Os temas mais importantes dos últimos dez anos, analisados por um dos comentadores políticos mais influentes do país.
«Porque contra factos há imensos argumentos, não sou um mero observador. Escrevo para mudar a realidade. Sem ser mensageiro de opiniões alheias, estou comprometido com uma tradição política e com os que tradicionalmente têm menos poder social. Aqueles que têm menos presença no espaço mediático. Porque sou jornalista e respeito quem me lê, recuso a falta de rigor. Mesmo que ela sirva uma boa causa. A minha fraqueza? Prefiro uma má heresia a uma banalidade caridosa.»
Filho natural do poeta Herberto Hélder e de Isabel Figueiredo. De acordo com o próprio, a família materna teve vários apoiantes e militantes do Partido Comunista Português, mãe incluída.
Estudou no Liceu Pedro Nunes e no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa. Como jornalista, trabalhou n'O Século (1988-1989), no Diário de Lisboa (1989-1990), nas revistas Já (1997) e Vida Mundial (1998-1999), nos programas de reportagem da RTP Juízo Final (2000) e Loja do Cidadão (RTP) (2001) - tendo sido editor deste último -, no Diário Económico (2000) e no programa da RTP Todos Iguais (2001). Foi autor do programa Trabalho, da RTP, também em 2001. Venceu o prémio revelação Gazeta, do Clube de Jornalistas, em 1998 com uma reportagem sobre a Primavera de Praga, publicada na revista Vida Mundial. Foi publicitário de 1993 a 1994.
Entrou para o PCP em 1983 tendo saído em 1989.
Fundou, em 1991, com Joaquim Pina Moura, José Barros Moura, José Luís Judas, Miguel Portas e Ivan Nunes a Plataforma de Esquerda, de que foi dirigente e que viria a abandonar quando esta fez um acordo autárquico nacional com o Partido Socialista.
Funda, em 1994, com Miguel Portas, Ivan Nunes, Paulo Varela Gomes e ex-dirigentes do MDP/CDE, a Política XXI, que se juntaria ao PSR e à UDP, em 1998, para criar o Bloco de Esquerda. Foi assessor de Imprensa do Bloco de Esquerda de 2002 a 2005, tendo abandonado funções políticas profissionais em Fevereiro de 2005. Foi membro da Mesa Nacional e da Comissão Política do Bloco de Esquerda até 2006. Abandonou a militância do Bloco de Esquerda, de que foi um dos fundadores, em 2013, sendo hoje independente.
Daniel Oliveira é autor e fundador (com Rui Tavares, André Belo, Celso Martins e Pedro Aires Oliveira) do Barnabé, um dos blogues que atingiram maior notoriedade na blogosfera portuguesa, escrevendo hoje no blogue Arrastão. É colunista dos jornais Expresso e Record, como adepto do Sporting Clube de Portugal, e participa no programa da SIC Notícias O Eixo do Mal (anteriormente apresentado e moderado por Nuno Artur Silva, sendo substituído em 8 de fevereiro de 2015 por Aurélio Gomes, com os comentadores Clara Ferreira Alves, Pedro Marques Lopes e Luís Pedro Nunes) e no programa do canal Q "Sem Moderação", com João Galamba, José Eduardo Martins e Francisco Mendes da Silva.
Um estudo realizado pela empresa de consultoria de comunicação Imago-Llorente & Cuenca, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, divulgado em março de 2015, colocou Daniel Oliveira em décimo quinto lugar na lista dos políticos portugueses mais influentes na rede social Twitter, numa lista liderada pelo líder do partido político LIVRE, Rui Tavares. (in Wikipedia)
Não deixo de me surpreender com o jornalista Daniel Oliveira. Não concordo sempre com as suas posições, ainda que já as tenha achado mais radicais - ou foi ele que moderou o discurso ou fui eu que radicalizei o meu…
Acima de tudo, é como acredito que deve ser um bom jornalista: rigoroso, preocupado com os factos e com uma perspetiva abrangente e ampla. Este é o ponto de partida. Com ele, interpreta esses factos, enquadra-os politicamente e dá a sua opinião. A sua escrita é claramente comprometida. Como o próprio refere, com ou sem militância partidária ativa, não quer ser independente. É um cronista vincadamente de esquerda e sem falsos pudores em assumi-lo. Brilhante!
Várias vezes pousei o livro e pensei “Hum, interessante, nunca tinha pensado nisto ou nunca tinha pensado deste ângulo”. Saio de cabeça aberta. Quem partilha connosco o seu pensamento crítico, também nos ensina a pensar. Obrigada.
Sou um fã confesso de livros de crónicas. Tendo a dedicar-lhes um método de leitura pouco ortodoxo, que me agrada. E sou um leitor e um espectador atento do autor há já bastante tempo. Na minha opinião uma das vozes mais lúcidas e coerentes da cena política e jornalística nacional. O Daniel é mais um (talvez “o”) que me faz acreditar com grande convicção que a virtude na vida e na política, contrariando o adágio popular, está “ligeiramente” desviada do centro. A “década dos psicopatas” é uma extraordinária coletânea de artigos de opinião, ampla, comprometida, com a marca distintiva do discurso fervoroso, convicto e certeiro do autor, que se torna particularmente interessante, não só pela análise que traz, mas também pela evolução do enredo circunstancial que a condiciona. O caráter presciente de alguns textos, redigidos nas fraldas dos maiores estoiros mediáticos da década é assombroso. Das incontáveis passagens possíveis (guardei uma ou outra no moleskine designado), fica a primeira de todas: “Psicopatas. É assim que um documentário canadiano define as grandes empresas internacionais. Sintomas: incapacidade de se regerem por uma ética pública, de manifestarem preocupação pelo bem comum, e de reconhecerem culpa. Dirigidas por funcionários, detidas por uma massa informe de acionistas, a moral é-lhes completamente estranha.” E é então que, face ao exposto, me obrigo a citar Buzz Lightyear, em breve preleção filosófica contemplativa: “Psicopatas. Psicopatas everywhere.”