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256 pages, Paperback
First published January 1, 1963
A destruição da simbologia religiosa é reforçada pela destruição da linguagem, fragmentada, polissêmica, cujas palavras cindidas expõem a impossibilidade da poesia de falar sobre “este tempo”. Em vez de “balbuciar e balbuciar / sempersempre / adiadiante”, Celan resgata de Hölderlin o Pallaksch, sim e não ao mesmo tempo: esta é a expressão do mundo que pode “profundar-nos o fundo” e nos despertar do eterno cavar. “Algo não escrito, en-/durecido em linguagem, faz / brotar um céu” — é este algo que A Rosa de Ninguém procura. E para encontrá-lo, o poeta joga fora sua língua, joga fora seu país, para assim tê-los de novo.
Depois de jogadas fora, as raízes deixam a terra para fundar-se “no ar”, capazes de construir uma frágil choupana em que se pode encontrar a luz. Enfim, Celan parece fechar a porta da noite para abrir a porta da manhã; mas, ainda assim, o desamparo está presente: chegaria esta descoberta “tarde demais?”
Vad hände? Stenen klev ur berget.
Vem vaknade? Du och jag.
Språk. Språk. Med-stjärna. Bredvid-jord.
Fattigare. Öppen. Hemlik.