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Obra poética integral de Cesário Verde

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Cesário Verde caminhou na contramão de seus contemporâneos; a observação direta e aguda, os motivos prosaicos e seu verso lapidar fazem-no poeta inovador em seu tempo. Razão por que foi pouco lido e muito pouco compreendido em sua época. Entretanto, nas últimas décadas tem sido considerado o grande precursor das letras modernas, em Portugal. Sua poesia impressionista e densa, fruto de uma observação aguda, os motivos prosaicos e o domínio do intelecto, foi rapidamente percebida pelos modernistas. Os poetas do Orpheu logo o compreenderam; tornou-se uma espécie de arauto da modernidade em Portugal. Fernando Pessoa considera-o um mestre. O heterônimo Caeiro homenageia-o. Mário de Sá-Carneiro detém o olhar no seu traço de poeta andarilho urbano. Ricardo Daunt, crítico literário, poeta, romancista e contista, considerando a importância de Cesário Verde na dinâmica evolutiva da poesia portuguesa, assumiu a tarefa de apresentar na íntegra e sem falhas não somente a produção poética de Cesário Verde, como também suas cartas (algumas inéditas em livro), além de dar conta de sua biografia. Buscou em bibliotecas públicas e periódicos os subsídios que pudessem alinhavar a obra em sua feição integral e fez entrevistas com pesquisadores ligados ao acervo remanescente do poeta. Centenas de documentos originais foram examinados, e toda a bibliografia existente acerca de Cesário Verde, à época em que este trabalho foi preparado, analisada.

266 pages, Paperback

First published January 1, 1964

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About the author

Cesário Verde

47 books72 followers
Cesário Verde (February 25, 1855 – July 19, 1886) was a 19th-century Portuguese poet. His work, while mostly ignored during his lifetime and not well known outside of the country’s borders even today, is generally considered to be amongst the most important in Portuguese poetry and is widely taught in schools. This is partly due to his being championed by many other authors after his death, notably Fernando Pessoa.

Cesário Verde is frequently hailed as both one of Portugal’s finest urban poets and one of the country’s greatest describers of the countryside. Thus, Verde’s poems (always written in the alexandrine structure) are mostly split into “city poems” and “countryside poems” (the few that escape these two categories dealing with love, often scorned.)

Cesário Verde’s city poems are often described as bohemian, decadent and socially aware. He is hailed as Portugal’s first great realist poet, frequently dealing with scenes of poverty, disease and moral decay. His poems also frequently deal with spleen and ennui. In “O Sentimento Dum Ocidental” (“The Feelings Of A Westerner”), Verde captures the atmosphere of decadence then growing in Portuguese society, comparing the past discoveries and expeditions of Portugueses sailors, as well as the works of national poet Luís de Camões, to the present. He also expresses a longing to experience a larger world beyond the city, pining for “Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!” (“Madrid, Paris, Berlin, St. Petersburg, the world!”)

While the city is corrupt and decaying, the countryside in Verde’s poetry is described as lively, fertile and full of beauty. Even the growing industrialization of agriculture isn’t seen as a worrying factor

[...]

The autobiographical poem “Nós” gives an idyllic description of Verde’s youth living on the farm – latter poems show the countryside as the peaceful setting for picnics, and as an opportunity for long walks with female companionship. Whilst in his “city” poems Verde describes spleen and disease, in his descriptions of the countryside the protagonists are often strong, happy and robust.

In his poetry, Cesário Verde references Balzac, Baudelaire and Herbert Spencer. His letters also contain quotes from Victor Hugo, Flaubert, Taine and Quinet. On a national level, the authors referenced are Luís de Camões and João de Deus.

Although he was never very celebrated during his lifetime, Verde did socialize with many of the country’s foremost literary figures (some of these meetings may be attributed to Verde’s republican sympathies, then highly in vogue amongst the country’s intellectuals.) Fialho de Almeida is said to have greatly admired him, and other acquaintances include Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Gomes Leal, João de Deus, Abel Botelho and the painter Rafael Bordalo Pinheiro.

After his death, Verde’s reputation has steadily grown. He was particularly embraced by Portuguese modernists such as Mário de Sá-Carneiro and Fernando Pessoa (whose heteronyms Álvaro de Campos and Alberto Caeiro praise Verde.) More modern admirers include Eugénio de Andrade and Adolfo Casais Monteiro

During his lifetime, Cesário Verde published around forty poems in various papers. After his death, his friend Silva Pinto published “The Book Of Cesário Verde”, collecting his poems. The first edition was published in April 1887 – two hundred copies were printed, to be dispensed as gifts only. The compilation was only made available commercially in 1901. More recent editions have respected the order in which the poems were first compiled, but added others that weren’t included in the first selection. The book now includes Verde’s entire poetic oeuvre.

Source: http://en.wikipedia.org/wiki/Ces%C3%A...

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Sandra Dias.
860 reviews
July 10, 2021
Acabei hoje de ler "O livro de Cesário Verde" edição publicada pela Ulisseia.
Curiosamente esta edição de bolso, com introdução de Maria Ema Tarracha Ferreira, é de qualidade superior a esta edição da Dom Quixote.
Embora esta edição contenha uma "Nota sobre o autor" e uma pequena e abreviada biografia do poeta pela autoria de Joel Serrão, a outra edição tem uma biografia mais completa e um texto que contextualiza o autor e a sua obra na época em que viveu.

Os poemas de uma edição e de outra são exatamente os mesmos.
Assim sendo, entre as duas edições, gostei muito mais da Biblioteca Ulisseia de autores portugueses. E é essa mesma que recomendo.

Quanto à poesia em si, já escrevi uma pequena opinião na outra edição.
Profile Image for Márcio Sobrinho.
70 reviews3 followers
December 15, 2018
Poeta da minha admiração, não tanto pelos temas, mas por sua verve, sonoridade e perfeição métrica. Muito interessante também conhecê-lo por suas cartas, sempre muito amável com seus raríssimos amigos e férreo no trato comercial.
Profile Image for Inês.
240 reviews
December 27, 2022
Para alguns são prosaicos, são banais
Estes versos de fibra suculenta;
Como se a polpa que nos dessedenta
Nem ao menos valesse uns madrigais!
160 reviews
March 22, 2026
Subtraí-o à estante da senhora, em casa de sua mãe, em 1 de Dezembro do ano 15.
Li a introdução, poemas e cartas passim ao serão dêsse dia.
Arejei-o hoje, primeiro dia de Primavera de 26, para lhe forrar a capa em papel vegetal. Enquanto o não encaderno por capricho.
Aproveito e leio as cartas a João de Sousa Araújo (pp. 145 e ss., por abrir até hoje), coimbrão funcionário do Ministério da Fazenda em Lisboa, jornalista, escritor, que esteve noivo de Júlia, irmã de Cesário. Ambos deambularam por Linda-a-Pastora pelos anos de 1871-72, haveria Cesário Verde dezasseis para dezassete anos.
A senhora não me sabe dizer se o volumezinho era de sua irmã, se da madrinha. Uma delas estudou por ele; o poema «O Sentimento dum Ocidental» (pp. 63-71), dedicado a Guerra Junqueiro, está anotado a lápis. Mas não reconhece de qual delas a letra.
As anotações são de escola, ou do liceu. Pela cronologia da edição (3.ª) cuja publicação é incerta, mas remete para fins dos anos 70, será, a final, de sua irmã. Tornam o poema assim em matéria de exame. Anotações de cartilha liceal, entre um bocejo e o toque da campainha, num outro registo de «quadro revoltado» de realismo e naturalismo escolar, sucessor lisboeta distante dos quadros parisienses de Baudelaire que inspiraram o original.
Releio agora o poema, para lá destas considerações.
Longo, meio desgarrado, fixa-se numa Lisboa lúgubre: o anoitecer, a iluminação a gás a dar fundo a sombras fantasmagóricas da faina dos trabalhos antigos (varinas, floristas, costureiras, coristas, calafates, carpinteiros, lojistas enfadados à porta das lojas) e ócio (E eu, de luneta de uma lente só // Eu acho sempre assunto a quadros revoltados // Entro na «brasserie»; às mesas de emigrados // Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.).
Cabe lá tudo, numa morbidez doentia (como o A.) e a instantes anacrónica; achar varinas sacudindo as ancas opulentas à hora da luz a gás — mais certo havia de ser pelo amanhecer, na lota — e a descarregarem carvões (no que seriam antes carvoeiras); vão a par costureiras que também são comparsas nos teatros, ou coristas, e nisto batem certas as horas do poema, mas só para lá das matinés.
É uma impressão de Lisboa de c. de 1880, publicada nesse ano do tricentenário de Camões.
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