o ano que os gafanhotos comeram apresenta-se como um diário de leitura, onde três discursos se entrecruzam e se servem mutuamente: a voz de um manuscrito original, a voz de um narrador que comenta o manuscrito, a voz das citações que alimentam e fundamentam o manuscrito. num tom sempre sóbrio e elegante, m̶i̶g̶u̶e̶l̶ bonneville traça os gestos psíquicos destes diferentes registos, compondo um objecto híbrido, tão rigoroso quanto sedutor. o livro move-se por um impulso de deslocação, que o próprio autor formula assim: “a finalidade não é ganhar, é simplesmente chegar a outra dimensão.”
miguel bonneville (porto, 1985) - artista transdisciplinar cuja prática cruza performance, escrita, cinema e artes visuais. o seu trabalho estrutura-se em ciclos e projectos de longa duração, articulando investigação conceptual, experimentação formal e uma forte dimensão auto-reflexiva. em 2025, recebeu o prémio literário vs – ernesto sampaio pelo livro 'o ano que os gafanhotos comeram'. entre as suas publicações contam-se 'ensaios de santidade' (sr teste, 2021), 'o pessoal é político' (douda correria, 2021), 'livro do daniel e outros textos' (urutau, 2024) e 'a importância de ser – antologia' (sistema solar, 2025).
miguel bonneville (porto, 1985) is a transdisciplinary artist whose work spans performance, writing, cinema, and the visual arts. their practice unfolds through cycles and long-term projects, where conceptual research and formal experimentation are inseparable from a self-reflexive dimension. in 2025, they received the vs literary prize – ernesto sampaio for 'o ano que os gafanhotos comeram'. their published works include 'ensaios de santidade' (sr teste, 2021), 'o pessoal é político' (douda correria, 2021), 'livro do daniel e outros textos' (urutau, 2024), and 'a importância de ser – antologia' (sistema solar, 2025).