Jump to ratings and reviews
Rate this book

Arquipélago

Rate this book
Açores, 1980. Quando um grande terramoto faz estremecer a ilha Terceira, o pequeno José Artur Drumonde dá-se conta de que não consegue sentir a terra tremer debaixo dos pés. Inexplicável, esse mistério há-de acompanhá-lo durante toda a vida. Usando a mestria narrativa e o apuro literário dos clássicos, bem como um dom especial para trazer à vida os lugares, as gentes e a História dos Açores, Joel Neto apresenta um romance de grande fôlego, em que a ilha é também protagonista de uma epopeia corajosa e emocionante como há muito não se via na literatura portuguesa.

459 pages, Paperback

First published May 1, 2015

16 people are currently reading
317 people want to read

About the author

Joel Neto

22 books159 followers
Joel Neto é autor dos romances "Arquipélago" (2015), "Os Sítios Sem Resposta" (2013) e "O Terceiro Servo" (2000), para além do volume de contos "O Citroën Que Escrevia Novelas Mexicanas" (2002) e de vários outros livros de diferentes géneros. Publica semanalmente no jornal "Diário de Notícias" a coluna "A Vida No Campo", série de relatos sobre o seu próprio regresso à Terra Chã, freguesia rural da ilha Terceira (Açores), e é cronista permanente de vários diários portugueses e da diáspora portuguesa. Antigo jornalista, trabalhou na imprensa, na televisão e na rádio, nas qualidades de repórter, editor, comentador e anfitrião, tendo ligado o seu nome à maior parte dos principais meios de comunicação social portugueses. "Arquipélago" (ed. Marcador/Os Livros RTP) mereceu rápido aplauso da crítica e do público, esgotando a primeira edição ao fim de duas semanas.
O seu último livro, "A Vida no Campo (ed. Marcador), publicado em Maio de 2016, esgotou a primeira edição ainda antes de chegar às livrarias.

Ratings & Reviews

What do you think?
Rate this book

Friends & Following

Create a free account to discover what your friends think of this book!

Community Reviews

5 stars
129 (43%)
4 stars
114 (38%)
3 stars
50 (16%)
2 stars
4 (1%)
1 star
1 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 67 reviews
Profile Image for Teresa.
1,492 reviews
December 15, 2018
Escudada pelos mais de 2.000 livros que já li, de todos os géneros e ao longo de mais de 50 anos, permito-me dizer que este romance é MUITO BOM. Outros leitores poderão não o apreciar, o que é perfeitamente legítimo, pois cada um tem os seus gostos pessoais. Mas se alguém disser que é um livro mau será por não o ter lido, ou por outros motivos obscuros.

Nos últimos anos, adquiri o hábito de ler mais do que um livro ao mesmo tempo. Em 2018 abusei desta mania porque, como já não trabalho e faço da leitura a minha ocupação principal (quase uma espécie de "profissão"), necessito de variar para que não se torne monótono. No entanto, assim que iniciei Arquipélago, até chegar à última página — incluindo a dos agradecimentos — desinteressei-me totalmente dos outros livros.

Gostei muito de tudo neste romance. Da prosa bonita, cuidada e sem floreados à toa. Das personagens fortes, consistentes, sem nunca parecerem "bonecos" mas sim gente autêntica, com defeitos e qualidades. Das subtis referências literárias, que revelam o autor como grande leitor. Do domínio da escrita, pois contar uma saga familiar, com dezenas de personagens, utilizando avanços e recuos no tempo, sem nunca permitir que o leitor se perca é só para um grande escritor.

O cenário principal é os Açores e o seu povo, com as suas lendas e tradições. Nunca lá fui (só através das palavras de Joel Neto), e não sei se alguma vez irei; para já, ficou o desejo, que atenuarei comprando feijão canário para cozinhar uma Sopa Azeda e, assim, tentar sentir um pouco o sabor das Ilhas.

Logo que receba, da Wook, o meu exemplar de Meridiano 28, vou colocá-lo na "montanha" de livros que já seleccionei para ler em 2019, onde estão 58 de autores laureados com o Prémio Nobel da Literatura. Estou convicta de que irei gostar muito mais do romance de Joel Neto do que de algumas obras dos nobilíssimos.
Profile Image for Ana | The Phoenix Flight.
242 reviews181 followers
September 20, 2018
Há qualquer coisa de hipnótico em ler livros que se passam em sítios que conhecemos. É o caso do Arquipélago, que se passa maioritariamente na ilha Terceira, nos Açores, que é de longe um dos meus sítios preferidos no planeta (pelo menos até agora)! Senti-me transportada para lá, infelizmente não fisicamente, mas deu-me umas saudades loucas e muita, muita vontade de lá voltar.

A história é intrincada, com muitas personagens e muitos nomes parecidos, o que por vezes pode causar alguma confusão, mas é para isso que há uma lista de personagens no início do livro.

É impossível não nos irmos entusiasmando com as descobertas da personagens principal, ou sentir cada golpe que a vida lhe dá, cada emoção que sente ao aprofundar mais a história da sua própria família.

Tem sido um ano fantástico de descoberta de autores portugueses, para mim! Vou querer ler mais do Joel Neto. Aliás, vou querer ler tudo, se isso me levar até à Terceira ;)
Profile Image for Ana.
759 reviews178 followers
June 28, 2016
É entusiasmante conhecer novos autores e mais entusiasmante é quando os mesmos são portugueses. Eleva-me o orgulho luso que me corre nas veias a patamares ainda mais altos.
Joel Neto e o seu Arquipélago aterraram cá em casa muito por causa da sinopse presente na contracapa da obra e da viagem que prometiam por terras açorianas. Como ainda não tive o privilégio de viajar fisicamente a nenhuma das nove ilhas que compõem um dos últimos paraísos na terra, achei que uma ida até à ilha Terceira através de 459 páginas recheadas de palavras seria uma alternativa bem gostosa. E não me enganei.
Do princípio ao fim, a leitura de Arquipélago envolve-nos, enreda-se em nós e subjuga-nos como o típico nevoeiro açoriano que nos impossibilita ver para além do que está ao alcance das nossas mãos. Nos oito dias em que o romance me fez companhia foi assim que me senti, atrapada num redil de paisagens geográficas, climatéricas, gastronómicas, linguísticas, místicas, míticas, históricas, sociais e pessoais. Ou seja, presenteou-me com uma viagem iniciática ao mundo terceirense, uma descoberta que vai muito para além dos conhecimentos rudimentares que possuía sobre esse “calhau” perdido nas águas profundas do Atlântico.
Fiz essa viagem iniciática acompanhando de muito pertinho os passos do protagonista, o carismático José Artur que regressa à aldeia natal depois de muitos anos afastado das terras vulcânicas que o viram nascer. Na bagagem traz um casamento desfeito, uma relação atribulada com uma aluna, outra caracterizada pelo distanciamento com o seu pai e o seu único filho e muito desencanto e apatia perante o que a vida lhe poderá trazer.
É assim um homem como tanto outros sem nada em particular que o destaque dos restantes. É o perfeito retrato de um anti-herói, mas precisamente por isso não se lhe consegue resistir. Eu pelo menos não consegui. Desde que poisa os pés na Terceira, José Artur começa lentamente a renascer. Olha, aprecia, cheira, ouve, recorda. Interpreta um duplo papel – por um lado, atua como se um turista fosse, mas por outro inicia um processo de deitar raízes, de conquistar o seu lugar numa aldeia que já foi sua e consequentemente voltar a segurar as rédeas da sua existência, uma existência que apenas parece fazer pleno sentido ali, no meio do oceano, num pedaço de terra com características muito próprias.
Aliado a esta criação de raízes está uma demanda que “escavaca” a história do arquipélago, mais propriamente da ilha Terceira, que questiona verdades “inquestionáveis”, que põe em aberto, através de inúmeros indícios físicos, a hipótese de as suas terras terem sido habitadas antes de os portugueses lá terem chegado. Estão igualmente tradições, ritos únicos, que harmonizam homem e natureza, que ditam regras sociais que recordam outros tempos e que aliam a ancestralidade aos finais do século XX e quem sabe princípios do século XXI.
Arquipélago é então isto, mas é ainda muito mais. É uma obra extraordinariamente bem escrita, povoada por personagens moldadas pela paisagem que as rodeia, por uma vida carregada de inconstâncias, de reviravoltas repentinas e de uma melancolia ou acomodação tão semelhantes ao clima açoriano. Nomeio aquelas que mais me tocaram – Luísa, tão inatingível e tão cativante; Elias Mão-de-Ferro, que carrega uma vida de dor e de sofrimento; José Guilherme, avô de José Artur e que nos conquista pela sua retidão e sentido do dever; La Salete, que nos amansa com a sua presença e nos conforta os sentidos e a alma através dos pratos que confeciona; André, filho de José Artur, uma surpresa de responsabilidade e maturidade e finalmente Maria Rosa, filha de Luísa, comparsa de José Artur nas suas aventuras hortícolas e que me derreteu desde o primeiro contacto que tive com ela.
Este romance é ainda um hino ao que de mais genuíno tem a ilha Terceira – as suas iguarias gastronómicas (é humanamente impossível não salivarmos com as descrições magistralmente olfativas e gustativas que o autor faz da redescoberta culinária de José Artur na modesta sala do “tasco” do “Cabrinha”, pai de La-Salete) e a sua língua, um português mais antigo, digamos mais original, e temperado com americanismos e regionalismos.
Por fim, este romance é, na minha opinião, a confirmação de Joel Neto enquanto autor, pois, para além do que já foi referido, Arquipélago está maravilhosamente bem escrito, bem pensado e bem estruturado. A escrita é singela, mistura partes carregadas de mistério, de ações comezinhas, de dia-a-dia de gente simples, arreigada ao seu espaço, às suas tradições e aos seus ideais, com outras mais intimistas, do foro mais privado, que nos falam de culpa, de ódio, de ressentimento, de recordações, de apaziguamentos, de amizades e de amores – de pai e filho, de neto e avô, de homem e mulher, de irmãos. Dei frequentemente comigo a sorrir, a sofrer, a ansiar por respostas, a mostrar estupefação perante mais uma reviravolta que adiava a resolução dos mistérios que apimentam a narrativa e sobretudo a partilhar com José Artur das saudades de uma infância na companhia dos avós, aquela que considero a mais memorável de todas.
Ora tudo isto é mais do que suficiente para afirmar que Joel Neto criou uma das melhores obras que li nos últimos tempos e que me vai obrigar a querer ler o que publicou e que publicará – a começar pela sua última publicação – A vida no campo.
Recomendadíssimo! Sem dúvidas!

NOTA – 10/10

http://osabordosmeuslivros.blogspot.p...
Profile Image for Paula Fialho Silva.
225 reviews118 followers
April 7, 2019
Este livro marcou a minha estreia com este autor. Desconhecia a obra de Joel Neto e não fazia ideia do que estava a perder. Que grande leitura! Revivi imagens da minha viagem à Terceira e fiquei com uma imensa vontade de lá voltar! Em breve irei ler outra obra do autor e espero que me fascine tanto como esta.
Profile Image for Célia Loureiro.
Author 30 books965 followers
July 8, 2016
“Arquipélago” foi tantas coisas, e nenhuma foi a que esperava. Imaginei um romance sobre um homem de meia-idade a redescobrir a sua terra – e Portugal é tão rico em “terras”, que um tratado assim sobre os Açores me faz brilhar os olhos de orgulho - quem sabe a revisitar o passado, talvez uma narrativa mais debruçada no ontem do que no agora. Porém, Joel Neto levou o que teria sido previsível muito mais além.
Ontem fechei a última página deste livro maior às 01:30. A sua riqueza assenta, sobretudo, na nitidez do retrato das ilhas, sobretudo da Terceira, que volvidas 450 páginas nos é agora familiar. O cheiro da terra, do oceano a atirar-se contra a ilha, dos jardins de hortênsias, ficam com o leitor para a posterioridade. Os nevoeiros adicionam-lhe o toque místico que, com tanta mestria, o autor veio aqui desvendar. É sempre um dom, ser-se bom a pintar retratos fictícios. É um instrumento poderosíssimo para projectar imagens na mente do leitor (e o que procura este livro é porque quer uma viagem aos Açores). Até hoje julgo que nenhum autor português (teria de revisitar Eça ou Camilo para o dizer em absoluto) teve este talento para descrever paisagens e as entranhar em nós.
Há um misticismo e um sentido de tragédia no romance, que é também o sentido de fatalidade do nosso povo, às vezes esquecido dos dois braços além-mar. A carranca, o vira-costas, a navalha para descascar fruta e o cajado para auxiliar o andar são nossos no Alentejo e na Terra Chã. O sotaque profundo, um português mais antigo, quiçá, também é nosso em Trás-os-Montes e na Terra Chã. E é-se tão português, neste livro! É-se o português intelectual e o português intelectualóide, é-se o português frustrado porque não consegue elevar a voz mais além e o português conformado que só quer sopas e descanso. É-se o português que leva tudo a peito e para quem a mínima ofensa vira a zanga de uma vida, e é-se o português que não sabe bem o que quer e que mete os pés pelas mãos e que salva o dia quase por casualidade.
As lendas, a gastronomia, os lugares, a fauna e a flora aqui tão naturalmente inseridas numa narração complexa são pedaços de um objectivo maior; a teia adensa-se e o livro culmina num climax que me manteve o coração em suspenso. Se tudo tivesse terminado aí, eu teria atribuído uma estrela suplementar – a última que lhe faltava, apesar de, fora isso, o meu único reparo ser o da primeira parte se arrastar um pouco, até quase perder o ritmo, e foi aí que parei a leitura durante uns meses. Depois, com um engasgue do tubo de escape do Boca de Sapo, voltei a levantar-me do chão e logo ao virar da esquina estava a nova bandeira, pelo que prossegui sem mais obstáculos e com entusiasmo até ao fim. Não me agradou o epílogo, e apenas isso, porque acho que sem ele o romance seria mais autêntico, ter-se-ia entranhado melhor, e salvar-se-ia a credibilidade das coisas impossíveis que por esses cerrados fora se foram sucedendo. Não é um livro menor por isso.
Há muito que o país precisava de um autor assim, de um autor que agarrasse um livro como quem agarra a corda que da outra extremidade o touro rechaça. Portugal está mais rico na literatura hoje, e estarei sempre atenta às novas obras que este punho produza.
---------------------------
Uma nota para a minha personagem favorita, soberbamente criada, que foi Elias Mão-de-Ferro. Passei grande parte das férias da infância rodeada de velhos benigos, "com cheiro de velho limpo", e vê-los a fazer cestas, abrir feijão-verde, descascar frutas com a faquinha de bolso. Amei-os aí e agora, e só por isso Elias, para mim, foi todas essas pessoas que adoro e que já descansam debaixo de terra.
--------------------------
A segunda nota diz respeito a Luísa, a viúva de cabelos negros e sardas que dá passeios ao cair da noite. Eu nada entendo do amor, e este é tão intrigante quanto os que tenho testemunhado... Quando uma pessoa nada diz, nada faz, nem nos olha, não há um motivo, uma racionalidade, que explique a atracção e muito menos a veneração, e o amor dá-se. Não a entendi e desconfio que era nessa incompreensão que se baseava este amor.
--------------------------------
Profile Image for Carla.
285 reviews85 followers
November 10, 2016
Mas que livro é este? Mas que autor é este?

Espero um dia conseguir arrumar ideias para transmitir o tanto que este livro me deu.
Profile Image for Roberta Frontini (Blogue FLAMES).
387 reviews65 followers
April 8, 2016
Como é que uma pessoa que não sabe escrever e que tem dificuldades em exprimir o que sente poderá, alguma vez, falar sobre este livro?
A tentativa será feita porque a minha vontade de o dar a conhecer ao mundo é gigante, mas sei que o resultado final será coxo.

De vez em quando gosto de conhecer bons autores portugueses. Não raras vezes conseguem surpreender-me e várias vezes são as que se tornam autores para a vida. A culpada de querer ler Arquipélago foi a minha mãe que, tendo lido a obra "Os sítios sem resposta" ficou fã incondicional do trabalho do autor. Depois de várias insistências e de termos voltado a falar sobre ele no encontro com o autor Paulo Caiado (que podem ver aqui - http://flamesmr.blogspot.pt/2015/10/e...), acabei por aceder ao seu pedido e foi precisamente ela que o começou a ler antes de mim. A minha relutância em o ler prende-se apenas com o facto de eu e a minha mãe termos gostos opostos. No entanto, por vezes, é precisamente ela que me apresenta autores e obras que me acompanharão para sempre. É o caso de Richard Zimler, Carlos Ruiz Zafón ou David Liss. E agora, é o caso de Joel Neto.

A trama passa-se em território nacional e predominantemente nos Açores. Não conheço os Açores, mas posso dizer que já lá estive, guiada por Joel Neto. De que outra forma se sente um leitor depois de ler esta obra, senão como alguém que já conhece aquelas ilhas de uma ponta à outra? Estou a ser injusta, as ilhas têm muito para oferecer, mas sem dúvida que o Arquipélago entrou para a minha lista de locais a visitar, e de certo que quando lá for irei sentir que estou a voltar a um sítio que já conheço. Adorei a forma como o autor enaltece o lugar, a fauna, a flora e a gastronomia que ele descreve e que quase nos consegue fazer sentir o paladar. Depois temos as vistas, o mar, as paisagens.. e a maneira como descreve a ilha faz-me lembrar o local onde eu nasci, também ilha e também habitado por um vulcão que volta e meia decide fazer-se sentir. E claro, o autor para nos fazer sentir mesmo no local, acaba por nos apresentar rituais, costumes, mas também expressões tão típicas que, para quem tem amigos/conhecidos açorianos como eu, consegue ouvir as personagens a falar com o típico sotaque.

E que dizer das personagens? Personagens que não são apenas criadas pela mente do escritor, mas que por vezes são inspiradas em pessoas reais e moldadas pelo autor. Personagens que se vão encontrando e desencontrando e cuja vidas, por vezes, se entrelaçam... algumas das quais encerram um verdadeiro mistério.. outras que nos vão dar muito a conhecer. E já que falei em mistério, esse foi precisamente o ponto forte do livro para mim. Mistério ou será que deveria falar em mistérios? É que, na verdade, Joel Neto não nos apresenta apenas o mistério do desaparecimento de uma criança, mas cria muitos outros, e é precisamente isso que não nos permite largar o livro. E já que comecei a falar em personagens, gostava de vos apresentar a minha favorita: Maria Rosa. Esta é uma menina que, sempre que aparecia no livro, me fazia rir às gargalhadas. Queria-a lá o tempo inteiro. Queria um livro só com Maria Rosa. Queria uma Maria Rosa na minha vida!

Esta obra não é um simples livro de mistério, não é um simples romance. É quase uma saga familiar que nos faz acompanhar uma personagem principal desde a infância até à vida adulta, e que no epílogo nos conta ainda mais sobre ela. E assim, no final, temos a sensação que vamos fechar um livro e perder um amigo que tanta companhia nos fez e da qual sabemos quase tudo.

A escrita é intocável. Soberba! Vale todos os elogios que lhe têm sido tecidos ao longo destes tempos. Joel Neto e a sua escrita é bom que tenham vindo para ficar! Não resisto a vos referir algo que me aconteceu. Mais ou menos nas últimas 100 páginas senti que o autor estava a brincar comigo. Literalmente! A fazer-me imaginar possibilidades, a trilhar-me caminhos que me pareciam certos, e depois a tirar-me o chão e a deixar-me desamparada ao reformular toda a realidade das personagens... Cheguei a ter pesadelos e insónias porque não conseguia compreender o mistério por detrás de algumas personagens, e não queria parar sem os ter todos desvendados. Quando um livro mexe assim connosco, significa que estamos perante algo de extraordinário. E é por tudo isto que julgo poder afirmar que esta é uma das melhores obras escritas em língua portuguesa nos últimos anos, e Joel Neto um dos maiores e melhores romancistas lusófonos.

A cereja no topo do bolo? Uma coisa que já nada tem a ver com o enredo: a menção, nos agradecimentos, ao fabuloso Luís Miguel Rocha, que tanta falta tem feito ao panorama cultural português!

A opinião no blogue - http://flamesmr.blogspot.pt/2016/02/l...
Profile Image for Carlos Azevedo.
Author 9 books19 followers
November 5, 2016
Existe uma resistência feroz das editoras em divulgar autores portugueses. Edições e re-edições das vacas sagradas e dos pseudo-escritores, jornalistas ou políticos, garantem as vendas.

Quando condescendem a publicar um "novo", acontecem estas pequenas maravilhas do romance português, como é o caso de Arquipélago.

É um romance português. Ponto. E isso é uma recompensa inesperada para um leitor que gosta de conhecer as suas terras e os hábitos que as percorrem. Mas só isso seria uma monografia. Há muitas.

Enredar isso com um romance onde se cruzam as lendas açorianas com o ridículo do meio universitário, e ainda criar um anti-herói que duvida de si e dos outros é o que faz de Arquipélago um dos grandes romances dos últimos anos. Se não fosse a minha admiração pela Dulce Maria Cardoso, diria mesmo que é o melhor. Mas não se trata de nenhum concurso, apesar de aqui também se apontarem estrelas ao livros.

Se estiver a ler isto vá depressa comprar Arquipélago.
Profile Image for Márcia Balsas.
Author 5 books105 followers
November 1, 2016
Já não se escrevem livros assim. Foi o que me disse um amigo acerca deste Arquipélago. E é verdade.
Comecei a lê-lo algum tempo antes de ir aos Açores, na expectativa de iniciar uma leitura que levaria a cabo na ilha Terceira, no cenário do livro. O facto de o ter iniciado algum tempo antes da viagem não me levou a imaginar que o livro se esgotaria antes da partida, ou que me sobrariam apenas meia dúzia de páginas para entreter parte do percurso. Leio sempre vários livros ao mesmo tempo e gosto de “saltar” entre romances, contos e novelas gráficas, portanto um romance de mais de quatrocentas páginas iria durar com certeza.
Mas na verdade aconteceu-me o que já não sucedia há muito tempo. Dediquei-me à leitura de Arquipélago em exclusivo. Não que o tivesse escolhido (ao contrário), mas parece que o livro me escolheu. Não o consegui largar até chegar ao fim, dando por mim muitas vezes, durante o dia, ansiando pelo regresso às suas páginas. Não houve outros livros. Não era possível tirar-me do cenário, arrancar-me da história, demover-me da escrita elegante e envolvente de Joel Neto. É bom encontrar, finalmente, um livro que me leve com ele. É essa sensação de resgate que procuro incansavelmente, e tão poucas vezes encontro.
Gostava de vos contar esta história. Falar sobre as personagens, os seus percursos e encontros. Revelar mistérios e, em surdina, segredar uma história de amor. Mas seria tão pouco, estaria tantos degraus abaixo de experiência que é ouvir as aves, sentir a chuva, e até os abalos, percorrer os anos passados em revelações surpreendentes, conhecer as famílias da trama, e até a intimidade secular de uma ilha surpreendente.
Arquipélago parece um romance de outros tempos, que se abre numa tábua de personagens. Oferece de imediato os nomes e algumas pistas a que voltei, continuamente. Não estava preparada para uma estrutura tão forte e um argumento tão bem elaborado, com acção, reviravoltas imprevistas, histórias dentro de histórias e, acima de tudo, não estava preparada para as palavras feitas de sentimentos. Não imaginava que Joel Neto escrevesse assim, e a maior surpresa foi a emoção que algumas frases me proporcionaram.
Já regressei da viagem. Da viagem aos Açores, porque ainda passeio nas palavras do livro com as memórias desta leitura extraordinária. E também pelas páginas do mais recente A Vida no Campo, por não resistir a continuar embalada pelas avassaladoras paisagens.
Partilho duas fotografias (que podem ver aqui: http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/ar...) de uma pequena expedição, não por páginas, mas por caminhos. Como não visitar a Terra Chã, estando lá?
Pode um livro publicado há um ano ser um clássico?
Não sei. Contudo, para mim será. Não o vou esquecer. Ficará comigo.
Profile Image for Rosie.
462 reviews56 followers
October 4, 2022

"- Sabe, Luísa, não há só duas razões para se viver numa terra destas. Não é preciso ser daqui nem vir fugido. Também se pode viver aqui apenas por amor." Pág. 368

Mas que bela surpresa!

Em termos de escrita, sabia ao que ia porque já tinha lido A vida no Campo, primorosa e genuína; deparei-me com um enredo tão abrangente quanto eloquente. Lendas e questões históricas abordadas com inteligência e parcimónia, personagens carismáticas e autênticas, paisagens idílicas, mistério, romance, o valor da amizade, do amor e da instituição “família”!

"- Digamos que a Arqueologia e a História não se limitaram a construir convenções para demonstrar a expansão da cultura. Também patrocinaram os mitos que explicam tudo aquilo que não conseguem justificar. Em muitos casos, esses mitos são a própria argamassa que as sustém." Pág. 277

Também pela mão do escritor apuramos as pupilas gustativas, apelamos ao olfacto com a miríade de cheiros e deliciamo-nos com as texturas; meras palavras, mas descritas com tal desenvoltura que parece que estamos a degustar deste lado de cá todas aquelas iguarias. A gastronomia ganha contornos tão apelativos, que apetece viajar só para encontrar estes pratos caseiros, numa qualquer velha tasca, feito e servido com aquela dedicação sem par.

"Pairavam no ar cheiros a lenha e a temperos antigos, misturados com o toque do enxofre que a neblina parecia fazer entrar pelas frinchas, e as ferramentas restauradas que se penduravam pelas paredes, e os bordados que repousavam sobre as mesas, e as panelas de ferro que se dispersavam pelos louceiros remetiam-nos para outro tempo antes deles…" Pág. 151

Viajamos pelos Açores, que é, incontornavelmente, sinónimo de natureza e nestas páginas percebemos todo o seu esplendor, sob a forma de paisagens únicas, inesquecíveis e de todas as cores! Já visitei S.Miguel e a Terceira, e tenho o firme propósito de voltar, conhecer outras pérolas, talvez a Ilha das Flores, seja a próxima.

A narrativa envolve-nos em toda uma descoberta, da ilha, do próprio José Artur Drumonde, dos outros, da importância da vida e dos afectos.

"Tacteavam-se devagar, atentos às luzes e às sombras de cada recanto que esquadrinhavam, e ao fim de alguns momentos beijavam-se de novo – ele abraçando-a na sua totalidade, açambarcando-a, e ela sorrindo por entre o vento da noite, a chuva e os terramotos sorrindo com ela, e a humidade salgada dos seus peitos, e o mar que se atirava furioso contra aquela terra, e o primeiro suor do seu pescoço.
A partir daí, o mundo desapareceu. E havia medo e alegria, e havia uma pressa que era ao mesmo tempo a ânsia de que nada daquilo alguma vez acabasse. E havia insegurança, e havia desespero, e havia o corpo dela – e, durante todo aquele tempo, os seus olhares cruzavam-se, e era como se eles de facto se vissem."
Pág.367

Fico feliz quando parto numa viagem da qual nada ou pouco sei e saio deslumbrada.
Atrevam-se!

Profile Image for Rita Araújo.
170 reviews38 followers
June 26, 2016
Não são precisas palavras quando as palavras necessárias estão todas dentro deste livro <3
Profile Image for João Carlos.
670 reviews317 followers
April 30, 2016

Angra do Heroísmo - Ilha Terceira - Açores - Fotografia António Araújo

Review in progress

”Arquipélago” é um excelente romance – de génese açoriana ou insular - no panorama literário português do Séc. XXI; englobando admiravelmente várias temáticas – o sismo na Ilha Terceira em 1980, o mito da Atlântida, a descoberta e a discussão em torno das estruturas megalíticas da Grota do Medo, as seitas ritualistas, as tradições e os costumes seculares do povo terceirense, as "únicas" terminologias ou as expressões idiomáticas terceirenses, a dicotomia ilhéu/continental, a insularidade, o amor e os desamores, os amores e os ódios familiares, um deslumbrante roteiro pelos lugares e pelas paisagens da Ilha Verde, pelos rituais religiosos e pela gastronomia, e muito mais… – numa conjugação primorosa de vários géneros: um romance “histórico”, que combina o suspense/thriller/policial, a que se associa a investigação científica, na área da geologia e da arqueologia, e múltiplos itinerários de “viagens” pelos deslumbrantes cenários arquitectónicos e paisagísticos da Ilha Terceira – Açores.

NOTA: Entre 1985 e 1991, vivi na Ilha Terceira, quase sempre na Terra Chã, frequentando a licenciatura em Engenharia Agrícola, no Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores; iniciando a minha vida profissional, cerca de um ano e meio, na área florestal.
Profile Image for Rita.
911 reviews189 followers
September 16, 2017
Uma declaração de amor aos Açores, com uma pitada de mistério à mistura.

Quando estamos de férias, à beira da piscina e um livro nos desvia numa viagem até aos Açores, mais propriamente para Terra Chã, na Ilha Terceira, isso é absolutamente incrível.

Através da saga dos Drumonde, dos Ferreira-Goulart, e de mais umas quantas personagens, Joel Neto apresenta-nos a Ilha Terceira, as suas tradições, rituais, gastronomia, religiosidade, expressões, sotaques e particularidades dos insulares. A juntar a isto as soberbas descrições de lugares que prontamente se formam na nossa imaginação e que entram imediatamente para aquela “The ultimate travel bucket list”.

Um romance muito bem elaborado, poderoso, escrito de uma forma superlativa e que nos embala, emociona e nos deixa completamente rendidos.
Quanto às personagens, a Maria Rosa e o Elias Mão-de-Ferro são os meus preferidos, já o José Artur e as suas dúvidas, indecisões e culpas enervou-me por diversas vezes, mas no final estava a torcer por ele.

Açores - Ilha Terceira
Açores - Ilha Terceira
Profile Image for Maria Ferreira.
227 reviews50 followers
April 13, 2019
A minha estreia com este autor, adorei a escrita e o enredo. Dos Açores conheço apenas uma das ilhas, mas as descrições das paisagens, as falas da terra e as comidas que Neto tão bem descreveu, fez-me sentir como se lá estivesse, saudosa e com vontade de voltar, é um lugar onde o tempo não corre. A proximidade do mar, os campos verdes, os animais a conviver nas pradarias, a beleza natural do nosso planeta, o cheiro a enxofre, tudo é perfeito e maravilhoso, e Neto consegue reproduzir tudo isto neste romance.

José Artur nasce nos Açores, mas em criança vem para o continente, na companhia dos pais, nunca esquece o avô paterno Açoriano que por lá ficara. José Artur cresce, casa-se, forma-se, torna-se pai e professor universitário, regressa aos Açores já com 44 anos para escrever a sua tese de Doutoramento. Decide comprar a casa do avô e reconstruir aquela que foi a sua primeira morada. Descobre umas ossadas enterradas na garagem, os ossos pertenciam a sua grande amiga de infância desaparecida com 7 anos.

Ao conversar com a população local toma conhecimento de vários crimes que ocorreram na freguesia, José Artur procura um padrão, procura encontrar quem está por detrás destes crimes e entender o seu porquê, segue as pistas, mas tudo é tão confuso e tão difuso: adultério, vinganças familiares, rituais satânicos, crianças abandonadas, pessoas que morrem mas não estão mortas, apenas vivem noutro local, encontramos uma trama bem montada e muito bem contada.

Portugal sempre teve, e continua em 2019, a ter excelentes escritores romancistas, e eu adoro ler bons livros de autores portugueses. Uma salva de Palmas para todos eles.
Profile Image for Sofia Teixeira.
608 reviews132 followers
July 21, 2015
Existem muitas coisas extraordinárias no seio da literatura portuguesa, mas as mais marcantes são aquelas que pegam em território conhecido e o fazem renascer aos olhos do leitor. Arquipélago é uma dessas obras, que pega no conceito Açores, povoa-o com personagens misteriosas - umas simples, outras complexas na sua simplicidade - e tece uma série de histórias que acabam entrelaçadas e tão próximas que é impossível as dissociarmos umas das outras. Os costumes, as expressões e os rituais do povo açoreano são contadas de forma a provocar um certo fascínio e uma curiosidade imensa. No seu todo, Arquipélago é uma espécie de Caixa de Pandora em que nos perdemos quando realmente o abrimos, para só nos reencontrarmos quando o voltamos a fechar.

Em termos de enredo, Joel Neto, neste que é o seu primeiro romance, presenteia-nos com uma linha de acção que nada tem de uniforme. Se o protagonista vive em constante desafio e dúvida para consigo mesmo, a própria oscilação da narrativa entre o passado/presente/futuro faz com que as questões surjam desde muito cedo; a mente vai fervilhando com várias pontas soltas e quando sentimos a fragilidade de José Guilherme a vir à superfície, também o leitor tende a sentir-se algo perdido. Viajamos pela sua infância, passando pela sua vida adulta, onde testemunhamos uma relação da qual surge um filho de forma imprevista e em que mais tarde assistirmos a uma relação disfuncional com uma aluna, para nos estabelecermos no seu presente onde tenta recuperar a familiaridade de quando era criança e vivia nos Açores. Para além do interesse académico, com o passar do tempo este encontra cada vez mais razões para se estabelecer por lá, mas o mistério da morte da pequena Elisabete, amiga temporária daqueles tempos pueris, assombra-o e ele não vai descansar enquanto não desenterrar todos os esqueletos do armário.

Estamos perante um livro bem escrito em que o único aspecto que me esmoreceu a leitura, em alguns momentos, foi alguma suspensão na acção em alturas que me deram a sensação que provocariam uma maior precipitação de acontecimentos. Adorei a Maria-Rosa, sem dúvida uma luz na escuridão que por vezes se habatia no interior do nosso protagonista, e também de Elias Mão-de-Ferro, que envolto em tantos segredos finalmente tem a oportunidade de os expiar. Em Arquipélago, podemos então encontrar um alimento que tem tantos ingredientes de romance, como também umas pitadas de thriller, com a intriga a marcar o passo e o mito da Atlântida como catalisador.
Profile Image for Neni.
22 reviews17 followers
August 17, 2016
As críticas literárias não são o meu forte. Acerca dos livros só sei dizer se me agitam, se me mexem com o coração, se me deixam saudades dos personagens. Este fez-me sentir tudo isso e muito mais. Nunca hei-de esquecê-lo e à forma como me encheu a alma e me fez ter orgulho destas ilhas que são a minha casa.

Profile Image for Carla.
185 reviews25 followers
October 5, 2017
Ao terminar a leitura deste livro, fiquei convicta que a personagem principal do mesmo é a ilha Terceira, nos Açores, em sentido lato: os seus habitantes, as suas paisagens, a sua fauna e flora, o seu clima agreste e simultaneamente atractivo, as suas tradições, lendas e crendices, o seu isolamento, a sua história e a sua cultura em todas as vertentes, inclusive a gastronómica.

Nunca estive na ilha Terceira, apenas conheço São Miguel, mas o escritor Joel Neto consegue com uma mestria, resultante do amor que nutre pela sua terra natal, descrever de uma forma tão profunda e fotográfica a ilha e os seus habitantes, que parece que acabei de a visitar e de a conhecer, não como uma turista, mas como uma observadora que lá foi para a estudar.

Há autores que têm esse dom, fazer-nos viver noutros lugares e fazer-nos acreditar que aí estivemos, sem nunca lá termos ido.

É também um livro muito intimista, cujo enredo gira à volta de um professor universitário de História que regressa à ilha Terceira, com cerca de 45 anos, após de lá ter saído com apenas dez anos, a fim de se reencontrar, pois sente-se perdido e frustrado, como se a sua vida estivesse num impasse, em consequência de vários acontecimentos ocorridos durante trinta e cinco anos na cidade de Lisboa, onde passou a viver, que lhe causaram um sabor amargo a culpa, um dos sentimentos mais nefastos: o seu afastamento do pai, o seu divórcio, a incapacidade de se relacionar com o seu filho e de realizar a tese de doutoramento, o que poderia levar ao seu despedimento na Universidade onde leccionava.

No seu regresso aos Açores e no esforço que desenvolve em efectuar uma investigação científica sobre a origem dos seus primeiros habitantes, que estaria relacionada com a existência da Atlântida, a qual se poderia aí ter situado, vai fazendo várias descobertas, de que muito antes dos navegadores portugueses terem chegado a essas ilhas no século XV, há vestígios da sua ocupação por povos desde o Neolítico, com rituais que se perpetuam até ao presente.

E durante as suas pesquisas, vai revendo vários habitantes locais que com ele e com a sua família conviveram na infância, permitindo-lhe recuperar as memórias dessa época, algumas boas, como o amor que sentia pelo seu avô, e algumas más, como a sua incapacidade de sentir a terra a tremer, o que sucedeu quando ocorreu o terramoto de 1980 em algumas ilhas açorianas, bem como com o desaparecimento de uma amiga de infância.

Esse mistério relacionado com outras mortes que ocorreram durante várias décadas na ilha, confere ao livro uma certa faceta de policial, a juntar a todas as outras características do mesmo.

É, por isso, um livro muito ecléctico, original e criativo, e bastante diferente dos que costumo ler de outros autores portugueses.

Por último, refiro que o final é muito bom, porque decorre a uma velocidade cinematográfica, que nos impede de interromper a sua leitura, além de conter uma intensidade dramática invulgar.

Só não dei cinco estrelas a esta obra, pois achei-a demasiado longa, e a meio da mesma, a história parecia não avançar e era muito repetitiva, em parte porque José Artur Drumonde, o historiador, por ser tão indeciso, fez com que a narrativa girasse demasiado tempo em redor da sua incapacidade de revelar o seu amor a uma mulher por quem se apaixonou e andasse às voltas com a sua investigação, que também não saía do mesmo sítio.
Profile Image for Vanita.
93 reviews33 followers
October 27, 2015
Ler «Arquipélago» é viajar até aos Açores pela mão de Joel Neto. É penetrar no azul imenso, respirar no calor afogueado da atmosfera marítima, com cheiro a enxofre, e enveredar pela imensão de verde que se confunde com todas as cores. «Arquipélago», de Joel Neto, é uma ode aos Açores, um hino de luxúria, um abraço de gratidão e alegria que se bebe sem pressa, com o descanso de quem chegou onde pertence. Não somos nós que chegamos a casa, é Joel Neto que nos conduz neste regresso personificado em José Artur. Um regresso que, mais que da personagem, é do autor e também um pouco nosso, que nos misturamos com o que Joel Neto nos transmite. Caminhamos nos passos de Joel Neto - de José Artur, perdão! -, fumamos os seus cigarros e contemplamos com os seus olhos. «Arquipélago» é um reencontro com as nossas raízes e com o passado. É um pedido de perdão e a reconciliação connosco. Vamos pelas mãos do autor, mas seguimos a nossa própria viagem, com enlevo, pacificados. 
Profile Image for Maria João (A Biblioteca da João).
1,387 reviews250 followers
March 13, 2017
6,5 de 10*

Depois de ter lido, no ano passado, “A Vida no Campo” e de ter ficado fascinada com o livro e, principalmente com a escrita do autor, parti para a leitura de “Arquipélago” com as expectativas em alta.
Foi, por isso, uma enorme desilusão, a que eu senti ao ler este romance de Joel Neto, porque não encontrei a tal escrita maravilhosa nas páginas deste livro. Bem sei que são dois géneros literários diferentes, tratando-se um de crónicas (que refletem a sua vivência nos Açores depois de 20 anos afastado da terra onde nasceu) e o outro um romance. Confesso que é com alguma angústia que escrevo esta opinião.

Comentário completo em:
http://abibliotecadajoao.blogspot.pt/...
28 reviews2 followers
June 7, 2017
Provavelmente um dos melhores romances em língua portuguesa que li! Recomendo a todos que o leiam
Profile Image for Luís Queijo.
322 reviews28 followers
April 3, 2019
Tanta coisa que poderia ser dita acerca deste livro... a única que me ocorre é "magistral". Com um escrita impecável, descrições que "quase nos colocam na cena" e imensas variações rítmicas na narrativa, Joel Neto agarra-nos desde as primeiras páginas. A ler, definitivamente!!!
Profile Image for Paulo Caiado.
Author 1 book4 followers
June 13, 2016
Há uma semana atrás tinha pegado num romance escrito por uma amiga e que fora recentemente lançado. Infelizmente vi esse livro ser-me requisitado à força e tive de pegar noutro romance que tinha em espera na estante. Realmente ainda comecei a ler esse livro mas na minha recente visita à Feira do Livro deparei-me com o lançamento de um outro romance que de imediato suscitou a minha curiosidade.
Tratava-se de ‘’Arquipélago’’ de Joel Neto.
A sinopse e os textos de apresentação que fui lendo online falavam-me de uma narrativa a decorrer na ilha Terceira, nos Açores.
Pronto. Já não podia colocá-lo na minha lista de espera junto a mais de uma dezena de livros que aguardam a sua vez.
A Terceira é um lugar que me traz as melhores recordações e a pior das recordações. Ali passei dias fantásticos descobrindo a sua cultura única e passei um dos piores dias da minha vida.
A minha relação com a ilha não é contudo de amor-ódio mas sim de amor-carinho.
É um lugar onde sei que voltarei para ir a pequenos locais onde terei de voltar. Lugares que quero revisitar, lugares onde não tive oportunidade de ir anteriormente. E sei que num dia de chuva, assolado pelo vento estarei sozinho por algum tempo num pequeno cemitério situado numa escarpa voltada para o mar.
Mas isso são contas de um outro rosário.Agora é tempo de Sanjoaninas e de corridas à corda.
‘’Arquipélago’’ não me desiludiu. Ainda não o terminei porque o romance é muito extenso mas já estou conquistado. Em cada tempo livre destes dias de Junho, cinzentos e ventosos que odeio no microclima do oeste, eu volto à sua leitura, querendo saber mais da história que nele é narrada.
‘’Arquipélago’’ é, tenho a certeza disso, um dos melhores romances que foi escrito em língua portuguesa desde há muito tempo e apesar de não ser a sua primeira obra, é neste romance que Joel Neto se converte num dos maiores romancistas portugueses.
Confesso que não conhecia Joel Neto apesar de este ser uma presença permanente em muitos dos jornais portugueses, quer como jornalista quer como cronista. Actualmente escreve uma crónica diária no DN intitulada ‘’A Vida no Campo’’, descrevendo o seu dia-a-dia na ilha Terceira e julgo que ainda mantém uma colaboração permanente com o jornal desportivo O Jogo. Infelizmente para mim, não sou leitor assíduo de nenhum destes títulos.
Joel Neto tem uma vantagem ao encontrar um microcosmos que domina como poucos escritores contemporâneos. A cultura,a história, a fauna e a flora da ilha Terceira, de onde é natural e onde reside habitualmente.
Ao longo das páginas do livro reencontrei iguarias que só aí provei, expressões populares que ouvi, lugares por onde passei.
O mesmo restaurante em S. Mateus onde comi as mesmas lapas e cracas, a loja de Angra, as piscinas naturais dos Biscoitos, o ilhéu das Cabras, o molhe da Silveirinha, o sabor da sopa do Espirito Santo…
Enquanto o protagonista percorre a pé as canadas da ilha dou por mim próprio percorrendo algumas delas procurando a casa de uma amiga.
Os Açores e particularmente os Terceirenses deverão estar orgulhosos deste livro que aproveitando a trama da narrativa, vai apresentando aos restantes leitores o melhor que a Terceira e os seus habitantes têm para oferecer, a sua genuinidade.
Mas não se pense que este livro é um manifesto turístico que não é. A Terceira é uma ilha perdida no oceano, o sentimento de esquecidos por Deus também ali impera e nem o meio ano de festividades consegue amenizar essa sensação.
‘’Arquipélago’’ é o melhor romance de língua portuguesa que eu li em muitos anos e recordo-me bem qual foi o último romance que recebeu de mim o mesmo entusiasmo.
Com este romance, já o disse, nasceu um grande escritor.

Paulo Caiado
Um Momento Meu
(página)
Profile Image for Manuela Santos.
125 reviews6 followers
June 23, 2015
"«Ele sentou-se e olhou para a ilha. Podia estar a pensar: perecemos, cada um sozinho; ou então podia estar a pensar: alcancei, encontrei. Mas não disse nada.»
Virginia Woolf, Rumo ao Farol"

Foi o primeiro livro que li de Joel Neto, mas posso garantir que se trata de uma obra prima.
A escrita do autor é simples, directa, criativa, detalhada, poética, pausada e concisa.
A leitura é agradável, doce, delirante, compulsiva, viciante e fluída. Uma narrativa prazerosa, maravilhosa, deliciosa, cativante e deslumbrante. E o ritmo da leitura é alucinante.

Estamos perante a história de duas famílias açorianas da ilha Terceira, os Drumonde e os Silveira-Duarte e histórias que se entrelaçam entre elas. Além de um enredo bem produzido, fluido e elaborado conta também com um leque de personagens bem construídos que deixam o leitor preso ao livro. Transporta-nos do presente para o passado com fluidez, mestria e primor.

Trinta e cinco anos após o terramoto José Artur Drumonde faz-nos percorrer caminhos nunca antes percorridos nem imaginados, com ele caminhei a par das zonas descritas. As memórias do passado voltam quando José Artur participa nas obras de reconstrução da casa do avô que na altura do terramoto ficou bastante danificada. Quando estão a remover terra por baixo da garagem aparece um esqueleto quase inteiro de uma criança.
De quem seria aquele esqueleto e como teria ido parar ali? O mistério estava no ar e José Artur não iria descansar enquanto não descobrisse a verdade, e o que estava por detrás daquele acontecimento.

Não conhecendo a ilha, nem os Açores, o autor descreve-nos com precisão as paisagens, os lugares e os personagens. A viagem por terras açorianas, torna-se quase real. A cultura a faina, a flora, as planícies, os saberes, os sabores, os aromas e os costumes da ilha. Uma leitura que me prendeu da primeira à última página, onde ri e chorei.

Acabei a ler este romance com lágrimas nos olhos. Que posso dizer sobre o autor que saltou para o primeiro da minha lista dos autores portugueses.

Um escritor com uma técnica de escrita de excelência. Sabe escrever, criar e desenvolver histórias, fez-me sentir cada palavra que lia e à medida que a história avançava, era absorvida por esta narrativa maravilhosa emblemática e poderosa de mistérios, suspense, segredos, culpas, suspeitas, rivalidades, traições, mortes, acção, emoções, superstições e paixões.

Quem parte leva no coração saudades, alegrias, tristezas e o desejo de um dia voltar às suas origens.

Um Excelente contador de histórias, espero que a Academia Sueca olhe para este escritor e lhe atribua um Nobel de literatura. Um livro que daria um excelente filme.

Obrigada Joel por ter pegado num argumento tão belo do nosso país como os Açores. São pedaços e símbolos de terra que muitos de nós não conhecemos e ficamos com a curiosidade e o interesse de irmos à descoberta. Foi assim que a leitura deste livro me deixou.

O autor presta assim uma verdadeira homenagem à terra que o viu nascer e crescer. Os Açores por sua vez deviam enaltecer e agradecer ao Joel Neto que escreveu um livro brilhante como o Arquipélago.
Profile Image for João Duarte.
140 reviews4 followers
October 6, 2016
Que dificuldade, escrever sobre "Arquipélago".

Ao princípio, pensamos que se trata de um romance sobre um homem perdido nas encruzilhadas da vida, que regressa à ilha Terceira para se reencontrar. "Arquipélago" é isto, é um romance sobre os Açores, e é muito mais.

Embora ainda não tenha visitado a ilha Terceira, do que conheço do arquipélago há realmente uma mística a envolver os Açores. Talvez devido ao clima, talvez devido à beleza extrema da paisagem, o certo é que é um local que nos deixa em contacto com o mais profundo de nós próprios.

Neste sentido, não é de estranhar que este cenário case lindamente com esta narrativa, na qual José Artur Drumonde regressa à ilha onde nasceu para fazer pesquisas académicas, mas acaba a ficar por lá para recuperar a casa do seu avô e encontrar, finalmente, a felicidade ao lado da bela Luísa.

Embora este enredo possa não parecer o mais imaginativo do mundo, a verdade é que nos apercebemos que Joel Neto sabe escrever muitíssimo bem desde as primeiras páginas. Há amor, morte, vingança e redenção em "Arquipélago". Há todo um povo insular condensado em menos de quinhentas páginas, há descrições vívidas de toda e qualquer especialidade gastronómica, e o charme imenso de um protagonista que se desloca num Citroën clássico.

Sobretudo, há a certeza de se ter lido um grande romance português, que foi muito bem escrito. No final, é isso que importa.
Profile Image for Leonor.
210 reviews
June 28, 2018
São várias as coisas que procuramos ou que nos fazem apaixonar por um livro, a identificação pessoal é certamente uma delas. Este livro é uma história de muitos amores rodeada por vários mistérios mas o amor maior é a uma terra, a uma ilha, a um arquipélago e isso, eu percebo bem. Vivi naquelas ilhas 5 anos da minha infância e ler o Joel Neto é voltar lá em cada linha, aos cheiros, às cores, às palavras, às tradições, à música, à gastronomia, às surpresas horárias do clima; para mim é uma viagem no tempo e no espaço, às memórias que tenho guardadas. Que bom!
Para além disso, o livro fala-nos de um amor de infância, de um amor de adulto, de um amor de pai, dessa forma maravilhosa de amor que é a amizade e sim, há um ambiente policial e misterioso no meio disto tudo.
Obrigado e agora a caminho do Meridiano 28.
Profile Image for Clara Amorim.
58 reviews7 followers
July 27, 2015
Arquipélago: conjunto de "ilhas" avassaladoramente mágicas... de estórias, de pessoas, de lugares, de sensibilidades, de misticismo, de poesia, de palavras que tocam os lugares mais profundos da nossa alma e do nosso coração!
Um livro encantador!!!
Profile Image for Jorge Silva.
3 reviews
January 1, 2016
Sou o pior leitor possível para este livro. Vizinho do autor, conheço as pessoas que inspiraram (quase) todas as personagens, conheço os lugares, as estradas, os caminhos, os cheiros, as cores e os sabores. Sei o que é ficção e o que é inspirado na realidade, sei mais que o autor sobre muitas coisas que surgem na narrativa.
Ah, sim, a narrativa. A melhor prosa de Joel Neto, sem dúvida. Li toda a sua obra, já tive alunos a analisar O Terceiro Servo e O Citroen Que Escrevia Novelas Mexicanas e não hesito nesta classificação.
Para quem não conhece a ilha Terceira, este é o aperitivo perfeito. Depois de ler, visite a ilha, conheça os lugares, prove as comidas, deixe-se insultar pelo Cabrinha de carne e osso, mergulhe nos mistérios que envolvem os primeiros povoadores, e só assim abarcará a obra em toda a sua plenitude.
Gostei de tudo? Não.
Achei supérflua a intriga sexual em Lisboa, achei mal resolvido o momento em que tudo se compreende, pareceu-me forçado, e não perdoo ao Joel a infelicidade da escolha que transformou Álvaro "Estevinho" (o homem que a terra já absorveu) em "Jacinto Estevinho" (a personagem), colocando-o assim no mesmo patamar de Jacinto Leite Capelo Rego, o famoso militante brasileiro do CDS...
Pormenores de
Profile Image for Ana Santos.
Author 2 books23 followers
July 23, 2015
Neste livro magistralmente escrito, que nos leva do sor(riso) à tristeza, da curiosidade e sobressalto à calma, (re)descobri a ilha em que nasci. Joel Neto capta a alma do que é ser nativo (por nascimento ou adoção) dos Açores. A essência das pessoas, da gastronomia, da paisagem, das pedras, do nevoeiro, dos mistérios, estão presentes de um modo em que me espelho mas que até agora não soube expressar. Mesmo os animais e até o velho Boca de Sapo são retratados no seu Anima e Animus. Foi como ver-me ao espelho, como ver a minha ilha natal pela primeira vez deste prisma mas sabendo que sempre esteve lá. Simultaneamente, a escrita é tão atrativa, tão hipnotizante que não consegui parar. Todos os anos tenho o meu TOP 10 de livros. Creio que este é o meu livro do ano, senão um dos da minha vida (mas isto só o tempo dirá – até hoje só tenho um). Arquipélado, de Joel Neto faz-me tudo isto e faz mais: desejo de ir à Terceira, ver o que ele relata, seguir as suas pistas. Ver e sentir com outros olhos e com outros sentidos. Como conceptualizou Christine Josso, há acontecimentos na nossa vida que são experiências fundadoras. Este livro, para mim, é uma delas.
Displaying 1 - 30 of 67 reviews

Can't find what you're looking for?

Get help and learn more about the design.