos póstumos Poesia Errante (1988), Poesia e Prosa (1992) e Farewell (1996). Drummond produziu uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX. Forte criador de imagens, sua obra tematiza a vida e os acontecimentos do mundo a partir dos problemas pessoais, em versos que ora focalizam o indivíduo, a terra natal, a família e os amigos, ora os embates sociais, o questionamento da existência, e a própria poesia.

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Profile Image for Adriana Scarpin.
1,739 reviews
July 10, 2016
Censo Industrial

Que fabricas tu?
Fabrico chapéu
feito de indaiá.
Que fabricas tu?
Queijo, requeijão.
Que fabricas tu?
Faço pão-de-queijo.
Que fabricas tu?
Bolo de feijão.
Que fabricas tu?
Geleia da branca
e também da preta.
Que fabricas tu?
Curtidor de couro.
Que fabricas tu?
Fabrico selim,
fabrico silhão
só de sola d’anta.
Que fabricas tu?
Eu faço cabresto,
barbicacho e loro.
Que fabricas tu?
Toco uma olaria.
Que fabricas tu?
Santinho de barro.
Que fabricas tu?
Fabrico melado.
Que fabricas tu?
Eu faço garapa.
Que fabricas tu?
Fabrico restilo.
Que fabricas tu?
Sou da rapadura.
Que fabricas tu?
Fabrico purgante.
Que fabricas tu?
Eu torro café.
Que fabricas tu?
Ferradura e cravo.
Que fabricas tu?
Panela de barro.
Que fabricas tu?
Eu fabrico lenha
furtada no pasto.
Que fabricas tu?
Gaiola de arame.
Que fabricas tu?
Fabrico mundéu.
Que fabricas tu?
Bola envenenada
de matar cachorro.
Que fabricas tu?
Faço pau-de-fogo.
Que fabricas tu?
Facão e punhal
de sangrar capado.
Que fabricas tu?
Caixão de defunto.
Que fabricas tu?
Fabrico defunto
na dobra do morro.
Que fabricas tu?
Não fabrico. Assisto
às fabricações.
Profile Image for Suellen Rubira.
955 reviews89 followers
December 19, 2017
É claro que essa impressão se trata de uma, das muitas releituras que fiz desse livro. Depois de compreender a obra autobiográfica de Drummond, passei a admirá-la ainda mais, pois o que ele fez não foi nada fácil.
Profile Image for Thomaz Amancio.
154 reviews20 followers
August 13, 2020
(edição ficando pelos três volumes que li na Nova reunião)

Romance costumbrista-familiar disfarçado de poemários. Tem um bom número de poemas fortes mas, assim como em Manoel de Barros, o interesse vem mais do conjunto e da personalidade que de poemas específicos. No caso, a veia romanesca que vai adicionando a e adensando a paisagem (humana, natural, social e dos sentimentos), e criando conexões entre os (muitos) poemas. Essa atitude (alcance romanesco, formas lírica) parece ecoar a visão da memória como coleção de coleções, de cacos, restos, selos, cartões-postais, livros, alfinetes, cores...

Profile Image for Luís Dias.
17 reviews1 follower
March 31, 2023
Aquele morreu amando.
Nem sentiu chegar a morte
quando à vida se abraçava
nem a morte o castigou.
Enquanto beijava o amor
a morte o foi transportando
nos braços do amor gozoso
sem desatar-se a cadeia
de vida enganchada em vida.

(…)

Que sabe a morte do abraço
paralisado na luz
do quarto aberto ao amor
e defeso a tudo mais?
E se continua vivo
e mais do que vivo amando
sem paredes e sem ossos
nos vazios espaciais,
não sei como, não sei quem?
Profile Image for Ricardo.
259 reviews
December 4, 2024
(boitempo)
poemas memorialísticos do meu poeta br fav; um drummond nostálgico se lembra de sua infância em itabira, interior de mg. das várias fases de sua carreira, essa é uma das últimas -já era idoso.

e sim, o nome daquela editora vem daí
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