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O Forno
Inédito no Brasil e traduzido diretamente do russo, O forno, de Evguéni Kharitónov, é uma das narrativas mais singulares da literatura queer soviética. Escrito em 1969, o conto marca a passagem do autor da poesia para a prosa e inaugura o núcleo central de sua obra: a investigação da experiência homossexual em um contexto de censura e vigilância.
A obra acompanha o encontro do narrador com o jovem Micha, cuja presença desperta desejo e um estado de alerta traduzido em pequenos gestos e aproximações milimetricamente calculadas. O texto se organiza como fluxo de consciência, com repetições, desvios e fragmentos que espelham o estado emocional do narrador. Mais do que uma história de amor, trata-se de um relato minucioso sobre a impossibilidade de se revelar plenamente.
A formação teatral de Kharitónov, que também era ator e professor de artes cênicas, atravessa todo o conto: movimentos, pausas e pequenas ações dizem mais do que as palavras. A obra dialoga com tradições como as de Madame de La Fayette e Anton Tchékhov, mas desloca essa herança para o território do underground. Não por acaso, é frequentemente comparada a Morte em Veneza, de Thomas Mann, pela tensão entre desejo, convenções sociais e impossibilidade de realização.
Impedido de publicar oficialmente, Kharitónov circulou seus textos em redes clandestinas de cópias datilografadas que passavam de mão em mão. O forno só ganhou reconhecimento mais amplo após a morte do autor, tornando-se um documento essencial da resistência artística sob regimes autoritários.
“E muito me interessa saber se ele também vai entender quando estiver diante do menino que é um em dez mil.”
O forno, p. 31
A obra acompanha o encontro do narrador com o jovem Micha, cuja presença desperta desejo e um estado de alerta traduzido em pequenos gestos e aproximações milimetricamente calculadas. O texto se organiza como fluxo de consciência, com repetições, desvios e fragmentos que espelham o estado emocional do narrador. Mais do que uma história de amor, trata-se de um relato minucioso sobre a impossibilidade de se revelar plenamente.
A formação teatral de Kharitónov, que também era ator e professor de artes cênicas, atravessa todo o conto: movimentos, pausas e pequenas ações dizem mais do que as palavras. A obra dialoga com tradições como as de Madame de La Fayette e Anton Tchékhov, mas desloca essa herança para o território do underground. Não por acaso, é frequentemente comparada a Morte em Veneza, de Thomas Mann, pela tensão entre desejo, convenções sociais e impossibilidade de realização.
Impedido de publicar oficialmente, Kharitónov circulou seus textos em redes clandestinas de cópias datilografadas que passavam de mão em mão. O forno só ganhou reconhecimento mais amplo após a morte do autor, tornando-se um documento essencial da resistência artística sob regimes autoritários.
“E muito me interessa saber se ele também vai entender quando estiver diante do menino que é um em dez mil.”
O forno, p. 31
104 pages, Paperback
First published January 1, 1979
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Community Reviews
Displaying 1 - 6 of 6 reviews
June 15, 2026
It’s important to consider the historical context in which it was written: the Soviet Union, during a period of oppression against LGBTQIAP+ people. Although the story is simple, I believe many readers who have had to hide their identity, myself included, may recognize themselves in the protagonist’s thoughts. At its core, it is a love story about concealment, desire, and the fear of being seen.
July 8, 2026
Conto lgbt russo, mais interessante pela história por trás do autor do que pelo conteúdo, ainda assim uma obra interessante para o universo lgbt
June 15, 2026
A melhor parte é ler o posfácio e ver como o contexto da vida de kharitonov se reflete na obra. Nunca tinha lido um livro com uma escrita parecida, característica do período e lugar que foi produzida, e achei bem interessante. N é tão fácil de acompanhar, mas faz a história parecer muito mais íntima. O narrador pensar tanto antes de qualquer ação traz uma grande identificação e me fez sentir uma certa amizade por ele, mesmo sem nem saber o nome dele. Gostei bastante e, apesar de curto, trouxe bastante conhecimento acerca da homossexualidade na URSS, um tema pouco discutido.
This entire review has been hidden because of spoilers.
September 13, 2026
"O forno” é uma experiência de leitura maravilhosa. O fluxo de consciência e o discurso indireto livre são usados com uma habilidade que torna o conto cada vez mais intrigante. O título é curioso: o forno quase não aparece, só num momento em que o narrador lembra que uma torta está pronta. Poderia sugerir aconchego e lar, mas acho que remete a tempo, preparo, cozimento. O narrador passa o conto todo fazendo pequenos gestos e pequenas falas para se aproximar de Micha, num contexto soviético em que a homossexualidade era crime. Ele não pode declarar o interesse, e é nessas nuances que o texto brilha. A insegurança dele é a de qualquer apaixonado, dividido entre a vontade avassaladora de se declarar e o medo da rejeição, só que aqui esse medo vem somado ao risco de ser criminalizado. Uma hesitação dupla. No fim, o verão acaba, o cozimento fica pronto, e talvez não seja o que a gente queria comer. Leitura excelente.
July 28, 2026
Conto queer clandestino escrito em 69, plena URSS, sob a Lei que criminalizava a homossexualidade masculina. Denúncia podia significar invasão de domicílio, confisco de manuscritos, prisão. Escrever sobre desejo entre homens, ali, era em si um ato de resistência. Que coragem.
A escrita acompanha essa clandestinidade, esse receio: fluxo de consciência, gestos calculados ao milímetro, um narrador que se aproxima de Micha e recua o tempo todo, sem nunca se entregar de vez. Fica claro o preço de não poder dizer “as coisas” diretamente.
Preciso ler Morte em Veneza na sequência.
A escrita acompanha essa clandestinidade, esse receio: fluxo de consciência, gestos calculados ao milímetro, um narrador que se aproxima de Micha e recua o tempo todo, sem nunca se entregar de vez. Fica claro o preço de não poder dizer “as coisas” diretamente.
Preciso ler Morte em Veneza na sequência.
September 14, 2026
Gostosinho, fluxo de consciência divertido
Displaying 1 - 6 of 6 reviews






