Descubra uma emocionante ficção científica brasileira que une biologia especulativa, tecnologia avançada e a busca profunda por conexão humana.
Ao ser convidada a integrar um comitê de crise no assentamento científico do planeta Tau Ceti f, a bióloga Tarsila enfrenta um desafio urgente: colônias de seres bioluminescentes estão criando biofilmes que corroem o sistema de captação de água, ameaçando a sobrevivência de toda a colônia humana local.
Impedida de desembarcar fisicamente devido à gravidade esmagadora dessa superterra, Tarsila precisa recorrer a uma tecnologia revolucionária: os gaiatos, avatares sintéticos que permitem projetar sua consciência a centenas de quilômetros de distância.
Enquanto corre contra o tempo para decifrar o comportamento errático dos microrganismos e evitar a extinção do assentamento, Tarsila vive o paradoxo de duas realidades simultâneas: a solidão asséptica do espaço e a vida vibrante e repleta de conexões humanas na superfície do planeta.
Neste romance de estreia na ficção longa, Jana Bianchi (editora e criadora do Fantástico Guia) constrói uma jornada fascinante sobre a superação de isolamentos autoimpostos. Uma longa órbita é uma exploração espacial tocante sobre pertencimento, provando que, mesmo nos confins do universo, o afeto e a saudade continuam sendo as forças que realmente nos mantêm em órbita.
Jana Bianchi é escritora, editora e tradutora. Tem histórias publicadas em português e em inglês em revistas e antologias como Suprassuma, Uncanny, Clarkesworld e Imagine 2200, e é vencedora do prêmio BSFA de melhor conto traduzido de 2023. Seu primeiro romance, a ficção científica Uma longa órbita, será publicado em 2026 pela editora Aleph. Com Diogo Ramos, Jana criou e atua no projeto Fantástico Guia, compilado de iniciativas com o objetivo de fomentar uma comunidade criativa e facilitar a navegação pelos mercados editoriais brasileiro e anglófono. Ela vive no Rio de Janeiro com um humano, uma fiapo de manga e várias tatuagens animadas. Mais em janabianchi.com.br e fantasticoguia.com.br.
Uma longa órbita, de Jana Bianchi, é uma ficção científica otimista, o que alguns chamam de HopePunk, Hope = Esperança, por ajudar a construir imaginários de futuro para além do pessimismo do cyberpunk. O desenvolvimento gira em torno do romance entre a microbióloga Tarsila e o cientista Nero. Especialista em biofilmes criados por micro-organismos, Tarsila é convidada para trabalhar no planeta Tau Ceti f, onde a vida microbiológica de um grande oceano está danificando as estruturas de água-esgoto do assentamento humano que existe no planeta. Para estar em corpo presente nesse planeta é preciso passar por modificações e adaptações devido à diferença de gravidade, então Tarsila usa um "gaiato", uma espécie de corpo ciborgue controlado a distância por transferência de consciência, para poder cumprir sua missão de cientista. Essas interações entre o gaiato de Tarsila e o corpo humano de Nero são usadas pela autora para refletir sobre relacionamentos à distância, algo que Jana Bianchi viveu durante a pandemia, segundo entrevistas da própria. O mundo de Jana Bianchi mostra conformidades de família variadas, coletivos de mulheres, não monogamia, pansexualidade, tudo para ajudar a pensar a pluralidade de possibilidades de um relacionamento, embora isso ocorra nos elementos de construção de mundo e não necessariamente na trama em si. O mesmo acontece com os personagens secundários do livro. Suas histórias não afetam necessariamente a trama, mas nos ajudam a enxergar relacionamentos pelos olhos de pessoas que vivem o dilema de habitar esse espaço sideral de longas distâncias de tempo e espaço. Além de servir como motivo para Tarsila ir trabalhar no planeta Tau Ceti f, o mistério sobre os biofilmes impõe um ritmo mais tenso no terço final do livro, trazendo pensamentos sobre nossa relação (ainda desrespeitosa e danosa) com as outras espécies com as quais dividimos o planeta.
É um livro curto, bem good vibes, uma boa leitura para quem gosta da ficção científica de Becky Chambers e até da série Murderobot, de Martha Wells, embora Jana Bianchi não puxe para o humor irônico de Wells.
apostar em coisas hoje em dia somente tendo como base uma capa e uma premissa é uma loteria com o universo, mas nesse caso, acho que tirei a sorte grande. talvez pegue algumas pessoas desprevenidas achando que esse vai ser um suspense intergaláctico sobre uma ameaça extraterrestre ao futuro da humanidade e, embora flerte com essa ideia ali pela metade, não é sobre isso…
surpresa! é sobre sexo.
claro, tem mais do que sexo, especialmente porque a ideia é justamente como tarsila, nossa protagonista, navega entre dois literais mundos de distância e precisa descobrir como se abrir de novo para intimidade com pessoas de novo, em todos os âmbitos da palavra. é uma jornada bacana, sexy, com um bom elenco de coadjuvantes que compensam algumas das falhas da história, especialmente a rápida resolução do problema central envolvendo a colônia interestelar humana.
ainda assim, o bom gosto que deixa na boca após o fim da leitura é inegável e foi prazeroso depois de passar um bom tempo achando algumas das escolhas inspiradas pelo trabalho sensacional da becky chambers na literatura de ficção-científica ver uma gratidão por ela na sessão de agradecimentos. estarei pronto para ler o que mais a jana quiser mandar ao mundo.
Esse livro me ajudou a estrear duas situações: começar a ler um livro no dia do lançamento e ler um hard sci-fi escrito por uma mulher. Ou seja, comecei bem empolgada.
Na sinopse não fica claro, mas há uma relação amorosa bem relevante para a trama e, confesso, no início eu não estava muito interessada nela. Eu queria saber sobre o planeta, o futuro, o passado, enfim, a parte ficção científica mesmo. Que, aliás, é muito bem construída e muito interessante. Mas, o irônico foi que, depois da metade, quando o foco se tornou realmente isso, eu senti falta de cenas mais detalhadas e de diálogos entre o casal. Vai me entender!
Gostaria que o livro fosse mais longo (entendo as dificuldades práticas que o fazem não ser), para me aprofundar mais tanto no universo, quanto na parte humana da história, os personagens secundários devem ter tanto para contar! Obs: me diverti muito com os nomes dos personagens, do bar, da bebida alcoólica, dos equipamentos, o apelido do planeta, os bordões de novela, a língua ser a brasileira, enfim, eu amo o toque nacional realmente brasileiro desta narrativa.
*Uma Longa Órbita* examines loneliness and isolation—particularly the kind we impose upon ourselves. Tarsila remains isolated from the others on the orbital station. Even when on the surface, inside her artificial body, she feels physically separated; she avoids exposing herself or getting close to the crew—a defense mechanism against the impending farewell she knows is coming. As she learns the others' personal stories, she realizes that everyone is experiencing some form of isolation, and that together they form a community and a support network. Tarsila needs to understand an alien species, but first, she must make contact with the human species.
Uma Longa Órbita examina a solidão e o isolamento, principalmente aquele que a gente mesmo se impõe. Tarsila está isolada dos demais na estação orbital. Mesmo quando está na superfície, dentro do corpo artificial sente como se estivesse separada fisicamente, e evita se expor e se envolver com a equipe, uma defesa contra a despedida que sabe que virá em breve. À medida que fica conhecendo as histórias pessoais dos outros, vê que todos passam por algum tipo de isolamento, e que ali formam uma comunidade e uma rede de apoio. Tarsila precisa entender uma espécie alienígena, mas primeiro precisa fazer contato com a espécie humana.
Uma Longa Órbita é um respiro para quem é brasileiro e apaixonado por ficção científica. Jana apresenta um universo multicultural que ecoa o nosso presente e transita entre a space opera e o hard sci-fi, mas com uma dose de esperança e otimismo que salta aos olhos.
Tarsila transborda carisma e confiança, mas ao mesmo tempo não teme sentir-se pequena diante da estranheza de um sistema, de tecnologias e de maquinações muito maiores do que ela. Enquanto ela navega por um balaio cultural diferente do seu, é a perspectiva dela que amarra a construção de mundo com uma facilidade marota.
A adaptação de Tarsila aos gaiatos, avatares robóticos feitos para uma superfície hostil ao corpo humano, toca num ponto que eu amo no sci-fi: o corpo como recurso narrativo. Para viver em Toró, Tarsila precisa se acostumar ao avatar. Os milhões de sensores tornam a experiência vívida, mas Tarsila ainda está longe. É daí que nasce uma das maiores questões do livro: como aceitar a saudade, e o desejo, de alguém que está bem na sua frente? Jana não tem medo nenhum de futricar, aprofundar e friccionar essas questões.
Recomendo Uma Longa Órbita para qualquer fã de ficção científica e para quem também sente saudade do presente o tempo todo. Ou seja: para muita gente.
Conheço a escrita da Jana em português e inglês há bastante tempo, provavelmente desde Lobo de Rua. Poderia me ater a falar das qualidades e da fluidez da escrita dela aqui, mas acho que isso já é algo que todo mundo que conhece o trabalho dela já tem em mente. O que queria dizer aqui é o quanto quebrador de paradigmas esse livro é para mim. Sei que não é o primeiro nem o único do tipo, mas ter uma mulher publicando hard science fiction com romance e hot (sabendo que a história não se reduz a nenhum desses 3 subgêneros) é algo que (infelizmente) ainda é bastante raro globalmente por uma série de razões. Ter uma mulher BRASILEIRA fazendo isso em uma das editoras de ficção científica mais importantes do país é mais significativo ainda.
A cada página você enxerga a atenção minuciosa que a Jana emprega em explorar sentimentos, medos e estigmas, além de toda a parte científica e tecnológica dos aurélios e da vida em Toró. É bastante invejável, num excelente sentido! Inspirador, mesmo. Se esse foi o primeiro trabalho da Jana que você leu, não para! Continua buscando os trabalhos dela e tenho certeza que sua jornada será maravilhosa!
Uma Longa Órbita é, até o momento, a melhor Fricção Científica que já li. A história é cativante, os personagens são interessantes, e a jornada me deixou intrigado — quero saber mais sobre esse futuro, sobre esse planeta, sobre o elevador, sobre a estação espacial. Mesmo achando que o livro sustentava mais uns 3 ou 4 capítulos, gosto da toada e de como ele acaba — as coisas fazem sentido. Mesmo sendo suspeitíssimo em escrever isso (meu nome está nos agradecimentos, afinal) eu de fato vejo muita Becky Chambers na escrita da Jana e isso me faz sorrir. Uma Longa Órbita foi uma aposta acertada da Aleph e espero que venham mais dez (ou cem) livros da Jana por aí.
Ouvi o audiolivro e gostei da narração, por mais que soe robótica as vezes. Foi divertidíssimo ouvir na academia e, de repente, escutar no fone a maior sacanagem e safadeza durante um exercício de supino. Ri muito.
Eu passei por um choque com a leitura porque esperava coisas diferentes. Eu não esperava que teria tanto foco no romance, inclusive cenas adultas. Não tenho nenhum problema com isso, mas não esperava que fosse ser um dos conteúdos centrais da história, então tive um baque que me desconectou da leitura por ser inesperado. Eu também não gosto de quanto existem tantas referências à cultura POP em mídias de forma geral, porque acho que deixa o trabalho com cara de velho muito rápido e também me afasta um pouco da história. Fora isso, achei o conceito de adaptação ao planeta, questões da vida em estações espaciais, máquinas que transportam consciência... tudo muito interessante e divertido de descobrir.
Esse livro nasceu enquanto eu vivia um relacionamento à distância no meio da pandemia. Muitas das aflições da Tarsila eram aflições minhas, muito reais, só um pouco "enfeitadas" com o verniz da ficção científica. Por isso, sinto que essa história é uma das que mais carrega partes de mim em si. Na edição (depois da tradução, já que a primeira versão foi escrita em inglês), muita coisa do conflito externo mudou, e tive tempo e espaço para trabalhar também na construção do universo em que a trama se desenrola. Tenho muito orgulho do resultado de "Uma longa órbita", e espero que os leitores sintam todo o carinho e o cuidado (e a pesquisa!) que coloquei no livro.
Entrei de gaiato no navio..... não em Toró. Amei a leitura, leve, gostosa, fala sobre solidão e relações humanas. Ficção científica nacional curtinha e de qualidade. Ameiii... Em especial o Nero 💓
Da mesma maneira que a tecnologia passa a fazer cada vez mais parte de nossas vidas, Jana explora como as relações humanas se transformam à medida que encontramos novas maneiras de nos relacionar a distância.
Além de explorar novas dinâmicas de relacionamento, Uma Longa Órbita é uma ficção científica com alma brasileira, que carrega uma forte identidade em um gênero que, por tanto tempo, estivemos acostumados a conhecer através dos olhos do estrangeiro.
Conforme novas tecnologias e avanços científicos surgem, Uma Longa Órbita nos lembra de que, no fim, são as nossas relações que nos fazem humanos.