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Parir Monstros, Devorar Filhos

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“Nada no mundo é maior e mais assustador que o amor de uma mãe por um filho.”

Juriti não queria ser mãe. Desde o instante em que soube da gravidez, começou a ser perturbada pela ideia de uma besta alojada no ventre. Sáusa, por outro lado, enxerga na maternidade um caminho para o sagrado.

De Sáusa desaguou Raminho. De Juriti encarnou Evangelino.

Enquanto um sufoca pelo excesso ― de afetos, de cuidados, de presença ―, o outro amarga a falta dentro de si, e goza da liberdade que só a rejeição pode proporcionar. Nesta isolada vila de pescadores, onde as redes podem trazer maldições em meio aos peixes, o anzol lançado por suas mães atravessa as guelras destes rapazes, abrindo neles a ferida da culpa e dos desencontros. A inocência dos dois se afoga em mar aberto e não há acalento ― nem de mãe ou do divino ― capaz de dar jeito. É preciso que um se torne Deus para conceder milagres ao outro.

Em Parir monstros; devorar filhos, Raul Damasceno volta ao mercado editorial com um texto ainda mais visceral e impactante, mas sem perder o brilhantismo que marcou seu romance de estreia, O rio que me corta por dentro .

240 pages, Paperback

Published June 8, 2026

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About the author

Raul Damasceno

5 books19 followers

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Community Reviews

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5 (7%)
1 star
1 (1%)
Displaying 1 - 20 of 20 reviews
Profile Image for Carla Parreira .
2,511 reviews5 followers
Read
July 28, 2026
Essa é uma obra impactante que mistura elementos de drama, horror, e uma forte crítica social e familiar. A história começa apresentando dois personagens principais, Lairton e Juriti, que chegam a um vilarejo isolado chamado Encarnado. Logo no início, a narrativa revela uma paixão intensa entre eles, marcada por uma conexão física e emocional profunda. Juriti, que está grávida, sente que a gravidez é “demoníaca” e manifesta um forte desejo de não continuar com ela, enquanto Lairton tenta convencê-la do contrário. Conforme a história avança, o livro revela um universo de amizades complexas, traições, e segredos obscuros. Entre os personagens secundários estão Salsa, uma mulher que não consegue engravidar, e Nadson, seu marido pescador. Salsa acaba engravidando de verdade, e a partir daí, eventos muito perturbadores acontecem. Uma das cenas mais chocantes envolve Salsa, que, desesperada, realiza um aborto clandestino de maneira violenta, cortando a gravidez com uma faca, e escondendo a existência de uma segunda criança que nasceu junto com o primeiro. Essa criança, que ninguém sabe da existência, é posteriormente sequestrada por Salsa, que foge com ela, mantendo-a escondida e criando uma relação de irmandade com o filho de Juriti, que também permanece isolado do mundo.
O enredo é marcado por temas pesados como violência, manipulação, e o lado grotesco da maternidade. Muitas ações dos personagens envolvem sacrifícios extremos, incluindo desfigurações e outras ações violentas, todas motivadas pelo medo de perder os filhos ou pelo desejo de protegê-los a qualquer custo. Essas situações extremas reforçam o título do livro, que fala de “parir monstros” e “devorar filhos”, simbolizando o lado monstruoso que pode existir na maternidade e nas relações familiares. Ao longo da narrativa, há uma forte crítica às ações humanas mais sombrias, às traições, às manipulações e às relações de poder dentro das famílias. O livro também aborda temas políticos e sociais, como a disputa por terras, o abandono, e a violência estrutural, criando uma trama que é ao mesmo tempo pessoal e social. A escrita de Raul da Maceno é poética, carregada de frases marcantes e reflexões profundas, mas também exige atenção do leitor, pois muitas referências e frases carregam significados ocultos ou simbólicos. A narrativa é bastante densa, com uma linguagem que mistura prosa e poesia, levando o leitor a refletir sobre a natureza humana, os monstros que carregamos dentro de nós, e o que somos capazes de fazer por amor, medo ou sobrevivência. Em resumo, o livro é uma obra forte, perturbadora, e ao mesmo tempo bastante reflexiva sobre os limites do amor materno, o grotesco das ações humanas, e as complexidades das relações familiares. Uma leitura recomendada para quem busca uma narrativa impactante, que desafia convenções e confronta o lado mais sombrio da condição humana.
Profile Image for Larissa Granato.
600 reviews37 followers
August 2, 2026
“Amar é botar-se fera no mundo.”

Queria ver esse livro sendo feito novela.
Profile Image for Barbara.
31 reviews
August 9, 2026
Achei o livro bem escrito, a história é muito envolvente, fiquei presa do inicio ao fim.

Mas definitivamente não é meu tipo de livro... achei tudo muitíssimo gráfico! De uma agonia terrível!! Juro que se mais um olho fosse arrancado eu teria que botar meu almoço pra fora! Felizmente, isso não aconteceu e acredito que essa era exatamente a intenção.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Suellen Souza Saccini.
58 reviews
June 29, 2026
Oi, Pockets!

A dica de hoje é Parir monstros; devorar filhos, do Raul Damasceno, publicado pela Astral Cultural.

Esse foi o meu primeiro contato com a escrita do Raul e já posso dizer que quero ler tudo o que ele escrever.

É uma história pesada, dolorosa e humana. Não é uma leitura fácil, mas também é daquelas impossíveis de largar. A escrita tem uma beleza quase poética que contrasta com a dureza dos acontecimentos, fazendo a narrativa ganhar ainda mais força.

Ao longo da leitura vivi um verdadeiro turbilhão de emoções. Em alguns momentos fiquei angustiada, em outros revoltada e, em vários, precisei fechar o livro por alguns minutos para respirar.

Essa leitura também me tocou de uma forma muito pessoal. Em 2024, eu perdi um bebê, e foi impossível não me emocionar ao acompanhar as diferentes formas como Raul aborda a maternidade. Não existe apenas um jeito de ser mãe. O livro apresenta mulheres que desejam um filho, mulheres que rejeitam essa experiência e mulheres atravessadas pela culpa, pelo medo, pelo amor e pelas expectativas impostas pela sociedade. Ler tudo isso despertou sentimentos que eu nem imaginava revisitar.

E é justamente aí que está uma das maiores forças da obra: ela não julga suas personagens. Apenas nos coloca diante delas e nos deixa sentir.

A relação entre Juriti e Sáusa foi uma das partes que mais me marcou. É uma amizade complexa, construída entre amor, inveja, culpa, acolhimento e dor. Em vários momentos eu não sabia exatamente o que sentir por elas, e acho que esse era justamente o objetivo do autor.

Os filhos também carregam marcas profundas. O livro mostra como a forma como somos criados, os silêncios, os traumas e os afetos atravessam gerações. Ninguém sai ileso dessa história. E os homens... sinceramente? Até agora eu não sei definir meus sentimentos em relação a eles. Em alguns momentos senti compaixão. Em outros, raiva. Depois compreensão. Logo em seguida, indignação novamente. São personagens humanos, cheios de contradições, e isso torna tudo ainda mais desconfortável.

A forma como Raul constrói a narrativa é incrível. As referências às músicas, especialmente às canções de Fagner, não estão ali apenas como trilha sonora, elas ajudam a contar a história deixando a escrita quase musical e poética.

Foi impossível não querer marcar o livro inteiro. Alguns trechos ficaram comigo:

✨ "O amor, quando se entranha na gente, é em tudo parecido com o anzol: te fisga e te segura de tal maneira que só sai se for rasgando tudo."

✨ "Amar é coisa de sangue."

✨ "Amizade é se deixar guiar pela cegueira do outro."

A ambientação da pequena vila de pescadores também merece destaque. O mar deixa de ser apenas cenário e passa a respirar junto com os personagens. Tudo parece ter vida: o vento, a água, o silêncio e até as canções.

A história mexeu comigo o tempo inteiro. É uma leitura que inquieta, faz questionar, sentir, sofrer e refletir. Não é um livro para passar o tempo; é daqueles que continuam morando na gente muito depois da última página. Foi a leitura que mais me impactou este ano e, sem dúvida, entrou para a lista das minhas favoritas.
Profile Image for Felipe Lima.
682 reviews2 followers
August 4, 2026
Gente… Parir monstros; devorar filhos foi uma leitura que me deixou dividido do começo ao fim. É um livro forte, cheio de imagens intensas, frases bonitas e uma escrita que realmente chama atenção — mas, ao mesmo tempo, eu senti que muita coisa ali foi colocada só para causar impacto, como se o choque fosse mais importante do que a própria construção da história. E isso acabou me tirando um pouco da experiência.
A narrativa é pesada, cheia de camadas emocionais e simbólicas, e a ambientação naquela vila isolada cria um clima quase mítico, onde tudo parece carregado de significado. A relação entre mães e filhos é mostrada de forma crua, sem suavizar nada: amor, rejeição, medo, culpa, desejo, raiva… tudo misturado, tudo pulsando. E isso funciona muito bem em vários momentos, porque a escrita do Raul é realmente linda — tem frases que ficam ecoando, que dão vontade de marcar, que seguram a gente pela força das palavras.
Mas, ao mesmo tempo, eu senti que algumas situações foram exageradas demais, como se existissem apenas para provocar. A história às vezes parece confusa, não por profundidade, mas por excesso — excesso de dor, excesso de símbolos, excesso de acontecimentos que surgem sem muita preparação. Em alguns trechos, tive a sensação de que o livro queria me tirar do eixo a qualquer custo, e isso acabou deixando a leitura mais cansativa do que envolvente.
Ainda assim, não dá pra negar que é uma obra que mexe. A escrita é belíssima, a atmosfera é forte, e a forma como o livro trata maternidade e trauma é corajosa. Só que, pra mim, o impacto emocional não veio de forma natural — veio mais pela intensidade forçada do que pela construção da narrativa.
No fim, foi uma leitura que me marcou mais pela escrita do que pela história. Dou 2.5 estrelas, porque apesar de achar o livro confuso e exagerado em alguns pontos, a força das frases e o estilo do autor seguram a experiência e deixam algo pra pensar depois que a leitura termina.
Profile Image for Letícia.
8 reviews
July 20, 2026
Era para ser 3,5.

Adoro livros que falam sobre assuntos que são implícitos socialmente mas não tão falados. Esse livro tem como base uma relação verdadeira de mulheres em que há muito amor e inveja. E como somos meio que feitas nesse meio ao ponto de nos enlouquecer.

Achei, de forma positiva, esse livro mais violento e gráfico do que o anterior do mesmo autor. Ainda prefiro “O Rio que me corta por dentro” mas acho que esse livro manteve a essência e está fazendo o Raul ter um tipo de marca, o que é muito bom para um autor estreante.

Sobre a questão do final, do “renascimento” dos meninos”, não gostei tanto. Mas de resto achei certas narrativas muito boas. O autor consegue trazer de forma sútil informações que a gente fica bem chocada kkkk

Enfim, acredito que seja um autor que vou acompanhar todos os lançamentos :)

Profile Image for Chris Rocha .
3 reviews
August 17, 2026
Parir monstros; devorar filhos é um livro que me causou muita angústia. Precisei fazer inúmeras pausas para refletir e isso, por si só, já diz muito sobre o poder do texto.
Há usos de mitologia grega, nórdica e passagens bíblicas que fazem o pensamento inevitavelmente derivar para uma questão maior: o quanto as pessoas são moldadas por fatos, religiões e mitos? O quanto essas narrativas influenciam nas ações, medos e culpas?
Não existe qualquer possibilidade de prever o que acontece na próxima página, e mesmo assim você se sente completamente presa na leitura.
Profile Image for Rodrigo Schupp.
110 reviews
July 18, 2026
que final foi esssssssse?

admito que no inicio, meu ritmo de leitura tava fraquíssimo e isso acabou impactando com a minha experiencia com o livro…
me perdi um pouco com os inúmeros personagens mas depois fui me inserindo melhor na historia e gostando cada vez mais!
o final eu fiquei chocadoooo, me pegou muito.
raul damasceno arrasa d+

4.5⭐️
Profile Image for Georgia França.
10 reviews
August 4, 2026
Com uma linguagem poética, Raul trata de temas universais: relações familiares, segredos e mentiras que nos fazem agir de maneira animalesca para sustentá-las. Desmistifica o amor incondicional de mãe e ainda traz a crítica ao esvaziamento das comunidades de pescadores em nome do "progresso". Tudo isso escrito de uma forma que não conseguimos parar o livro até terminar a história.
Profile Image for Manoela Mitchell.
90 reviews9 followers
August 14, 2026
Raul Damasceno é um grande escritor que tive o privilégio de ler pela segunda vez em tão pouco tempo.
Sua escrita é poética e tem frases que dá vontade de escrever na parede de tão profundas.
Achei O Rio que me corta por dentro mais lindo, talvez pela temática ser mais relacionada a minha vida, talvez pelo tema causar menos estranhamento do que esse. Ainda sim, lindíssimo.
79 reviews
Read
August 17, 2026
não sei que nota dar, o miolo da história é muito boa e amo a escrita do Raul, é linda, maaaaaas não sei. O "gore" na história me desanimou um pouco, ali pelo final a coisa foi enlouquecendo e meio que perdendo o fio à meada um pouco. Gostei que ele entregou um trabalho diferente, mas não sei se fiquei fã.
5 reviews
August 20, 2026
nem em 1 milhão de anos eu poderia ou qualquer outra pessoa do mundo escreveria um livro tão lindo como este. ainda bem que o universo (Deus) criou o Raul e agora podemos ler algo assim. a quem interessa obrigada por isso. dito isso, recomendo muito o livro. não venham com espectativas de como VOCÊS acham que deveria ser este livro. só leiam.
Profile Image for Sara De Mello Franco.
194 reviews
August 14, 2026
Não funcionou pra mim. Livro confuso... tinha muita alusão a religião e a maternidade e as duas coisas se confundiram. Pra mim teve mta ideia pra pouco livro. Deveria desenvolver mais.. fiquei sem entender mta coisa. Gostei das referencias das musicas nordestina que eu gosto, Fagner etc.
Profile Image for Hugo Molina.
38 reviews
June 23, 2026
O Raul choca e surpreende de uma forma tão única que eu continuo lendo mesmo entristecido pelo destino dos seus personagens
Profile Image for bea.
61 reviews1 follower
Did Not Finish
July 22, 2026
espero q eu consiga terminar ele um dia :/ mas fui com a expectativa e com o rio que corta por dentro e não é nada do q eu esperava e ansiava

@ %46
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