"Estrela polar" tráz-nos o interior da mente de Adalberto, regressado a Penalva (a sua, e minha Guarda), após a morte dos pais para tomar conta da livraria da família.
Aí apaixona-se por Aida (ou por Alda?) e conta-nos a sua desgraça e as suas divagações.
Num livro pautado pela tragédia, Vergilio Ferreira mostra mais uma vez a sua mestria a utilizar as palavras.
"Caminho à deriva pela praia deserta, plantada da estacaria nua dos toldos, a crista da areia húmida estalado-me sob os pés. Passo além do rochedo encostado ao mar,..., olho ao alto o castelo incendiado de sol. A manhã abre em auréola, o mar é liso e unido como um mármore. "
" Na saleta que dava para o quintal, uma braseira aquecia um ar de intimidade, um feixe de sol entrava oblíquo pela janela, aninhava-se a um canto como num sossego de sesta. "
" Desaperta a blusa e tira um seio apojado que aponta à boca do pequeno. Ele defende-o poisando nele a sua mão pequena de brinquedo, mama com gula, revirando para mim um olho... Depois, abosorto na tarefa, cerra os olhos de gozo. E por fim, adormece, um fio de leite escorrendo-lhe ainda da boca entreaberta."