"O evangelho sempre será loucura para o homem não regenerado. Todavia, Cristo e os apóstolos não queriam que os cristãos dessem ao mundo motivos para que nos chamassem de loucos a não ser pela pregação da cruz. Não é essa a realidade de parte considerável da igreja evangélica brasileira. Desvirtuam os ensinos de Jesus e promovem tanta insensatez, superstição, coisas ridículas, que damos aos inimigos de Cristo um chicote para nos baterem. Somos ridicularizados, não por pregar a Cristo crucificado, mas pelas sandices e bobagens feitas em nome de Jesus. Nenhum desses males, entretanto, alcança o dano provocado pelo câncer do ateísmo cristão. Que diferença há entre não acreditar em Deus e acreditar num que não intervém, não age na história humana e nem se relaciona com as pessoas? Quando Augustus Nicodemus reuniu seus melhores e mais contundentes artigos em O que estão fazendo com a Igreja, o retrato era melancólico e desalentador. Três anos depois, ao escrever O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja, os ventos de doutrina resultam em uma igreja evangélica ainda mais fraca, indecisa e com voz moral ainda mais disfônica. Este livro nos provoca a escolhermos entre o certo e o errado, pularmos de nossas poltronas e tomarmos partido nessa verdadeira guerra que a igreja evangélica brasileira vive contra suas próprias entranhas. Qual o nosso papel nessa história? Quanto estamos dispostos a mudar nossos próprios conceitos para a missão de ser ""sal da terra"" em uma sociedade com os paladares tão alterados? O ateísmo cristão e outras ameaças à Igreja oferece algumas luzes poderosas, vindas diretamente de dentro da Igreja, como autêntico farol que deveria ser."
Fez seu curso de bacharel em teologia no Seminário Presbiteriano do Norte, em Recife. Depois, obteve o mestrado em Novo Testamento na África do Sul, na Universidade Cristã de Potchefstroom, ligada à Igreja Reformada.
Posteriormente, depois de servir como professor, deão e diretor do Seminário Presbiteriano do Norte, bem como pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife, obteve o grau de doutor em Hermenêutica e Estudos Bíblicos pelo Seminário Teológico de Westminster, na Filadélfia, Estados Unidos, com estudos adicionais na Universidade Reformada de Kampen, na Holanda. Seu doutorado no Brasil é validado pela PUC do Rio de Janeiro.
Foi pastor da Igreja Evangélica Suiça de São Paulo, professor e diretor do Centro Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper, da Igreja Presbiteriana do Brasil.
É autor de diversos livros, entre eles "O Que Você Precisa Saber Sobre Batalha Espiritual", "A Bíblia e Sua Família", "O Culto Espiritual", "A Bíblia e Seus Intérpretes" e comentários sobre diversos livros da Bíblia.
Foi chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie por dez anos. Atualmente é é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia.
A igreja atual tem sido ameaçada por diversas fontes. E o pior: elas vem de dentro!
Bem, eu esperava uma leitura técnica e complexa devido ao autor, mas acaba que é um livro extremamente simples. A leitura é fluída, descontraída e rápida. Nicodemus trata de alguns assuntos de maneira bem breve, dando um resumo da sua posição ou da verdadeira sã doutrina quanto a algumas perigosas divergências teológicas.
A primeira parte fala sobre os erros dos neopentecostais. Ele esclarece o assunto quanto aos "apóstolos" atuais, quanto aos incrédulos que se escandalizam por algo que dizem ser o evangelho, mas não é, quanto à possibilidade de um crente ficar doente (sim, é possível ter fé e doença ao mesmo tempo) e quanto ao exageiro com o tratamento das coisas de Satanás. Enfim, ele trata sobre alguns erros do movimento neopentecostal no Brasil, expondo a palavra de maneira muito tranquila.
A segunda parte fala sobre os liberais, aqueles que tratam a Bíblia através de uma visão histórica e não incluem o sobrenatural. Essas pessoas, muitas vezes, distorcem a Palavra de acordo com seus próprios interesses. Ele trata, basicamente, sobre a frieza na fé, quando pessoas tratam o Reino como algo técnico, não tendo interesse pela real verdade. Sendo racionais.
A terceira parte trata dos libertinos, uma galera já conhecida. Dentre eles, vem defesas do relacionamento sexual fora do casamento e justificativas para praticar o ato desde cedo, afinal é um dom de Deus. É um capítulo bem breve, afinal, os argumentos a favor desse tipo de prática são muito simplistas.
Na quarta parte, ele trata dos neopuritanos e dos fundamentalistas, pessoas que querem implantar uma tradição cristã extremista em alguns pontos. Nesse capítulo ele também explica a própria posição quanto ao calvinismo, uma explicação que qualquer um poderia ler e ser edificado, independente de sua posição teológica.
A quinta parte é sobre o teísmo aberto, doutrina (muitas vezes subconsciente) que vê o mundo mais da visão pagã e ateísta do que da visão cristã. Coisas como "tudo acontece por acaso", ou "Deus é mau por ter deixado tais pessoas morrerem".
A sexta parte fala sobre os desigrejados e os espiritualistas. Os desigrejados pregam que Jesus nunca instituiu uma igreja como temos hoje, e que devemos nos reunir nas casas, nas ruas, e não é necessário se vincular a uma comunidade institucional. Parte do que eles defendem parece fazer sentido, mas Nicodemus desconstrói esses argumentos aparentemente sólidos. Já os espiritualistas defende o alcance de uma vida cristã superior pela força própria, pela piedade extrema, pelo êxtase espiritual entre outras coisas. O autor propõe um meio termo.
Em último lugar, bem, "Nem o culto escapou". Esse é o título da última parte. Ele fala de basicamente dois temas. O primeiro é a unção com óleo para diversos casos. Quando isso é permitido pelas Escrituras (se é que é permitido)? Em segundo lugar, sobre os que defendem as danças como parte do culto, defendendo coisas como "Davi dançou, também vou dançar", e que quando o Espírito está presente, somos "livres pra adorá-lo como quisermos". Falácias, obviamente.
Enfim, um bom livro. Bem básico, mas preciso. Creio que não seja uma leitura igual à leitura do livro Apóstolos, do mesmo autor, mas é para um público mais simples.