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A Insubmissa

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A Sociedade não queria que eu usasse calças, nem que assobiasse, nem que jogasse à bola, nem que trepasse às árvores, a Sociedade não queria que eu fizesse perguntas nem que lesse alguns livros. A Sociedade era um NÃO gigante contra os meus desejos.

Romance autobiográfico de Cristina Peri Rossi, é o retrato de uma rebelde enquanto criança, adolescente e futura escritora, que, desde cedo, embatendo num mundo implacável para com a diferença, quis pensar pela sua cabeça. Fundindo histórias de família e de um país — da estação ferroviária rural aos bairros de Montevideu habitados por imigrantes —, é pelo olhar franco da menina e da jovem que assistimos aos primeiros choques com normas arbitrárias, ao despertar do gosto pela leitura e do amor pelos animais, à consciência do estigma associado à mulher artista e à homossexualidade. Um livro sobre o despontar de uma identidade e de uma vocação, por uma das maiores autoras da literatura sul-americana.

«A literatura de Cristina Peri Rossi permanecerá como uma lembrança perpétua do exílio e das tragédias políticas do século xx.» — Júri do Prémio Cervantes 2021

208 pages, Paperback

First published January 1, 2020

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About the author

Cristina Peri Rossi

119 books663 followers
Uruguayan novelist, poet, and author of short stories.

Considered a leading light of the post-1960s period of prominence of the Latin-American novel, she has written more than 37 works. She was born in Montevideo, Uruguay but was exiled in 1972, and moved to Spain, where she became a citizen in 1975. As of 2005[update] she lives in Barcelona, where she continues to write fiction and works as a journalist. She studied at the University of the Republic.

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Profile Image for julieta.
1,378 reviews47.8k followers
December 3, 2021
Me gusta mucho el borroneo que hace entre ficción y realidad. Quizás todo sea sobre su vida. Quizás esté contando como ficción todo por lo que ha pasado, su familia, (durísimo lo de su padre), su relación con los libros, sus amores, sus descubrimientos, en fin, su vida, sus procesos. Es muy duro a momentos por cosas que le pasaron, pero es maravilloso en su totalidad. Solo había leído algo de su poesía, que aún estoy leyendo, y que me gusta muchísimo, y pienso leer mucho más. Recomiendo mucho!
Profile Image for Lectoralila.
274 reviews376 followers
December 2, 2020
Hace poco me di cuenta de que disfruto especialmente de los libros que hablan de la infancia, desde la infancia. Los libros que nos sumergen en esos años en los que todavía no entendemos el mundo de los adultos e intentamos encontrar nuestro lugar, o al menos un lugar. Entender el por qué de las cosas, o no entenderlas a pesar de las explicaciones que nos van dando. Y es que quizá, en esas edades, simplemente somos, simplemente estamos sobre nuestros pies, intentando comprender lo que los demás esperan de nosotras, lo que supone ser una niña, o una mujer.

Cristina Peri Rossi es una prolífica escritora, poeta, traductora y activista uruguaya, que se exilió en España en 1972 huyendo de un Uruguay dictatorial que censuró su obra. Palabras que resumen un trozo ínfimo de su persona. Peri Rossi es una mujer con una sensibilidad exquisita, sofocante, delicada, adictiva y única. Una escritora que te atrapa bajo su escritura, tan bella, sensible y sincera. La he descubierto con su autobiografía “La insumisa”, y quizá no haya mejor definición para los capítulos que componen su vida que el propio título de la obra; la insumisión. «Nunca escuché definir a un varón por lo que le falta. Nunca oí que una abuela o una madre le dijera al nieto o al hijo: “No tienes clítoris ni vagina”. Pero a veces ocurre _como me ocurrió a mí_ que aun en mi ignorancia _no sabía que tenía clítoris_ descubrí, espontáneamente, para qué servía: para proporcionarme un placer autónomo, independiente, sin esperar a ningún Príncipe Azul.»

Peri Rossi reconstruye sus primeros años de vida desde la edad adulta sin alterar la lógica infantil, esa tan curiosa, esa tan olvidada, esa que nos hace sonreír cuando escuchamos a una niña hablar e interpretar el mundo, a su modo. Además, de forma mordaz, va añadiendo detalles críticos, cómicos o trágicos, fruto de la experiencia que otorgan los años, sobre las sociedades, las injusticias y el sistema. Y sin embargo, no renuncia a ese lado poeta suyo tan palpitante, tan lujurioso, tan embriagador. «Oprimía una A ceremoniosamente, y el carácter negro se imprimía sobre el papel. Las teclas eran como pezones que yo empezaba a sorber golosamente: una jota por aquí, una ele por allá, y la opulenta M, M de madre, de mimo, de mama, de mermelada, de melón. Me pasé la tarde concentrada, pulsando la máquina de escribir, descubriendo sus secretos, como años después, pasaría días, noches enteras, tocando un cuerpo, acariciando su piel, sus tendones, recorriendo sus entradas y sus salientes, asombrada ante el placer, dichosa de que existiera y estuviera entre mis manos.»

“La insumisa” supone un viaje por las primeras veces, por la comprensión del orden establecido, por la sublevación contra lo que nos oprime. Un libro que me ha conquistado y al que volveré. No conocía a esta maravillosa mujer, pero espero seguir leyendo el resto de su obra.
Profile Image for Paula Mota.
1,810 reviews614 followers
Read
July 28, 2026
- O que gostavas de ser quando fores grande?
- Escritora – respondi sem vacilar.
Ele fez uma pausa e depois continuou:
- Quantos livros escritos por mulheres há nesta biblioteca?
- Três – disse eu. – “Um Quarto só Seu”, de Virginia Woolf, uma antologia de poemas de Alfonsina Storni e outro de poemas de Safo.
- Leste as biografias delas? – perguntou.
- Sim – respondi.
- Leste como morreram?
- Suicidaram-se – respondi.
- Pois aprende a lição – declarou: - As mulheres não escrevem e, quando o fazem, suicidam-se.


Indo contra o vaticínio do seu adorado tio misógino, Cristina Peri Rossi não só decidiu escrever, como continua viva aos 84 anos, no exílio desde 1972, nas vésperas do golpe de estado no Uruguai, que imporia uma ditadura que se prologaria durante uma década.

Quando a ditadura militar tomou o poder e as prisões e os quartéis não foram suficientes para encerrar todos os presos políticos, a Junta Militar teve a ideia de voltar a dar uso a esses velhos e escuros vagões perdidos no meio do campo (…). Então, clandestinamente, começaram a utilizar os antigos vagões como campos de concentração. (…) Os presos e as presas encerrados nos vagões não tinham luz, nem ar, nem lavatórios, nem retrete, nem medicamentos, nem papel para escrever ou ler.

Nestas memórias de uma menina mal comportada, assistimos à formação desta contestatária e inconformista, desde que se conheceu como gente e se tornou protectora da mãe…

O casamento da minha mãe (do qual sou fruto precoce) fora um fracasso, e ela sentia-se triste e angustiada. Os animais domésticos compreendem instintivamente as emoções e os sentimentos dos seres e procuram acompanhá-los, consolá-los: eu era um animal doméstico de três anos.

…até ao início da adolescência, com a descoberta do amor sáfico, interrogando incessantemente os adultos…

- Existem prostitutos? – perguntei.
- Existem o quê? – repetiu a minha mãe, alarmada. Decididamente, preferia não ter de falar de certos temas, nem comigo nem com ninguém.
- Prostitutos – repeti.
- Por que é que não deixas de pensar nestas coisas?
- Só quero saber se também há prostitutos – insisti.
- Não é algo que te diga respeito – zangou-se a minha mãe -, e ainda não tens idade para isso. – E deu o assunto por encerrado.
As ideias, ao que parecia, também tinham idade. Só que a mim surgiam-me sozinhas, sem me perguntarem a data de nascimento.


…e questionando tudo, desde as limitações impostas às raparigas até àquilo que ingeria.

Podia deixar de responder aos adultos, talvez, se tapasse a boca com um lenço ou com fita-cola, ou se apertasse bem os lábios, para que as respostas não me escapassem involuntariamente como pássaros fechados numa gaiola; podia tentar beber o repugnante leite a transbordar de nata espessa que me serviam ao pequeno-almoço ou ao lanche (e que acabava quase sempre no prato do cão ou do gato, se não no lava-loiças), podia, talvez, ler um pouco menos, mas havia coisas a que não estava disposta a renunciar de modo nenhum, como assobiar ou subir às árvores.

Eu, que sempre me agoniei com o leite e desde cedo me recusei a comer pequenos animais que visse vivos, não pude deixar de me identificar com esta pequena rebelde.
Neste registo memorialista da infância, impressiona sobretudo a ferocidade com que Cristina defendia a mãe da violência psicológica do pai e o fosso inultrapassável que isso causou na relação com a filha.

Só muitos anos depois (quando já não era uma criança, mas continuava em estado de alerta) recordaria que o meu pai nunca bateu na minha mãe, apesar das ameaças, e no entanto, eu recebi várias sovas no meio de discussões que não me diziam respeito. Ou melhor, diziam: tudo o que afectasse a minha mãe me dizia respeito. (…) O meu pai não tolerava a insubmissão (a rebeldia) da filha. E esta não lhe perdoava a violência. Durante dias inteiros não nos falávamos, mas eu continuava alerta. Não descansava.
Profile Image for Alfredo.
472 reviews617 followers
July 2, 2025
"A insubmissa", da uruguaia Cristina Peri Rossi, é daqueles livros que se revelam uma descoberta preciosa. Um romance de formação, episódico, que acompanha a infância e o início da adolescência de uma protagonista como poucas vezes vi na literatura — uma menina que desde cedo entende que viver é, antes de tudo, não aceitar o mundo como ele é.

A narrativa começa por volta dos três anos da personagem e vai até os quinze, mais ou menos, passando por episódios que encapsulam com precisão espantosa os momentos mais formativos — e mais absurdamente sinceros — da vida. Cristina Peri Rossi escreve com uma consciência narrativa afiada: cada capítulo tem começo, meio e um fim que parece o encaixe exato de uma peça. Termina e você respira fundo, como quem sai de uma conversa importante.

A protagonista — insubmissa, como o título já adianta — é livre das expectativas e regras do mundo adulto. Ela observa o mundo com uma lógica própria, incorruptível, e não vê estranhamento algum em, por exemplo, estar apaixonada por outra menina. Para ela, claro que o objeto do amor seriam as mulheres. E quando alguém diz que os homossexuais vão para o inferno, ela se recusa a aceitar: como é que Deus faz alguém para depois condenar? Ela se pergunta, então: um pecador que não tem consciência do seu pecado ainda assim está pecando? — e a resposta adulta (sim) faz com que ela se indigne com o próprio Deus.

Cristina consegue acessar a mente da criança de um jeito que pouquíssima literatura consegue — e talvez porque muita nem tente. Em dado momento, a menina começa a estocar comida no quarto, a tentar fazer fogo, porque escuta que, se não se comportar, vai pro orfanato. Ela nem sabe o que é um orfanato, mas se prepara para esse destino com a seriedade e a lógica de uma criança que acredita em tudo que dizem.

As memórias passam pela escola, pela cidade, pela fazenda. Tem a formação dela como leitora — de clássicos, contemporâneos, poetas —, e essa construção da subjetividade através da leitura é também um dos grandes achados do livro. Cristina escreve com uma elegância feroz. É, sem dúvida, o livro mais bem escrito que li este ano. Vários momentos me lembraram A vida mentirosa dos adultos, da Elena Ferrante, mas com um brilho muito próprio.

E no meio disso tudo, há um trecho que, sozinho, já valeria o livro inteiro. É quando ela lê a dedicatória de Garota Querida, de William Saroyan, e entende, pela primeira vez, a natureza essencialmente falha — e por isso mesmo profundamente bela — do amor. “O amor não se pode dizer”, ela escreve. E o que faz o apaixonado? Rodeia. Cerca. Escreve poemas. Dá presentes. Tenta tocar o indizível com gestos. Aquele que ama quer oferecer o que é, e até o que foi, antes mesmo de ter visto o outro. Porque é isso: a experiência amorosa é anterior à linguagem e maior que ela. É um olhar que quer se fundir, e que, ao mesmo tempo, reconhece que o outro está fora, e por isso se olha, se penetra, se escapa. Cristina entende tudo — e nos faz entender junto.

Cristina Peri Rossi, uma das grandes vozes da literatura latino-americana, estava quase fora de catálogo no Brasil. "A insubmissa", seu mais recente romance, chegou agora pela Bazar do Tempo — e, felizmente, ganhamos também a antologia "Nossa vingança é o amor" (editora 34), reunindo alguns dos melhores poemas da autora. Que sorte a nossa.

Virar fã foi inevitável. E se você gosta de romances de formação, vá. Leia. Porque esse livro é extraordinário.
Profile Image for Marta Silva.
352 reviews123 followers
July 24, 2026
“Por um motivo que não compreendia, o meu tio gostava de me expor ao ridículo, como a outras mulheres, mas neste caso, por razões completamente opostas. Desprezava as mulheres por serem incultas, e a mim, porque tentava ter a cultura que lhes faltava.”

A autora não podia ter escolhido melhor protagonista para um livro do que ela própria.
Neste, autobiográfico, ao assumir o papel principal, legitima e eleva a narrativa, tornando-a indissociável da sua própria identidade.
Excelente leitura, recomendo!


Profile Image for Valeria.
34 reviews760 followers
January 2, 2022
Cuando comencé “La insumisa” supuse que sería una autobiografía que abordaría toda la vida de Peri Rossi, sin embargo, y no por ello menos valiosa, recorre únicamente su infancia, su preadolescencia y un brochazo anecdótico del amor vivido desde la adultez.

Es con aquellos años, con los que vemos quién iba a ser “la Peri Rossi”, los años cruciales de nuestra vida, los que constituirán sus principios, su inconformismo, su lucha por los derechos equitativos, su ansia lectora, sus deseos y pasiones.

Hace poco leía una frase de Aurora Venturini que decía así: “La familia es el origen de todas las violencias”. Creo que este libro es una muestra de ello. Contado por una niña llena inocencia, humor y curiosidad que no llega a entender un sinfín de injusticias que lxs adultxs prefieren no contestar.

Por otro lado me gustaría puntualizar que me ha encantado como aborda el tema de la homosexualidad y el amor. Siempre es un gusto embriagarse de la energía de Cristina Peri Rossi, me ha gustado muchísimo.
Profile Image for Rocio.
417 reviews254 followers
March 9, 2023
Por favor que prosa más bella. Tiene cosas tristes como todas las historias sinceras de mujeres latinoamericanas pero es muy muy hermoso. Lo recomiendo.
Profile Image for hanna (lily).
113 reviews90 followers
June 10, 2026
cristina peri rossi é a leitora mais desejante que ja vi. para ela, não há literatura sem uma relação com as palavras, nao há vida sem essa relação e essa relação é sempre movida pelo desejo. não me lembro mais de qual livro é o poema que ela fica repetindo "minha mulher/ a palavra", mas durante toda a leitura desse seu livro, que é em prosa, esses versos ficaram pulsando em mim.
sua mulher
a palavra.
Profile Image for stephanie.
349 reviews152 followers
June 8, 2020
A modo autobiográfico, Cris nos adentra en un poco de lo que fueron las memorias de su juventud: la familia, los sentimientos, el autodescubrimiento y la rebeldía. Nos va presentando personas o momentos que fueron clave en su crecimiento y desarrollo a convertirla en quién es ahora.

Este libro es un cúmulo de emociones y sensaciones, es una pasión desbordada. Es una caricia suave y amorosa, pero también un huracán que arrasa el alma. Me sentí muy afín en muchas de los temas y opiniones que expresa. Siento qué dibuja con precisión varios límites del alma, con una firme pincelada.
Profile Image for thaís bambozzi.
309 reviews64 followers
July 4, 2025
Uma das minhas leituras preferidas de 2025. Uma delícia e um espanto o que Cristina faz com as palavras nesse livro. Combinando ficção e autobiografia (e um tanto de psicanálise, vale dizer!), os episódios parecem escolhidos a dedo para compor esse mosaico de formação de vida. I love Cristina Peri Rossi a ponto de comprar camiseta na Amazon sim, como diz o poema homônimo.
Profile Image for Bea L.
41 reviews4 followers
August 10, 2024
«La primera vez que me declaré a mi madre, tenía tres años (según los biólogos, los primeros años de nuestra vida son los más inteligentes. El resto es cultura, información, adiestramiento). Yo tenía propósitos serios: pretendía casarme con ella. El matrimonio de mi madre (del cual fui un fruto temprano) había sido un fracaso, y ella estaba triste y angustiada. Los animales domésticos comprenden instintivamente las emociones y los sentimientos de los seres y procuran acompañarlos, consolarlos: yo era un animal doméstico de tres años.»

Así arranca esta novela autobiográfica de Peri Rossi y es que es imposible no querer continuar leyendo.

Suelo ir con cuidado a la narrativa escrita por poetas porque he tenido malas experiencias; el excesivo lirismo que algunos/as utilizan me cuesta. Pero Peri Rossi combina narración con lirismo en su justa medida, describe el deseo, el odio, el amor por la literatura con las palabras perfectas, con inteligencia y personalidad (lee de nuevo y detenidamente el primer párrafo).

'La insumisa' abarca desde los 3 hasta los 13 años de una pequeña Cristina que va experimentando con el mundo que tiene a su alrededor: en sus facetas más traumáticas y en las que le crean contradicciones («ser mujer se convertía en un obstáculo para muchísimos de mis deseos»), pero también se maravilla con la posibilidad de amar a las personas («para mí lo importante era el amor, no quienes lo sentían. ¿Y quiénes eran dignas de amor? Las mujeres, por supuesto») y a los objetos, los libros.

En 'La insumisa', tenemos a una Cristina triste porque nunca viviría los suficientes años para leer todos los libros de la biblioteca de su tío.

No puede leerse a Peri Rossi y no querer darle hasta tu alma. Este libro es de los que gastan la punta del lápiz.
Profile Image for Lucia.
87 reviews122 followers
October 7, 2022
De los mejores libros que leí este año.
Profile Image for Francisca Valencia Arias .
32 reviews1 follower
June 20, 2022
Un viaje a la infancia. De las primeras veces, sagradas, frenéticas, vehementes. La narrativa de una pequeña Cristina, con todo lo que ello implica; la ingenuidad, el descubrimiento, los cuestionamientos, elementos que vuelven realmente entretenidos los diversos relatos. La frescura de las historias, vívidas, revierten el tiempo pasado en presente y ahora te figuras dentro de ellas.

Peri Rossi te invita a revivir(te) tu yo más íntimo, más pequeño, que nunca termina de existir, ni tampoco empieza. Aquel que convive con tus miedos, con tus inhibiciones, con tus por qués. Un libro que enamora, y que duele. Dulce y ácido como la vida misma, pero al mismo tiempo, sin binarismos - por defecto - absolutistas.
Profile Image for Delfina.
107 reviews211 followers
January 3, 2023
Cristina Peri Rossi se rebeló, entre otras cosas, a un legado que su tío le advirtió: las mujeres que escriben "no escriben y si escriben, se suicidan". Una desobediencia que marcó toda su vida.

May Sarton escribió en uno de sus diarios, que estaba segura que para escribir una biografía bastaba con narrar cuatro o seis momentos significativos de nuestra vida, el problema —decía— era encontrarlos.

En La insumisa, Cristina Peri Rossi parece rastrearlos en su infancia y preadolescencia. En ellos explora dónde surgió su espíritu cuestionador, su actitud indócil ante las leyes que rigen el mundo, un mundo caníbal, que devora todo lo que no encaje en su modelo y que Cristina nunca naturalizó.
Aurora Venturini denunciaba que «la familia es el origen de todas las violencias» y en La insumisa también lo es, aunque también es el de la dulzura. Una ternura irreverente que está presente en cada relato (también en los más crudos) de este libro.

La autora es mi poeta favorita, junto a Alejandra Pizarnik y Anne Carson. Su prosa, en cambio, ya lo había advertido en sus novelas, no me despierta la misma admiración. Quienes hayan visitado @mercuriolibros, lo saben: si bien, Estrategias del deseo es mi libro favorito de ella, es este el que recomiendo a quienes todavía no la leyeron porque creo que en La insumisa se encuentran tres cualidades que marcan toda su obra: su salvajismo, su carácter indisciplinado y su curiosidad.
Y aunque, también reparo en que me resultó un libro irregular, con fragmentos —como el del tío que cité o el primero, donde recuerda a una niña de tres años que le pide casamiento a su madre para poder cuidarla toda la vida— me gustaron y conmovieron. Otros, más de los que hubiera sospechado, me dejaron indiferente.
Profile Image for Julia García Marañón.
199 reviews120 followers
October 5, 2022
Capítulos independientes autobiográficos de la infancia de la autora. Habla sobre la niña que fue con cariño, respetando y dando importancia a todos los pensamientos, emociones y experiencias que tuvo. No ridiculiza su valentía, ni su no sumisión a los adultos (especialmente los más violentos) que la rodeaban. Imposible no encariñarse de la niña apasionada que fue, ni de la escritora apasionada que es.
Profile Image for Marcela Cor.
94 reviews3 followers
December 10, 2025
Para se falar com tanta intimidade da infância é preciso nunca ter rompido com a criança que se foi. Peri Rossi certamente ainda tem muito dessa criança viva dentro de si e conseguiu, com muita sensibilidade, humor e psicanálise, contar sobre o que a constituiu como pessoa.
Profile Image for Leyre Ciordia.
77 reviews32 followers
February 16, 2024
me ha costado unos días pensar en lo que puedo escribir a cerca de esta obra y, simplemente, espero que todo el mundo se la llegue a leer en algún momento de su etapa vital. creo que me gustan demasiado las auto ficciones escritas desde personajes infantes, las disfruto y me leo en ellas, pero, además, esta trata vivencias tan crudas desde una mirada tan humilde y tierna.

mi parte favorita ha sido cuando cristina habla de su compañera elsa y todo lo relativo a su relación y deseo (pequeñas sáficas...), pero desde ese puntito infantil lleno de ternura, podría morir "no tenía ganas de que se me pasara-nunca había pensado en eso-ni de que a elsa se le pasara, al contrario, quería que ese cúmulo de emociones nos durara toda la vida, aunque me matara la ansiedad; y no me podía imaginar un momento en que no fuera así" !!!!!!!!!!!!!!!!!!!

y si ya me pongo a hablar de los capítulos dedicados más a "la familia", a su madre, a su padre... quizás exploto porque simplemente ha sido verme ahí, lúcida y muy pequeñita, pero ahí.
Profile Image for Carla.
172 reviews38 followers
January 30, 2023
lo amé. me pareció de una ternura infinita. algunas partes (y esto es híper personal) me costaron muchísimo porque la interpelación llegó a ser literal y removió cascaritas que no sanaron ni sanarán.
incluso por eso es un libro bellísimo.
Profile Image for Fati Liébana.
98 reviews35 followers
July 27, 2022
Bueno, increíble.
Una de las personas que me inspiró a leerlo dijo que se rió y lloró en partes iguales. Comparto al cien por ciento.
Profile Image for Sara Pascual.
17 reviews
August 1, 2023
“Síntoma inequívoco del amor es contarle a otro nuestra infancia”. Precioso
Profile Image for izzy.
316 reviews11 followers
July 28, 2026
um luxo de escrita e de mulher. maior descoberta literaria de 2026
Profile Image for Sophie.
135 reviews
Read
May 14, 2026
"cambiar de amor es cambiar de diccionario, y dejar un amor es perder un dialecto"
Profile Image for Stéfani Tedros.
251 reviews15 followers
December 6, 2020
Novela profunda, emotiva, crítica y maravillosa. Cristina logra que nos adentremos en su mundo y salgamos diferentes.
Profile Image for Majo Morales.
178 reviews126 followers
January 19, 2024
hay momentos tristes y otros muy adorables y graciosos. es realmente un libro imperdible y espectacular.
Profile Image for Daniela  libroscomoalas.
439 reviews1 follower
January 11, 2024
Primer encuentro con Peri Rossi. Esta lectura es fascinante. Escrita desde la inocencia de la infancia, terminé amando a Cristina y su espontaneidad.
Profile Image for Ángela Ma. Sánchez.
117 reviews2 followers
January 12, 2026
Quiero más.

Esta es una autobiografía de Cristina Peri Rossi que está construida a partir de los momentos de su vida que supongo la llevaron a ser quien es hoy. Nos falta reconocerla y leerla tantísimo más.
Profile Image for VIVI ★.
83 reviews23 followers
June 24, 2026
❝A luz achata, aplana as coisas, os objetos; ao iluminá-los, curiosamente, os borra. Sabiam bem disso os construtores de templos de todas as religiões: na escuridão, só iluminada pela luz de velas, o espaço adquire solenidade, a liturgia comove, nos faz mais sensíveis, mais vulneráveis, e propicia a fantasia, a magia. (Fazer amor com a luz do centro do quarto é um sacrilégio: não há beleza que resista à iluminação de cada linha, de cada curva; fazer amor na escuridão absoluta nos devolve à condição primitiva, animal, portanto, desajeitada: ninguém está livre de afundar o cotovelo no osso do peito de seu parceiro. Fazer amor na sábia penumbra das velas engrandece o ato, sacraliza-o, aprofunda-o, perseguimos a sombra do nosso desejo, que é, além do mais, o único que podemos perseguir, estamos em permanente aproximação daquilo que escapa com a luz que cintila)❞

A Insubmissa foi um livro que encontrei por acaso. Alguém postou uma foto do trecho acima e achei a escrita comovente. A autora conseguiu descrever algo que sempre pensei, mas não sabia como colocar em palavras. Os melhores livros costumam ser assim. Quando descobri depois de pesquisar afundo que a autora é uma mulher lésbica, e que esse livro relata a sua vida sendo insubmissa aos valores tradicionais que a sociedade impõe ao longo da vida de uma mulher, especialmente mulheres lésbicas, foi como receber um presente de natal em pleno verão.

Eu estava muito animada para começar a ler, e gostei bastante. A personagem da autora é uma menina que provoca ternura, e facilmente nos convence a ler sua história.

Teve algumas partes que me deixaram um pouco confusa, mas logo depois a autora me trouxe de volta. Os trechos que mais me comoveram são quando a autora explica com suas próprias palavras sentimentos que me fizeram parar e pensar: é assim como me sinto, mais que não sabia explicar. Especialmente quando se trata da paixão, e da religião e homossexualidade. Como James Baldwin disse: "Você acha que a sua dor e a sua mágoa são inéditas na história do mundo, mas então você lê."

❝ Eu lia com o deleite indiscriminado de uma viciada e de uma convertida. Minha religião era a literatura. ❞

Abaixo alguns trexos da obra que gostei muito:

"Sempre tive medo de me parecer com você e, no fundo, sempre pensei que me parecia com você; o pior não era, talvez, ter herdado algum dos traços do seu caráter (e se foi assim consegui eliminá-los, torná-los irreconhecíveis), mas sim sua solidão, seu fracasso, sua orgulhosa tristeza."

"Eu só queria que você me deixasse em paz, que se esquecesse de mim, mas você não estava disposto a isso, como se uma força obscura te conduzisse ao inevitável fracasso, como se, ao desejar ser amado, você tivesse se precipitado ao ódio."

"Anos depois li, em Freud, que os meninos e as meninas costumam acreditar que são iguais. Até que uma adulta boba — a mãe ou a avó — ensina à menina que lhe falta algo. E a menina costuma se sentir culpada por aquilo que falta. É um ser incompleto, imaturo, não terminado. Como a Sinfonia inacabada de Schubert. A mulher é incompleta, quem a completará? Virá o Príncipe para completá-la? Virá o Príncipe ou virá o Lobo? Virá completá-la o marido, o amante, ou a completarão os filhos? Pobre criatura a quem falta algo, pobre ser sem ser, em busca do que lhe falta. (...) Nunca escutei definirem um homem pelo que lhe falta."

*Os usos sociais eram incômodos, arbitrários, inibiam as pessoas e as obrigavam a fazer coisas que não desejavam, e a renunciar às que queriam verdadeiramente fazer."

"Nós duas éramos tímidas, mas eu pertencia a esse tipo de tímida que se lança perigosamente quando deseja algo de maneira intensa, seja justiça, bondade, amizade ou sabedoria."

"A verdade é que eu não tinha prestado atenção nessa conduta. Para mim o importante era o amor, não quem o sentia. E quem eram dignas de amor? As mulheres, é claro."

"— Quando um homossexual morre, ele vai para o inferno — disse Alina com autoridade.
— E se ele não soubesse que era homossexual?
— Vai para o inferno de qualquer maneira — respondeu.
Isso sim me indignou. Uma coisa era cometer um pecado sabendo disso, e outra, ignorando que fosse pecado.
— Eu vou deixar de ser anormal — disse Alina, horrorizada.
Se deixar de ser anormal consistia em deixar de amar Elsa, eu não me sentia capaz de fazê-lo."

"Naquela noite, antes de me deitar, tive minha primeira dissidência com Deus. Se todos éramos filhos de Deus e Deus nos havia criado, tinha me criado anormal, e, portanto, não era culpa minha. Eu não tinha pecado por sê-lo, de modo que não me sentia culpada. E se eu morresse anormal e me enviassem para o inferno, eu aceitaria com resignação, porque Deus me criou assim."

"O que se diz nesse livrinho não é o que eu te diria em definitivo; mas que ele seja o primeiro entre muitos presentes de amor: um dom feito de tudo o que eu era em anos já remotos, antes de ter te visto”
(...) O amor é indizível, por isso mesmo temos que rodeá-lo tantas vezes, assediá-lo por todos os lados, sabendo, em suma, que é inabordável. O amor não se pode dizer, por isso mesmo todos nós escrevemos poemas de amor quando estamos apaixonados, e lemos ensaios sobre o amor, e ficamos às voltas com a impossibilidade de dizer o que amamos quando amamos e quem amamos quando amamos. Da humildade de reconhecer que nem sequer um bom escritor pode dizer algo sobre o amor que sente, Saroyan lhe dedicava o livro com a advertência de que não era isso o que queria dizer em definitivo, mas o definitivo talvez nunca viesse. No entanto, desse fracasso, resgatava o livro por ser um “presente de amor”. Um dos muitos presentes do amor. Maravilhoso reconhecimento: o amor se reconhece pela vontade de presentear. Pelo desejo de presentear. O amor deve ser recebido como um presente para dar ao outro. E o que se presenteia? “Tudo o que eu era em anos já remotos, antes de ter te visto.” Ao outro, à outra, se dá o que se é e o que se foi (...)"

"Porque o apaixonado não quer possuir só o presente, está especialmente enciumado do passado, ali onde biograficamente não pôde estar. O “se eu tivesse te conhecido antes…” é a falácia com a qual tentamos preencher esse vazio, arrepender-nos desse passado em que o outro ou a outra não esteve, mas teria querido estar, teríamos querido que estivesse. Pavese escreveu: “Um sintoma inequívoco do amor é contar ao outro nossa infância.” Ali onde não pôde estar, o que não puderam compartilhar."

"Saroyan o entrega, lhe entrega quem era “antes de ter te visto” em forma de livro. Compreendi em toda a sua intensidade a delicadeza e a profundidade de haver usado o verbo ver no lugar de conhecer. Não diz “antes de te conhecer”: diz antes de te ver. Como Dante viu Beatriz na saída da igreja. Não conhecemos o outro, a outra: a vemos. “Antes de te ver”: os olhos amam. Os olhos acariciam, investigam, capturam, possuem… Dois apaixonados não param de se olhar, como se o olhar fosse o falo. Eu te penetro, você me penetra com o olhar. Eu te olho, você me olha, e, nas suas pupilas, eu me olho te olhar, e você nas minhas se olha me olhar. Eu te olho justamente porque você está fora, porque eu não estou em você e quero estar, quero me fundir. O olhar é o reconhecimento de que quem amamos está fora, não dentro. E de que gostaríamos de possuir o impossível: enquanto nos olhamos experimentamos uma prazerosa inquietude, uma cumplicidade que flui, mas que parece se romper quando um dos apaixonados abaixa a cabeça ou se vira. Aí escapa. Aí começa a solidão."


E do posfácio:

"Afinal, o que é a memória senão uma história que contamos para nós e para os outros, construindo — e reconstruindo — uma narrativa entre as cenas que lembramos e as que não?"

"Traduzir é, por definição, transladar. Mudar algo de lugar, fazer algo viajar, percorrer o trajeto entre um ponto e outro. Nesse sentido, aquilo que é traduzido está fadado a um exílio permanente, uma nostalgia impossível do original de onde se parte e a angústia sobre o que se perde no caminho."


❝Desabotoei com rapidez os botões prateados da sua bela blusa branca e uma torrente de leite branquíssimo cobriu meu rosto. Isso era o que eu tinha desejado minha vida inteira: um grande derramamento de seios brancos como leite, macios como leite, derramados como leite cobrindo-me os olhos, as sobrancelhas, os cílios, as bochechas, a boca. Se eu havia sido por acidente da vida um bezerro sem mãe, agora, depois de muitos anos, obtinha a recompensa, agora era um bezerro faminto, que mama, que suga com frenesi, agarrado ao mamilo como um órfão, um bezerro voraz, sedento, envolvente, embebido.❞
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December 14, 2021
-¿Qué te gustaría ser de grande?
-Escritora - contesté sin vacilación.
Él hizo una pausa y después siguió:
-¿Cuántos libros escritos por mujeres hay en esta biblioteca?
-Tres -dije-. Un cuarto propio, de Virginia Woolf, una antología de poemas de Alfonsina Storni y otro depoemas de Safo.
-¿Leiste sus biografías? --preguntó.
-Sí-respondi.
-¿Leíste cómo murieron?
-Se suicidaron -dije.
-Pues aprende la lección --me dijo-: Las mujeres no
escriben, y cuando escriben, se suicidan.

Este libro es una belleza. Es el relato de un despertar de la conciencia que cuestiona y se sorprende al escuchar las respuestas de sus mayores a sus preguntas. El diálogo reproducido arriba es una muestra de lo absurdo que parece hoy lo que hace unos años era la perspectiva dominante. Y desgraciadamente lo sigue siendo en una gran parte de nuestro mundo.

Cristina Peri Rossi describe, de forma sencilla y trepidante, las experiencias relacionadas con su cuerpo, las sensaciones para las que aún no tiene palabras, pero que hacen vibrar su ser.

Tuve la suerte de encontrar este ejemplar importado, porque donde vivo no se ha publicado nada de la obra de la autora. Seguramente, tras recibir el Premio Cervantes 2021 a finales de 2021, habrá una mayor disponibilidad de la obra de esta maravillosa escritora.
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